Capítulo 5

1531 Words
Capítulo Cinco Muitas coisas acontecem ao mesmo tempo. Meu pescoço e minhas orelhas pegam fogo, e meu rosto parece mais vermelho do que a bandeira soviética. No piloto automático, desligo minha calcinha vibratória e largo tudo o que estava segurando na mão esquerda. Ao mesmo tempo, tiro a mão direita da calça e limpo os dedos na camisa. Porque eu sou elegante assim. O chocolate nos olhos do Russo não está derretido como costuma acontecer. Está solidificado em choque quando ele olha para mim. — Quem é você, e o que diabos está fazendo? Sua voz profunda com sotaque do leste europeu é tão sexy que quase chego ao meu clímax interrompido. Mas não. Porque, mesmo em meio ao meu choque, percebo como essa situação é horrível. Meu coração dança um balé intrincado em meu peito enquanto eu deixo escapar: — Isso não é o que parece. Ele estreita os olhos. — Então sua mão não estava em suas calças? — Ele lança um olhar para a tanga no chão. — E você não estava cheirando meu cinturão de dança? Eu enxugo uma gota de suor da minha testa, um erro porque sinto o cheiro do meu sexo em meus dedos. — Quero dizer... não sou uma stalker maluca. Isso é diversão sombria em seu olhar? — Então, você não invadiu meu camarim? Ou se masturbou com meu cinturão de dança? Sinto-me tonta, o que deve tornar mais fácil para o chão me engolir no local. Não. Ainda aqui. Engolindo um caroço do tamanho de um quebra-queixo na garganta, tento novamente. — Eu invadi, mas tive um bom motivo. Um sorriso torce seus lábios. — Eu adoraria ouvir isso. Gambás me mordam. Ele acha que estou blefando. Agora, o que eu faço? Meus pensamentos estão confusos demais para inventar uma boa mentira, ou qualquer mentira, na verdade. Se ao menos eu tivesse Gia em meu ouvido agora. Ela saberia o que dizer. Mágicos mentem para viver, então, ela é muito boa nisso, ou talvez ela tenha se tornado uma mágica porque... Espere um segundo. Pensar em Gia me deu uma ideia, e bem na hora. O Russo parece prestes a chamar a segurança. — Foi um desafio — Deixo escapar. Seu sorriso evapora. — Um desafio? — Sim — digo sem fôlego. — Minhas irmãs me obrigaram a fazer isso. E sim, elas poderiam ter feito – pelo menos quando éramos mais jovens. Gia, em particular, era má quando se tratava de coisas assim. Uma noite, ela colocou meus dedos em água morna para testar o mito urbano de fazer xixi na cama... o que acabou sendo verdade. Além disso, dever um favor a Gia muitas vezes resultava em muita humilhação tal qual estou sentindo agora. — Suas irmãs? — Ele olha de mim para sua tanga. — Irmandade ou biológicas? As melhores mentiras são aquelas baseadas na verdade, então, por mais que eu queira que ele pense que sou jovem e descolada o suficiente para estar em uma irmandade, eu digo a ele que era a última opção e adiciono: — Tenho aversão a maioria dos cheiros, então, elas acharam que seria engraçado me fazer testar a mim mesma enquanto eu cheirava sua tanga. Pronto. Agora que eu disse isso em voz alta, na verdade parece um pouco mais crível do que a verdade real. Ele franze a testa. — É um cinturão de dança, não uma tanga. — Claro, um cinturão de dança — digo. Não há uma grande diferença, mas não estou em posição para discutir detalhes agora. Ele inclina a cabeça. — Então você afirma que foi forçada a fazer isso? Eu concordo. — Porque você deveria odiar? Assinto de novo, com menos confiança. O sorriso está de volta e é muito sexy para a minha sanidade. — Você não parecia ou soava como alguém que odiava o que estava fazendo. Soava? Então ele ouviu? Eu me levanto com as pernas bambas. — É melhor eu ir embora. — Não tão rápido. — Ele avança sobre mim. Ah, c*****o. Ele está prestes a me estrangular? Ou me beijar? Sinto uma pontada daquele orgasmo nunca alcançado enquanto imagino o segundo cenário. Em um sopro, ele está no meu espaço pessoal. Não consigo deixar de sentir o cheiro dele – e seu cheiro é tão gostoso quanto o de sua tanga, apenas sutilmente diferente por ser diluído. Também detecto notas de peras frescas e patchouli que me dizem que ele deve ter usado colônia em algum momento. Deve ter sido há muito tempo, já que o cheiro é tão fraco que eu realmente gosto. Ele estende a mão, como se fosse me tocar. OK. Estou pronta para o que vem a seguir. Talvez ansiosa por isso – até mesmo pelo estrangulamento. Para minha grande decepção, ele passa por mim. Viro a cabeça e o vejo abrir uma pequena gaveta de onde tira um telefone. Oh. Deve ser por isso que ele voltou. Pelo telefone dele. Isso significa que não serei maltratada? Espere. Talvez ainda haja uma chance. Ele coloca o dispositivo no bolso, mas permanece perto de mim. Olhando para sua garganta forte e masculina, umedeço meus lábios. Ele estende a mão para mim. Sim! Quero dizer, como ele ousa. Oh, espere. Mais uma vez, ele não me toca. Que diabos? Ele enfia a mão na minha bolsa e, antes que eu possa gritar alguma coisa indignada, ele já está segurando minha carteira. Meu peito aperta. — Ei. O que você está… Então, eu compreendo sua intenção. Ele pega minha carteira de motorista e tira uma foto com o celular. Engulo em seco. Agora, definitivamente há diversão sombria em seu sorriso. Ele desliza a identidade de volta para minha carteira. — Se você planeja me matar e canibalizar meus restos, deveria saber que há uma foto sua na nuvem. — Ele estreita os olhos para a imagem em seu telefone. — Lemon Hyman é mesmo o seu nome? Meu coração bate forte em meus ouvidos. — Você está tirando sarro do meu nome? Ele coloca minha carteira de volta na minha bolsa. — E se eu estiver? Eu endireito minha coluna. — Eu diria para você ir se f***r. Ele bufa e olha para os dedos que estavam dentro de mim apenas um minuto atrás. — Se f***r é realmente algo que você quer trazer à tona? O calor corre pelo meu corpo – e não apenas por sua proximidade ou meu constrangimento. Também é um calor raivoso. O tipo que me faria odiá-lo, se eu pudesse. — Posso ir agora? — digo com os dentes cerrados. — Não — diz ele imperiosamente. Não? Caralho. Chamar a segurança ainda pode rolar? — Por que não? Ele estende o telefone para mim. — Me dê seu número. Dou um passo para trás e esbarro na cadeira. — Meu número? Ele arqueia uma sobrancelha. — Você tem o meu? — N-não — digo gaguejando. Verdade seja dita, eu tenho. Blue me deu. Eu nunca o usaria, porém, e dizer a ele que o tenho confirmaria sua teoria de stalker maluca. Com um gesto gracioso, ele enfia o telefone em minhas mãos trêmulas. — Nesse caso, vou precisar do seu. Agora. — Por quê? — Consigo perguntar enquanto digito trêmula meu número de telefone em seus contatos, meus pensamentos girando por toda parte. Isso é chantagem? Ele vai me obrigar a fazer alguma coisa agora? Algo sujo? Quando se trata de mim, ele agora possui kompromat, como eles chamam em sua terra natal. É errado esperar que ele troque por favores sexuais? Ele pega o telefone de mim. — Vamos nos encontrar para jantar amanhã à noite. Eu fico boquiaberta com ele. — O quê? Ele me olha, sua expressão insinuando que talvez eu seja a refeição. Ou sobremesa. — Vamos sentar um de frente para o outro em uma mesa. Em um restaurante. Comer. Conversar. — Ele sorri. — Algo disso soa um sino? Eu pisco atordoada. Meu cérebro claramente não está funcionando. — Hum, está bem. Jantar. O que seja. Preciso ir agora. Ele sai do meu caminho e faz um gesto que me lembra um de seus passos de dança. — Tenha uma boa noite. Dou um passo, totalmente preparada para ele me agarrar e chamar a segurança. Ele não o faz. Eu dou outro passo. Estou a trinta centímetros da porta agora. Sim. Talvez eu esteja segura. A parte do jantar é amanhã e... — Espere — Ele ordena. Caralho. Falei cedo demais. Eu relutantemente me viro para encará-lo. — O quê? — Um souvenir. — Ele se abaixa para pegar seu cinturão de dança. Eu o observo, sem palavras. Quando ele pega a peça de roupa, o controle remoto que controla minha calcinha vibratória estala no chão. Ele murmura algo em russo enquanto recolhe do chão. Endireitando-se, ele me olha com uma carranca. — Isto é seu? Eu luto contra o desejo de apressá-lo e arrancar o controle remoto de seus dedos fortes. — Não. Não sei o que é isso. — Certo.— Ele pressiona o botão “ligar”. — Isso parece algum tipo de engenhoca. Ah, c*****o. Minha calcinha começa a vibrar.
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