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O DONO DA p***a TODA

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Blurb

Dizem que todo homem poderoso tem um ponto fraco.Alguns escondem isso em cofres. Outros enterram no passado. E existem aqueles que transformam a própria dor em poder.Felipe era um desses homens.Na Rocinha, ninguém ousava pronunciar o nome dele sem respeito. Alguns o chamavam de chefe. Outros de patrão. Muitos apenas abaixavam a cabeça quando ele passava.Mas entre sussurros e olhares cuidadosos, todos sabiam de uma coisa.Felipe não era apenas um homem rico.Ele era o homem que mandava em tudo.O dono da p***a toda.O morro inteiro respirava no ritmo das decisões dele. Os becos, as festas, os negócios, o dinheiro que circulava pelas madrugadas quentes do Rio de Janeiro. Tudo passava pelas mãos daquele homem frio, imponente e quase impossível de desafiar.Felipe construiu seu império com inteligência, sangue e respeito.Mas nem mesmo o homem mais poderoso da Rocinha conseguiu controlar o destino.Dois anos antes, no dia que deveria ter sido o mais feliz da sua vida, Felipe perdeu a única mulher que já tinha amado de verdade.Isis.O nome dela ainda era um fantasma que caminhava silenciosamente pela memória dele.Ela morreu no dia do casamento.Executada diante dos olhos do homem que dominava um morro inteiro… mas que naquele momento não conseguiu salvar a mulher que amava.Aquele dia não matou apenas Isis.Matou algo dentro de Felipe também.Depois disso, o homem que já era temido se tornou ainda mais frio.Mais distante.Mais perigoso.Ele continuou vivendo da única maneira que sabia: cercado por festas, bebida cara, mulheres e noites que terminavam sempre do mesmo jeito… vazias.Nenhuma delas era capaz de ocupar o espaço que Isis deixou.Nenhuma sequer chegava perto.Felipe não acreditava mais em amor.Para ele, aquilo tinha morrido naquela noite de sangue.E talvez tivesse permanecido assim para sempre…Se Serena nunca tivesse cruzado o caminho dele.Serena não vinha do mesmo mundo.Ela não entendia o poder que Felipe tinha. Não entendia as regras da Rocinha. Não entendia o perigo que existia por trás daquele homem de olhar duro e postura dominante.Serena vinha de um lugar muito mais simples.Do interior.De uma vida marcada por dificuldades, silêncio e sobrevivência.Ela era bonita de um jeito que não precisava de esforço.Mas carregava dentro de si cicatrizes que ninguém conseguia ver.E talvez por isso ela tivesse aprendido a se esconder.Roupas largas. Olhos baixos. Distância dos homens.Serena não queria chamar atenção de ninguém.Especialmente de um homem como Felipe.Mas o destino tem uma maneira c***l de juntar pessoas que não deveriam sequer se encontrar.Quando Serena chegou à Rocinha com um grupo de voluntários que ajudava comunidades carentes, ela não fazia ideia de que estava entrando no território de um homem que estava acostumado a possuir tudo o que desejava.E Felipe também não fazia ideia de que aquela garota tímida, de olhar assustado e beleza escondida, seria capaz de quebrar todas as regras que ele criou para sobreviver.Ela não era como as outras mulheres.Não queria o dinheiro dele.Não queria o poder dele.Na verdade…Serena tinha medo dele.E talvez tenha sido exatamente isso que despertou algo que Felipe não sentia há dois anos.Algo que ele jurou nunca mais permitir.Desejo.Curiosidade.E um sentimento que ele acreditava ter enterrado para sempre.Mas amar novamente nunca seria simples para um homem como Felipe.Porque o passado ainda o perseguia.A guerra entre facções ainda existia.E o mundo dele era perigoso demais para alguém como Serena.Ainda assim…quando o dono da Rocinha decide que quer algo, raramente existe alguém capaz de impedi-lo.Nem mesmo o próprio coração.E Serena estava prestes a descobrir que se apaixonar pelo homem mais poderoso do morro poderia ser a melhor coisa que já aconteceu na sua vida…ou a mais perigosa.

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Felipe narrando… Na Rocinha existem três tipos de pessoas: as que obedecem, as que têm medo… e as que trabalham pra mim. Meu nome é Felipe. E se você já ouviu falar desse morro, então já ouviu falar de mim também. Aqui em cima não tem juiz, não tem polícia mandando em nada e não tem espaço pra gente fraca. Aqui quem manda sou eu. Cada viela, cada beco, cada esquina onde o dinheiro gira passa pelas minhas mãos. E se não passa… passa a partir do momento que eu descubro. Eu nasci aqui. Cresci correndo descalço nessas ruas, vendo gente morrer cedo demais e aprendendo que o mundo não tem pena de ninguém. Ou você aprende a ser forte… ou você vira lembrança. Eu nunca fui o tipo que aceita perder. Hoje eu tenho um metro e noventa, corpo fechado de tatuagem, cicatriz espalhada pelos braços e peito e um olhar que já fez muito homem engolir a própria coragem antes de falar comigo. Eu não preciso levantar a voz. Não preciso provar nada. Quando eu entro em qualquer lugar, o silêncio vem sozinho. Respeito não se pede. Se impõe. E eu aprendi isso cedo demais. Mas não pense que eu vivo trancado igual rei em castelo. Eu gosto da rua. Gosto da noite. Gosto de ver o morro vivo. Quando a música começa a bater forte nas caixas, quando as luzes acendem nas lajes e a bebida começa a rodar, é ali que eu me sinto no controle de tudo. Festa aqui não falta. Mulher também não. Sempre tem alguma querendo chegar perto do chefe, querendo sentir o gosto do poder, querendo dizer que ficou com o dono da Rocinha. Algumas vêm por dinheiro. Outras por status. E tem aquelas que só querem brincar com o perigo. Mas nenhuma fica. Nenhuma passa de uma noite. Porque eu não deixo. Porque depois do que aconteceu… eu não deixo ninguém chegar perto o suficiente pra me afetar. Dois anos atrás eu tinha algo que nenhum dinheiro compra. Eu tinha uma mulher que me olhava de um jeito que ninguém nunca olhou. Isis. Só de pensar nesse nome já me dá uma sensação estranha no peito, como se alguma coisa apertasse por dentro, mesmo depois de tanto tempo. Ela não tinha medo de mim. Não me via como chefe, nem como dono de p***a nenhuma. Ela me via como homem. E isso… isso foi o que me pegou. Porque ninguém nunca tinha me visto assim. Com ela eu não precisava ser o cara que resolve tudo, que manda, que controla. Com ela eu só… existia. E talvez tenha sido isso que mais doeu quando eu perdi. Lembro daquele dia como se fosse ontem. A Rocinha inteira em festa, música alta, gente rindo, bebida passando de mão em mão. Todo mundo feliz. Todo mundo celebrando. Era o meu casamento. Eu, Felipe, o cara que nunca acreditou em nada além de poder, prestes a casar. Leonardo até tirou sarro de mim mais cedo naquele dia. Leonardo: — Quem diria, hein… o Felipe rendido. Eu olhei pra ele com cara feia, mas no fundo sabia que ele tinha razão. Felipe: — Cala a boca e cuida da segurança, p***a. Afonso só ficou observando, como sempre. Ele não fala muito, mas quando fala é certeiro. Afonso: — Hoje é um dia importante. Fica atento. Eu sempre fico. Sempre. Mas naquele dia… nem todo o poder do mundo foi suficiente. O primeiro tiro veio seco, cortando o ar como um aviso. Depois outro. E mais outro. O caos começou na mesma hora. Gente correndo, grito, homem puxando arma. Eu puxei Isis pra perto de mim no instinto, tentando proteger ela, tentando tirar ela dali. Mas já era tarde. Quando eu olhei pra baixo… minhas mãos estavam cheias de sangue. Muito sangue. Ela tava nos meus braços, os olhos arregalados, confusos, tentando entender o que tava acontecendo. Felipe: — Olha pra mim… fica comigo… Mas ela não ficou. A facção rival mandou aquele ataque. Um recado. Uma forma de mostrar que nem eu era intocável. E ali, naquele momento, com ela morrendo nos meus braços, eu entendi uma coisa que nunca tinha entendido antes. Eu podia mandar em tudo… menos no destino. Desde aquele dia eu nunca mais fui o mesmo. Dois anos se passaram e a vida continuou. O morro não para. O dinheiro não para. A guerra não para. E eu também não posso parar. Hoje eu sou ainda mais frio do que antes. Mais calculista. Mais perigoso. Porque quando você perde tudo que realmente importava… nada mais te segura. Leonardo e Afonso continuaram do meu lado, como sempre estiveram. A gente cresceu junto. Eles sabem quem eu sou de verdade. Leonardo é impulsivo, resolve tudo na força. Se alguém atravessa o caminho errado, ele não pensa duas vezes. Já o Afonso é o contrário. Ele observa, calcula, pensa antes de agir. Enquanto um explode, o outro segura. E eu equilibro os dois. Por isso a gente funciona. Por isso a gente domina esse morro. Naquela noite eu tava na laje, como em tantas outras, com um copo de whisky na mão, observando o movimento. A música alta, gente dançando, risada pra todo lado. Leonardo chegou primeiro, já com cerveja na mão. Leonardo: — Tu tá com essa cara aí de novo, chefe. Vai assustar as mulher tudo. Dei um gole no whisky sem nem olhar pra ele. Felipe: — Quem quiser ficar, fica. Quem não quiser, some. Simples. Ele riu, encostando do meu lado. Leonardo: — Sempre desse jeito. Afonso apareceu logo depois, mais sério. Afonso: — Movimento tá tranquilo por enquanto. Mas é bom ficar atento. Assenti devagar. Felipe: — Eu sempre tô. Fiquei em silêncio por alguns segundos, olhando a festa, mas sem realmente estar ali. Porque por mais que tudo parecesse normal… nada era igual. Nunca mais foi. Eu tenho tudo. Poder, dinheiro, respeito. Mas existe um vazio que nada disso preenche. Um espaço que ficou ali, aberto, desde o dia que eu perdi a única mulher que eu já amei. E foi naquele momento que eu entendi uma coisa com clareza. Eu posso dominar um morro inteiro. Mas tem coisas que nem o dono da p***a toda consegue controlar.

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