Submissa

1484 Words
TERROR NARRANDO Morro da Penha cheira a fumaça, a ferro e a promessa de sangue quando o céu escurece. Não é lugar pra sentimentalidade; é lugar de contas a pagar, de nomes a guardar e de lealdades que se confirmam no pagamento do dia. Eu entro em cada rua sabendo que ali as ordens têm valor maior que o medo e que o tempo é o juiz mais severo. Busu me esperava na calçada em frente ao barraco onde sempre recebia a rapaziada. Olhei pro homem como quem conta as peças antes de abrir o jogo. Ele é dono da Penha naquilo que lhe interessa: distribuição, território, influência. Só que quem segura o eixo do carregamento sou eu. E ele sabia disso. Busu — Terror — ele falou seco, sem abraço, sem firula. — A gente precisa do carregamento até sexta. Sem atraso. A galera tá com fome e a pressão aumentou. — Eu sei — respondi, calmamente. — Qual a ideia? Vai entrar no esquema que a gente combinou? Busu coçou o queixo, os olhos atentos. Busu — Quero prioridade. Tô oferecendo adiantamento grande chefe , mas quero garantia de sigilo e escolta. — Eu não mexo com quem me troca. Prioridade e escolta você tem. O dinheiro que você adiantar garante a logística e o pagamento do pessoal. Me passa a quantia, que eu despacho amanhã cedo. Um moleque trouxe a sacola com os envelopes. Tirei o envelope com a minha parte, senti o peso do papel e contei por baixo os números. Dinheiro é linguagem que todos entendem. Busu me entregou a mão suja, e na minha cabeça as peças do carregamento já estavam encaixadas: rota, horário, barco falso, dois carros tampão, homem de confiança para levar até o ponto. Não se trata só de grana — trata-se de fé. Busu — Você garante? — ele insiste. — Garanto — respondo seco. — Mas tem uma coisa: reforce a parte das munições. Ou acha que vai sobreviver só com essa p***a ? Busu — Tu tá querendo me Arrancar grana — bufou — Mas já é acrescenta mas da metade Acertamos detalhes, nomes, contatos. A favela vive de silêncios e promessas; eu deixei claro a conta, a data e a consequência de quem mexer. Saí do encontro com o envelope no bolso e a cabeça mais fria do que entrei. Trabalho fechado. Não que isso me acalmasse. O trânsito até o sítio é sempre uma sensação estranha depois de andar no morro a cidade se abre e a luz é mais escassa, as estradas ficam mais vazias, o mundo ganha a velocidade da solidão. Dirigindo de volta, a noite me pegou em pensamento. O rádio na minha caminhonete falava baixo, umas batidas distantes; eu estava presente, mas com a cabeça longe. Pensei no médico outra vez as palavras daquele homem me perseguindo como um cartaz rasgado. LEMBRANÇAS ON Doutor — Piorar — Ele disse a palavra que ninguém quer ouvir — Se não responder ao tratamento, pode evoluir rápido. Em cenário r**m, falamos de semanas; mais realista, alguns meses entre um e três. Temos que continuar, mas não posso garantir muito além disso. LEMBRANÇAS OFF Foi direto. Médico não presta consolo ele fornece probabilidades. E a probabilidade quando vira sentença faz um túnel dentro do peito. Eu tinha construído uma vida de muralhas, mas havia coisas que se enraízam por dentro e que nem todo poder resolve. Elizabeth me vinha em flashes enquanto eu dobrava a serra: o riso que ela forçava nas manhãs de tratamento, a mão trêmula tentando ajeitar a manta na filha, a briga por um prato que ela insistia em experimentar mesmo que o remédio lhe revirasse o estômago. Eu não estava pronto pra perder aquilo. Não mais. E, no entanto, havia uma sensação ambivalente.. alívio por saber que a Raíssa tinha a Safira por perto. Acontece, nesses mundos tortos, que as pessoas se enlaçam por necessidade e por ternura. Safira cresceu aqui, com a tia que a acolheu, e cuidava da bebê com um zelo que não parecia de uma menina de dezesseis. Às vezes, quando eu a via com a minha filha, vinha um alívio duro , alguém ali que entendia a casa, que carregava parte do peso. Mas eu também sentia um aperto: e se ela resolvesse partir quando a tempestade passasse? E se essa garota, que tinha uma vida pela frente, simplesmente dissesse “não é minha obrigação” e fosse embora? Quem eu obrigaria a ficar? Eu não tinha nenhum direito de prender ninguém num lugar que não era prisão. E o pensamento da Raissa sofrer por abandono, por escolha de uma jovem que poderia querer voar abriu um buraco de medo que a minha grana não tapava. Estacionei no subterrâneo do casarão. O silêncio ali é de catedral: veículos, paredes grossas, circuito. Subi pelo corredor de serviço, esperando a noite tomar conta do chão. Foi então que ouvi a água bater a piscina cantando, tardia, como se a casa respirasse diferente. Não é hora de ninguém nadar, mas também não sei quem sou pra cobrar normalidade quando a urgência me ronda todos os dias. Fiz a volta e encontrei Safira ali, nadando como quem tenta se despir de dor com a água. Ela cortava a superfície com uma leveza que me fez parar antes de ser visto. Era quase indecoroso ver aquela cena alguém jovem tentando achar uma bolha de paz no meio do caos. A noite, a água aquecida, o biquíni que desenhava o corpo dela , suas curvas e movimentos . A visão me derrubou. Pensei logo na Raissa . “Provavelmente está dormindo”, raciocinei. Safira sempre arrumava a bebê antes de dormir , era ela que a ninava , ela fazia a rotina com competência de quem já exerceu cargo de mãe na prática. Isso me deu um alívio cortante, um fio de segurança. Eu no posso permitir que minha filha a perca , preciso de uma garantia , mas não sabia se merecia tê-la. Observei ela se secar, observando cada linha do corpo como um homem que não pode confundir responsabilidade com posse. Havia ali uma admiração , por sua força, pelo jeito quase maternal com a bebê e uma inquietação que enchia o peito de algo que beirava fome. corpo reagindo ao ver juventude e presença. Olhei em volta; as muralhas do sítio guardavam a casa. A vigilância fazia-se presente no meu olhar automático. Não havia vultos. Ninguém. Só eu e aquela cena que mexia com alguma coisa antiga dentro da carne. Suspirei, controlando o impulso de me aproximar; disciplinei a respiração sentindo meu p*u duro dentro da calça. Fazia messes que eu não sabia oque era prazer , Elizabeth estava m*l , e eu não queria força-la .. Nem tenho direito de exigir nada , mas hoje percebi o quanto meu corpo pede por alívio .. Entrei pelas escadas internas. O velho costume de medir passos, de afrouxar a tensão antes de chegar ao quarto, foi me ensinando a respirar. No caminho, os flashes voltaram a mão da Elizabeth que apertou a minha, o riso que ela guardava entre as sessões de quimio, o perfume que agora dava lugar a cheiro de remédios e de lençol lavado com água morna. Foi uma sequência de imagens que me enredou. No banheiro, a água gelada foi um choque e uma ordem cumprida. Joguei a cabeça embaixo da água , deixei a corrente cortar a imaginação que insistia em transformar olhares em desejos, olhei pra baixo, meu p*u pulsava desejando um simples toque , qualquer coisa que o fizesse cuspir — Não é momento pra isso — murmurei , o pensamento na Safira voltou, mais insistente o biquíni que abraçava o quadril, os s***s medianos — quando foi que ela se desenvolveu assim ? No quarto, Elizabeth dormia. A presença dela à minha direita era como ter uma bandeira branca plantada no peito: frágil, necessária. Deitei com cuidado, como quem evita despertar uma bomba, e segurei a mão dela. A pele estava fina como papel de seda, e a minha mão enorme cobria aquela fragilidade com força e promessa. Elizabeth — Resolveu ? — Eu tinha me esquecido em como ela tinha um sono leve — Sim — A alertei contra mim — descansa .. Elizabeth — Eu sinto seu m****o duro — engoli em seco — me desculpa não ser eficiente.. — Por favor.. não se preocupe com isso — ela se virou e me encarou Elizabeth — Eu vou preparar a próxima mulher que vai te servir — franzi o cenho — eu te prometo entregar uma submissa eficaz — respirei fundo , alisei os seus cabelos e fechei os olhos , resolvi não dar ideia para suas palavras, ela só estar decepcionada por não conseguir me ajudar com os desejos do corpo .. CONTINUA.. OBS: PARA MAIS CAPÍTULOS COLOQUEM O LIVRO NA BIBLIOTECA..
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