Eduardo assusta-se ao ver através daquela fotografia antiga, que tinha exatamente a cara de seu bisavô, Gaspar Castilho, a quem Marta havia mencionado o nome, o que o deixa ainda mais impressionado, Eduardo pega a fotografia e a segura junto de uma foto no celular, comparando a foto de seu bisavô coma sua fotografia, que eram idênticas...
— Caramba! Como pode? Eu herdei os traços do velho! MAs como pode? Até parece que sou eu no passado! Diz Eduardo.
Ele fica ainda mais impressionado, ao se questionar então como Marta sabia o nome de seu bisavô e os havia confundido... Sim, pois tudo leva a crer que foram confundidos por ela, mas como? Se estivesse vivo, seu bisavô teria mais de 120 anos, ainda que seja de seu conhecimento, que ele viveu até os 98 anos, não fazia sentido uma moça que aparentava ter seus 19,20 anos... Ter conhecido Gaspar... Eduardo então começa a mexer em mais coisas de seu bisavô e encontra um caderno de anotações, algo como uma agenda, que tinha até mesmo um cadeado, cadeado este que tomado pela ferrugem, quebra.
— Caramba! A letra do velho é muito bonita! Bonita e... Nossa! Como é parecida com a minha letra! Caramba! Realmente impressionante! Diz Eduardo completamente admirado.
Eduardo encontra dentro do caderno uma cartinha, escrita por uma mulher... A carta dizia o seguinte...
" Senhor Gaspar Caspar Castilho:
Venho através da redigida carta, lamentar o meu pranto, discorrer sobre a profunda decepção que estou sentindo, ao descobrir que fui passada para trás pelo senhor, meus pais, minha amiga Brígida, todos sempre me alertaram sobre o senhor, sempre me aconselharam a abandonar-lhe... Vê-lo abraçando aquela mulher, foi para mim motivo de dor e decepção, na calada da noite, logo quando planejávamos mais cedo fugir para longe... Enfim, venho lhe dizer que me esqueça, venho lhe dizer que não acredito mais em uma só palavra sua e que acredito em tudo que Brígida me falou a seu respeito... O senhor é um cafajeste, um conquistador barato! Isso que o senhor é! E não vou mais lutar contra minha família por você, que talvez só queira mesmo como Brígida me falou, o meu dinheiro, os bens da minha família... Então me esqueça! Irei casar com Estevão Buarque! O pretendente que meus pais escolheram... Passar bem!
Assinado: Marta Albuquerque..."
— Caramba! O velho levou um fora desses! MAs até onde me lembro, meu bisavô construiu toda a fortuna que inclusive herdei e conduzo até hoje... Como ele poderia querer dar golpe em alguém... Espera!
Eduardo olha novamente o nome escrito na carta, não podia acreditar nisso...
— Marta Albuquerque? Marta Albuquerque... Foi o nome que ela disse ser o nome dela! MAs o que está acontecendo aqui? Não faz a menor lógica, que sejam a mesma pessoa! Diz Eduardo.
Foleando a agenda antiga de seu bisavô de páginas amareladas e desgastadas pelo tempo...
" Theresina, 09 de julho de 1899, Marta entendeu tudo errado... Jamais lhe traí, sem que me desse chance de lhe explicar, fui acusado de traição, por uma pessoa falsa e sínica, fingida e maldosa como a senhorita Brígida, que sempre fez de tudo para me deixar mau com Marta, mas um dia... Um dia a verdade prevalecerá, pois a mulher que Marta me viu abraçar com tanto afeto, não era outra se não minha irmã Olivia, a quem fomos separados ainda na infância..." Diz a pequena anotação de Gaspar.
Eduardo imagina mil coisas, mas por mais absurdo que fosse, nada fazia sentido, sobre quem seria aquela pessoa que ele havia encontrado, caída naquele banco de areia, por mero acaso, que não tinha como ser uma encenação, não havia como ser nada planejado pelas circunstâncias, então ele vai até o quarto onde ela estava dormindo, sob efeito da medicação aplicada para ela se acalmar...
— Que sensação estranha! Que sensação estranha é esta que sinto... Por que... Olhando ela assim, dormindo tão calma, este ar de inocência em seu rosto... Me causa uma certa saudade... Eu não dizer ao certo de quê! Nem mesmo como, mas me dá uma certa saudade, não sei ao certo, mas é como se eu conhecesse ela... Mas de onde? Se pergunta Eduardo.
Tomado de um impulso, ele se aproxima de Marta dormindo e lhe acaricia os cabelos, o rosto... seus lábios... E vai se sentindo envolvido pelo momento...
— O que eu estou fazendo? Que absurdo! Como eu? Além de ser noivo da Amanda, isso é se aproveitar! Carlos tinha razão, eu deveria ter avisado logo as autoridades, que loucura passou pela minha cabeça trazer ela aqui? Amanda esta hora está em São Luiz resolvendo seus problemas familiares, e eu aqui, fazendo isso... Bem, já é tarde, eu... Eu vou dormir e amanhã, talvez ela acorde recuperada do surto, deve haver alguma explicação para ela estar vestida assim, e para saber da existência do meu bisavô...
Eduardo vai para o outro quarto e deita-se na cama, mas não parava de pensar em Marta agora, no toque em sua pele, no seu cheiro quando a carregou em seus braços e seu corpo vai inflamando de desejo e seu coração de uma saudade que ele não conseguia explicar, quando seu telefone toca, era Amanda, sua noiva.
— Alô? Amor... que saudade! Liguei para você e seu celular estava fora de área, no escritório disseram que você nem foi trabalhar hoje, então deduzi que foi se meter naquela chácara velha no meio do mato deixada pelo seu pai…
— Amanda, meu amor, sabe que não gosto que fale assim da minha chácara, tenho um carinho especial por este local... MAs enfim, e aí? Você volta quando? Pergunta Eduardo.
— Amor... Nem te conto... Minha mãe está muito doente, ela me pediu para ficar um pouco mais sabe... Tadinha.... Eu tenho que ficar um pouco mais além do previsto, para cuidar dela, afinal de contas, depois de casar, não vou ter tanto tempo para ficar indo e vindo não é? Olha Só amor... Transfere um dinheiro para mim? É que eu estou precisando comprar umas coisinhas... Coisas básicas sabe... Pode mandar, não pode? Pergunta Amanda.
— Você só diz o quanto vai precisar e eu te transfiro, tá bem?
— Tá bom, acho que 20 mil está bom... Amor, liguei só para escutar sua voz, amanhã agente se fala, foi um dia cheio, visitei parentes, amigas... Falei muito de você, todos te acharam um gato... Diz ela.
— Ok, meu amor... Descansa bem, boa noite...
Amanda desliga o telefone e cai na risada com seu amante Hugo... Que estava deitado na cama ao lado dela, os dois se divertem as custas de Eduardo, que parecia ser dominado pela noiva, mas...
— Caramba! Por que será? Por que será que parece que dessa vez, Amanda não me despertou nada, para falar a verdade, eu nem lembrava que ela tinha viajado, por que será que ela quer tanto dinheiro? Aliás. Será que a família dela é uma família de aproveitadores? Sempre que ela viaja, ela me pede tanto dinheiro... Questiona Eduardo, que não conseguia parar de pensar em Marta.