chapter 5

2573 Words
Um runespoor era uma cobra com três cabeças. A esquerda era o planejador, o meio era o sonhador e a direita era o crítico. Foi a primeira criatura visivelmente mágica que Tom encontrou na loja de cobras de Harry, durante sua primeira semana ajudando Harry. Ele veio a aprender mais tarde que era bastante incomum encontrar um runespoor com todas as três cabeças intactas. Na maioria das vezes, o planejador e o sonhador se voltavam contra o crítico, ferindo-se deliberadamente porque as três cabeças não conseguiam se dar bem e, assim, encurtando sua vida. Muitos meses depois, era apenas um incômodo e não motivo de exclamação. Era a cobra menos favorita de Tom, apesar de sua excitação inicial ao ver algo tão obviamente diferente, tão mágico. Cada vez que Tom se encontrava em sua presença, Tom podia sentir sua própria sanidade e vida se esvaindo quanto mais ele era forçado a ouvir as três cabeças discutindo. "Pare com isso, sua cobra de jardim crescida", Tom retrucou, olhando para o runespoor. Ele estava enrolado em uma das vigas da sala, mais alto do que o resto das cobras tendiam a subir. Tom presumiu que as outras cobras o levaram até lá para não ouvir a discussão do runespoor. “Você sabe que não podemos alimentar todas as suas cabeças no mesmo dia. Não vai descer corretamente em seu trato digestivo.” “Mas estou com fome”, sibilou o planejador, e a discussão recomeçou. Pela primeira vez, o planejador e o crítico estavam do mesmo lado, olhando avidamente para o sonhador, que estava saciado e quieto. Não importava que eles compartilhassem o mesmo trato digestivo e não passassem fome. Tom os ignorou por um tempo até parecer que a violência iria estourar. Tom particularmente não tinha nada contra a violência, mas Harry ficaria triste ao ver a cobra sofrendo. Tom pegou sua varinha e disse o feitiço com um floreio. Foi um dos primeiros feitiços relacionados ao trabalho que Harry lhe ensinou. Em segundos, cones apareceram em cada cabeça do runespoor, impedindo-os de atacar uns aos outros. "Harry vai ficar muito desapontado com você." Se as cobras pudessem fazer beicinho, todas as três fariam isso. O crítico olhou para ele. "Você não tem que dizer a Harry." Tom cantarolou, afastando seu livro. “O que você vai me dar em troca?” "Nada", disse o planejador em resposta. “Nós ouvimos a notícia. Você não vai ficar aqui por muito tempo.” O estômago de Tom deu um puxão, só um pequeno, mas que o irritou mesmo assim. "Eu retornarei. Você não precisa se preocupar comigo.” “Não vamos”, disse o crítico. "Nós vamos", disse o sonhador. “Estaremos tão entediados sem você, Tom. Você não vai nos levar com você? Estaremos bem.” O planejador e o crítico trocaram um olhar, depois estenderam o pescoço para Tom. O planejador parecia particularmente intrigado. “Há uma ideia…” "Absolutamente não", disse Tom, com firmeza, ignorando todos os outros protestos. Ele ainda não tinha escolhido um familiar entre as cobras de Harry. Não foi por falta de tentativa; nos meses desde que Tom começou a ajudar na loja de Harry, ele havia falado ou lidado com todas as cobras da loja. De runespoor a boomslang, de cascavel a víbora comum, Tom conhecia todos eles. Ele havia lido livro após livro sobre como lidar com cobras, até conseguindo melhorar o sistema de Harry. Tom usou a desculpa de ajudar na loja para convencer Harry a aceitá-lo, mas meses depois, não era mais apenas uma desculpa. Não com a quantidade de trabalho que Tom tinha colocado no lugar e com o quão bem ele conhecia as cobras, mesmo que ele ainda discutisse sobre o nome. Mas todas eram cobras de Harry, não de Tom. Havia um prazo para tudo isso, e Tom tropeçou nele quase sem perceber, ficando tão confortável em sua vida no Beco do Tranco. Tom permaneceu no andar de baixo antes de decidir largar o problema diretamente no colo da pessoa que o iniciou, trazendo-o à tona na primeira vez que se encontraram. Além disso, o leve cheiro de panquecas era inconfundível. Ele caminhou mais devagar do que de costume, guardando a loja de cobras na memória. No andar de cima, ele se esgueirou para trás da tapeçaria gigante de cobras vestindo armaduras medievais que separavam a cozinha da sala de estar, que Harry se recusou a derrubar e Tom relutantemente achou encantador. Já havia um prato de panquecas no lugar de Tom na mesa. "Xarope?" – Manteiga – disse Tom, pegando-a do balcão. A manteiga era excelente, mas cada vez que acabava, Harry passava muito tempo conversando com Maisie Prewett sobre suas vacas e feitiços para fazer manteiga. Quando Tom se fosse, quem impediria Harry de se tornar um incômodo no Marvelous Marketplace? Talvez Tom tivesse que escrever uma lista de instruções para ele, para não voltar e descobrir que Harry havia se levantado e se casado na ausência de Tom. As únicas novas adições à vida deles que Tom aceitaria eram cobras. Falando de… "Eu não escolhi um familiar", disse Tom em vez de comer, o que dizia muito, considerando que eram as panquecas de Harry . "Não há pressa", respondeu Harry. Ele serviu uma panqueca final, então desligou o fogão com um aceno de sua varinha e se sentou do outro lado da mesa de Tom. Tom fez uma careta para a quantidade de calda que Harry derramou em sua pilha de panquecas. Como se quisesse irritá-lo, Harry acrescentou mais com uma contração dos lábios. “Eu queria trazer uma cobra para Hogwarts,” Tom resmungou. Ele tinha todos os tipos de planos, desde impressionar seus colegas de casa com sua língua de cobra - a raridade que ele teve que aprender em um livro em vez de Harry, que teve a audácia de não se importar em ser um boca de cobra - até reclamando de todas as pessoas irritantes ao seu redor. Em vez disso, Tom não conseguiu se contentar com uma cobra. Harry mergulhou o garfo em seu prato de calda. "É que você acha que vai estar muito ocupado para um animal de estimação?" "Não." Tom balançou a cabeça. “Não é que eu não possa escolher, também. Eu só... ainda estou esperando a pessoa certa. Tem que ser perfeito .” Ele estava esperando por sua cobra. Por mais bobo que parecesse até em sua própria cabeça, Tom sentiu como se conhecesse sua cobra quando a encontrasse, e ainda não a conhecera. Ele sabia disso com uma certeza que abafava qualquer pensamento de simplesmente pegar uma cobra e terminar com a pergunta. Harry soltou um suspiro, parecendo excessivamente dramático ao dizer: "Contanto que não seja um basilisco." "Eu estaria vivendo de acordo com meu legado", respondeu Tom, só porque. Na verdade, um basilisco parecia muito inconveniente. Onde ele conseguiria comida suficiente para uma cobra daquele tamanho? Harry acenou com o garfo para ele. “Chega de panquecas para você.” De certa forma, era verdade. Tom olhou para o prato e começou a comer enquanto ainda podia. Enquanto ele ainda estava aqui na loja de cobras de Harry, em vez de lugares grandiosos e excitantes para os quais ele se preparou, mas não se sentia preparado. “Você não precisa decidir agora.” A voz de Harry se abrandou. "Quero dizer. Quando você voltar, podemos visitar todos os zoológicos mágicos do país para procurar sua cobra perfeita. Você tem muito tempo, Tom. Nem tudo precisa acontecer imediatamente.” Por muito tempo, Tom agarrou tudo o que podia, quando podia, porque nunca soube se teria outra chance. Se ainda haveria comida mais tarde no orfanato, se haveria cadernos e lápis mais tarde na caixa de doações. Mas ele não tinha que escolher agora porque ele estaria de volta. Harry mesmo disse isso. E Harry saberia. Tom deu um aceno curto. “Eu vou te segurar nisso. Cada zoológico mágico.” "É uma promessa." O café da manhã acabou antes que Tom percebesse. Havia apenas algumas tarefas matinais a serem feitas hoje, e Tom as fez sem reclamar, dizendo adeus às suas cobras favoritas. “Você não me disse adeus ” , disse o crítico, descendo das vigas. "Ele estava chegando lá, com certeza", disse o planejador. O sonhador piscou para ele. “Ele não precisa dizer adeus se nos levar com ele.” "Espero que você esteja vendido antes de eu voltar", disse Tom para os três, embora não tivesse esperanças. Runespoors eram cobiçados o suficiente para que Harry não vendesse sem ter certeza de que a cobra não seria cortada em pedaços ou maltratada. “ Adeus .” O sonhador mostrou a língua para ele. Tom não cedeu ao desejo de fazer o mesmo. Uma vez que ele terminou, ele subiu as escadas, dando uma olhada em seu quarto. Sua cama estava feita. Ficaria vazio por meses. “Você não tem permissão para adotar ninguém enquanto eu estiver fora,” Tom gritou, de repente tendo que ter certeza. “Ou casar. Espero que tudo seja o mesmo quando eu voltar.” A risada de Harry podia ser ouvida no corredor. “De onde você tira essas coisas, Tom?” “ Harry .” “Sem órfãos, sem casamentos.” “Você pode ter um amigo,” Tom permitiu, graciosamente. Ele não gostaria que Harry ficasse muito solitário sem ele. “Obrigado, alteza. Você tem tudo?” Tom olhou em volta novamente. Seu baú estava lotado. Suas estantes estavam vazias. Sua varinha estava no bolso. Seu coração batia rápido. Ele estava pronto e não estava pronto e não importava porque era hora. O futuro de Tom havia chegado, e Tom estaria lá para encontrá-lo. "Estou pronto", disse Tom. Harry se agitou por mais um quarto de hora, jogando um pacote de lanches no baú de Tom e relendo a lista de compras de Hogwarts como se Tom tivesse permitido que ele esquecesse qualquer coisa. Tom cruzou os braços e repetiu: “Estou pronto”. "Talvez eu não esteja," Harry respondeu. Ele passou a mão pelo cabelo. "Você quer um sanduíche para o trem?" "Sim." Tom sentou-se em seu malão enquanto Harry o preparava. Ele se perguntou como seria o pequeno apartamento acima da loja quando ele se fosse. Ele se perguntou se sua cama não seria tão confortável ou se os alunos seriam mais irritantes do que Tom estava preparado. Quando eles finalmente estavam prontos, Harry pegou a mão de Tom, e a sala desapareceu em seu estalo de aparição. A próxima vez que Tom abriu os olhos, foi para a agitação da estação de trem. O Expresso de Hogwarts estava diante dele, grandioso, alto e metálico. O vapor soprava de cima e sua cauda se estendia atrás do trem, mais longa do que Tom podia ver. O condutor era um homem mais velho que estava ajudando uma aluna a passar o malão pela primeira porta aberta. Tom tinha se acostumado com a sociedade mágica do Beco do Tranco, apesar dos desejos de Harry, mas aqui na Plataforma 9 e 3/4, era tudo diferente. Tom olhou ao redor da estação e sentiu uma pontada de excitação. Esses eram os alunos com os quais ele competiria na aula, os puro-sangue que ele seria o melhor. Ele estava ansioso por isso. A única desvantagem era que ele não poderia voltar à loja de cobras depois de um longo dia de aprendizado, mas Tom aceitaria. Ele se virou para Harry, sentindo-se estranhamente hesitante apesar de sua excitação. “Acho que isso é um adeus”, disse Tom. Ele apertou a mão ao redor da alça de seu malão. “Só por alguns meses. Você está voltando para as férias de Natal,” Harry disse, a coisa mais próxima de um pedido que ele veio desde que eles fizeram suas regras. Tom não se importou. Ele nem sequer fingiu pensar sobre isso. "Eu voltarei." "E férias de Páscoa", acrescentou Harry. Tom assentiu. “E você vai escrever para mim. E você dirá a mim e a um professor imediatamente se alguém tentar intimidá-lo. "Eu vou intimidá-los de volta", Tom bufou, revirando os olhos. "Isso não é uma solução para o problema," Harry se afligiu. “Eu deveria ter te dado uma coruja, mas pelo menos há corujas na escola. Vou enviar-lhe algumas guloseimas de coruja se a coruja do correio não comer todas.” Tom suspirou. "Eu vou ficar bem, Harry." “Não se preocupe com a cerimônia de classificação, também. É muita bobagem. Qualquer casa é tão boa quanto a outra.” “Eu serei um sonserino. Eu já decidi.” "Eu sei." Harry sorriu impotente. “Mas eu ainda tenho que manter a esperança, não é? Talvez você mude de ideia e lembre-se do seu lado grifinório.” “Não, obrigado.” Tom estava ansioso para vestir prata e verde. Eram as cores de seus ancestrais — além disso, ele ficava muito bem nelas. Nada como vermelho e dourado, que não poderiam parecer sofisticados. "Então você será o melhor Sonserino que Hogwarts já viu," Harry disse, parecendo carinhoso. “O mais inteligente também. Só não se esqueça do seu coração, Tom. Eu sei que está lá.” Harry estendeu as mãos e Tom não fingiu não perceber o que estava fazendo. Ele deu um passo para os braços de Harry, deixando Harry abraçá-lo com tanta força quanto ele queria. Foi tudo para o benefício de Harry, na verdade, incluindo a forma como Tom apertou os braços ao redor do torso de Harry. Sua orelha estava pressionada contra o peito de Harry e Tom imaginou que podia ouvir o coração de Harry batendo. "Eu não vou esquecer," Tom concordou, mesmo que ele só quisesse dizer isso quando se tratava de Harry, ninguém mais. O abraço de Harry era tão quente. Tom não conseguia se lembrar de ter sido abraçado antes, mas os abraços de ninguém mais poderiam ser comparados de qualquer maneira. Hogwarts estava tão longe de Londres. Tom não conseguiu se soltar. Harry também não conseguia, até que finalmente pareceu se forçar a se soltar. "Não é um adeus para sempre", disse Tom para o benefício de ambos. Ele acreditou; ele acreditava que em alguns meses, Harry iria encontrá-lo na estação. Que não importa o que acontecesse, Harry estaria lá. "Só por enquanto," Harry concordou. Ele se endireitou, dando um último tapinha no ombro de Tom. "Continue. Estarei aqui até o trem partir. Tom assentiu, o coração alojado em algum lugar perto de sua garganta. O baú estava leve em suas mãos, levitando ao lado dele, e ele entrou no trem com facilidade. Ele se virou apenas uma vez para ver Harry acenando para ele. Tom acenou de volta e então deu mais um passo, continuando no trem. Ele escreveria para Harry em breve, decidiu Tom, já elaborando sua carta em sua cabeça. Ele escreveria para ele sobre sua seleção da Sonserina e novos colegas de casa, e sobre suas aulas e professores, e tudo e qualquer coisa. Talvez deixasse uma ou duas coisas de fora quando as coisas o exigissem, mas escreveria. Foi uma coisa maravilhosa, ver os pais acenando para seus filhos em lágrimas, e não sentir uma centelha de inveja. Tom tinha Harry e Harry tinha Tom. Tom levaria Hogwarts e o mundo mágico. E então ele voltaria para casa para as férias de Natal, porque ele prometeu. ••
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