De manhã, Tom acordou cedo. Ele ficou desorientado por um momento. A luz estava toda errada. O colchão era muito mole. Quando abriu os olhos, percebeu que estava longe de seu antigo quarto de orfanato. Em vez disso, ele estava escondido no quarto de hóspedes bagunçado acima da loja de Harry.
Ele permaneceu na cama por mais um momento, satisfeito por nunca mais ouvir a voz da Sra. Cole gritando para todos acordarem novamente, antes de se levantar.
Não havia tarefas a fazer, nem crianças gritando ou matronas gritando para evitar. A porta do quarto de Harry estava fechada. Tom foi para a cozinha, onde preparou um chá. Ou melhor, tirou uma xícara do armário e abafou o ganido enquanto a chaleira levitava para lhe servir o chá.
O espaço parecia muito quieto. Tom queria gostar — e iria gostar, em breve —, mas não estava acostumado.
Ele não estava acostumado a nada sobre isso.
Foi ao mesmo tempo aterrorizante e emocionante. Ele havia descido da borda de um penhasco; agora ele descobriria quão íngreme seria a queda.
Tom ficou sentado ali por um longo e silencioso momento, as mãos aquecidas pela xícara de chá quente, até ouvir um movimento na sala ao lado.
Um pouco depois, Harry saiu, bocejando ao fazê-lo.
“Bom dia, Tom.”
"Bom Dia." Tom olhou para ele, imaginando se Harry estava se arrependendo de sua decisão de acolhê-lo. Não porque ele se importasse, mas porque seria terrivelmente inconveniente e embaraçoso retornar ao orfanato como uma criança indesejada. "Você dormiu bem?"
Há algo que eu deveria saber? Tom pensou e não disse. A decisão de Harry foi espontânea. Tom m*l conhecia a palavra; ele era um planejador por completo. Ele não aceitaria um órfão com um mísero pedido. Mas, Harry não era nada como Tom, o que funcionava a favor de Tom, então ele nunca reclamaria.
"Eu fiz", disse Harry, sorrindo para ele enquanto passava para a cozinha. “Eu me senti mais descansado, sabendo que você estava aqui em vez de naquele lugar miserável.”
Os dedos de Tom se apertaram ao redor de sua caneca. O calor penetrou em seus dedos e não apenas do chá quente dentro. “Meu sono foi adequado. O quarto cheira a gato.”
“Vamos limpar hoje. Omelete?"
"Sim", disse Tom, e se acomodou em sua cadeira, permitindo que Harry cozinhasse para ele.
Harry agitou-se pela cozinha em um silêncio sociável. Não tirar a conversa fora de foco em seu trabalho, não os silêncios frios do orfanato. À esquerda do fogão havia um conjunto de armários de refrigeração que abrigavam o leite, laticínios e legumes, além de várias sobras de ontem.
"Com tomates", disse Tom a Harry. “E presunto.”
"Espinafre?"
Tom balançou a cabeça. “Cogumelos.”
"Eu ainda deveria ter alguns por aí."
Quando a xícara de chá de Tom estava vazia, o café da manhã havia terminado. A chaleira flutuou para encher a xícara de Tom, depois a de Harry, uma vez que ele tirou uma do armário.
"Se você não quer que ele recarregue, apenas empurre-o para longe," Harry aconselhou. “Caso contrário, você terá uma xícara de chá fresca, não importa o quê. Fica encantada com as xícaras.”
Tom a estudou cuidadosamente, mas parecia uma chaleira comum, embora com lírios ao lado. – Hogwarts ensina você a fazer isso?
“Nos níveis superiores, vai. Os encantos de nível inferior estão principalmente transformando porcos-espinhos em almofadas de alfinetes e coisas do gênero.”
Tom voltou sua atenção para Harry. E para a omelete, que estava deliciosa. “O que mais devo saber sobre este lugar?”
Entre garfadas de omelete, Harry lhe explicou as operações da loja, como ele as via. “A loja está aberta das dez às cinco, segunda, quarta e sábado. Estou lá depois do café da manhã todas as manhãs, aberto ou não, para verificar as cobras e ter certeza de que elas não se amotinaram durante a noite. Você pode me ajudar nos dias em que não tiver escola. Posso aparatar você na escola todas as manhãs e buscá-lo no final do dia; você só vai ter que me dar um tempo definido. Talvez eu esteja atrasado. Às vezes temos um cliente aqui.”
Tom, que raramente tinha visto um cliente entrar na loja, deu-lhe um olhar duvidoso.
Harry apenas bufou. "Bem. Agora, o que mais...” Ele parou, olhando ao redor do apartamento. “Eu vou te ajudar com seu quarto. Talvez com o resto do apartamento também. Não quero que nenhuma das torres de móveis caia em cima de você.
"Isso soa muito sensato", disse Tom, com aprovação. Ele também não queria que uma torre de móveis caísse sobre ele. “Tudo aqui é da Roberta?”
Harry assentiu. “Tudo o que eu tinha quando comecei a trabalhar aqui eram alguns knuts, as roupas nas minhas costas e minha varinha. Já comprei algumas coisas aqui e ali, mas quase tudo é da Roberta. Imagino que ela vai querer de volta algum dia se decidir voltar. O que eu duvido – aqueles aurores estavam bastante sérios sobre o que quer que ela tenha que pular da cidade.”
"Se ela voltar... eu terei que sair?"
"Não", disse Harry. O imediatismo de sua resposta acalmou uma parte de Tom que ele não percebeu que estava preocupada. “Não, se qualquer coisa, ela gostaria de você. Ela sempre teve um fraquinho por pessoas que precisam de ajuda, à sua maneira Sonserina. Ela não teria me contratado de outra forma. Harry fez uma pausa por um momento, então acrescentou: "Ontem, eu lhe disse que tinha segredos."
"Sim, você fez", disse Tom, inclinando-se.
Os lábios de Harry se contraíram antes que ele ficasse sério. “Desde o dia em que fui contratado aqui, você pode me perguntar qualquer coisa e eu te conto. Mas qualquer coisa antes disso, eu não vou falar por um longo tempo. Talvez nunca. Eu preciso que você entenda isso para que você não fique desapontado ou com raiva quando eu não responder.
“Por que é um segredo tão grande?” perguntou Tom.
Ele não estava particularmente desapontado. Segredos não eram segredos, a menos que alguém os desenterrasse, arrancando-os cuidadosamente de uma pessoa. Era apenas seu primeiro dia de vida com Harry. Ele iria descobrir todos eles eventualmente.
Harry balançou a cabeça. "Sem comentários."
Tom deu de ombros. "Ok." Ele bateu os dedos contra a mesa, olhando para Harry tão profundamente que ficou surpreso por não poder ver sua alma. Ele queria saber. "Você não é um criminoso?"
"Não. Não é nada disso.”
"Você não está fugindo de um criminoso?"
“Você é bastante imaginativo.”
“Isso não é uma resposta.”
"Eu sei." Harry deu uma mordida em sua omelete, depois outra. “Eu não estou fugindo de ninguém, não exatamente. É que algumas coisas têm um jeito de voltar para você. Como ímãs, puxando uns aos outros da maneira que suas naturezas ditam. Quanto mais eu falo sobre isso, mais eu me preocupo. Então é isso sobre o assunto.”
Tom assentiu em aceitação externa e consideração interna. Ele queria mexer no cérebro de Harry, mas com cuidado, sem muita dor. Harry já parecia bastante magoado ao mencionar essas memórias que o atormentavam. “Que outras regras você tem?”
"Hum." Harry olhou em volta como se procurasse ideias. “Jantar juntos a menos que haja um compromisso urgente. E... você quer um toque de recolher?
Tom fez uma careta para ele.
Harry apenas riu. “Duvido que você me escute se eu lhe der um. Mas olhe, se você não chegar ao anoitecer, eu me preocupo, certo?
Tom não conseguia pensar em nada para dizer sobre isso. Concordar significava confirmar que ele acreditava em Harry, e isso era... Harry realmente se preocuparia com ele se chegasse tarde em casa? A Sra. Cole nem abria as portas se um órfão chegasse em casa depois do toque de recolher. Eles dormiriam no galpão de jardinagem ao ar livre e aceitariam a punição pela manhã.
Era embaraçoso o quanto ele preferia ser incomodado em vez de ignorado. Tom não era um bebê. Ele tinha que se lembrar disso.
"É isso?" perguntou Tom. "Jantar e não perguntar sobre seu passado?"
"É isso," Harry concordou. “Você tem alguma regra para mim?”
Os dedos de Tom se apertaram ao redor do garfo. Ele queria acreditar em Harry. E ele fez, quase. Harry preparou o café da manhã para ele e o acolheu e cuidou. Se Tom fizesse uma regra, Harry a ouviria? Ou ele usaria isso contra Tom?
Tom olhou para os últimos pedaços de omelete em seu prato, aquele que Harry tinha feito tão felizmente para ele. Ele não olhou para cima quando disse: “Você não pode entrar no meu quarto a menos que eu diga. E você não pode destruir ou jogar fora nada que é meu.”
"Ok," Harry disse, gentilmente. "Eu prometo."
Você não pode deixar de ser legal comigo. Você não pode me mandar de volta. Você não pode me odiar. Tom engoliu as palavras. Harry não podia prometer nada disso a ele. Seria carente, infantil, pedir promessas vazias.
Ele terminou sua omelete, olhando para cima para descobrir que Harry tinha feito o mesmo.
“Por que você não decide quais móveis você quer para o seu quarto? Você pode escolher qualquer coisa aqui.”
Por gratidão, Tom decidiu não abusar da sorte e tentar pegar os móveis do quarto de Harry, embora fosse bom para Harry ser mais cuidadoso com suas palavras. Tom largou os pratos na pia, que começou a borbulhar e a limpar sem mais nenhum aviso, e deu uma olhada na sala de estar.
Nas semanas desde que conheceu Harry, Tom explorou o apartamento acima da loja de cobras com gosto. As poucas áreas inexploradas estavam trancadas, muito altas, ou empilhadas tão precariamente que Tom nem tentou se aproximar.
"Esta mesa", disse Tom, apontando para aquela em que Harry deixou para Tom fazer sua lição de casa durante sua segunda visita. Então ele apontou para o outro lado da sala. “Aquela estante, junto com os livros na prateleira, mas não as estatuetas de gatos.” Ele deliberou por um segundo, então acrescentou: "Esta pintura também."
“É uma boa, não é?” Harry concordou.
No fundo da pintura, o castelo que Harry lhe disse ser Hogwarts estava aninhado contra montanhas enevoadas. Em primeiro plano, as várias cobras espreitavam nas bordas de uma floresta escura, e uma manada de centauros ocasionalmente aparecia.
Tom assentiu. Ele nunca tinha tido uma pintura própria antes. “É bom”.
Durante as próximas horas, Harry ajudou Tom a adicionar e remover móveis de seu novo quarto como bem entendesse. Tom se acomodou na escrivaninha, a cama original do quarto, um guarda-roupa, uma pequena cômoda, uma cadeira confortável e duas estantes. Suas estantes estavam quase vazias agora, com apenas seus livros didáticos e os livros antigos de Roberta nas prateleiras, mas Tom se contentava em imaginá-los enchendo com o tempo. Ele não sabia quanto tempo ele teria aqui - era uma sorte tremenda, viver aqui com Harry, mas poderia durar? - então ele aproveitaria ao máximo enquanto tivesse. Aqui, Tom não precisava esconder seus livros atrás de capas falsas ou se preocupar com alguém roubando sua varinha.
Harry conhecia vários feitiços de limpeza, que usava bem no chão, gavetas e cortinas. Tom lembrou-se das horas e horas de limpeza forçada no orfanato e isso queimava nele, como era fácil fazer tudo com uma varinha.
Enquanto Tom arrumava seus livros em sua nova estante, Harry passou um tempo excessivo sentado de pernas cruzadas perto do pequeno armário ao lado do banheiro, um velho e grosso livro de feitiços no colo. Tom desligou seu elenco depois de um tempo, já que era meio xingamento de qualquer maneira.
“Ah!” Harry finalmente disse. "Entendi."
Tom enfiou a cabeça para fora do quarto para ver Harry levitando uma cadeira para dentro do armário. "O que você fez?"
"Expandiu o armário", disse Harry, parecendo satisfeito consigo mesmo. “Vou dar um dia para ter certeza que os encantos não desmoronarão em mim, então mova os móveis extras para cá. Roberta pode decidir o que fazer com ela se e quando ela voltar. Eu poderia limpar o terceiro quarto. Transforme-o em um escritório ou algo assim.”
Tom se perguntou o que dizia sobre Harry que ele não limpava o lixo há mais de meio ano. Ele decidiu que o que dizia era que Harry precisava de alguém como Tom em sua vida, para impulsioná-lo à ação.
"Vamos ver sobre sua janela também", disse Harry, pegando seu livro de feitiços do colo e se levantando.
"Minha janela?"
Harry se ofereceu para olhar a vitrine encantadora para ser qualquer cena que Tom preferisse em vez do vislumbre de uma rua secundária do Beco do Tranco. Tom recusou por não saber qual cena queria ver, mas secretamente não se importava com a vista; era como seu vislumbre pessoal de um zoológico humano, cheio de violência e negócios secretos. Sua única concessão foi permitir que Harry a transformasse em uma janela de mão única.
"Tem algumas pessoas estranhas no Beco do Tranco," Harry explicou enquanto folheava o livro de feitiços até encontrar o feitiço certo. “É melhor ficar fora da linha de visão deles até que você seja mais velho e possa se proteger.”
Tom, via de regra, não gostava que alguém lhe dissesse para esperar até ficar mais velho, ou quando as pessoas apontassem coisas que ele não podia fazer. Mas, em vez de insistir nisso, Tom perguntou: “Você pode me ensinar a me proteger?”
Harry ergueu os olhos do livro, os olhos verdes arregalados por trás dos óculos. "Tenho certeza."
"A menos que você não seja bom em defesa." Esse era o título da turma em Hogwarts: Defesa Contra as Artes das Trevas. Tom tinha lido isso em Hogwarts, Uma História.
"Eu não sou r**m," Harry objetou. “Ah, aí está. Tem certeza de que não quer um prado alegre?
"Tenho certeza", disse Tom. “Não seria real .”
"Real é relativo, quando se trata de magia," Harry respondeu com um encolher de ombros, mas fez o que Tom pediu.
Antes que o dia terminasse, Tom arrastou uma mesa de cabeceira para seu quarto também, empilhando-a com três livros que pretendia ler esta semana. No final da semana, a maior parte dos móveis, caixas e pertences da sala de estar estavam enfiados no armário. Uma poltrona bastante confortável havia sido descoberta atrás de uma escrivaninha e o sofá era mais atraente quando não comportava jornais de um século. Ainda havia muitas pinturas de cobras nas paredes, que Harry se recusou a remover, mas Tom considerou um compromisso aceitável.
Com o passar dos dias, algo dentro de Tom se acalmou. Harry não revelou nenhum hábito terrível ou exigências terríveis. Nem declarou tudo um erro e mandou Tom de volta ao orfanato. Tom tinha uma fechadura na porta, comida no fogão e um livro na mão. Isso já era o suficiente, mas ele tinha a bondade inflexível e incessante de Harry também.
Harry, que sempre perguntava sobre o dia de Tom e nunca o forçava a limpar as cobras quando Tom estava de mau humor. Harry, que não considerava Tom e******o por todas as coisas que não sabia sobre o mundo mágico.
Tom hesitou em fazer perguntas durante as aulas de defesa de Harry no início, até que Harry se sentou ao lado dele um dia e disse: “Sabe, você pode me fazer todas as perguntas que quiser. Principalmente sobre magia. Eu não me importo.”
“Eu sei disso,” Tom resmungou. "Eu só... eu não gosto de não saber das coisas."
"E não parecendo inteligente?"
Tom levantou a cabeça. “Eu não disse isso.”
"Tudo bem", respondeu Harry. “Está tudo bem, Tom.”
Tom o odiava por isso. Por seu cuidado, por sua preocupação, por sua capacidade fácil de expressar coisas que Tom não conseguia. Ele nunca foi capaz de descobrir sentimentos, mas ele tinha raiva.
Se havia uma coisa que Tom odiava mais do que ser comum, era ser abaixo do comum. e******o. Havia crianças na escola que pensavam que só porque ele não tinha pais - que seus pais não o queriam, ou sua mãe era uma p********a, ou o resto das histórias que foram inventadas sobre ele - que ele era burro . Tom não estava, para decepção deles, mas odiava dar a impressão de estupidez.
Ele não gosta de ter que fazer perguntas. Perguntas não óbvias, do tipo que uma criança normal já deveria saber se tivesse crescido no mundo bruxo.
Hogwarts seria pior. Em Hogwarts, a maioria das crianças teria crescido com magia em suas casas e talvez ido para a escola de magia pré-Hogwarts, enquanto Tom tinha apenas alguns talentos sem varinha que ele praticou e pensou que tinha se destacado antes de aprender de tudo. ele poderia fazer com uma varinha.
Ele se achava extraordinário, talentoso, ótimo. E acontece que ele não é. Não de longe. As bruxas que perambulavam pela Travessa do Tranco sabiam mais sobre magia do que ele.
A falta de conhecimento o deixou m*l-humorado e determinado.
Ele decidiu viver e respirar na livraria do outro lado da rua, que ele informou a Harry no dia seguinte. A seleção de livros de Roberta era escassa e monótona. A loja no andar de baixo tinha uma pequena seção de livros à venda, principalmente dedicados ao cuidado e alimentação de cobras.
Foi nesse espírito que a intenção de Harry de Tom frequentar a escola trouxa não durou um mês.
Tom durou apenas o tempo que levou para ele se acostumar a viver com Harry, então anunciou, “Hogwarts não exige que eu termine meus estudos trouxas antes de começar meu primeiro ano. Eu aprenderia muito mais informações relevantes para minha vida se não passasse cinco dias por semana aprendendo matemática.”
"Eu pensei que você gostasse de matemática?" Harry perguntou, dando um tapinha na lateral de uma cobra antes de devolvê-la ao poleiro.
"Eu gosto de matemática. Não gosto dos meus colegas ou professores, e eles não gostam de mim. Não gosto que me digam o que dizer e escrever. Não gosto de fingir o dia todo. Eu não gosto da escola .”
Harry virou-se para ele, soando lamentoso ao dizer: "A escola é importante."
"Para que? Não estou aprendendo nada.” Tom decidiu que seu argumento precisava de refinamento. “Eu li meus livros de capa a capa. Raramente aprendo algo novo na escola.”
“Ah, Tom. Você precisa socializar,” Harry finalmente disse, parecendo exasperado. “Você vai ficar sozinho aqui.”
“Vou socializar com as cobras. Alguns deles são bons conversadores.”
“Eu quis dizer com outras crianças.”
“Eu já não socializo com outras crianças,” Tom respondeu, zombando. Ele cruzou os braços, sentindo-se na defensiva. “Eu não preciso. Eles não me entendem, de qualquer maneira.” Ele sorriu. “Não como você e as cobras fazem.”
Harry bufou. “As cobras te venderiam por um lanche saboroso.”
“Eles são claramente mais inteligentes do que meus colegas. E as crianças do orfanato não eram muito diferentes; Tenho certeza de que eles teriam me trocado alegremente por uma tigela de mingau, quanto mais algo gostoso. Não recebo nenhuma influência positiva da escola socializante ou do orfanato. Não vejo por que você está tão preocupado com isso. É só escola trouxa.”
"Só isso", disse Harry, balançando a cabeça. “Você ainda não deveria abandonar a escola.”
“Eu não vou desistir. Estou colocando meu aprendizado oficial em espera enquanto estudo sozinho para Hogwarts. Se eu frequentar a escola trouxa, vou perder um tempo valioso que poderia ter gasto aprendendo a diferença entre monge e acônito.”
"Eles são a mesma coisa", disse Harry, então pareceu perceber que ele não estava mostrando seu ponto de vista. “Eu deveria desencorajar isso.”
Tom quase sorriu. Ele se conteve. “Mas você não vai.”
“Eu não vou forçá-lo a fazer algo que você não quer fazer. Você conhece sua mente melhor do que eu e não vai machucar ninguém se você não frequentar a escola. O que era uma maneira estranha de colocar as coisas, mas Harry continuou dizendo: "Eu seria um hipócrita se eu forçasse você a fazer isso, de qualquer maneira."
Você poderia tentar, pensou Tom, zombando mentalmente do próprio pensamento. Mas ele estava mais curioso sobre a implicação das palavras de Harry. "Como assim?"
Harry hesitou, obviamente deliberando sobre dizer alguma coisa, então disse: “Abandonei Hogwarts depois do meu sexto ano. Havia circunstâncias atenuantes, mas...” Harry deu de ombros. “Nunca mais voltei.”
Um pedaço precioso e intrigante do passado misterioso de Harry.
“Você abandonou a escola?” perguntou Tom, horrorizado.
Harry assentiu, dando a Tom um olhar aguçado. “Isso é o que você está fazendo agora. Dez anos e já abandonou a escola.”
"Tenho onze anos. E posso estudar sozinho na livraria de segunda mão da Sra. Warrts. Vou tirar muito mais proveito disso do que ir para a escola trouxa.”
“Você fala como um compromisso, mas tenho certeza de que já ia absorver o conhecimento como uma esponja.”
"Talvez sim", disse Tom. Ele olhou para Harry. “Quais foram essas circunstâncias atenuantes?”
Harry balançou a cabeça, embora seus lábios se contraíssem em um sorriso. "Não é da sua conta. Se você está abandonando a escola, então você tem tempo para limpar a bagunça que as cobras fizeram atrás do balcão.”
"Isso soa como um compromisso real", Tom resmungou, fazendo uma careta para o que ele esperava encontrar se olhasse atrás do balcão. As cobras não se davam bem sem Harry ou Tom por perto.
Harry parecia muito alegre quando disse: “Espero que você me conte tudo sobre o que aprende a cada dia. Eu poderia usar mais algumas informações sobre o mundo bruxo também. E se eu pegar você pegando algum livro escuro naquela loja..."
"Você não vai", disse Tom, e esperou que ele soasse convincente.
Não havia nada para Harry se preocupar de qualquer maneira. Como todos em Knockturn Alley, a livraria tinha um conhecimento secreto e obscuro, mas muitos dos livros da loja estavam muito acima do nível mágico de Tom e talvez até acima de seu nível de leitura, embora Tom odiasse admitir isso. Ele aprenderia o básico primeiro, depois se ramificaria em outros ramos interessantes da magia.
De repente, Tom ficou feliz com o fato de que ele estava aqui, que Harry tão facilmente cederia aos desejos de Tom. Ele atribuiu isso às suas excelentes manipulações, mas foi a sorte, também, que trouxe a vida de Harry para a de Tom.
"Encontrei um livro sobre magia na Roma Antiga ontem", disse Tom, ignorando a ligeira hesitação. Ninguém nunca se importou em ouvir sobre sua leitura. Certamente a Sra. Cole nunca encorajou isso.
Mas a expressão de Harry era aguda, calorosa. "Me fale sobre isso."
E assim o fez Tom.
*
"Eu poderia usar outro par de mãos para as compras", disse Harry uma manhã após o café da manhã. Ele estava fazendo algumas anotações em um pedaço de pergaminho enquanto seu chá esfriava ao lado dele. “Já que você não está mais frequentando a escola de forma lucrativa.”
Tom suspirou, seu nariz já em um livro. "Você nunca vai superar isso?"
"Talvez um dia. Eu não posso acreditar em mim mesma por abrigar um abandono da escola primária.”
Tom gemeu e olhou na direção de Harry. Ele descobriu que Harry parecia totalmente impenitente, sorrindo para ele sobre sua xícara de chá. “Você não precisa de mais mãos. Você tem uma varinha.”
“Se você for comigo, pode me ajudar a escolher nossas refeições para a próxima semana. O que você diz?"
Tom cruzou os braços e tentou não fazer uma careta. “Eu poderia ajudá-lo a escolher agora. No aconchego e privacidade deste apartamento.”
"Isso não é divertido," Harry disse a ele. Ele estava acordado demais para esta hora da manhã. “Você nunca esteve em um mercado bruxo. Vai ser uma boa experiência.”
Tom não confiava em boas experiências, mas cedeu mesmo assim. Harry afirmou saber fazer torta de frango e cogumelos. Tom não queria perder esse tipo de coisa.
Ele aceitou uma sacola de pano com tinta desbotada proclamando que era da antiga venda de estoque da Floreios e Borrões de 1902, enquanto a sacola de compras de Harry era mais nova com os perigos da aparição bêbada estampados com tinta vermelha brilhante.
“Eles os distribuíam de graça fora do ministério”, diz Harry, aparentemente satisfeito em ser um anúncio ambulante de bom senso. "Quer trocar?"
“Não”, respondeu Tom. Ele agarrou sua própria bolsa mais perto de si.
O destino do flu era o Marvelous Marketplace, do qual Tom zombou, mas consentiu em dizer. Ele enunciou claramente e deu um passo à frente quando Harry acenou com a cabeça, atento ao aviso de Harry de acabar na loja de Borgin e Burke se ele não tomasse cuidado. Tom sabia que precisava de um pouco mais de treinamento mágico antes de poder explorar as profundezas daquela loja em particular no Beco do Tranco.
Quando abriu os olhos, descobriu que o fogo o havia depositado em uma caverna úmida iluminada por uma fileira de tochas de cada lado do túnel inclinado. Teria sido assustador se não fosse pela cacofonia de vozes e outros sons à frente. Havia até música tocando: uma melodia rápida e aguda que era nova para os ouvidos de Tom. Harry saiu do flu um momento depois.
"Onde estamos?" perguntou Tom.
Ele deu um passo mais perto de Harry enquanto caminhavam para frente. Tendo lido tudo sobre as várias criaturas mágicas que habitavam as cavernas, muitas com fileiras de dentes afiados. Harry era o alvo maior e mais carnudo e, portanto, um bom escudo.
Ele também era muito experiente. “É aqui que o mercado de inverno é realizado. No verão, fazíamos o outro caminho pelo túnel, até a superfície. O ministério ganhou este território na última guerra dos goblins e os goblins nunca nos perdoaram por isso. Roberta me mostrou esse lugar anos atrás.”
O túnel se abriu na fonte do barulho: uma grande câmara de caverna com um teto alto e inclinado representando a guerra dos goblins de uma maneira fascinante e h******l. Mas sob o teto havia um mercado movimentado e movimentado com mais de uma centena de barracas e compradores de variedade humana e não humana. Tom avistou meia dúzia de elfos domésticos e dois goblins m*l-humorados entre a maioria dos compradores humanos.
Apesar de sua relutância anterior, Tom se divertiu.
Ele recebeu uma bolsa de moedas de Harry, que felizmente não esperava que Tom ficasse ao seu lado, e se perdeu nas filas e filas de barracas e cobertores com mercadorias dispostas. Ele não gostava da multidão de pessoas e das crianças barulhentas e insistentes que passavam correndo e quase o derrubavam a cada vez, mas ele gostava de olhar para tudo.
E melhor ainda, ele gostava de saber que ele mesmo poderia comprar algumas coisas. Não muito. O suficiente.
Ele comprou dois pêssegos maduros e saborosos de um dos vendedores, que ficou feliz em lavá-los para ele e conjurar um guardanapo para segurá-los. Tom comeu os dois enquanto andava, espiando bugigangas e abrindo todos os livros que via.
Ele passou por Harry uma vez quando deu uma olhada nas barracas de comida fresca, mas na maioria das vezes, ele estava mais feliz com um livro na mão.
"Lembre-se dos cogumelos", disse Tom, espiando na bolsa de Harry, que está suspeitamente vazia de fungos.
"Eu sei, eu sei," Harry disse com uma risada, e acenou para ele ir para outra barraca.
Foi uma hora depois que Harry se juntou a ele novamente, segurando uma massa assada em cada mão. Ele entregou um a Tom e pegou o outro para si, sentando-se ao lado de Tom e descansando contra a parede da caverna.
Tom ficou entediado com a multidão e fugiu para a beira do mercado há algum tempo, desfrutando de um livro cujo preço ele havia pechinchado.
“O que tem dentro?” Tom perguntou, então deu uma mordida de qualquer maneira. Ele estava com fome.
“Carne e batata, alguns vegetais. Você gostou do mercado?”
Harry estava sorrindo, então ele já sabia a resposta, e Tom bufou ao admitir: “Eu gosto do meu livro. E os pêssegos estavam bons.”
Obrigado, ele pensou, e não disse, mas Harry olhou para ele como se tivesse ouvido de qualquer maneira.
Boa sorte era uma coisa passageira, algo em que ele ainda não confiava, não importa o fato de Harry ter permitido que ele entrasse em sua loja e em sua casa. Tom sentiu como se tivesse comido mais no mês passado do que no ano inteiro. Ele estava alimentado e aquecido, e poderia não durar, mas era o suficiente por enquanto.
Tom foi adotado uma vez.
Isso não parecia uma adoção. Harry não fez promessas vazias de eternidade, não disse palavras de amor, mas o tratou com um nível de cuidado que era estranho para Tom.
"Eu gosto disso", disse Tom em seu pastel.