Capítulo 04

3246 Words
>> Maria >> Assim que adentramos no galpão eu pude notar que ele já estava cheio, algumas pessoas que estavam perto de nós voltaram a sua atenção para o meu irmão e também para a Elisa que estava de mãos dadas com ele. Eu fiquei um tempo conversando com as minhas amigas, tomando algumas doses de bebida até que as duas sumiram. — Vem de chicote, algema, corda de alpinista Daí que eu percebi que o cara é sadomasoquista — Eu praticamente gritava, cantarolando, enquanto fazia a coreografia de um jeito um pouco desengonçado. Roberta tinha sumido para ficar com algum vapor já tinha algum tempo e Elisa provavelmente estaria tentando engolir a língua do meu irmão em algum lugar. As duas me deixaram sozinha, em um lugar que eu m*l conheço e até o FK - que veio ao meu encontro pouco tempo atrás - tinha sumido depois de trocar olhares com um garoto que nem era daqui — Eu pensei que você era crente... — B-boy apareceu rindo ao meu lado e eu revirei os olhos, eu odeio quando as pessoas usam o fato de que eu frequento a igreja para me acusar de alguma coisa. Eu não sou cristã. — E eu quando descobri que você tinha filho, pensei que você era o pai do ano. Mas aí eu descobrir que você vive nos bailes enquanto seu filho está praticamente acorrentado dentro de casa e ainda o alimenta com miojo — Dei com os ombros goleando a minha cerveja e o mesmo me olha de uma forma intimidadora por alguns segundos, maldita cerveja que me dá tanta coragem — Somos dois enganados, não? — Não tem medo de morrer? — Ele pergunta com a sobrancelha erguida e eu dou risada enquanto terminava de engolir a minha cerveja e negava com a cabeça. — A vida já está uma merda de todo jeito, seria até um favor — Como se quisesse me provar que eu estava certa, Victor adentrou no baile no mesmo instante que eu olhei para porta do galpão, fazendo com que eu sentisse o meu suor esfriando e minhas pernas fraquejarem. E logo atrás dele, estava ela. A namoradinha que não deve sentir nada por ele além de paixão pela sua conta financeira. — Não é o cara que te colocou chifre? — B-boy me tirou dos meus devaneios enquanto acusava o moreno que entrou. m*l sabe ele que eu sou mais culpada pelo chifre alheio do que eu pelo meu. — Já disse que não tomei chifre! — Me defendi fazendo o mesmo dar com os ombros e eu olho novamente em direção ao Victor, que nesse momento pareceu notar a minha presença e pareceu não gostar quando o homem ao meu lado colocou o braço pelo meus ombros. — Me conta, o que aconteceu? Desabafa comigo, amiguinha — Eu sou obrigada a rir da voz embriagada do B-boy, ele a estava afinando como se quisesse parecer um pouco mais feminino. — Sério que você virá fofoqueiro quando bebe? — Pergunto olhando para o mesmo e meu coração errou uma batida quando encarei o rosto dele que estava muito mais próximo do que costumava ficar, ele ainda estava com o braço sobre meus ombros e encarava o meu rosto com um sorriso maroto. — Só com o que me interessa — Ele me olhou de cima a baixo como se quisesse ter certeza que eu entenderia o recado. As palavras dele fez o meu corpo arrepiar e a maneira maliciosa que ele me olhava fez com que uma faísca se acendesse no meio das minhas pernas. — Maria? Que surpresa você aqui… — Viro em direção a voz do Victor no mesmo instante, me deixando totalmente rígida e desconfortável quando seus olhos percorrem por todo meu corpo, como se procurasse algo de diferente. Essa é a primeira vez que ele me ver com outro alguém. — Oi! — É tudo o que eu digo e sinto meu corpo tremer quando os olhos dele pousam sobre o moreno ao meu lado, que continuava com a mão no meu ombro e encarava tudo com curiosidade. — Esse é o… — Fernando — B-boy se apresenta e eu arregalei os olhos me virando para ele, que me dá um sorriso largo. Mas logo se vira para o Victor e estende a mão para um cumprimento — Amigo da Maria… Qualquer pessoa ali presente facilmente acreditaria nas palavras de B-boy e até insinuava que a gente era algo além disso, só pela forma maliciosa em que o homem pronunciava a palavra "amigos''. A intenção dele era fazer o Victor se sentir desconfortável e sair dali me deixando em paz, porque era óbvio que eu ficava totalmente desconfortável na sua presença em circunstâncias como essa. — Victor! — Ele diz com um falso sorriso simpático, ignorando completamente a mão estendida pelo morrendo ao meu lado - que apenas umedeceu os lábios rindo - e desviou sua atenção para mim, me olhando como se estivesse me julgando de alguma coisa — E a Elisa? Também tá aqui? — Sim, deve estar com o meu irmão em algum lugar — Digo tentando me desviar do seu olhar e olhei em volta como se estivesse procurando por ele. — Aqueles dois, não se desgrudam nunca. — Diz forçando uma risada como se dissesse algo engraçado e eu suspiro, será que ele não percebe quando não é mais bem vindo? Eu tinha aprendido a lição e por mais que ainda sentisse algo por ele, algo que nem sempre eu consigo controlar, eu não demonstraria isso na frente do B-boy, ele já me perturba dizendo que fui corna, sem nem saber que é verdade, imagina se ele souber que sou totalmente e completamente trouxa por esse homem. — Foi um prazer te conhecer irmão, mas se não se importa, vou levar a Maria pra casa. Tá na hora da novinha se deitar — B-boy fala de um jeito malicioso, pegando uma garrafa de cachaça e acenando com ela para o Victor e me afastando com mesmo, que estava com a expressão de poucos amigos enquanto contrai o rosto e cerrava os punhos — De nada… Sussurra no meu ouvido fazendo todos os pelos do meu pescoço se arrepiarem e goleia o líquido direto da garrafa de cachaça, me oferecendo a mesma e eu a pego, bebendo enquanto caminhamos para fora do baile. — Não vai me contar mesmo quem é ele? — B-boy perguntou enquanto fechava a porta da casa assim que ele terminou de entrar, eu apenas abri um sorriso fraco e me joguei no sofá. Soltei o ar que eu nem percebi que tinha prendido. — A sua investigação foi bem m*l feita, hein. Já que não consegue nem identificar o ex da sua vítima — Eu disse um pouco embriagada, pegando a garrafa da mão do homem que acabou de se sentar no sofá e bebericando a garrafa. — Tem coisas que eu preciso descobrir por mim mesmo. — Ele disse, enquanto me olhava de cima a baixo bem devagar. Seus olhos pararam sobre os meus e eu abri um sorriso malicioso enquanto bebericava outra vez a garrafa de cerveja. Meu olhar desceu pela sua boca e o dele permaneceu em mim. Eu sei que vou me arrepender disso… [...] A minha cabeça doía como se tivesse acabado de ser apedrejada. Mas toda a dor ou desconforto pareceu ser insignificante a partir do momento em que eu olhei para o teto e vi uma cor azul clara totalmente desconhecida por mim. Olhei para o lado e senti a minha respiração falhar. Meus olhos arregalaram de imediato e minhas mãos tremeram quando dei de cara com o B-boy. Que estava deitado de bruços completamente nu, debaixo de um lençol branco que nesse momento m*l cobria a sua b***a, uma b***a redonda e bem carnuda… Maria, foco! Eu prendi a respiração, com a intenção de fazer o mínimo de barulho possível e me sentei na cama, analisei todo o chão em minha frente à procura das minhas roupas. Me levantei da cama e comecei a recolher as minhas roupas que estavam espalhadas pelo chão. Tive que ficar nas pontas dos pés para pegar a minha calcinha presa na parte de cima do guarda roupa. Deus tem que ter muita piedade do meu futuro… por que eu não paro de fazer merda. Era incrível o quanto um preto sarado tinha a capacidade de mexer comigo a ponto de me fazer querer ir pra cama com ele sem pensar duas vezes e sem ao menos o conhecer direito. Mas com o B-boy estava sendo diferente, eu estava conseguindo me controlar… pelo menos até ontem, talvez tenha sido pelo medo de fazer merda e ter meus cabelos raspados. Respirei fundo quando toquei a maçaneta na porta - depois de me vestir - e saí do quarto devagar, dando de cara com o Júnior vestido em sua roupa de dormir e com uma expressão confusa no seu pequeno rosto angelical. — Tia Maria, eu tô com fome — Foi a primeira coisa que ele disse, o que me fez agradecer por não ter nenhuma pergunta sobre mim e o pai, eu me abaixei para ficar na altura dele e dei um sorriso. — Cadê a Roberta? — Perguntei fazendo o mesmo mexer os ombros para cima e para baixo - sinalizando que não fazia ideia de onde estava a louça da sua tia - , fiquei encarando a criança em minha frente por um tempo, eu não queria encarar o B-boy, mas não tinha coragem de deixar a criança com fome, eu encarei o menino por alguns segundos e suspirei — Vem, a tia vai fazer algo gostoso para você comer. Peguei a mão do menino que agora estava com um sorriso no rosto, o levei até a cozinha, ajudando o mesmo a se sentar na banqueta e me dirigir até os armários. Ao contrário da outra vez que vim, agora tinha arroz, feijão, macarrão, sacos de pão e alguns lanches sortidos para crianças, parecia um armário para pessoas normais. — Para alguém que não pediu conselhos, você ouviu o meu direitinho — Sussurrei para mim mesma com um sorriso e peguei o pão fazendo um sanduíche de queijo e presunto, também peguei algumas bananas na fruteira e leite para fazer uma vitamina. Não demorou muito para que Roberta chegasse, com as roupas um pouco rasgadas, suas tranças m*l amarradas e os sapatos de salto na mão. Mas no rosto tinha um sorriso que vai de orelha a orelha. Ela fez uma careta assim que olhou para mim. — Eu não sei se te agradeço ou te mato por ter sentado no meu irmão. — Ela diz se encostando no batente e olha para o sobrinho que estava degustando o seu café. — Vamos fingir que isso nunca aconteceu, ok? — Disse enquanto ia até a mesma e lhe dava um beijo na bochecha, fazendo ela rir — Vou pra faculdade! — Boa aula — Diz me fazendo correr em direção a porta, mas viro para a mesma quando ela manda um "ei, psiu"— Você estuda Pedagogia, então não fique sonhando com a anatomia do meu irmão. — Vai a merda! — Disse rindo quando saia da casa e começava a caminhar pelo morro, eu não estava dolorida como da última vez que fiquei com o Victor. Mas ainda sim a minha v****a estava sensível devido aos toques calorosos e brutos do B-boy. Eu desviei os meus pensamentos quando cheguei na casa do Rato e bati na porta várias vezes antes de Elisa aparecer vestida em um short de pano curto, de sutiã preto e completamente descabelada. — Pra que merda tu tá acordada uma hora dessas? — Ela perguntou estressada e pelas suas olheiras que estão mais escuras que o de costume, percebo que ela está menstruada. — Putz, péssima semana, hein? — Digo com uma careta, observando ela respirar fundo, dando com os ombros e se jogando no sofá, enquanto eu entro e fecho a porta. — Cadê o meu irmão? — Dormindo, ele não vai acordar tão cedo. Bebeu tanto ontem que começou a achar que era uma das dançarinas do Faustão. — Respondeu rindo ao parecer lembrar da cena e eu dou risada ao imaginar a cena do Rato descendo até o chão. — E o motivo? — Perguntei enquanto procurava a minha mochila pela sala. — Eu disse que gostava dele.. — Acabei me engasgando com a minha própria saliva e olhei para ela como se estivesse desacreditada. — Ai meu Deus, que felicidade. — Digo com um sorriso enorme no rosto enquanto ela sorria de volta — Pra ficar completa, só falta você contar para o Gabriel. Ela fechou a cara na mesma hora e colocou a mão na barriga fingindo uma careta de dor, eu pego a minha mochila e fico de joelhos no sofá, beijando sua testa que estava virada para o teto por causa da sua cabeça encostada nas "costas" do sofá. — Você é uma péssima atriz, ok? — Ela dá risada — Melhoras, se meu irmão não acordar antes de meio-dia, avisa que eu trago remédio pra você. Hoje minha aula é só pela manhã. — Obrigadão — Diz com uma voz manhosa e eu dou risada caminhando até a porta. — Espera aí, onde você dormiu? Ela diz levantando a cabeça para olhar em minha direção e eu dou risada mordendo os lábios ao me lembrar da noite de ontem, ela abriu a boca com um sorriso. — Volta aqui agora e me conta isso direito. Maria! — Ela ordena curiosa e eu mando um beijo no ar enquanto passava pela porta. — Eu tô atrasada, tchau! — Digo fechando a porta rapidamente e dou uma gargalhada quando a mesma grita "sua safada". Eu passei quase voando pelo o morro e agradeci a Deus quando cheguei no ponto com uma hora antes do começo das aulas. Me sentei no banco e abri o meu celular para ver o versículo do dia. "O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. 1 Coríntios 13:4" Sorrir ao lembrar de como a igreja me acolheu quando eu me senti um lixo quando descobri que o Victor me traia e que ele só mim usava para manter suas notas altas, já que eu também tinha interesse na área da medicina e não me importava com ajudar. Eu nunca conseguir entender o motivo de eu ser tão apaixonada por aquele homem, ele não era tão bonito, também não me tratava como uma princesa e nem como alguém que seja importante para ele. Mas mesmo assim, mesmo sendo tão acolhida, ainda não fui capaz de aceitar a Deus e viver para ele. Mas no meu ponto de vista é muito melhor ser ingrata do que ser uma crente pé na igreja e pé no mundo. Logo o ônibus chegou e eu abro um sorriso ao ver Aline dentro dele — Dormiu na casa do gostoso do seu irmão de novo? — Ela pergunta com um sorriso safado e eu dou risada afirmando com a cabeça. — E você? Como tá com o professor? — Digo fazendo a mesma me cutucar com o cotovelo em sinal de repreensão. — Deixa de ser Maria Fifi. — Reclamou me fazendo rir ainda mais e suspira — Eu estou com ele apenas para manter minhas notas, vou dar o pé na b***a dele assim que me formar. Diz em um tom orgulhoso, me fazendo negar com a cabeça em sinal de repreensão, eu amava todas as minhas amigas, mas estava na cara que eu tinha que arrumar amizade melhores. O caminho até a faculdade foi suave e o fato de ainda não ter tomado o banho me deixou com paranóia quando uma senhora se sentou atrás de mim e coçou o nariz como se estivesse procurando por um cheiro estranho. Ela que me perdoe, mas eu prefiro ficar com o cheiro de sexo e cerveja do que perder uma aula. Assim que passei pelo primeiro corredor da faculdade e estava perto da sala, senti uma mão me puxando para dentro de uma sala vazia, um pouco distante e me colocando contra a parede. Encarei o Victor que estava com um semblante furioso e com os olhos vermelhos, que entregava que ele havia usado algo. Eu odiava quando ele usava algo. — Posso saber o que você tava fazendo com aquele homem? — Ele perguntou furioso enquanto prendia os meus ombros contra a parede com as suas duas mãos. — Eu não te devo satisfação, Victor. Pelo que eu me lembre, você já fez a sua escolha.— Digo encarando o mesmo e ele dá um risada incrédula, se afastando de mim e mordendo seu punho fechado - mostrando a sua indignação - enquanto sua outra mão ficava na cintura. — Você me tratou feito lixo para ficar com aquele m*l elemento. — Exclamou irritado e eu respirei fundo tentando manter a calma. — Quem é você, para chamar o B-boy de m*l elemento?! — A pergunta era retórica, mas nem eu acreditava que estava defendendo aquele grosso — Um filhinho de papai, ridículo, que usa os outros como degrau para subir na vida, mas na verdade não sabe nem diferenciar o pulmão do coração. Que precisa de balinha para se sentir mais másculo ou para pelo menos tentar satisfazer uma mulher. Você me dá nojo! Víctor, nojo! Na mesma hora eu sinto a sua mão agarrar a minha garganta e apertar a mesma como se fosse uma almofada. Me fazendo sentir uma dor aguda e a falta de ar tomar conta de mim, eu tentei falar alguma coisa, implorar para que ele deixasse eu respirar e que me soltasse, mas a forma que ele aperta não permitia que o som saísse da minha boca. — Você sabe que se eu quiser, eu coloco aquele marginal atrás das grades, não sabe? — Ele pergunta colocando seu rosto próximo a mim e eu pude sentir o seu hálito de cachaça batizado — NÃO SABE? Ele gritou, me fazendo engolir em seco, com dor, graças a sua mão que ainda estava na minha garganta e assentir com a cabeça enquanto as lágrimas caíram do meu rosto. — Então é melhor você continuar sendo uma boa menina, por que se não ele e o seu irmão caem em um piscar de olhos. — O medo toma conta de mim e eu sinto meu corpo desabar no chão quando o mesmo me solta, fazendo com que o ar que eu tinha perdido voltasse para os meus pulmões e as lágrimas começassem a escorrer com mais liberdade, ele se abaixa dando um sorriso sem mostrar os dentes, afasta uma mecha do meu cabelo da minha testa, colocando atrás da orelha e dando um suspiro tranquilo — O fardo de ter namorado o filho de um delegando, sendo a filha do sub dono do tráfico, é uma droga, não é? Ele dá dois tapinhas no meu rosto - na minha bochecha para ser mais exata - e se levanta caminhando em direção a saída da sala, enquanto eu apenas agarrei as minhas pernas e continuei chorando. Victor a cada dia tem se mostrado ser pior do que eu realmente queria acreditar que ele era. Mas eu tremia de medo só em cogitar a ideia de colocar o Rato em perigo.
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