Alana . . .
Entrei no galpão com o Salvador do meu lado, enquanto comia o salgadinho que ele tinha comprado pra mim no caminho.
De cara, já encontrei com o Tubarão e o Rato conversando. Daniel nem tinha chegado ainda, e eu nem tinha visto ele hoje, porque quando saí de casa ele tava dormindo, e depois fui direto pra casa do Salvador.
Alana: Oi – fiz um toque com o Rato e me sentei ao lado dele, devolvendo o olhar pro Tubarão enquanto isso.
Rato: Lança um salgado aí.
Eu neguei e me afastei dele, indo pro outro lado do sofá.
Alana: Desculpa, cara. Mas nem vai dar.
Rato: Tô com fome, pô.
Alana: Eu também tô!
Salvador: Tu tá comendo desde que chegou na minha casa, impossível uma fita dessas.
Dei de ombros, dando mais uma mordida no salgado. Tubarão tava quieto na dele, encarando as próprias mãos.
Alana: Eu descobri um negócio – falei, atraindo o olhar de todos eles – Podem colocar a minha foto naquela parede ali, como funcionária do mês.
Rato gargalhou e o Salvador negou com a cabeça, me olhando com deboche. Tubarão desviou o olhar quando a porta do galpão foi aberta e o D2 entrou, todo puto.
Tubarão: Chega mais cedo amanhã.
O clima pesou na hora.
D2: Por quê? Tu quer terminar mais cedo pra quê? Tem compromisso depois?
Vi Tubarão ficar de pé, e o Rato levantou na mesma hora, empurrando o ombro dele.
Salvador: Aê, vamo manter a calma, tranquilo?
Rato: É, pô. Vocês tão brigando por quê?
Alana: Ninguém quer saber o que eu descobri? – perguntei, tentando amenizar a tensão, mas todos os olhares foram direcionados pra mim, e nenhum deles era bom – Não? Então tá bom, vou ficar quieta.
D2: Não quero ouvir tua voz, não, Alana.
Alana: Ôxi, o que eu fiz? – fiquei de pé também, olhando pra ele.
Tubarão: Nada. Tu não fez nada, criança. Teu irmão tá todo putão aí, metendo maior marra porque fica dando ouvido pra Zé povinho na rua.
Apertei os olhos, enquanto entendia qual era o motivo daquela cena toda.
Alana: Jura, Daniel?
D2: Tu é toda maluca, fica pegando bandido aí. Casado ainda, pô!
Alana: Tu quer que eu pegue o quê? Varão da igreja? – perguntei, deixando ele mais puto ainda – Eu não peguei ninguém, c*****o. Não fiquei com o Tubarão, eca!
Tubarão: Já mandei o papo pra ele, mas se não quer ouvir o problema não é meu, pô. Não vou ficar aturando perreco pra cima de mim!
Alana: Você podia ter me perguntado. Cadê a merda da confiança que diz ter em mim?
Daniel respirou fundo, e eu já tava ficando irritada demais, o que não era nada bom pra uma mulher na TPM.
D2: Eu nunca disse ter confiança em tu, né – falou com a voz mais calma. Parecia até brincadeira, mas eu não tava ali pra brincar.
Senti meu olho arder e me controlei pra não chorar ali mesmo. Nunca deixei que ninguém me visse chorar, mas eu tava toda chata e ele ainda vem com esse caô pra cima de mim.
Alana: Tá bom – me virei, olhando pro Tubarão – Me entendo com o Grego depois. Eu tô fora.
Rato: Fora o c*****o, tu disse que tinha descoberto uma coisa, o que era?
Neguei com a cabeça.
Alana: Tô fora, cara. Se vocês querem saber, descubram sem a minha pessoa, já que sou tão sem utilidade assim!
Me afastei do Rato e do Tubarão, passando pelo Daniel e pelo Salvador. Nenhum deles falou nada, e se me olharam eu não reparei. Tava focada demais olhando pra parede.
Desci pra casa em dez minutos, ouvindo gente pra c*****o cochichando quando eu passava. Estava irritada pra c*****o com isso também. Era bom eu nem ver a Fabiana na minha frente, porque ia bater nela mais do que o Tubarão já tinha feito.
Quando entrei em casa, a Laura estava fazendo a unha no sofá, e se assustou com a minha entrada repentina.
Laura: Já, Lana?
Alana: Ainda. Já deu minha hora de vazar dessa casa.
Ela jogou tudo pro lado e veio na minha direção, segurando meus braços pra me manter no lugar, impedindo que eu fosse até o meu quarto.
Laura: Que papo é esse? Tu não vai sair.
Alana: Eu não vou ficar aqui, cara. Teu marido é um escroto.
Laura respirou fundo, deixando os ombros caírem ao lado do corpo.
Laura: Vocês sempre brigam, para com isso.
Alana: Dessa vez é sério, p***a. Ele prefere ficar ouvindo o que as pessoas ficam falando na rua do que me ouvir! Laura, você acredita em mim, né? Eu não fiquei com o Tubarão!
Ela concordou com a cabeça, várias e várias vezes.
Laura: Lógico que eu acredito em você, Cu. Mas eu sei que não é só isso que aconteceu com o Daniel. Tem mais coisa rolando, ele tá tenso, e acabou descontando em ti de alguma forma – falou, ainda me segurando. Mas eu estava inquieta e impaciente, querendo sair daquele lugar antes que o i****a chegasse – E vocês nem vivem longe um do outro. Daqui a pouco tudo se resolve.
Alana: Eu não quero resolver nada agora.
Laura: Eu tô grávida, Alana – arregalei os olhos.
Alana: Grávida? – eu gritei, e a minha cunhada riu.
Laura: Tô. E meu bebê tá com desejo de ver a tia em casa.
Eu ri e abracei ela com força.
Maior felicidade ia ser ver o Daniel ser pai. Ainda mais de um bebê da Laura, que era o amor da vida dele. Meu casal favorito da vida, papo reto.
Mas hoje, só hoje, Daniel tava na lista n***a da minha vida.
Alana: A tia vai, mas a tia volta, bebê. E vou voltar metendo bala no cu do seu pai! – falei baixinho, abraçando a barriga da Laura – Me dá essa noite de paz, amanhã eu volto.
Laura: Promete? – perguntou, me soltando.
Alana: Prometo. Deixa só eu pegar uma mochila.
Laura: Pra onde você vai? Casa do Gabriel?
Alana: Não, tô com raiva do Salvador também.
Laura: Chamou pelo vulgo... tá com raiva mesmo.
Dei de ombros e passei por ela, indo até o meu quarto. Peguei pouca coisa, sem nem fazer ideia de pra onde eu realmente ia. Queria meter o louco e depois cair em algum canto aí, mas infelizmente não ia contar com a presença do meu melhor amigo essa noite... e nem me importava.
Me despedi da Laura, dando um beijo na cabeça dela, e me despedi do neném também, beijando a barriga dela.
Laura: Se cuida, por favor.
Alana: Deus comigo – pisquei e vazei de casa.
Mandei uma mensagem pra Ravena, minha amiga que morava lá no Alemão, mas sabia que ela ia trabalhar hoje e nem esperei por uma resposta.
Fui descendo o morro, com intenção de pegar um busão e ir pra praia mesmo e depois procurar um rolê.
Mas eu nem tinha virado a minha rua quando o Deco parou do meu lado, com uma mochila nas costas, roupa toda preta e touca de assalto na cabeça.
Deco: E aí, Alana.
Respirei fundo e continuei encarando ele.
Alana: Fala logo o que cê quer de mim, Deco.
Deco: Não quero nada, tô falando – deu de ombros.
Alana: Tá indo pra onde? – perguntei.
Deco: Vou meter um assalto aí.
Alana: Onde? – me interessei.
Deco: Joalheria, na Barra – ele tirou a touca da cabeça e estendeu pra mim pegar – Bora?
Alana: Só você e eu? – ele confirmou.
Deco: Pique Coringa e Arlequina.
Neguei com a cabeça e subi na moto.
Alana: Não se emociona. Eu só quero meter o louco.
Deco: Quem tá emocionado aqui?
Alana: Anda, Deco. Acelera essa máquina.
Vi ele sorrir de lado e ligar a XRE, acelerando tanto que me fez sorrir também. Dei duas batidinhas em seu ombro, abracei minha cintura ao redor da dele, e a gente foi voando pra fora do morro.