cap 07 bora junto

1339 Words
Alana . . . Entrei no galpão com o Salvador do meu lado, enquanto comia o salgadinho que ele tinha comprado pra mim no caminho. De cara, já encontrei com o Tubarão e o Rato conversando. Daniel nem tinha chegado ainda, e eu nem tinha visto ele hoje, porque quando saí de casa ele tava dormindo, e depois fui direto pra casa do Salvador. Alana: Oi – fiz um toque com o Rato e me sentei ao lado dele, devolvendo o olhar pro Tubarão enquanto isso. Rato: Lança um salgado aí. Eu neguei e me afastei dele, indo pro outro lado do sofá. Alana: Desculpa, cara. Mas nem vai dar. Rato: Tô com fome, pô. Alana: Eu também tô! Salvador: Tu tá comendo desde que chegou na minha casa, impossível uma fita dessas. Dei de ombros, dando mais uma mordida no salgado. Tubarão tava quieto na dele, encarando as próprias mãos. Alana: Eu descobri um negócio – falei, atraindo o olhar de todos eles – Podem colocar a minha foto naquela parede ali, como funcionária do mês. Rato gargalhou e o Salvador negou com a cabeça, me olhando com deboche. Tubarão desviou o olhar quando a porta do galpão foi aberta e o D2 entrou, todo puto. Tubarão: Chega mais cedo amanhã. O clima pesou na hora. D2: Por quê? Tu quer terminar mais cedo pra quê? Tem compromisso depois? Vi Tubarão ficar de pé, e o Rato levantou na mesma hora, empurrando o ombro dele. Salvador: Aê, vamo manter a calma, tranquilo? Rato: É, pô. Vocês tão brigando por quê? Alana: Ninguém quer saber o que eu descobri? – perguntei, tentando amenizar a tensão, mas todos os olhares foram direcionados pra mim, e nenhum deles era bom – Não? Então tá bom, vou ficar quieta. D2: Não quero ouvir tua voz, não, Alana. Alana: Ôxi, o que eu fiz? – fiquei de pé também, olhando pra ele. Tubarão: Nada. Tu não fez nada, criança. Teu irmão tá todo putão aí, metendo maior marra porque fica dando ouvido pra Zé povinho na rua. Apertei os olhos, enquanto entendia qual era o motivo daquela cena toda. Alana: Jura, Daniel? D2: Tu é toda maluca, fica pegando bandido aí. Casado ainda, pô! Alana: Tu quer que eu pegue o quê? Varão da igreja? – perguntei, deixando ele mais puto ainda – Eu não peguei ninguém, c*****o. Não fiquei com o Tubarão, eca! Tubarão: Já mandei o papo pra ele, mas se não quer ouvir o problema não é meu, pô. Não vou ficar aturando perreco pra cima de mim! Alana: Você podia ter me perguntado. Cadê a merda da confiança que diz ter em mim? Daniel respirou fundo, e eu já tava ficando irritada demais, o que não era nada bom pra uma mulher na TPM. D2: Eu nunca disse ter confiança em tu, né – falou com a voz mais calma. Parecia até brincadeira, mas eu não tava ali pra brincar. Senti meu olho arder e me controlei pra não chorar ali mesmo. Nunca deixei que ninguém me visse chorar, mas eu tava toda chata e ele ainda vem com esse caô pra cima de mim. Alana: Tá bom – me virei, olhando pro Tubarão – Me entendo com o Grego depois. Eu tô fora. Rato: Fora o c*****o, tu disse que tinha descoberto uma coisa, o que era? Neguei com a cabeça. Alana: Tô fora, cara. Se vocês querem saber, descubram sem a minha pessoa, já que sou tão sem utilidade assim! Me afastei do Rato e do Tubarão, passando pelo Daniel e pelo Salvador. Nenhum deles falou nada, e se me olharam eu não reparei. Tava focada demais olhando pra parede. Desci pra casa em dez minutos, ouvindo gente pra c*****o cochichando quando eu passava. Estava irritada pra c*****o com isso também. Era bom eu nem ver a Fabiana na minha frente, porque ia bater nela mais do que o Tubarão já tinha feito. Quando entrei em casa, a Laura estava fazendo a unha no sofá, e se assustou com a minha entrada repentina. Laura: Já, Lana? Alana: Ainda. Já deu minha hora de vazar dessa casa. Ela jogou tudo pro lado e veio na minha direção, segurando meus braços pra me manter no lugar, impedindo que eu fosse até o meu quarto. Laura: Que papo é esse? Tu não vai sair. Alana: Eu não vou ficar aqui, cara. Teu marido é um escroto. Laura respirou fundo, deixando os ombros caírem ao lado do corpo. Laura: Vocês sempre brigam, para com isso. Alana: Dessa vez é sério, p***a. Ele prefere ficar ouvindo o que as pessoas ficam falando na rua do que me ouvir! Laura, você acredita em mim, né? Eu não fiquei com o Tubarão! Ela concordou com a cabeça, várias e várias vezes. Laura: Lógico que eu acredito em você, Cu. Mas eu sei que não é só isso que aconteceu com o Daniel. Tem mais coisa rolando, ele tá tenso, e acabou descontando em ti de alguma forma – falou, ainda me segurando. Mas eu estava inquieta e impaciente, querendo sair daquele lugar antes que o i****a chegasse – E vocês nem vivem longe um do outro. Daqui a pouco tudo se resolve. Alana: Eu não quero resolver nada agora. Laura: Eu tô grávida, Alana – arregalei os olhos. Alana: Grávida? – eu gritei, e a minha cunhada riu. Laura: Tô. E meu bebê tá com desejo de ver a tia em casa. Eu ri e abracei ela com força. Maior felicidade ia ser ver o Daniel ser pai. Ainda mais de um bebê da Laura, que era o amor da vida dele. Meu casal favorito da vida, papo reto. Mas hoje, só hoje, Daniel tava na lista n***a da minha vida. Alana: A tia vai, mas a tia volta, bebê. E vou voltar metendo bala no cu do seu pai! – falei baixinho, abraçando a barriga da Laura – Me dá essa noite de paz, amanhã eu volto. Laura: Promete? – perguntou, me soltando. Alana: Prometo. Deixa só eu pegar uma mochila. Laura: Pra onde você vai? Casa do Gabriel? Alana: Não, tô com raiva do Salvador também. Laura: Chamou pelo vulgo... tá com raiva mesmo. Dei de ombros e passei por ela, indo até o meu quarto. Peguei pouca coisa, sem nem fazer ideia de pra onde eu realmente ia. Queria meter o louco e depois cair em algum canto aí, mas infelizmente não ia contar com a presença do meu melhor amigo essa noite... e nem me importava. Me despedi da Laura, dando um beijo na cabeça dela, e me despedi do neném também, beijando a barriga dela. Laura: Se cuida, por favor. Alana: Deus comigo – pisquei e vazei de casa. Mandei uma mensagem pra Ravena, minha amiga que morava lá no Alemão, mas sabia que ela ia trabalhar hoje e nem esperei por uma resposta. Fui descendo o morro, com intenção de pegar um busão e ir pra praia mesmo e depois procurar um rolê. Mas eu nem tinha virado a minha rua quando o Deco parou do meu lado, com uma mochila nas costas, roupa toda preta e touca de assalto na cabeça. Deco: E aí, Alana. Respirei fundo e continuei encarando ele. Alana: Fala logo o que cê quer de mim, Deco. Deco: Não quero nada, tô falando – deu de ombros. Alana: Tá indo pra onde? – perguntei. Deco: Vou meter um assalto aí. Alana: Onde? – me interessei. Deco: Joalheria, na Barra – ele tirou a touca da cabeça e estendeu pra mim pegar – Bora? Alana: Só você e eu? – ele confirmou. Deco: Pique Coringa e Arlequina. Neguei com a cabeça e subi na moto. Alana: Não se emociona. Eu só quero meter o louco. Deco: Quem tá emocionado aqui? Alana: Anda, Deco. Acelera essa máquina. Vi ele sorrir de lado e ligar a XRE, acelerando tanto que me fez sorrir também. Dei duas batidinhas em seu ombro, abracei minha cintura ao redor da dele, e a gente foi voando pra fora do morro.
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