Alana . . .
Mesmo treinando pra c*****o na noite passada, quando deu sete horas da manhã eu já tava vazando de casa pra biqueira.
Trabalhadora, né, mana.
Fui arrastadona mesmo, cansada pra c*****o e, pra ajudar, com uma cólica infernal. D2 ia pra contenção só mais tarde, então nem rolou aquela caroninha maneira de todos os dias. Até pensei em roubar a moto dele, mas queria continuar viva.
Alana: Salve, rapaziada. Não me estressem hoje, eu tô só no ódio — já avisei assim que pisei na biqueira, encontrando os dois menorzinho que iam dividir o plantão comigo.
Não demorou muito pra movimentação começar e eu fiquei bem quietinha na minha, deixando os menor vender bem pra p***a. Minha meta já tava batida, o que viesse agora era lucro, e como eu não tava nos meus melhores dias, me permiti ficar mais de boa.
Aproveitei o meu tempo pra ficar no celular, fuçando qualquer informação que pudesse nos ajudar no assalto.
— Quero comprar com ela ali.
Tirei a cara do meu celular, encarando o Deco.
Ele era o braço direito do Grego. Quer dizer, na verdade o esquema era meio a meio. Tubarão e Deco eram os dois braços direitos do Grego, mas eles se odiavam, o que rendia várias fofocas pelo morro.
Deco era primo da Malu, fiel do Grego, e primo da Fabiana, fiel do Tubarão... ou não, sei lá. Uns meses atrás rolou um babado de que o Deco e a Fabiana tinham se pegado, e deu o maior caô. Tubarão bateu nela até destruir a mulher, e o Deco foi cobrado da mesma forma.
Mas ninguém entendeu nada do que rolou, porque semanas depois a Fabiana voltou a morar com ele.
Alana: Comigo? — apontei pro meu próprio corpo.
Deco: Contigo, pô — ele deu um sorrisinho sacana e se aproximou, sentando do meu lado na escada — Lança a braba.
Tirei um prensado da mochilinha e estendi pra ele.
Deco estendeu uma nota de cinquenta e eu coloquei a mão no bolso pra devolver o troco.
Deco: Pode ficar como troco.
Ignorei ele completamente e entreguei as notas.
Alana: Obrigada pela preferência e volte sempre — sorri falsamente, voltando a olhar pro meu celular.
Deco: Tá afim de dar um rolê?
Alana: Eu tô trabalhando.
Deco: Depois.
Alana: Não.
Era até meio f**a dizer não, porque ele era um baita de um gostoso. Mas tava na cara que aquela aproximação tinha mais coisas envolvidas, e eu nem tava querendo saber do que era.
Deco: Quer sim, Alana!
Alana: Não quero, Deco! — falei mais alto — O que você tá querendo, hein? Nunca nem falou comigo e agora chega com essa palhaçada.
Deco: É só um rolê, pô. Sem intenção nenhuma — falou, estendendo as mãos pro ar.
Alana: Eu não nasci ontem, cara — fiz um bico, enquanto pensava, e depois sorri — Fabiana foi falar o que pra ti?
Deco: Fabiana? — se fez de desentendido — Por que ela me falaria alguma parada de ti?
Joguei minha cabeça pro lado, negando.
Alana: Já falei que eu não nasci ontem.
Vi a moto do Salvador entrando na biqueira e voltei a encarar o Deco.
Deco: Então tá, Alana. Se mudar de ideia, me chama, jaé?
Alana: Tchau, parceiro.
Ele se levantou e vazou pianinho, dando um salve nos menorzinho.
Salvador nem perdeu tempo e já veio todo emburrado pro meu lado.
Alana: Oi, amorzinho.
Salvador: Amorzinho é o meu p*u, Alana. Segura os teus B.O!
Fiz careta.
Alana: Ah, então toma no seu cu e nem me estressa.
Salvador: O morro todo no maior papo que tu tá se envolvendo com macho casado. Desconfiei, né? Tu nunca foi disso. Venho tirar o papo limpo contigo e tu tá conversando com outro maluco que também é envolvido no bagulho — ele negou com a cabeça, cruzando os braços.
Alana: Eu me envolvendo com macho casado? De onde tirou essa história?
Salvador: Todo mundo falando de ti e do Tubarão, pô. Tão dizendo que a Fabiana saiu de casa porque descobriu traição — eu comecei a gargalhar. Fui obrigada, nem deu pra segurar. — E é por isso que ele deixou tu entrar no esquema então?
Alana: Como meu melhor amigo, você devia confiar um pouquinho mais no que eu digo.
Salvador: Manda teu papo então.
Alana: Fiquei treinando até tarde ontem, pô. A gente chegou no apê juntos e a maluca da Fabiana veio surtar, achando que eu tava pegando o Tubarão. Só se for pegando de porrada, né? Fala sério.
Salvador: E o maluco aqui?
Alana: Sei lá, Deco tá todo estranho. Nunca falou comigo e agora aparece me chamando pra dar um rolê?!
Salvador: Ih, bagulho estranho hein — ele falou, relaxando um pouco a postura.
Alana: Tô te falando, cara.
Salvador: Se liga, Alana. Qualquer parada tu grita.
Concordei com a cabeça e me aproximei dele, abraçando sua cintura.
Alana: Tua melhor amiga precisa de chocolate.
Salvador: Ah, saquei. Por isso tu tá com essa cara de encapetada aí.
Empurrei ele pra longe.
Alana: Vai trazer pra mim?
Salvador: Não. A hora que sair do corre vai lá em casa pegar. Depois a gente sobe pro treino.
Alana: Tá bom.
Ele ia se despedindo e eu logo fiz a cabeça dele pra comprar uma ervinha também. Depois de comprar, ele vazou pros corre dele e eu voltei a ficar com a cara no celular o restante do dia inteirinho.