cap 05 ela queria bater na Fabiana

1058 Words
Filipe . . . A Alana me olhou com aquela cara de quem queria pular no meu pescoço de tanta raiva, e eu nem dei moral. Ela podia ficar p**a à vontade, me xingar, me odiar, mas eu não ia entrar no jogo pra perder. Não era só a cabeça dela que tava em risco nessa jogada, por isso fiz ela treinar a mira por horas, sem nem parar. A gente já tinha descarregado uns bons pentes, e achei que, pro primeiro dia, já tava de bom tamanho. Não era bom, mas era o suficiente. Alana: Graças a Deus você resolveu ter piedade da minha pobre alma — resmungou, largando a pistola em cima da bancada. Levantei do sofá e fui até ela, travando a arma e guardando de volta no lugar. Virei as costas pra ir embora, mas ouvi ela bufar. Tô falando, pô. É uma criança. Vi ela pegar a jaqueta e o celular que estavam largados no canto do sofá e sair em direção à porta, que eu ainda segurava aberta. Subi na minha moto e vi quando ela virou a esquina, sem nem olhar pra trás, descendo a rua. A garota era minha vizinha, morava no mesmo prédio que eu, aqui no morro, num apartamento pequeno. Já era tarde pra c*****o. A mãozinha pesou na consciência, então desci pianinho, encostando a moto do lado dela. Alana nem olhou, nem parou de andar. Filipe: Sobe. A moto tava a uns passos de distância, então não vi a cara dela quando parou de andar. Alana: Essa é a tua forma de me oferecer carona? — perguntou, me encarando. Filipe: Tu quer ou não quer? — meti um serinho, e ela rolou os olhos, cruzando os braços. Alana: Prefiro a companhia de uma mula. É mais delicada que você. Delicado é o meu p*u. Se f***r com esses papinho pra cima de bandido. Filipe: Só sobe aqui, criança — esfreguei as mãos no rosto, respirando fundo. Alana: Não quero, irmão. E para de me chamar de criança, c*****o! — gritou. Já fiquei puto. Toda a paciência que eu tinha foi pro c*****o. Desci mais com a moto, parei do lado dela e puxei o braço com força, trazendo ela mais perto. O puxão foi tão forte que quase fez ela cair, mas a desgraçada fincou as unhas no meu braço. A dor me fez soltar ela na hora. Mesmo assim, ela continuou ali, parada, me encarando com ódio. Alana: A próxima vez que você encostar a merda das suas mãos em mim, eu juro por Deus que faço elas parar na sua boca! Filipe: Cala a boca, p***a. Tá todo mundo dormindo já! Alana: E eu tô ligando?! Filipe: Alana, tu tá testando a minha paciência — ela se afastou um pouco e cruzou os braços — p***a, tu mora no mesmo prédio que eu, c*****o! Tá tarde pra p***a. Era só subir na moto e aceitar a merda da carona, garota! Pra que esse show todo? Ela arregalou os olhos, botou a mão na boca, se fazendo de surpresa. Já respirei fundo, me preparando pro teatrinho. Mas nem segurou o personagem: fechou a cara na hora. Alana: Doeu em você? — perguntou. — Era só ter falado com essas palavras. Mas não, você já parte pra grosseria e agressão! Filipe: Tu vai subir ou não vai? Alana: Tá vendo?! — apontou o dedo na minha cara. Eu ia bater na mão dela pra longe, mas nem tava mais afim de discutir — A cada duas palavras que saem da sua boca, sete são grosseiras. Filipe: Eu não te perguntei nada, parceira. Só sobe na moto e bora pra casa. Alana: Eu tenho pernas, graças a Deus. Desci o olhar do rosto dela pras coxas. Era uma criança? Era. Pra c*****o. Mas era gostosa na mesma proporção que me irritava. Ela riu alto quando percebeu que eu tava secando, e negou com a cabeça. Filipe: Vou te deixar aí na rua pra qualquer cracudo te pegar. Depois não chora no meu ouvido — falei, ligando a moto e coçando a nuca. Ela não respondeu nada, só deu mais um passo na minha direção e subiu na garupa, se apoiando nos meus ombros. Nem encostou em mim no caminho inteiro. Tava quase caindo, tentando manter distância. Quando estacionei, ela pulou da moto como se tivesse pisado em brasa. Alana: Obrigada, Tubarão — sorriu com deboche. — Viu como é legal ser educada? Ignorei legal a criança e subi as escadas pro meu apartamento. Ela veio atrás. Era pequeno. Além de mim e da família dela, só mais dois outros cômodos no prédio. Entramos no corredor, e de cara vi a Fabiana sentada na porta, mexendo no celular. Ela levantou o olhar, me encarou, depois encarou a Alana. Por fim, voltou pra mim. Fabiana: Eu te liguei milhares de vezes! — se levantou e veio pra cima de mim. Virei o rosto, tentando contar até mil. — Uma da manhã, Tubarão! Uma hora da manhã e você aparece assim, com a maior cara lavada. Me deixou sozinha pra ir comer vagabunda na rua? A última parte foi pra Alana, que tava atrás de mim. Eu já sabia que ia dar merda. Alana: Ele tava sim. Comendo a vagabunda da sua mãe, corna mansa do c*****o! Nem me dei ao trabalho de responder. Fabiana voou pra cima da Alana e eu puxei ela pelos cabelos, arrastando pra longe. Empurrei no chão, quase do outro lado do corredor. Filipe: Vaza daqui, pô. Pega tuas tralhas e rala. Fabiana: Você não pode fazer isso. Filipe: Tô fazendo, não tô? Vaza. Fabiana: É isso que você quer mesmo, Filipe? Vai mandar embora a mulher que esteve contigo desde o começo? — o olho dela encheu de lágrima. Filipe: Nem sei porque deixei tu voltar. Tu tem onde ficar! Fabiana: Não tenho! Filipe: Malu é tua prima. Se eu, que não sou p***a nenhuma tua, deixei tu ficar, por que ela não vai deixar? Tu só tá fazendo cena aí — me afastei, indo pra porta do meu apê. — E se tu me ver na rua, atravessa pro outro lado. Olhei pra criança uma última vez, antes de ver ela entrando no apartamento dela também. Mas dava pra ver na cara que a vontade dela era só uma: descer a porrada na Fabiana.
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