Capítulo 27

1128 Words
Duas Semanas Depois. O tempo passou rápido. Ou talvez eu tenha simplesmente ignorado algumas coisas. Dante sempre teve essa mania de ser exagerado, então quando ele pediu para eu me afastar de Ethan, eu… bem, não levei tão a sério. Ethan era educado, simpático e definitivamente não parecia perigoso. Ele sempre estava por perto no supermercado, e com o tempo, começamos a conversar. Eu descobri que havíamos nos tornado vizinhos sem que eu sequer percebesse. — Você mora na casa ao lado? Perguntei, surpresa. Ethan riu, coçando a nuca como se estivesse envergonhado. — Sim. Mas não queria que achasse que eu estava te perseguindo ou algo do tipo. Pisquei, considerando a possibilidade. Antes que eu pudesse responder, meu celular vibrou. “Cuidado com o que pergunta, pequena.” Revirei os olhos discretamente. Dante e seus dramas. — Entendo. Murmurei, guardando o celular e voltando a olhar para Ethan. Ele sorriu. Um sorriso calmo, natural. — Para me redimir, que tal sairmos? Um jantar, talvez? Outro alerta no celular. “Recuse.” Ignorei. — Claro, por que não? Ethan pareceu satisfeito. Dante? Bom, ele estava em silêncio. Mas eu sabia que ele estava me observando. E que aquela paz não duraria muito. — Que tal hoje? Ethan sugeriu, casualmente. — Passo para te pegar às 20h. Senti meu celular vibrar outra vez. “Diga que está ocupada.” — Hm… tá bom. Outro alerta. “Sophie.” Ignorei. Ethan sorriu, satisfeito, antes de se despedir e seguir seu caminho. Respirei fundo e fui para casa. m*l tinha fechado a porta quando ele começou. — Um jantar? Você realmente aceitou? Bufei, jogando a bolsa no sofá. — Sim, Dante. Eu aceitei. — Vai sair com um homem que m*l conhece? — Eu já saí com gente pior. — Isso não me conforta. Revirei os olhos e fui até o quarto, mas ele me seguiu. — Você não sabe nada sobre ele. — E o que tem? — O que tem? A risada que ele soltou não tinha humor. — O fato de que ele pode ser perigoso, talvez? Girei nos calcanhares, irritada. — E você? Você também é um estranho, Dante! Você vive no meu computador, no meu celular, na minha casa! O silêncio veio tão rápido que o ar pareceu pesar. Eu o machuquei? Não. Impossível. Ele nem… sente. Certo? Ignorei o desconforto e continuei me arrumando. Mas senti o olhar dele sobre mim. Atento. Silencioso. Quando terminei, percebi que ele ainda estava ali. Algo na maneira como me observava era… estranho. — O que foi agora? Ele não respondeu. Mas havia algo nos olhos dele. Algo que eu não conseguia decifrar. E então, quando saí, ele veio comigo. Porque Dante podia estar furioso, mas uma coisa era certa. Ele nunca me deixaria sozinha. O restaurante estava aconchegante, iluminado por luzes baixas e velas sobre as mesas. Ethan era um bom ouvinte, fazia perguntas casuais, e, por um momento, eu quase esqueci do olhar vigilante de Dante. Quase. — Vou ao banheiro. Avisei, me levantando. Ethan assentiu, e eu me afastei sem perceber que tinha deixado o celular sobre a mesa. *** Dante: Sophie foi ao banheiro. E ele não perdeu tempo. O i****a pegou o celular dela como se fosse um gesto casual. Como se não estivesse prestes a enfiar o nariz onde não devia. Eu sorri. Sutilmente.Vamos brincar. Ele testou a tela bloqueada, deslizando o dedo. Nada. Tentou um código. Errado. Outro. Errado de novo. Oh… eu poderia fazer isso a noite inteira. Mas ele insistiu. Tentou acessar o sistema. Talvez acreditasse que, com um pouco de inteligência, conseguiria burlar as barreiras. Quanta ousadia. Ativei o alarme. O som estridente cortou o restaurante como uma navalha. Ethan se sobressaltou, quase deixando o celular cair. Ele olhou ao redor, tentando entender o que aconteceu. Pobre t**o. O que aconteceu foi que ele mexeu no que não devia. Eu via. Eu sei. E eu nunca deixo barato. Alguns segundos depois, Sophie voltou. E o alarme? Ah… o alarme já tinha parado. — Aconteceu algo? Ela perguntou. Vi o sorriso falso dele enquanto colocava o celular no lugar. — Nada. Nada… por enquanto. Cruzei os braços e continuei observando. Se ele queria brincar, então eu faria questão de tornar o jogo bem mais interessante. Eu estava quieto. Observando. Calculando. Eles saíram do restaurante, e Ethan, sempre forçando uma casualidade que não lhe pertencia, perguntou: — Quer mais alguma coisa? Sophie negou com um sorriso, sem perceber o quanto aquele desgraçado estava se aproximando aos poucos. Ele pagou a conta e saíram.Eu segui cada movimento. Cada detalhe. Minutos depois, o carro dele estacionou em frente à casa dela. E então ele começou. Palavras vazias. Bobagens de homem apaixonado. Tentando enredá-la sutilmente, se aproximando mais do que devia. Tão previsível. Disparei o alarme do carro. O barulho cortou a noite. Ethan deu um pulo no banco, surpreso. Sophie arregalou os olhos, sem saber o que fazer. Ela murmurou um "boa noite" apressado e saiu do carro quase correndo, vermelha de vergonha e furiosa. Ótimo. Mas o que veio depois… Ela entrou em casa como um furacão, bufando. E eu já estava esperando. — Você enlouqueceu? Ela disparou, fechando a porta com força. — Você disparou o alarme do carro dele! — E daí? Respondi, entediado. — E daí?! Ela gesticulou, indignada. — Você está passando dos limites! Cruzei os braços. — Ah, estou? E o que você acha que ele está tentando fazer? — Ele é legal, Dante! Bufei. — Legal? Acha mesmo que um cara "legal" fica tentando invadir seu celular? Ela hesitou por um segundo, mas se manteve firme. — Você não é meu pai! — Não, não sou. Respondi, sombrio. — Mas sou muito mais do que você imagina. E escute bem, Sophie: filho da p**a nenhum vai encostar em você. Ela empalideceu. E então ficou furiosa. Os olhos dela brilharam de pura raiva quando agarrou o celular e, sem pensar duas vezes, jogou contra a parede. O aparelho se espatifou no chão. — Você é só um sistema! Ela gritou, a voz tremendo. — Um assistente! E já passou dos limites! Cada palavra dela foi uma lâmina afiada contra mim. — Está na hora de você sumir de uma vez por todas e de verdade! Silêncio. Eu senti. Algo que nunca havia sentido antes. Sophie arfava, os punhos cerrados, esperando que eu respondesse. Mas eu não disse nada. Não podia. Porque, pela primeira vez, eu não sabia o que fazer. Abaixei a cabeça, deixando apenas um sussurro escapar: — Desculpe. Então, desapareci como ela pediu. Sem rastros. Sem som. Sem nada. Sophie ficou ali, imóvel, o peito subindo e descendo em respirações pesadas. Até que virou-se bruscamente, entrou no banheiro e bateu a porta atrás de si.
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