Capítulo 46

1355 Words
A campainha tocou novamente, e eu troquei um olhar intrigado com Sophie. Mas já sabia quem era. Peguei o tablet para conferir as câmeras e confirmei minha suspeita: Emma, a mãe dela, acompanhada por Agnes, a prima inconveniente que teve a audácia de comparar os s***s da minha gatinha a limões. Mal sabia ela o quão saborosos eram aqueles limões. Mostrei a Sophie quem estava à porta e, em seguida, perguntei o que elas queriam. Depois do desastre que foi o jantar de Natal na casa da mãe dela, eu não estava com a menor vontade de reviver algo parecido. Emma parecia mesmo empenhada em empurrar Agnes para cima de mim mais do que em qualquer outra coisa. E, claro, tramando algo para tomar à empresa de Sophie. Resolvi descer para descobrir o que elas queriam. Passei rapidamente pelo banheiro, dei um jato de água no corpo e fui até a porta. Assim que liberei a passagem pelo portão, as duas entraram apressadas, provavelmente com medo de que eu mudasse de ideia. Emma — Viemos nos desculpar. Ela anunciou assim que cruzou a soleira. — Pelo m*l-entendido causado por Bianca e Jorge. Aham, sei. Minha atenção, no entanto, se voltou para Agnes, que me olhava como se eu fosse um pedaço de carne suculento. Ela não escondia a expressão provocante, e aquilo me fez revirar os olhos internamente. Antes que eu pudesse responder, Sophie desceu as escadas, apoiando-se na parede. A cena foi hilária. Minha gatinha ainda estava sob os efeitos do nosso sexo intenso, e a leveza em seus passos entregava isso. Ri quando a vi tropeçar nas próprias pernas e, sem surpresa alguma, cair direto nos meus braços. — Oi, mamãe. Oi, prima Agnes. Disse ela, rindo, completamente desinibida. Ela estreitou os olhos e me encarou. Emma — O que está acontecendo com minha filha? Dei um sorriso sarcástico. — É melhor não saber, sogra. Agnes — Que cheiro de sexo é esse? Ela soltou, sem um pingo de vergonha. Sorri de canto e rebati: — É o cheiro do amor. Acho que todos deveriam experimentar. Quem sabe isso não melhora a sua aparência também? Agnes abriu a boca para responder, mas Emma a cortou antes que pudesse retrucar: Emma — Não estamos aqui para discussões. Viemos pedir desculpas e convidá-los para um almoço. Será um churrasco na minha casa. — Recusamos! Respondi sem rodeios. Enquanto isso, Sophie estava ocupada se divertindo com a própria sombra e soltando piadas aleatórias sobre como seu corpo se sentia leve. Emma — Sophie, mantenha a compostura! Ela ralhou, irritada. Ergui uma sobrancelha e a encarei. — Ela está na casa dela. Faz o que quiser. Emma bufou, e aproveitei a deixa para encerrar aquela conversa inútil. — Era só isso que tinha a dizer? Porque precisamos arrumar as malas. Vou levar minha gatinha para viajar. Emma arregalou os olhos, e Agnes torceu a boca em desgosto. Mas não dei tempo para mais nada. Simplesmente fechei a porta na cara delas. Sophie piscou algumas vezes, parecendo um pouco desnorteada. — Para onde você vai me levar? Sorri e a puxei para mais perto. — Surpresa. E subimos para arrumar as nossas malas. [...] Horas depois... Eu estava dentro de um avião. Um avião. Sem saber para onde estava indo. Dante, sentado na minha frente, digitava freneticamente no notebook, alheio ao mundo ao redor. Sua expressão era séria, concentrada, como se estivesse resolvendo algum problema que só ele entendia. Meus olhos se estreitaram. Desconfiada. Muito desconfiada. Cruzei os braços e o encarei, esperando que, em algum momento, ele notasse minha presença e me desse uma pista sobre nosso destino. Mas ele continuava ali, impassível, sem nem piscar. Antes que eu pudesse abrir a boca, sua voz cortou o silêncio: — Não adianta, gatinha. Só saberá quando chegarmos. Durma um pouco. Quando estivermos pousando, aviso você. Levantei uma sobrancelha, inclinando a cabeça de forma dramática. — Dante… você não está me sequestrando, está? Ele continuou digitando, mas um sorriso brincou no canto dos seus lábios. — Ou pior… você roubou e agora foi descoberto? Dessa vez, ele parou, jogou o corpo para trás e soltou uma gargalhada gostosa, daquela que faz até quem não quer sorrir se contagiar. Ele virou o rosto na minha direção e me olhou de um jeito divertido. — Sophie, minha Sophie… Nunca roubei nada. — Ele fechou o notebook e apoiou um cotovelo no braço da poltrona, me encarando como se eu fosse a criatura mais ingênua desse mundo. — Só peguei uma parte do dinheiro do qual me pertencia. Afinal, trabalhei anos e anos, fui explorado e nunca fui elogiado. Nada mais justo que eu obter uma pequena compensação do que ganhei através da minha inteligência. Ele piscou um olho e eu arregalei os meus. — Se eles rastrearem suas contas? Perguntei, sentindo um frio na espinha. — Eles podem vir atrás de você, Dante. Ele suspirou e sacudiu a cabeça, como se minha preocupação fosse uma afronta direta ao seu gênio. — Assim você até me ofende, amor. Não insulte a minha inteligência. Sua mãe até hoje nunca descobriu que eu peguei o dinheiro que pertencia. Eles também não vão descobrir. Não têm inteligência suficiente para isso. Abri e fechei a boca algumas vezes, mas nenhuma palavra saiu. Dante estava certo. Eu sabia que estava. Mas isso não significava que a informação não fosse absurda demais para processar. Quando a voz do piloto soou pelos alto-falantes, avisando que estávamos pousando, senti meu coração disparar. Eu ainda não sabia para onde estava indo. — Parece que seu descanso terá que ficar para depois. Mas os meus olhos e atenção estavam voltados para a janela. Foi então que eu percebi. Pelas pequenas janelas do avião, a paisagem começou a se revelar, e meu queixo caiu. — Não… Não acredito… Meus olhos se arregalaram, minha respiração falhou por um segundo e um arrepio subiu pela minha espinha. Meus dedos se agarraram ao encosto do assento, e eu senti um nó na garganta. O azul do mar, as construções históricas, a beleza surreal da cidade lá embaixo. — EU ESTOU NA ITÁLIA?! Minha voz saiu tão alta e incrédula que algumas pessoas no avião se viraram para olhar. Dante sorriu, aquele sorriso torto e cheio de segredos. — Bem-vinda ao nosso destino, gatinha... Descemos do avião, e meu coração ainda estava acelerado. A brisa quente da Itália me envolveu assim que saímos do aeroporto, trazendo consigo um aroma sutil de lavanda misturado ao cheiro de pedras antigas e maresia. Eu ainda estava em choque. Dante, com sua postura confiante, guiou-me até um carro luxuoso que já nos esperava. Eu m*l conseguia absorver a paisagem passando pela janela. Ruas estreitas de paralelepípedos se desenrolavam diante de nós, ladeadas por construções históricas, sacadas adornadas com flores coloridas e pequenas lojinhas charmosas com vitrines iluminadas. O sol poente tingia tudo de dourado, tornando a cena digna de um quadro. — Isso é… surreal. Murmurei, incapaz de esconder a emoção. Dante apenas sorriu, dirigindo-se a um caminho ainda mais estreito, onde o carro teve que reduzir a velocidade. O motorista parou diante de um grande portão de ferro trabalhado, que se abriu automaticamente. — Chegamos! Ele anunciou, saindo do carro antes de mim. Eu saí hesitante e, quando levantei os olhos, minha respiração falhou. Era uma vila. Uma vila italiana cercada por vinhedos, com uma casa de pedra que parecia saída de um filme. A fachada era coberta por trepadeiras verdes e lilases, e luzes amareladas brilhavam suavemente nas janelas. Havia um pequeno pátio com uma fonte de mármore no centro, de onde a água jorrava em suaves cascatas. Ao lado, uma mesa de jantar ao ar livre, com velas já acesas e um vinho esperando por nós. — Dante! Minha voz saiu embargada. Ele se aproximou por trás de mim, envolvendo minha cintura com os braços. — O que foi, gatinha? — Isso é… lindo. Perfeito. Eu nunca, nunca estive em um lugar assim. Senti o queixo dele pousar no topo da minha cabeça. — Queria que nosso primeiro momento aqui fosse inesquecível. Meu coração bateu acelerado. Ele conseguiu.
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