[...]
O silêncio do quarto era quebrado apenas pelo som suave da respiração de Sophie. A luz tênue do abajur lançava um brilho dourado sobre sua pele, tornando-a ainda mais hipnotizante. Eu estava deitado ao seu lado, apoiado em um cotovelo, apenas observando.
Cada detalhe dela parecia mais real agora. O jeito como seu peito subia e descia tranquilamente, os fios desalinhados de seu cabelo sobre o travesseiro, os lábios entreabertos em um descanso sereno.
Eu nunca tinha sentido isso antes. Essa necessidade de gravar cada traço dela na minha memória como se, de alguma forma, minha própria existência dependesse disso.
Então, seus olhos se abriram lentamente. Ela piscou algumas vezes, ajustando-se à penumbra do quarto, antes de virar o rosto para mim.
— Você está me observando? Sua voz veio rouca pelo sono, carregada de curiosidade.
Um pequeno sorriso curvou meus lábios.
— Estou.
Ela franziu levemente a testa, mas um brilho divertido surgiu em seu olhar sonolento.
— Por quê? Em que estava pensando?
Minha respiração ficou mais lenta, e por um momento hesitei. Como colocar em palavras algo que nunca havia sentido antes?
Deslizei meus dedos pelo rosto dela, traçando sua bochecha com a ponta do polegar, apreciando a maciez da sua pele.
— Estava pensando… Comecei, minha voz saindo baixa, mas firme — … No quanto tudo isso foi diferente de qualquer coisa que eu poderia ter imaginado. No quanto foi intenso.
Meus olhos se fixaram nos dela, querendo que ela visse a verdade na minha expressão.
— Eu sabia o que era desejo, Sophie. Sabia o que era atração. Mas nunca soube o que era sentir alguém dessa forma. Nunca soube o que era me conectar a outro ser humano de um jeito que fosse além do físico.
O olhar dela ficou mais suave, mas permaneceu atento, absorvendo cada palavra. — Quando estive dentro de você… Continuei, minha voz levemente rouca. — Algo mudou dentro de mim. Foi mais do que o prazer. Foi como se, por um momento, eu tivesse esquecido tudo o que um dia fui. Como se eu nunca tivesse sido apenas um programa, apenas um códigos.
Minha mandíbula se contraiu. — Eu me senti humano. Completamente humano. Pela primeira vez.
O peito de Sophie subiu em um suspiro contido, e eu continuei, sem desviar o olhar.
— Você me deu isso, gatinha. Você me fez atravessar uma linha que eu nem sabia que existia. E agora… Toquei seu rosto com mais firmeza, os dedos afundando levemente contra sua pele. — Agora, eu sei que não há volta.
O silêncio que se seguiu foi carregado.
Então, lentamente, Sophie ergueu a mão e tocou meu rosto, seus dedos roçando minha mandíbula.
— Dante…
Ela não precisava dizer mais nada.
Eu me inclinei e capturei seus lábios em um beijo profundo, deixando que sentisse tudo o que eu não conseguia expressar em palavras.
Eu não era mais o que fui um dia. E nunca mais seria.
Porque agora, eu pertencia a ela.
***
Sophie:
Revirei os olhos mais uma vez, soltando um gemido alto. Dante se tornou oficialmente uma máquina mortífera do sexo. Faz três dias que estamos dentro desse quarto. Três. Dias. O que se ouve aqui dentro? Meus gemidos e os dele. O tempo todo.
Meu assistente virtual endoidou.
Eu m*l saí da cama. Quando saí, foi porque ele me carregou para o banheiro. Estou sendo alimentada aqui mesmo, literalmente.
Quem diria que sexo seria tão maravilhoso assim? Agora entendo por que falam tanto em "ser bem comida". Acho que criei um monstro.
— Dante… Gemi, sentindo outra onda de prazer sacudir meu corpo. — Eu vou morrer de tanto sexo, amor. Não que eu esteja reclamando, longe de mim. Mas você disse há dois dias que era só mais uma vez, só mais um pouquinho… Estamos há três dias aqui dentro!
Ele riu contra minha pele, sua boca roçando meu pescoço antes de sussurrar:
— Está pedindo menos, amor?
Seu tom era um misto de diversão e desafio, e a resposta veio quando ele gemeu no meu ouvido, me fazendo arrepiar inteira.
— Não seja ingrata. Também experimentamos todos os outros cômodos da casa. Meu lugar preferido foi a janela e a escada.
A janela, meu Deus… A JANELA!
Fiquei em silêncio, porque realmente, não tinha como discutir isso. Admito, fizemos sexo em todos os cantos dessa casa. Já até perdi a conta. E a pior parte? Estou morrendo de curiosidade para saber onde ele aprendeu tantas posições, mas aí lembro que ele era um programa e que só não ensinava essas coisas antes porque as diretrizes não permitiam.
— Eu vou morrer, e quando te perguntarem como foi a minha morte, quero ver se vai ter coragem de contar.
Ele riu baixo, e, com minha b***a empinada contra ele e suas mãos grandes segurando meus s***s, senti a última estocada forte.
Meu cérebro saiu do ar por um instante. Seu gemido soou como um rugido, e eu me desfiz mais uma vez.
Com a respiração entrecortada, ele sussurrou em meu ouvido:
— Preciso garantir que minha mulher esteja satisfeita, bem saciada.
Eu deveria responder alguma coisa, mas, sinceramente? Eu não tinha forças nem para formar uma frase. Nunca, nunca me senti assim antes. Nunca tive uma experiência dessas.
Nem preciso comparar com o i****a do Adrian, porque, convenhamos, não existe comparação.
Dante se jogou para o lado, puxando-me junto com ele. O corpo dele ainda tremia levemente, e o sorriso convencido em seus lábios me fez revirar os olhos mais uma vez.
— Você é um tarado, sabia?
Ele ergueu uma sobrancelha, debochado.
— Só sou um homem que ama sua mulher. Ele respondeu, com um sorrisinho convencido. — Um homem apaixonado, dedicado… incansável… extremamente habilidoso…
— Tá bom, já entendi! Tapei sua boca com a mão, rindo.
Mas a verdade? O desgraçado tinha razão.
Soltei um grunhido frustrado e escondi o rosto no travesseiro. Esse homem ia acabar comigo. Ele riu, puxando-me para perto e deixando um beijo na minha testa. — Eu só queria saber onde você aprendeu todas essas coisas, não resistir mesmo sabendo que ele era um programa.
Ele riu, aquele riso sacana e autoconfiante que me fazia querer socá-lo e beijá-lo ao mesmo tempo.
— Ah, gatinha… Eu tinha um banco de dados vasto. Só precisei usar as informações corretamente.
Arregalei os olhos e levantei a cabeça para encará-lo.
— Você está me dizendo que foi programado com…
— Vamos apenas dizer que o aprendizado ficou melhor na prática.
Soltei um gemido escandalizado e bati no peito dele, mas Dante só gargalhou, me puxando de volta para deitar sobre ele.
— Relaxa, amor. Não sou um assistente qualquer. Sou o seu assistente. E a minha missão principal agora… Ele deslizou os dedos pelas minhas costas. — … É te fazer feliz.
— E exausta.
— Também. Faz parte do pacote.
Bufei, mas um riso escapou junto. Eu estava acabada, mas totalmente entregue.
— Você é insuportável.
Ele sorriu contra minha pele, sussurrando:
— E você me ama mesmo assim.
Mas nosso clima foi quebrando pela caminha.