Alguns minutos depois...
Antes de Sophie descer as escadas, o seu cheiro me envolveu. Fechei os olhos por um instante, absorvendo a essência dela, algo que só ela possui. Quando levantei o olhar, meu coração acelerou. Ela estava... divina!
Não pude evitar, a analisei de cima a baixo, como um predador observando sua presa, mas com uma admiração que transbordava. A minha Sophie... agora, a minha realidade. A cada segundo que ela passava na minha presença, sentia o peso da minha possessividade e o desejo de mantê-la só para mim. Não importava que ela estivesse livre para viver, eu só queria protegê-la, guardá-la de todos.
Ela desceu as escadas lentamente, cada pisada dela um eco dentro de mim, como se marcasse no meu peito o compasso do meu coração. Minha vontade era trancá-la aqui, longe de tudo, mas sabia que o mundo teria que ver sua força. Os que a humilharam teriam que se curvar diante dela... e eu faria isso acontecer.
Suspirei, passando a mão nos cabelos, tentando alinhar os fios bagunçados pela intensidade do momento. Ela estava... perfeita. O vestido longo rosa, com o decote tomara que caia, realçava cada curva, cada linha de seu corpo. Os brincos de ouro branco, delicados, faziam um jogo sutil com a cor quente de sua pele. Os sapatos prateados se encaixaram nos pés delicados dela como se tivessem sido feitos sob medida.
O cabelo preso, com alguns fios caindo suavemente sobre o rosto, e a maquiagem impecável, que destacava ainda mais os seus olhos brilhantes e a boca pintada com aquele batom, cor do pecado, me chamavam, me provocavam, e eu estava perdendo o controle.
— Dante? A voz dela me tirou da minha análise, e um sorriso provocador surgia em meus lábios.
— Sim, Sophie? Respondi com um tom suave, observando-a desconfiada.
— Você comprou o vestido, as joias e os sapatos? Ela perguntou, ainda com o olhar desconfiado.
— E a bolsa. Brinquei, olhando para ela com um sorriso travesso. — Digamos que você não é muito amiga da moda. Se dependesse de você, iria a este casamento vestida com algo de bichinhos.
Ela cruzou os braços e bufou, claramente irritada.
— Você é irritante. Não foi você que disse que não gosta de comprar? Ela retrucou, mostrando uma leve frustração.
— Mas neste caso, é algo importante. E queria que você estivesse impecável, não só hoje, mas todos os dias. Meu olhar fixou no dela, carregado de um desejo silencioso, que eu não precisava mais esconder.
Ela revirou os olhos, mas continuou a descer as escadas, com a graça e a sensualidade que só ela possuía. Cada passo dela fazia meu coração vacilar, a sensação era estranha, mas deliciosa.
— Você poderia ser menos irritante. Como sabe as minhas medidas? E o número que calço? Ela perguntou, com uma expressão curiosa.
— Não vou responder a essa ofensa, Sophie. Respondi com um sorriso enigmático, mais para mim mesmo.
Ela riu, e com um movimento atrevido, saiu rebolando na minha frente, fazendo meu corpo reagir com uma intensidade que eu ainda não compreendia completamente. Respirei fundo, tentando me acostumar com essas sensações que ela me provocava.
Quando ela viu o carro estacionado na frente, paralisou. O olhar dela se fixou nele, sem acreditar no que via.
— Onde você conseguiu dinheiro para tudo isso? Não me diga que você roubou. Ela perguntou, com uma expressão de desconfiança.
Bufei, me aproximando e abrindo a porta do carro para ela, com um sorriso calmo e controlado.
— Vou fingir que não ouvi isso, gatinha. Mas, para tranquilizá-la, não roubei. Respondi, com um tom brincalhão, mas havia algo de sério no meu olhar.
Ela ainda estava sem palavras, completamente sem reação, então, com um brilho nos olhos, disse:
— Você comprou um... Rolls Royce. Esse carro é caríssimo.
Eu não precisei dizer mais nada. A resposta estava na minha expressão. Ela merecia o melhor e eu, daria.
[...]
Sophie:
Eu o observava enquanto ele dirigia com tanta habilidade, como se fosse a coisa mais natural do mundo para ele. Mas o que me deixava incrédula não era só isso. Eu estava ali, sentada ao seu lado, e parecia difícil de acreditar que aquele homem à minha frente era o meu Dante. O meu assistente, o meu enigma, agora se tornando real diante dos meus olhos.
Sem perceber, minha mão foi em direção ao rosto dele, tocando sua pele suavemente. O toque foi quase imperceptível, mas intenso o suficiente para ele perceber. Eu senti a tensão no ar, como se ele também estivesse sentindo aquele toque de maneira diferente.
Ele olhou para mim, surpreso, e seus olhos brilhavam com algo entre o desconcerto e a curiosidade.
— É você mesmo? Minha voz saiu mais suave do que eu esperava. — Ainda não acredito que está aqui.
— Sabe que sou eu, bebê. A voz dele estava baixa, quase desafiadora. — Não seja engraçadinha. Não quero mais surtos como aquele outra vez. Você tentou me atirar um abajur.
Eu ri, e ele bufou, claramente tentando esconder o sorriso.
— Ah, você há de convir que não é todo dia que o seu assistente virtual vira humano.
Eu tentei não rir, mas não deu certo.
— Então aproveita, querida. Não é toda mulher que tem a sorte de ter um Dante.
Fiquei um momento em silêncio, lembrando das coisas, da forma como ele falava e, principalmente, do jeito que ele fazia questão de me lembrar de tudo. Eu ainda me pegava tentando entender como ele havia se tornado tão... real.
— Modéstia não é seu forte. Eu disse, não conseguindo evitar um sorriso travesso.
Ele riu, como sempre fazia quando queria me provocar. — Você sumiu porque ficou com ciúmes do vizinho, não foi? Ele apertou um pouco mais o volante, talvez involuntariamente.
— Não quero que se aproxime dele novamente. Me ouça pelo menos uma vez, Sophie. Ele disse, com uma seriedade que me fez dar uma risada nervosa.
Balancei a cabeça, concordando com ele. O vizinho era realmente estranho. De repente, ele simplesmente desapareceu. Foi tudo muito esquisito.
— Ele sumiu... Suspirei, lembrando da última vez que o vi. — Por que seu nome é Eco no assistente virtual?
Ele olhou para mim por um segundo antes de responder, com um brilho curioso nos olhos.
— Porque é o nome que meu criador me deu. Mas quando você me moldou, me deu o nome de Dante. Eu me tornei especificamente seu, meu amor.
Eu fiquei quieta, um pouco perdida com aquelas palavras. Como assim? Eu não lembrava disso.
— Como assim? Eu não lembro disso... Minha voz saiu quase inaudível.
— Você tem o código, Sophie. Um dia, se precisar, abre o seu notebook. Vai encontrar uma pasta escondida, no seus favoritos. Coloque a senha, você já sabe qual é. Pelo menos de alguma coisa você se lembra... Só não beba novamente, por favor, gatinha.
Eu senti a mão dele apertando a minha e, sem pensar, ele levou meus dedos até os lábios, beijando-os com uma suavidade que me arrepiou inteira. Eu respirei fundo, tentando me controlar.
Ele riu baixinho, se divertindo com minha reação. Eu me ajeitei no banco, tentando desviar a atenção para a estrada. Mas logo percebi que estávamos nos aproximando do local do casamento. Fiquei com uma curiosidade insuportável.
Como ele sabe? Eu queria perguntar, mas parei ao pensar na pergunta. Seria um pouco i****a, não?