o pedido e a nova vida

1257 Words
A sala da mansão estava silenciosa. Apenas a luz suave dos abajures iluminava o ambiente, criando um clima calmo e íntimo. Agatha ainda estava parada diante de Douglas, tentando entender o que ele queria dizer. — Essa casa é grande demais quando você não está aqui… — ele repetiu, olhando profundamente nos olhos dela. Agatha sentiu o coração acelerar. — Douglas… — ela murmurou, um pouco nervosa. Ele respirou fundo, como se estivesse reunindo coragem para dizer algo que vinha guardando há algum tempo. — Eu nunca fui um homem de falar muito sobre sentimentos — começou ele. — Minha vida sempre foi trabalho, negócios, responsabilidades… Agatha escutava em silêncio. Douglas continuou: — Mas desde que você entrou na minha vida… tudo mudou. Ela engoliu em seco. — Eu tento trabalhar… tento me concentrar… mas sempre acabo pensando em você. No seu sorriso… no seu jeito tímido… na forma como você cuida da sua mãe. Agatha sentiu os olhos se encherem de emoção. Douglas segurou as mãos dela com firmeza, mas com carinho. — Agatha… eu estou apaixonado por você. Por um momento, ela ficou completamente parada, sem conseguir falar nada. — Eu nunca senti isso antes — continuou ele. — E não quero mais fingir que não sinto. Uma lágrima escorreu pelo rosto de Agatha. — Douglas… Ele levantou a mão e limpou a lágrima delicadamente. — Eu não quero mais que você vá embora toda noite… não quero mais ficar contando as horas para te ver. Ele respirou fundo e então disse: — Eu quero que você venha morar comigo. Agatha arregalou os olhos. — Morar… aqui? Douglas assentiu. — Sim. Quero você aqui comigo todos os dias. Quero cuidar de você… e da sua mãe também. Agatha ficou em silêncio por alguns segundos. Seu coração estava cheio de sentimentos: surpresa, alegria, medo. — Eu… eu não sei o que dizer… — confessou ela, emocionada. Douglas segurou o rosto dela com delicadeza. — Você não precisa responder agora. Mas Agatha levantou os olhos para ele e disse, com a voz suave: — Eu também estou apaixonada por você. Douglas sorriu de um jeito que ela nunca tinha visto antes. Então ele a puxou para um abraço forte. Naquele momento, os dois sabiam que a relação deles tinha ultrapassado qualquer acordo ou acaso do destino. Agora era amor. E uma nova etapa da vida deles estava prestes a começar. No dia seguinte, Agatha voltou ao hospital para visitar Rute. O tratamento estava avançando bem, e os médicos diziam que ela estava reagindo melhor do que esperavam. Mesmo assim, Agatha parecia um pouco nervosa enquanto se sentava ao lado da cama da mãe. Rute percebeu imediatamente. — O que foi, minha filha? — perguntou com um pequeno sorriso. — Você está com essa carinha pensativa desde que chegou. Agatha segurou a mão dela. — Mãe… eu preciso te contar uma coisa. Rute a observou com atenção. — Pode falar, filha. Agatha respirou fundo antes de continuar. — O Douglas… me chamou para morar com ele. Rute ficou surpresa por um momento, mas não parecia brava ou assustada. Apenas curiosa. — Morar… com ele? Agatha assentiu. — Ele disse que não quer mais ficar longe de mim… que está apaixonado por mim. Os olhos de Rute se encheram de emoção. — E você? O que sente por ele? Agatha sorriu timidamente. — Eu também estou apaixonada, mãe. Rute apertou a mão da filha com carinho. — Eu percebi isso desde a primeira vez que ele apareceu aqui. Agatha riu baixinho. — Sério? — Sim. Um homem não ajuda tanto assim se não sentir algo verdadeiro. Agatha respirou fundo e continuou: — Mas tem mais uma coisa… — O que foi? — Ele disse que quer que a senhora vá também. Rute arregalou os olhos. — Eu? — Sim… ele falou que quer cuidar de nós duas. Por alguns segundos, Rute ficou em silêncio. Era muita coisa para processar. Então ela olhou para a filha com ternura. — Agatha… esse homem salvou minha vida. E pelo que vejo, também está cuidando do seu coração. Agatha sentiu os olhos marejarem. — A senhora acha que eu devo aceitar? Rute sorriu suavemente. — Minha filha… se esse homem te faz feliz… e se ele te trata com respeito… então você merece viver esse amor. Ela acariciou o rosto de Agatha. — E se ele quer cuidar de nós duas… talvez Deus tenha colocado ele no nosso caminho por um motivo. Agatha abraçou a mãe com cuidado. — Obrigada, mãe. Rute sorriu. — Mas já vou avisando uma coisa. Agatha se afastou um pouco. — O quê? — Quando eu estiver melhor… vou querer conhecer melhor esse rapaz que roubou o coração da minha filha. As duas riram juntas. E naquele momento, pela primeira vez em muito tempo, Agatha sentiu que o futuro poderia ser feliz de verdade. Alguns dias depois, Agatha finalmente estava pronta para se mudar. O tratamento de Rute continuava avançando bem, e os médicos haviam permitido que ela saísse do hospital para continuar a recuperação em casa. Mas agora não seria mais na pequena casa onde viveram tantos anos. Seria na mansão de Douglas. O carro parou diante do grande portão de ferro. Quando ele começou a se abrir lentamente, Rute olhou pela janela com surpresa. — Minha filha… isso tudo é a casa dele? — perguntou, espantada. Agatha sorriu, um pouco tímida. — É sim, mãe. O carro entrou pelo longo caminho cercado por jardins bem cuidados e luzes suaves. Quando a mansão apareceu completamente diante delas, Rute levou a mão ao peito. — Meu Deus… — murmurou. — Essa casa é enorme! Agatha riu baixinho. — Eu também fiquei assim na primeira vez que vim aqui. O carro parou em frente à entrada principal. Douglas já estava esperando na porta. Assim que as viu sair do carro, ele se aproximou imediatamente. — Boa tarde, senhora Rute — disse ele com respeito. — Seja bem-vinda. Rute sorriu, ainda um pouco impressionada com tudo. — Boa tarde, meu filho… eu que agradeço por tudo que está fazendo por nós. Douglas apenas inclinou a cabeça com gentileza. — É um prazer. Ele ajudou Rute a caminhar com cuidado até a entrada da casa. Quando ela entrou, seus olhos percorreram o grande salão, os lustres, as escadas largas e a decoração elegante. Ela ficou completamente admirada. — Meu Deus… Agatha… isso parece um palácio! Agatha riu, um pouco envergonhada. Douglas também sorriu. — Espero que a senhora se sinta confortável aqui. — Confortável? — Rute respondeu ainda olhando ao redor. — Meu filho… eu nunca imaginei entrar numa casa assim na minha vida. Douglas então falou com calma: — Preparei um quarto especial para a senhora no primeiro andar, perto do jardim. Assim fica mais fácil para descansar e para os médicos acompanharem sua recuperação. Os olhos de Rute se encheram de emoção. — Você pensou em tudo… Agatha olhou para Douglas com carinho. Cada gesto dele só confirmava o quanto ele realmente se importava. Douglas então virou-se para ela. — E o seu quarto também está pronto. Agatha sentiu o coração bater mais forte. Agora aquela casa também era o lar dela. Douglas se aproximou um pouco mais e falou em voz baixa, apenas para ela ouvir: — Bem-vinda para casa, Agatha. Ela sorriu, emocionada. E naquele momento, enquanto caminhavam juntos pelos corredores da mansão, Agatha sentiu que sua vida estava começando um novo capítulo. Um capítulo cheio de esperança, amor… e um futuro que ela jamais tinha imaginado.
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