Capítulo 6

1489 Words
O quarto era pequeno, o ar parado e pesado. Assim que fechou a porta, Elisa encostou a testa na madeira, como se precisasse de um último apoio antes de desabar. O clique da tranca soou alto demais. Ela deslizou até o chão, o vestido rasgado apertado contra o peito. Chorou sem som — lágrimas que pareciam vir de muito mais longe do que aquele momento. Ficou ali, encolhida, até que o corpo começou a doer. Com o rosto ainda molhado, levantou-se devagar. Estava só de calcinha, a pele fria. Abriu o armário e pegou uma das roupas velhas de sempre — uma camiseta frouxa e um short puído, desbotado. Vestiu-se sem pressa, sem pensar. Sentou-se na beira da cama. Esticou o vestido no colo, alisando o tecido rasgado com cuidado. Tentou imaginar se linha e agulha dariam conta daquilo. Talvez, se fosse paciente… O som de três batidas leves interrompeu seus pensamentos. — Lisi? — a voz doce, reconhecível, veio do outro lado. — Posso entrar? Ela respirou fundo antes de responder: — Pode. Karla entrou, os olhos já preocupados, e Elisa apressou-se em girar a chave outra vez, trancando. — Como você tá? — perguntou a mais nova, a voz baixa, quase um sussurro. Elisa soltou um riso seco, sem humor. — Tô normal. — Deu de ombros. — Essa é a minha vida, né? Não posso ter nada. Apontou para o vestido em seu colo. — Não sei por que achei que podia entrar nessa casa com uma roupa bonita e ficar com ela. Que i****a eu fui. Karla se sentou ao lado da irmã, os olhos marejados. — Não fala assim, Lisi… você não é i****a. Elisa riu fraco. — Daqui a pouco a Karen sobe pra buscar o salto. — Apontou pro par novo encostado à parede. — Vai dizer que, já que o vestido rasgou, o sapato é dela. E o papai vai deixar. E a Nanci vai rir de mim. — Suspirou. — E se eu der azar, ainda fico sem café da manhã amanhã. Karla fez uma careta, indignada. — Eles são horríveis. — São só o que sempre foram. — Elisa respondeu com um cansaço que parecia antigo. Ficou um tempo em silêncio antes de continuar, o olhar preso no vazio. — Sabe de uma coisa, Karla? Esse casamento talvez seja bom. A irmã virou o rosto, surpresa. — Bom? Como assim? — Porque, seja o Villar o maluco que for, nada do que ele fizer vai ser pior do que isso aqui. — Elisa falou sem raiva, mas com uma lucidez fria. — Eu limpo, lavo, passo, apanho, fico dias trancada sem comer. Não posso ter nada. O que ele vai fazer de pior? Sexo? Karla arregalou os olhos, a voz embargada. — Não fala isso… você não pode achar normal um homem te bater, Lisi. Elisa deu um meio sorriso, triste. — E o que eu vou fazer? Dizer que não quero casar? — Encolheu os ombros. — A verdade é que, se ele me bater e ainda assim me deixar comer em paz, já vai ser uma grande vitória. Karla baixou a cabeça, os olhos cheios d’água. — Eu sinto muito. — sussurrou. — Sinto muito por você ser tratada assim aqui dentro. Elisa tocou o rosto dela com carinho, a expressão suave. — Ei… você não tem culpa de nada. — Acariciou o cabelo da irmã. — Você é a única coisa boa da minha vida, sabia? As duas se abraçaram por alguns segundos, o silêncio cheio de lágrimas contidas. Então Elisa respirou fundo, limpou o rosto com as costas da mão e forçou um sorriso. — Tá bom, chega dessa choradeira. — Disse, olhando de novo pro vestido em seu colo. — Vem, me ajuda aqui. Se a gente costurar direitinho, talvez dê pra usar de novo. Karla sorriu fraco, puxando a caixinha de costura debaixo da cama. — Tá. Mas só se você me ensinar a fazer o ponto reto direito dessa vez. Elisa soltou um riso verdadeiro, ainda que breve. — Fechado, pequena. Vamos salvar o que der. As duas se inclinaram sobre o vestido rasgado, a agulha tremendo entre dedos ainda trêmulos de choro. E, por um instante, o quarto pareceu menos frio. ** O relógio da sala marcava sete e meia quando Clara entrou, impecável como sempre. O cheiro de café fresco misturava-se ao leve perfume amadeirado que vinha dele. — Bom dia, senhor Villar. — Sua voz saiu polida, quase ensaiada. — Gostaria de lhe entregar o relatório… e as primeiras impressões sobre a sua noiva. Villar ergueu os olhos do prato, mastigando devagar. — Do que diabos está falando? — A frieza dele fazia o ar parecer mais denso. — Do dia de ontem. — Ela engoliu em seco. — Sobre a moça. Ele voltou a olhar para a salada de frutas, mexendo o garfo sem real interesse. — Não quero saber de nada. Já disse que você cuida disso. — Mas senhor... — arriscou, com cuidado. Ele pousou o garfo com força o bastante pra ecoar. — Clara, não discuta minhas ordens. — O olhar dele era um corte. — A única coisa que eu preciso dessa mulher é um herdeiro. Fora isso, nada. Clara respirou fundo. — Tudo bem, não está mais aqui quem falou. — Levantou as mãos, rendida, mas a língua foi mais rápida do que devia. — Só acho que o senhor arranjaria coisa melhor por aí. Villar parou. O silêncio se alongou perigosamente. Então ele jogou o guardanapo sobre a mesa e se levantou. — No escritório. Agora. O som firme dos passos dele no piso de mármore fez o coração dela acelerar. Clara o seguiu, o salto ecoando como um tambor na tensão. Assim que entraram, ele trancou a porta. — Você anda respondendo demais. — A voz dele baixou um tom. — Apenas tentando fazer bem o meu trabalho. — Retrucou, ereta, embora as mãos tremessem. — O senhor devia valorizar. Ele se aproximou até ficar a poucos centímetros. O perfume caro dele a envolveu. — E quem é a “coisa melhor” que eu posso arranjar? — Eu. — Ficou de joelhos, abrindo o cinto dele. — Você sabe bem! — Olhou para cima e sorriu ao receber o m****o de Dante duro em seu rosto. A mulher não demorou a abocanhar tudo e chupar com vontade. — Ora, você é uma vagabunda. — Segurou a cabeça da mulher contra seu p*u alguns segundos, a deixando sem ar. — Não é mulher pra casar. — Falava entre os gemidos. — Uma p*****a que serve um boquete muito gostoso de café da manhã. A mulher seguia sem poder responder, o p*u entalado em sua garganta a impedia. Sentia sua i********e úmida quando Dante a colocou apoiada na mesa e entrou com tudo, após se vestir com a camisinha. Os dois tinham um caso há anos, Clara sempre teve na cabeça que um dia ele cairia em si e ficaria com ela, inventou essa história de casamento achando que talvez ele a escolheria, mas agora, tudo tinha ido por água abaixo. — Fala que você é uma vagabunda, fala. — Pediu estocando com vontade. — Eu sou uma vagabunda! — Disse com t***o, e então ele parou o sexo, a fazendo ajoelhar novamente. — Você hoje está muito faladeira. — Disse sedutoramente. — Por conta disso, eu vou te calar com piroca. — Tirou a camisinha e recomeçou o vai e vem, até que tivesse gozado na boca da assessora. — Delícia! — A observou engolir. — Muito bem, pode ir se limpar. E a mulher saiu do escritório a caminho do banheiro social, realmente precisava se limpar. Quando voltou, parecia que nada havia acontecido naquela sala, não tinha um fio de cabelo fora do lugar. — Eu acho que vou trabalhar daqui hoje. — Comunicou. — Temo não ser possível, tem algumas reuniões na empresa hoje. Inclusive, os j*******s já devem estar lá, aguardando o senhor. — Inferno, logo hoje. — Fechou as mãos em punho. — Tudo bem, eu vou indo. — Não vamos conversar? — Tomou coragem para perguntar. — Ficou um assunto m*l resolvido. — Não ficou nada. — Foi seco. — Você mesma disse há uns minutos que é uma vagabunda. — Ofendeu a mulher, que abaixou a cabeça. — A minha esposa tem que ser bonita, estudada, recatada e possuir um sobrenome de peso. Algo que venha pra somar, algo diferente do nomezinho de pobre que você tem. — Ok, me desculpa se achei... — Clara, você é ótima... pra t*****r. — Deu de ombros. — E só. — Foi duro mais uma vez. — Quanto mais rápido entender isso, melhor a situação vai ficar pra você. A mulher estava tão sem graça que não respondeu. Apenas seguiu o patrão para fora do escritório rumo à empresa. Dante sabia ser c***l e não tinha pena alguma.
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