Desde que começou a dividir o apartamento com tantos caras, — ou o quarto com Kalu — Tahira havia aprendido a amar as quartas-feiras, pois era o único dia da semana que tinha a casa inteira exclusivamente para si. Às quartas, Nicholas, Kaleb e Samuel, tinham estágio na parte da tarde, até o início da noite, as aulas de Kalu terminavam às 17h e Nathaniel, bem, ele sempre chegava depois das 20h, independentemente de qualquer coisa. Coincidentemente, aquele era o único dia que não tinha estágio no consulado depois da aula.
Subiu as escadas de acesso ao apartamento praticamente flutuando, sentia um pouco de fome, afinal, já havia passado das 13h, no entanto, isso podia esperar, hoje era o dia de pedir comida por aplicativo e só relaxar. Seguindo todo o ritual, largou as suas coisas na mesa de canto do quarto, escolheu uma camisola de seda, bem leve e macia, gostava de coisas caras, porém, só as usava em momentos especiais. Lamentava por não ter uma banheira como na casa do irmão, Kaik, mas se conformou com a água extremamente quente do chuveiro. Lavou o cabelo, fez esfoliação no corpo inteiro, depois usou hidratantes, óleos nutritivos e cremes que prometiam rejuvenescer a sua pele, milagrosamente.
Ao sair do cômodo se sentia cheirosa, limpa e mimada, mas o melhor estava por vir.
Ainda não havia guardado todas as suas coisas, já que tinha muito menos espaço ali do que no seu antigo quarto. Além de metade das gavetas da cômoda do lado da sua cama, só lhe restavam duas portas do guarda-roupa médio. Nem mesmo um lugar para arrumar a suas maquiagens existia, acabou por espremer tudo na pia do banheiro, pois a única mesa disponível era exclusivamente para o estudo — uma das únicas regras de Kalu.
Ansiosa, puxou a mala grande — de um vermelho vivo — que estava debaixo da cama e a abriu com deleite, enfiou a mão entre as mudas de roupa até encontrar uma caixa de madeira escura, tamanho 20x10. Ao abrir, a sua mão pairou carinhosamente pelos três vibradores.
Antes, quando ainda tinha um quarto individual e privacidade, Tahira não dava muita importância a eles. Era verdade que usava regularmente, entretanto, o fazia como um passatempo divertido, entre uma sessão e outra não gastava mais que 5 minutos — só precisava escolher o pornô certo. Após se mudar para uma casa com cinco idiotas barulhentos, irritantes e imaturos, aquele pequeno momento de paz se tornou a sua tábua de salvação para lidar com todo o estresse, não era apenas um orgasmo — ou dependendo da sua displicência no dia, três ou quatro — mas um oásis de tranquilidade prazerosa, muito necessário.
Pegou um dos vibradores, o fone de ouvido e deitou na cama. A velocidade ou potência do brinquedo era alterada por um aplicativo de celular, com toda paciência do mundo vagou por sua galeria de música até escolher a playlist perfeita. Colocou o fone e selecionou uma sequência de vibração gradativa, algo suave que iria lhe dar tudo no tempo certo.
A voz sensualmente doce de Syd do The Internet cantando Special Affair, entrou por suas veias como um afrodisíaco relaxante.
Penny for your thoughts, I know what you want
I can read your mind even from behind
And f**k what's in your phone
lemme take you home, I wanna take you home
O bom de se conhecer tão bem é saber exatamente onde tocar. Na sua imaginação, Tahira não estava mais no quarto de uma república, mas ao ar livre, em uma cama muito macia. A vibração no seu c******s fez o seu corpo estremecer levemente, o desejo sendo construído pouco a pouco.
Então, no seu paraíso particular, a figura de um homem se aproximou da loira. Ela suspirou quando sentiu o seu toque preguiçoso subindo por sua perna, depois deslizando pela coxa até alcançar o seu centro. Tahira levantou a mão para entrelaçar os dedos nos cabelos negros, tremeu quando a boca dele encontrou o seu pescoço roçando a barba por fazer. O homem cheirava a tabaco e hortelã, algo perturbadoramente familiar que a assustaria se não estivesse tão envolvida com a fantasia.
A música acabou, dando lugar a voz rouca de Marilyn Manson entoando Killing Strangers.
This world doesn't need no opera
We're here for the operation
We don't need a bigger knife
'Cause we got guns
We got guns, we got guns
We got guns, you better run
Com um gemido, Tahira levou a mão aos s***s e apertou, ávida por aumentar as sensações. Extremamente excitada, lentamente inseriu o vibrador dentro de si, mas em pensamento era o homem quem fazia o movimento, primeiro com os seus dedos, depois, conforme a pulsação ficava mais exigente, o substituindo por seu p*u.
Podia sentir a tensão dominando o seu corpo, ansiando pelo auge do alívio.
You better run
We got guns, we got guns, we got gunse
Quando Manson atingiu as letras finais do último refrão, ela deixou-se levar pelo orgasmo tão desejado.
Suada e ofegante, levou alguns instantes para se recuperar, logo, os seus olhos verdes encontraram os castanhos de Kalu — completamente horrorizado.
Kaluanã estava parado na porta — estático — a sua mão ainda segurando a maçaneta. Ambos se encararam por meio segundo antes dele fechar a porta com um estrondo.