Jean Davis, é um nome bonito.

1376 Words
Uma vida entra profundamente na nossa e, de repente, nos deixa com as risadas dos momentos em que ficamos juntos, isso se chama despedida. No momento da despedida, as pessoas podem sofrer muito, enquanto encaram a realidade. Alguns podem fechar os olhos para o luto e se protegerem mentalmente da separação insuportável, outros escolhem viver em profunda tristeza, recordando momentos do passado. Tenho medo que os meus amigos e familiares escolham a segunda opção. - Fui designado pelas divindades para cuidar da sua alma, serei o seu ceifador. - O meu ceifador? - questiono surpresa. - Era só o quê faltava! - levanto sozinha e recolho as sacolas do chão. - Eu não sei quem você é, mas não beba todos os sábados, um alcoólatra que comete assédios estraga as ruas de Paris. - sorrio e saio andando na chuva atravessando a ponte. - "Alcoólatra que comete assédios"? O quê? - ele questiona me seguindo. - Você sabe quem eu sou? Sou Jean Davis, o ceifador mais eficiente de todo universo! - Ah, claro. - reviro os olhos e acelero os meus passos. - Camille! - ele me ultrapassa, para na minha frente e os nossos olhos se encontram. - Eu não sei como você sabe o meu nome, mas por favor, pare de me seguir! - digo respirando fundo. - Não acredita em mim? - Digamos quê, um doido aparece de luto com um guarda-chuva vermelho e sorri dizendo ser um ceifador, ou melhor, o meu ceifador? - Falando desta maneira... tem razão! - ele sorri de leve. - Preciso provar que estou falando a verdade, olhe para o guarda-chuva! - levanto a cabeça e o mesmo rodopia o centro do seu guarda-chuva escarlate. - Pronto. - ele fecha o objeto. - Ótimo, você é bom em rodar as coisas, já entendi, agora se me der licença. - respiro fundo e quando olho ao meu redor, sou surpreendida. Não estávamos no final da ponte e sim em Puerta del sol, em Madrid! - O quê? Como fez isso? - questiono com os olhos arregalados. - Cara, eu não pensei que o tumor era tão perigoso assim... Agora tenho alucinações! - O quê? Alucinações? - ele questiona colocando as mãos na cintura. - Perdóname, no la vi. (Me perdoe, eu não a vi.) - essa voz, eu a conheço! Olho para o lado e sou surpreendida, meu pai e minha mãe ainda jovens. - Isso é impossível! - digo com os olhos vidrados em ambos. - Está perdoado, desde que me pague um sorvete. - ela sorri colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. O vestido de seda azul, cabelos loiros ondulados e salto alto dourado, sempre que ela contava a história de como se conheceram, ela descrevia o quê vestia no dia. O papai estava usando uma calça social preta e uma camisa de manga longa branca com três botões desbotoados, o seu topete liso a conquistou. - Certo, existe uma sorveteria ótima aqui perto, gostaria de ir? - Eu adoraria. - ela sorri agarrando o braço do mesmo enquanto caminhavam tranquilamente na rua movimentada. - Estamos... - Sim, estamos. - Jean responde com um sorriso largo. - No dia 15 de fevereiro de 1994, dois anos antes de você nascer, os seus pais acabaram de se conhecer, nessa época sua mãe tinha 17 anos e ele 19 anos. - Não, não pode ser verdade. - encosto a mão no ombro de uma mulher desconhecida. - Moça, poderia me informar a data de hoje? - questiono com um leve sorriso. - Ah, sí! - ela sorri. - Hoje é 15 de fevereiro, 1994. - Obrigada. - sorrio de leve e a mulher continua o seu caminho. - Você tem o costume de não acreditar nas coisas que digo. - ele se aproxima por trás e puxa a minha cintura fazendo eu rodopiar e bater a testa no seu peitoral definido. - Pronto, de volta a cidade romântica, ou seja lá o que Paris for pra você. - o mesmo sorri malicioso. - Eu ainda não acredito em você, ceifador? Que piada! - sorrio constrangida. - Então, pode soltar o meu terno? - ele questiona com um leve sorriso. Que idio.ta! Eu estava com as mãos na sua barriga definida, ele pegou-me de um jeito que assustei. - Ah, mas você que puxou a minha cintura! - digo afastando rapidamente. - Sim, mas eu já havia te soltado… que seja! Agora sabe um pouco do meu poder, podemos ir direto ao ponto? - Espere, deixa eu raciocinar! - sorrio colocando a mão na testa. - Você foi designado para guiar a minha alma, isso significa que todas as pessoas têm o seu ceifador? - Sim, quase isso, digamos que se você morrer agora eu já poderei despachar outra alma. - ele sorri. - Entendo… já despachou quantas almas? - Você será a alma 5000. - ele sorri. - Então foram mais de quatro mil? Uau! Está vivo há quantos anos? - Você faz muitas perguntas. - ele diz revirando os olhos. - Nasceu para ser ceifador? - Não, eu era humano como você... - o moreno respira fundo. - Quando alguém se torna ceifador, significa que ele tirou a própria vida, a punição é ficar imortal. - Então, aqueles que cometem suicídio viram ceifadores? - Não, não todos, digamos que eu fui um ser humano que feriu muitas pessoas e depois me suicidei, os deuses me puniram a dar vida eterna. - Ah...entendi. - sorrio olhando ao meu redor. - A chuva já parou? - Pelo jeito, sim! - ele responde fechando o guarda-chuva. - Ficará ao meu lado até eu morrer? - Sim, mas podemos adiantar esse processo, tenho um punhal que arranca a sua alma sem machucar você. - ele sorri retirando um punhal prata com uma caveira na ponta e uma cobra de ouro enrolada nas laterais do mesmo. - Não vou adiantar o processo, tenho 93 dias para viver intensamente ao lado de quem amo. - E fazer eles sofrerem mais? - Jean questiona com um sorriso irônico. - Pensei que tivesse medo deles sofrerem com a sua morte. - Eu tenho, mas... - Quando a sua hora chegar, você sabe que enfiarei esse punhal se recusar partir, não sabe? Era nítido que o meu ceifador não se importava com a escolha que tomasse, para ele eu só era a alma 5000. - Enquanto eu estiver viva, pode evitar que eu sinta dores de cabeça e qualquer sintoma do tumor? Voltamos no passado, fazer isso não deve ser difícil pra você. - questiono caminhando ao lado do mesmo até a minha casa. - Posso, mas para tudo existe uma consequência, não sentirá mais dores, porém a doença aumentará, não ao ponto de encurtar os seus dias restantes e sim fazer você esquecer algumas coisas importantes por um determinado momento, exemplo a Vanessa, sua melhor amiga. - Mas por um determinado momento, esquecerei dela hoje e me lembrarei dela amanhã... Acredite Jean, é melhor que sentir essas dores de cabeça. - Quando vai contar a todos sobre a sua doença? - ele questiona. - Chegamos! - sorrio de leve. - Você tem casa? - Sim, eu posso acessar ela aonde quiser. - Claro, esqueci do teletransporte...- sorrio tocando o portão. - Enquanto estiver com isso, não sentirá mais dores. - ele se aproxima da minha testa e sopra um hálito fresco de hortelã. - O que é isso? - questiono tocando minha cabeça, sem graça. - Te dei o quê deseja, não vai mais sentir dores. - É só você assoprar no lugar que sara? - sorrio debochando dele. - Uau! Usando os truques da minha mãe. - Quer voltar a sentir dores? - ele interrompe-me com a feição séria. - Não, claro que não. - paro de sorri cabisbaixa. - Entre em casa, a sua amiga está com fome.- o mesmo se vira e abre novamente o seu guarda-chuva. De repente a chuva de minutos atrás surge com mais força e o mesmo sai andando entre a multidão de franceses. - Ele parou a chuva por um tempo? - arregalo os olhos surpresa. - Jean Davis, é um nome bonito. - sorrio e entro no prédio com as sacolas na mão.
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