A vida é como uma flor, se você cuida e rega ela, irá florescer por muito tempo. Eu vivia dias comuns e sem graças confiante que minha flor estava forte, agora percebo que ela está fraca e suas pétalas estão caindo.
7/100 DAYS.
Uma semana se passou desde que descobri sobre o meu tempo de vida. O meu mundo desabou, parei de frequentar à faculdade de arquitetura e não saio do meu quarto, Vanessa não se cansa de bater na porta todos os dias e questionar: Por quê não está indo trabalhar na biblioteca? Se ficar assim, terei que substituir você.
A verdade é que eu não sei como dizer que morrerei em breve, vou fazer todos sofrerem com a notícia, isso é o que eu menos desejo.
Ficar presa neste quarto não vai ajudar você em nada, Camille!
Me levanto da cama vestida com um moletom cinza e uma calça larga de malha preta, olho no espelho e faço um coque no alto da cabeça e coloco minha franja atrás da orelha.
Respiro fundo e saio do quarto, encontro Vanessa em sua mesa de escritório com o olhos vidrados no notebook.
- Camille! - ela nota minha presença após segundos se passarem, Vanessa estava de pijama com o cabelo solto e em sua boca segurava um pirulito vermelho. Parece que hoje ela ficará em casa.
- Não foi pra editora? - questiono me aproximando.
- Hoje é sábado, não abrimos. - ela sorri largo. - Por quê ficou sete dias enfiada naquele quarto? Aconteceu alguma coisa com a sua família?
- Não, eu só estava com uma gripe severa, não queria transmitir pra ninguém, você sabe como os franceses são em relação à isso. - sorrio.
- Eu sou francesa e não me importo em ver minha amiga gripada. - ela sorri. - A faculdade ligou para saber notícias suas. - a mesma cruza os braços.
- O que disse? - questiono.
- Disse que você viajou às pressas para a Espanha e que logo estaria de volta, ele entenderam, mas deram um prazo de sete dias, isso significa que vence hoje. - a mesma volta a sua concentração ao notebook.
- Ah...eu vou mandar um e-mail pro meu professor, não se preocupe. - sorrio.
- Meu pai contratou outra pessoa para trabalhar na biblioteca, mas agora que está melhor vou mandar ele demitir.
- Não! - sorrio. - Não posso trabalhar ao lado desta pessoa? Seria melhor, a Andrea fica ocupada com a cafeteria, passo um sufoco às vezes.
- Bom, você tem razão, vou falar com ele!
- Merci, Vanessa! - sorrio de leve.
No mesmo instante meu celular toca e atendo rapidamente.
Camille: Hola, ¿te das cuenta de lo mucho que te extraño? ( Olá, você percebe quando sinto sua falta?) - questiono com um sorriso.
Emma: Oi minha irmã do coração! Me desculpe por não ligar sempre, os estudos andam puxados, não vou poder ir hoje pra sua casa, marquei de sair com as meninas do alojamento, tudo bem?
Camille: De novo? - respiro fundo. - Espero que o dinheiro enviado na semana passada dê.
Emma: Era isso que eu precisava te falar, a Luna uma amiga próxima do internato vai fazer aniversário, mas eu não tenho dinheiro suficiente pra comprar um presente incrível...Você sabe como esses franceses são esnobes!
Camille: Estamos falando de quanto? - reviro os olhos.
Emma: 500 euros.
Camille: 500 EUROS? VOCÊ ENLOUQUECEU?
Emma: Por favor irmã, eu prometo que não vou pedir mais nada esse mês!
Camille: Você vai ter que ficar pelo ou menos três meses sem me pedir dinheiro! - no mesmo instante relembro que não estarei viva quando ela precisar de dinheiro novamente. - Está bem, nada de pedir mais dinheiro esse mês.
Emma: Sério? Uau Camille Sánchez, você é incrível! - ela sorri. - Preciso desligar, até mais.
Camille: Se alimente direito, viu? Se cuide. - sorrio desligando.
- Sério? 500 euros? É quase metade do seu salário! - Vanessa diz com os braços cruzados.
- Pronto, transferência recebida! - sorrio tocando na tela do meu celular. - O que disse?
- Que estou com fome! - ela se senta em sua cadeira e volta a encarar a tela do seu notebook. - Vá comprar algo para comermos, não almocei direito.
- Só vou, porque estou com fome também! - sorrio colocando o meu celular no bolso da calça.
Há dois quarteirões existia uma loja de conveniência, então uma caminhada curta seria boa pra esfriar a cabeça.
- A editora se apaixonou pelo o meu conto! - ela sorri tirando o pirulito da boca.
- Fico feliz em ouvir isso. - sorrio. - Vanessa...- os seus olhos se encontram com os meus e sua feição muda, atenciosamente ela esperava minha pergunta. - Deixa pra lá. - digo cabisbaixa.
- Parlez maintenant! (Fale agora!) - ela diz batendo a mão na mesa.
- Se acalme, não vou colocar defeito no seu livro. - sorrio com a mão no queixo. - Se tivesse só 100 dias de vida, o que faria?
- Que pergunta b***a. - ela gargalha. - Se eu tivesse 100 dias, eu ganharia mais dinheiro e gastaria tudo em lojas de grife, já que vou morrer mesmo. Mas por quê a pergunta?
- Ah, eu pensei que seria interessante perguntar isso pra você, é de um livro que li na biblioteca, até mais! - calço o chinelo e saio andando para rua em frente ao prédio.
Essa foi por pouco! Sorrio descontraída enquanto caminho em direção a loja de conveniência. O céu de toda Paris estava fechado, parece que não vai demorar pra cair uma chuva daquelas, apresso os meus passos na calçada até chegar ao meu destino.
- Bon après-midi camille! (Boa tarde) - Pierre o dono do estabelecimento me recebe com um sorriso no rosto.
- Bonjour Pierre! - sorrio de leve encarando os corredores pequenos da loja. - Vou comprar uns chocolates, miojo, Doritos e Pringles! - sorrio recolhendo tudo e colocando no balcão do mesmo. - Ah! Pra beber vou levar uma caixa de suco 1L pra Vanessa e uma Coca-Cola pra mim. - sorrio entregando tudo ao senhor.
- Refrigerante não é uma bebida saudável pra uma moça lindo como a senhorita! - ele sorri somando tudo. - Deu 25 euros no total!
- Merci Pierre! Tenha uma tarde excelente.
- Espere la demoiselle, leve um guarda chuva, não vai demorar muito pra chuva cair. - ele sorri.
- Não precisa, eu corro até o prédio, não é muito longe. Obrigada! - sorrio de leve e saio andando com as sacolas.
Mamãe sempre ensinou à escutar os mais velhos, Pierre estava certo, após andar 500 metros sou surpreendida por uma chuva forte. Todos os franceses ao redor na rua, correram pra um lugar seguro, bom só faltava alguns metros pra chegar no prédio, não vai ser necessário.
- Ai! - minhas pernas cedem á dor de cabeça repentina em cima de uma ponte pequena.
De novo essa dor? Eu não trouxe remédio para alivia-lá, o quê eu vou fazer? Não consigo sair do lugar. Solto as sacolas e apoio minhas mãos no chão molhado da ponte.
Levanto a cabeça com a visão ainda turva, olho pra frente na esperança de ver alguém que pudesse me ajudar naquela chuva forte. Foi assim que eu o vi pela primeira vez, ao se aproximar de mim, a minha dor foi se aliviando e minha visão estava normal outra vez, conseguia notar a presença dele.
Um homem de 1,80 cm com a faixa etária de uns 35 anos, cabelos castanhos, olhos castanhos claro feito o mel, ele era pálido igual à um vampiro, usando um terno preto com o chapéu da mesma cor, em sua mão direita segurava firme o seu guarda-chuva vermelho escarlate. O mesmo me encarou e caminhou até a minha direção, estendeu a mão que segurava o guarda chuva, protegendo o meu corpo da água que caía com velocidade, o moreno deu um sorriso leve e disse:
- Bonjour Camille, me chamo Jean e ficarei ao seu lado até seu último suspiro.
- Quem é você? Como sabe o meu nome? - questiono com os meus olhos fixado aos dele.
- Fui designado pelas divindades para cuidar da sua alma, serei o seu ceifador. - ele estende a outra mão livre com um sorriso de lado.