Quando se diz respeito a trabalho, eu me dedico tanto que esqueço do resto, e foi justamente o que aconteceu na última semana, m*l me encontrei com John, embora tenha pensado nele. Assim como eu, ele ama a vida da construção civil, então visitar todas as obras e inspecioná-las estava no topo de sua lista de retorno o fazendo estar sempre longe do escritório.
Até trocamos palavras rápidas, ou mensagens de texto, mas como suspeitei, a volta a realidade estragaria tudo.
A Liz e o Chris, chegaram hoje na França, e como um ótimo anfitrião, John os convidou para jantar na casa dele. No começo, fiquei emburrada como uma adolescente por ficar sabendo do jantar pela Liz, mas depois voltei a agir como uma mulher madura quando, depois do almoço havia um bilhete me convidando também.
— Seu amado deixou aí — Laurine brincou — e não, ele não está aqui, já foi para rua de novo!
— Você lê mentes?
— Não, só já me apaixonei antes.
Me ocupei tanto que a hora acabou passando rápido, ou seja, estava atrasada. Odeio estar atrasada! Todos os funcionários já tinham ido embora, então, fechei tudo e literalmente corri para casa.
A saga para encontrar a roupa certa me fez passar m*l de raiva. De fato, eu estava nervosa, tudo isso é novo até demais para mim, e claramente não estou sabendo lidar com isso. Geralmente conversar com a Liz resolveria, mas também só conversamos hoje por telefone e eu estou nessa agonia há cinco dias, nossa conversa poderia ser considerada uma cena de novela, pois enquanto eu estava espantada pelo fato de não ter sido convidada até aquele momento para o jantar, ela estava achando um absurdo eu ainda não ter sido pedida em namoro.
— Para quem é contra sofrer por antecipação, até que estou me saindo uma bela hipócrita — falei em frente ao espelho — Reaja garota!
Após respirar fundo umas quarenta vezes, finalmente concluí minha arrumação, não tinha jeito, teria que encarar aquela situação, não queria tanto ser convidada? Agora aguenta!
— Se arrependimento matasse… — soltei o ditado enquanto tocava a campainha — … eu estava mortinha — Liz abriu para mim.
— O que você estava dizendo? — me perguntou.
— QUE BOM QUE VOCÊ TÁ AQUI — a abracei
— Quem é essa melancólica? E o que fez com a minha amiga? — Ri da sua pergunta, querendo ter uma resposta.
Meu coração disparou no instante em que avistei os meninos cozinhando, Chris acenou com os olhos, pois cortava cebolas, e John que estava de costas, apenas se virou e sorriu.
— Não é um sonho? — Liz quebrou o silêncio — Hoje seremos servidas, espero que John seja mesmo bom na cozinha.
— Eu também espero, porque o máximo que sei fazer é cortar os temperos e complementos — Chris respondeu enquanto jogava tudo na panela — Se não estiver bom a culpa é do chef.
— Minha família nunca reclamou — John se defendeu — Qualquer coisa pedimos pizza!
Continuamos a conversa até tudo ficar pronto, meus pensamentos não paravam, e m*l consegui prestar a atenção sobre o que falávamos, mas, acho que disfarcei bem.
— Bon appétit !
Foi a última frase dita depois do silêncio pairar, de fato, estava tudo delicioso, que m*l conseguimos falar nada além de elogios para a comida que saboreamos.
— Está determinado, me mudarei para Paris e abrirei um restaurante, John será o chef, seremos o melhor da cidade — Chris sugeriu.
— Como? — John engasgou com o vinho.
— Eu aprovo — Liz comemorou.
— Vamos falir na primeira semana, só sei fazer este prato — John entrou na brincadeira e me olhou — E também eu gosto do meu trabalho atual.
Nossa conversa durou até tarde, na verdade, eles falaram bastante, o assunto rendeu, e foi leve, minha cabeça continuava enrolada, o tempo de mesa apenas reduziu um pouco a fumaça que estava saindo.
— Agora, vamos falar sério! — Liz encarou John.
— Liz… — Chris a chamou prevendo o que ela falaria, e eu se imaginasse, também a impediria.
— Quando o senhor pretende pedir a minha amiga em namoro? Acha que é só um beijinho e pronto? — minha vontade naquele momento era esganá-la, mas não foi necessário, porque o seu marido, que foi muito sábio se levantou primeiro.
— Hora de ir! Muito obrigado pela recepção, nós amamos tudo! Amanhã, resolvemos aquilo que combinamos mais cedo — a levou embora com muita delicadeza e sem espaço para que ela reclamasse. Antes de fechar a porta, sussurrou um “desculpe”.
— Me desculpe por isso… — me manifestei.
— Achei que você tinha desaprendido a falar — bebeu outro gole de vinho.
— Me desculpe por isso também, estou desconfortável — confessei.
— Ei, não! — se levantou, ele está andando cada vez melhor — Te peço perdão por te deixar nessa situação, a semana foi tão corrida, você sabe, mas eu também não fiz muito esforço, acho que vamos ter que aprender juntos a separar o trabalho, se vamos querer que nosso namoro dê certo.
Ele continuou dizendo que, era um francês fajuto, já que não valoriza tanto o descanso como um francês raiz, ainda falou mais, mas não prestei a devida atenção, minha mente ia e voltava na palavra ‘namoro’. Penso que nem ele sabia do que estava falando também.
— Namoro? — perguntei quando ele parou de falar.
— Não quero que pareça que foi por pressão da Liz, ok? Eu estava planejando, e eu não sou o tipo de cara que sai beijando por aí…
— Sei que não — o interrompi.
Ele sorriu e subiu correndo as escadas, eu gritei, por motivos óbvios, mas ele voltou mais rápido ainda com uma caixinha na mão.
— Não foi exatamente assim que planejei, mas sou ansioso, e bom, o que me diz? — me olhou.
Por um segundo o mundo tinha parado para mim, era como se minhas reações, minhas palavras e tudo que fiz após o pedido não fosse verdade, parecia um sonho que eu não queria acordar, penso que se eu contasse para meu eu do passado o que está acontecendo agora, ela riria tanto de mim, sem dúvidas não acreditaria e ainda teria coragem de me dizer que não passava de um filme. Tudo isso ainda me assusta de uma maneira absurda, mas, simultaneamente, me faz não querer parar, me faz querer ter planos, me faz simplesmente querer viver isso, querer amar, querer entregar meu coração a ele por completo.
Estou dizendo “sim” para mim, dizendo “sim” para viver algo que nunca me permiti viver, que sempre ignorei e escondi, e melhor ainda, com alguém que me surpreende em todas as formas possíveis que eu poderia ser surpreendida. Se isso for amor, que maravilha senti-lo.