Dimas Narrando
Eu já sabia que Márcia gostava de brincar com fogo, mas hoje ela passou dos limites. Sempre me provoquei com esses olhares, essas roupas curtas, essa marra de quem sabe exatamente o que está fazendo. Mas quando ela rodopiou aquela saia, me mostrando um pedaço a mais do que devia, senti o sangue ferver.
A pegada que dei no braço dela não foi só para alertar, foi para sentir. Para ter certeza de que ela estava ali, quente e viva na minha frente, pedindo para ser tomada. Encostei a boca perto do ouvido dela, sentindo o perfume misturado com o cheiro natural de pele quente.
— Agora se quiser, eu te faço gozär sem nem te tocar… — soltei num tom baixo, carregado de tensão.
Ela prendeu a respiração. Eu senti. O corpo dela ficou rígido por um segundo, depois se derreteu. Márcia adorava esse jogo.
— E se eu quiser te tocar? — A voz dela saiu provocante, quase um sussurro.
Minha mão deslizou lentamente pelo braço dela, descendo até a curva da cintura. Pressionei de leve, testando, sentindo o corpo dela se moldar ao meu toque.
— Se você me tocar, não tem volta, menina.
Ela virou o rosto, me olhando nos olhos, desafiadora. Os lábios entreabertos, prontos para qualquer coisa. Minha outra mão apertou de leve a nuca dela, trazendo o rosto para mais perto.
— Quem disse que eu quero volta?
Porrä.
Eu estava no limite. Sentia a respiração dela bater quente contra a minha pele. A boca dela a um suspiro da minha.
Se não estivéssemos no shopping, se não houvesse câmeras e outros funcionários por perto, eu já teria jogado essa menina contra a parede e mostrado a ela o que acontece quando se brinca com um homem que segura o desejo há tempo demais.
Ela não fazia ideia do que estava despertando em mim. Ou fazia?
Quando ela soltou aquele "Quem disse que eu quero volta?", foi como se tivesse apertado um gatilho. Minha paciência se esgotou na hora. Empurrei ela para o canto próximo ao elevador, afastando qualquer distância que ainda restava entre nós.
Encostei ela na parede com uma mão firme no pescoço, sentindo a pulsação acelerada debaixo dos meus dedos. A outra mão foi direto para a parede, bloqueando qualquer chance de fuga. A boca ficou rente ao rosto dela, meu hálito quente misturado ao dela.
— Você tá brincando com coisa séria, Márcia… — soltei, tentando manter o controle.
Ela sorriu de canto, como se achasse graça do meu esforço. Minha respiração estava pesada, meu corpo todo em alerta, e essa garota ainda tinha coragem de me desafiar com o olhar.
— E se eu não estiver brincando?
A porrä do elevador apitou atrás de nós, mas eu nem liguei. O mundo inteiro poderia estar vendo, e eu continuaria ali, porque ela já tinha passado dos limites há muito tempo.
E foi aí que ela fez.
A mão dela desceu devagar pelo meu peitoral, queimando cada centímetro da minha pele por cima da camisa do uniforme. Quando ela parou exatamente em cima do meu paü, foi como se jogasse fogo num barril de gasolina.
Minha mandíbula travou. O corpo ficou rígido. Eu apertei de leve a garganta dela, só o suficiente pra ela saber que eu não ia deixar barato.
— Cuidado com o que você deseja, menina… — Minha voz saiu rouca, pesada, cheia de promessas não ditas.
Ela lambeu os lábios, os olhos cravados nos meus, e sussurrou:
— Vai fazer o quê, segurança? Me prender? — Filha da putä, provocou grandão dessa vez.
Meu nome é Rodrigo Dimas. Tenho 45 anos, 1,95 m de altura e sou uma montanha de músculos. Meu braço é todo coberto por tatuagens, a pele n***a brilhando sob a luz artificial do shopping. Corpo definido, bem desenhado, o tipo de homem que impõe respeito só de estar presente. Trabalho aqui há mais de 20 anos e, nesses corredores, já vi de tudo. Mas nada, absolutamente nada, mexeu tanto comigo quanto essa garota.
Márcia.
Desde os 18 anos ela me provoca. Antes disso, era só uma menina que vinha ao shopping com a Karen, a melhor amiga dela, todas as quintas-feiras. As mães delas sempre confiaram em mim, acreditando que eu era apenas o segurança atencioso que zelava pelo bem-estar das garotas. Eu respeitava. Sempre respeitei. Mas quando Márcia fez 18, quando começou a me olhar de um jeito diferente, a se vestir sabendo o efeito que causava, a provocar sem medo… p***a, eu sabia que um dia isso ia dar problema.
E hoje, depois daquela foto? Aquela maldita foto que acendeu um desejo que eu escondia há anos?
Ela me tirou do transe quando se afastou, me deixando ali, encostado na parede, o corpo ainda pulsando de tensão.
— Tá na minha hora, minha sessão começa agora. — Ela disse, os lábios curvados num sorriso atrevido. — Se você tá afim de uma loucura? Eu vou estar na sala 5, poltrona 27.
Me testando até o último segundo.
Balancei a cabeça, negandö, mas antes que ela passasse por mim, segurei o rosto dela firme, fazendo ela me encarar.
— Tô de olho em você com esse pedaço de roupa.
Dessa vez, minha voz veio carregada de malícia. Porque sim, eu sempre fiquei de olho nela. Desde que ela era uma menina e vinha aqui com a Karen. Mas agora? Agora ela não era mais menina coisa nenhuma. E talvez fosse a hora de eu parar de fingir que não via isso.
Rádio On
— Dimas, cadê tu, mano? — Um dos seguranças chamou no rádio.
Peguei o comunicador e respondi sem muita pressa:
— Tô levando a Márcia pro cinema. Ela tá sozinha hoje, sem a Karen.
O outro riu do outro lado, cheio de malícia.
— Sei… levando pro cinema.
Nem me dei o trabalho de responder. Minha mente ainda tava presa naquela cena. A voz dela ecoava na minha cabeça, repetindo em qual sala e qual poltrona ela ia estar. Porrä… o jeito que ela falou, como se estivesse me desafiando, me fez ficar de paü duro na hora.
— Que bom, galerinha. Vou dar um rasante ali dentro do shopping. Já já tô por aqui.
O outro segurança riu e fechou a cara na hora.
— Te cubro pra tu sair mais cedo.
— Então é assim? Beleza, vai lá. — Ele falou, e eu desliguei o rádio, entregando na mão dele.
Fizemos um toque rápido e eu saí praticamente correndo em direção ao cinema. Se Márcia queria brincar com fogo, hoje ela ia sentir o calor.