01.

1596 Words
João Carlos 1 ano antes... Eu estava em casa, como sempre. Acho que depois que a minha memória voltou eu tenho estado mais afastado de tudo, parece que eu ainda estou decidindo quem eu sou, qual personalidade é realmente a minha. Mas nada disso faz muito sentindo estando longe da única pessoa que faz a minha cabaça funcionar direito. Só em pensar que eu tenho que esperar mais dois meses pra ver minha noiva, me dá vontade de comprar uma passagem e viajar sem avisar e chegar lá e beija–la até o dia amanhecer. Ouço o meu celular tocar. Vejo na tela e é meu irmão. Eu não sei o que ele quer, mas pra me ligar deve ser algo importante. Atendo. — Fala cabeção. — falei. — Tá em casa? — ouço Jp perguntar. — Tô, por que? — perguntei. — Vou passar aí. — ele disse. — Vai fazer o que aqui? — perguntei. — Quando eu chegar você vai saber. — ele disse rindo. — Tá bom. — falei. Ele desligou e coloquei o celular de lado. Eu não faço ideia do que ele quer comigo, mas pra ele aparecer aqui as 20:00 da noite, alguma coisa deve ter acontecido. Fui até o bar e peguei uma garrafa de uísque, porque eu tenho certeza que vamos precisar pra essa conversa, e peguei dois copos e coloquei gelo. Não demorou muito e o interfone tocou. Falei pro porteiro que meu irmão poderia subir. Não demorou muito e ele tocou a campainha, abri a porta. E ele estava lá, com a cara de sempre, só que um pouco mais assustado. Ele entrou e eu fechei a porta. — O que foi que é tão importante que você não podia esperar até amanhã pra me contar? — perguntei e ele estava colocando uísque no copo. Eu disse que a gente ia precisar. — Eu vou ser pai. — ele disse. Fui até a mesa e peguei também um copo e coloquei uísque no meu copo. — Gabi tá grávida? — perguntei. — Não, não é ela. — ele disse. Fiz uma cara feia. — Como assim. Pensei que vocês estavam se acertando. — falei e ele negou com a cabaça. — Estamos bem, mas ela disse que não quer nada sério e que eu poderia viver a minha vida como eu bem entendesse. — ele disse encarando o copo. — Viver a vida João Paulo, não fazer uma vida nova. — falei e ele me encarou. — Eu sei disso, eu pensei que estava usando camisinha, eu estava bêbado. — ele começou dizendo. — No dia seguinte eu nem me lembrava direito o que tinha acontecido, ela já tinha ido embora também. — Você tem certeza que é seu? — perguntei e ele afirmou com a cabaça. — Os dias batem. — ele disse e virou o resto de uísque no copo. — Como você vai explicar isso pra Gabi? — perguntei. — Não sei, não sei nem como vou contar pra nossa mãe. — ele disse e sentou no sofá. — Porque você sempre tem que se meter nessas furadas? — perguntei e também me sentei no sofá. — Juro que se eu soubesse daria um jeito de evitar. — ele disse e colocou mais uísque no copo. Ficamos em silêncio por alguns minutos. — Bom, você primeiro tem que dar assistência pra mãe do bebê, depois tem que contar pra Gabi e nossa mãe. E o principal contar pra Pietra. — Nem sei como vou explicar pra ela. — ele disse e colocou a mão na cabeça. — Pensasse nisso antes de fazer o filho. Ela tá de quantos meses? — perguntei. — Não tem nem um mês ainda. É de semanas. — ele disse. — Pelo menos você tem um tempo pra preparar a nossa mãe e a sua filha. — falei. — E eu nem te contei o pior de tudo. — ele disse me encarando. — E tem mais? — perguntei. — Sempre tem. — ele disse e respirou fundo. — Ela não quer ficar com o bebê, disse que assim que nascer vai me entregar o bebê. — ele disse e ficou me olhando. — Bom, você tem nove meses pra se preparar também. Boa sorte. — falei e me sentei no sofá. Eram tantas informações pro meu cérebro processar. Agora... — Olha só, não é que ele veio mesmo almoçar aqui. — meu pai diz abrindo a porta da casa dele. — Oi pai. — falo e entro na casa. — Oi filho. Você chegou na hora certa. — minha mãe disse e veio na minha direção. — Tudo bem mãe? — perguntei depois de dar um beijo na sua testa. — Cadê a minha nora? — ela perguntou olhando pra porta. — Ela foi resolver umas coisas com as meninas sobre a formatura delas. — falei. — Que pena, no próximo você vem com ela. — ela disse e fomos pra sala de jantar. Lucas foi embora de casa desde que eu saí também, ele disse que não teria cabeça pra aguentar o meu pai agir como se fosse o pai dele, já que eu e o JP não moramos mais em casa, desde então a casa está repleta de quadro de fotos. Até mesmo uma das meninas em Londres em uma viagem que elas fizeram. Eu sei o quanto a minha mãe se sente sozinha e o quanto ela tem tentado ocupar esse espaço com mais trabalho, já que meu pai está quase sempre enfiado no escritório em casa, ou então está no cassino. Eu queria ficar com ela, mas meu pai tem sido cada vez mais difícil de lidar, ainda mais depois que a minha memória voltou. Eu nem sei quantas vezes nós conseguimos conversar depois disso, já que a única coisa que ele me cobra são atitudes minhas como antes. Eu não sou como antes. Como poderia ser? Depois do almoço eu fui pro lado de fora de casa e fiquei olhando as coisas da Pietra que ainda estão aqui. — Um dia também vão ter coisas da sua filha aqui. — minha mãe disse e parou do meu lado. — Não sei se eu quero ser pai. — falei e ela faz uma cara feia. — Sei que o seu maior medo é ser como seu pai. As vezes eu me pergunto se eu tivesse tomado as redias da criação de vocês o que teria sido diferente. Eu me culpo por tantas coisas que ele deixou vocês passarem. — ela disse sem olhar pra mim. Talvez eu tivesse tido uma vida igual a Beatriz, talvez eu pudesse ter sido uma pessoa normal. Mas como ela, eu acho que uma hora a minha vida ia tomar esse rumo, ou então toda essa história de família de mafiosos iam me pegar de jeito. Mas isso não aconteceu, então eu não posso basear a minha vida no que eu queria que tivesse sido. Mas tenho medo que eu seja como ele, que por tanta pressão que sofri faça isso com os meus filhos também. — Por que vocês se casaram? — perguntei olhando pra ela. — Porque eu o amava, mais do que a mim mesma. Seu pai não era um rapaz comum, ele sabia o poder que tinha sobre as pessoas, sabia como chegar e sair dos lugares. Já eu por outro lado era muito mais tímida e eu gostava de coisas incomuns, eu não era a garota popular da escola, ou a mais bonita, mas ainda sim ele olhou pra mim e eu me senti especial. — ele disse encarando os próprios pés. — E quando você soube a verdade? — perguntei. — Quando soube a verdade vocês já estavam dentro de mim, eu já estava casada a meses e também sobre a hierarquia, então eu decidi me agarrar aquele amor que eu sentia pra poder ser o melhor pra vocês. — ela disse me olhando. — Eu nunca deixei de amar o seu pai, ele foi o meu primeiro amor. Mas tem coisas que vão além dele, coisas que podem matar um relacionamento muito mais do que a falta de amor. Ela olhou pra porta e não disse nada, apenas me deixou ali, olhando para aqueles brinquedos e tentando entender o porquê dele ser assim até com a pessoa que mais o ama e que nunca vai o deixar, porque sabe o quanto ele pode ser destrutivo pra si mesmo. Voltei para dentro de casa e então peguei minhas coisas, dei um beijo na minha mãe e apenas um aperto de mãos no meu pai. Entrei no carro e vi que havia mensagem da Beatriz pedindo pra eu buscá-la no centro da cidade que ela já havia acabado o que ela tinha ido fazer com as meninas. Quando cheguei aonde ela disse que estaria. Abaixei o vidro ela me viu e deu um sorriso. Ela atravessou a rua, ela estava usando um vestido rosa, aberto nas costas e rodado, e um tênis branco com detalhes rosas. Está linda como sempre. Ela entrou no carro e me deu um beijo rápido, sai do canto e peguei o caminho pra casa. — Como foi com as meninas? — perguntei. — Mariane é sempre um sacrifício pra escolher qualquer coisa. Como foi o almoço com os seus pais? — ela perguntou. — Como sempre um sacrifício pra aguentar o meu pai, Jp não apareceu por lá. — falei e ela apenas me olhou. Não demorou muito pra chegarmos em casa, fomos pra sala assitir algo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD