Capítulo 5 – Conheça Os Hale

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Sexta-feira, 18 de setembro de 2020, 14h. A aula estava sendo muito entediante, mas ainda bem que para mim só faltava essa última e era de educação física. Assim que eu, Penny e Hayley saímos do vestiário, eu notei uma grande multidão no centro da quadra. - Nossa, o que está havendo ali? - Hayley perguntou tentando ver quem estava lá. - Não sei... Ei! - eu senti um aperto forte no meu pulso e levei um susto ao ver que era Ray. Ele e Ralph saíram da multidão e Ray me chamou - Ray, o que foi? - Kate, lembra aquele favor que você me deve? Eis a sua chance de ficarmos quites. - ele me puxou até o início da aglomeração, mas eu não conseguia ver - Você viu? - Não dá, o filhote de Gulliver está na minha frente. - caminhei para trás dele e coloquei as mãos em seus ombros - Não me deixe cair. Flexionei os joelhos e pulei em suas costas. Ray colocou suas mãos nas minhas pernas para me segurar e eu pude ver com clareza o que estava causando o alvoroço. - Sam?! - eu indaguei e Ray me colocou no chão e olhou fundo em meus olhos. - Me apresente pra ele e nossa dívida será paga. - ele pediu e eu sorri. dessa vez fui eu quem o puxou pelo pulso. Abri caminho entre a multidão até chegar no centro e perceber que ao lado do meu irmão estava Eve Sinclair, agarrada a ele. - Não mesmo. - eu exclamei dando um passo na direção deles - Vai ser um dia muito frio no inverno quando eu deixar você colocar as garras no meu irmão, Sinclair. - Com medo que eu entre pra sua família e vire sua irmã? - Eve se afastou de Sam e sumiu na multidão. - Sam, por que não me avisou que vinha? - eu pulei para abraçar meu irmão. - Papai me ligou ontem à tarde e pediu pra eu vir pra casa no fim de semana que ele quer um almoço em família amanhã. - ele me explicou enquanto eu o soltava. - O que será que ele quer? - Sam deu de ombros e eu puxei Ray pela manga de sua camiseta e o posicionei na frente do meu irmão - Sam, se lembra do meu amigo Ray? Ele cresceu e agora é um grande fã seu e joga quase tão bem quanto você. - Ah, eu me lembro do pequeno Robinson, como está? Você joga no time da escola? - Sam sorriu ao apertar a mão de Ray. - Sou co-capitão. - Ray respondeu sorrindo. - Então vou ficar nas arquibancadas observando você jogar. A gente se vê, Ray. Até depois, maninha. - Sam se afastou, fazendo o que disse que ia fazer. A multidão se dispersou e Ray olhou para mim com as mãos na cintura e um sorriso de orelha à orelha. - Feliz? - eu sorri de volta e ele assentiu freneticamente - Por que está fazendo disso uma grande coisa? Você conhece Sam desde que éramos pequenos. - Eu não era tão próximo assim dele e da turma dele, você que era. O garoto e a garota mais populares do ano deles eram Sam e Anya, os dois são seus parentes. E mesmo assim, Sam não era uma celebridade quando éramos crianças. - ele respondeu diminuindo seu sorriso. - Tenho saudade da época que ele não era uma celebridade. - confessei olhando para Sam sentado nas arquibancadas - Ele ficava em casa todo dia, Anya ainda morava com a gente, Jennifer m*l havia saído de casa... Costumávamos ter uma casa cheia. - Posso trocar com você, se quiser. - ele brincou e eu revirei os olhos, achando graça - Somos uma família pequena, mas não tem um final de semana que meus avós não vão lá em casa e você sabe como gente velha funciona. Eu dei risada da fala dele. - Meus avós por parte de pai são muito divertidos. Esses dias eu cheguei em casa depois da aula e minha avó estava jogando cartas e bebendo uísque. - eu contei e ele riu - Meus avós por parte de mãe eu não vejo desde o começo do verão. Eles moram no lado oeste da cidade e eu não os visito sempre. - Você tem primos por parte de mãe? - ele quis saber enquanto o treinador Dawnson gritava conosco para nos alongarmos. - Theodore e Annelise Thoren, filhos da minha tia Clara, e Harrison Cortese, filho do meu tio Carl. - eu respondi enquanto esticava os braços para alcançar a ponta dos pés - Eles estudam naquele lado da cidade. - Entendi. - ele respondeu, fazendo o mesmo - Eu e Ryan não temos primos. Meu pai é filho único e a tia Abbie optou por não ter filhos. - E você? - eu perguntei e ele me encarou, confuso. - Eu, o quê? - Você pretende ter filhos? - perguntei e ele franziu o cenho, parecendo assustado - Relaxa, Ray. É só uma pergunta, não precisa responder se não se sentir confortável. - Não é isso, é que eu nunca tinha pensado sobre isso. - ele respondeu e eu sorri - Eu tenho 18 anos e nem namorada tenho. - Talvez devesse começar a trabalhar para mudar isso. Sábado, 19 de setembro de 2020, 10h. Depois de acordar naquela manhã ensolarada, eu notei que o calor do verão ainda estava conosco, ainda bem, pois eu odeio o inverno. Aproveitei o calor e vesti uma regata azul e um short jeans branco. Pulei o café da manhã e desci para olhar TV e ficar com meu irmão. - Bom dia, tio Harkes. - eu dei um beijo na bochecha do meu tio mais novo que estava começando a preparar as coisas para o almoço - Cadê o meu irmão? - Bom dia, amendoim. Sam não chegou ainda. - eu estranhei. Achei que Sam ia ficar na nossa casa, como sempre ficava. Será que ele ficou em algum ou hotel ou... Será que foi na casa de uma garota? - Seu irmão pediu que fizéssemos o almoço cedo porque ele queria fazer uma pequena reunião de amigos na piscina. - Ah, então os amigos dele vão vir para cá? - eu indaguei, sentando no balcão, pensando em ver o corpo sarado de Alex molhado naquela piscina. - Vão. Parece que ele vai trazer um deles apenas pra almoçar com a gente e o resto vai vir depois. - ele explicou, me entregando uma maçã - Come. Não faz bem ficar de estômago vazio. - Valeu. E vocês vão ficar em casa? - eu perguntei mordendo a maçã. - Não. Papai e mamãe queridos vão sair pra jogar, devem ficar fora o dia todo, e eu, seu pai e seu tio vamos sair pra tomar chope. - ele sorriu para mim como quem diz: "vocês que se virem." - Entendi. - Tem alguma Hale nessa casa, com 1,75m de altura, cabelos pretos e olhos azuis que ninguém sabe de onde veio? - ouvi uma voz feminina e conhecida vindo da porta de entrada e dei um sorriso, correndo para encontrá-la. Cheguei na porta de entrada e pulei para dar um abraço na minha prima Anya. Ela tinha cabelos loiros escuros e olhos castanhos, assim como sua mãe e sua irmã, e era menor e mais magra que eu. - Meu Deus do céu, parece que faz anos que a gente não se vê! - ela falou no meu ouvido - Como você tá? E a escola? - Bem, bem. Tá tudo bem. - eu sorri e Anya foi cumprimentar nosso tio e o resto da família que estava saindo de seus quartos. Eu fui até a entrada do pátio e observei enquanto o carro de Gary e Jennifer estacionava no nosso pátio. - Oi, Kate. Beleza? - o marido de Jennifer, Gary Strauss, desceu do carro e me cumprimentou comum abraço - Pronta pra perder na canastra? - Pra você? Jamais! - eu o provoquei e ele entrou, rindo - Jen, que saudades! - Oi, Kate, como você tá bonita! - Jennifer me deu um abraço e eu me abaixei para abraçar Megan, a filha do casal. - Prima! - ela me apertou e eu sorri, pegando em sua mão para entrarmos. - Ei, Kate, olha no porta-malas o presente que eu trouxe para você. - Gary virou para mim e me jogou as chaves do carro dele. Eu fui para trás do carro e abri o porta-malas, revelando um enorme cooler branco. Eu o abri e dentro havia um monte de cerveja. - É disso que eu tô falando! - eu sorri pegando o cooler e fechando o porta-malas. Ao virar para trás, levei um susto ao me deparar com Sam - Ai, Sam! Que susto, cara! O que tá fazendo aí? - Eu levo isso pra você. Nosso amigo tá no carro com outro igual a esse, ajuda ele pra mim. - ele falou pegando o cooler da minha mão e indo para dentro da casa. - Você chamou o Alex, Bryan ou o Charlie? - gritei para ele que gritou de volta para mim. - Nenhum. Como assim, nenhum? Fui até o porta-malas do carro de Sam e levei um susto quando percebi quem era o convidado dele. - Ray? - cruzei os braços com um sorriso no canto dos lábios. Raymond Robinson sorriu de canto para mim também, o que foi muito charmosos no momento e me deixou levemente atraída por ele, e pegou o cooler, fechando o porta-malas - Meu irmão convidou você, então. - Sim. Fiquei tão surpreso quanto você. Achei que ele ia chamar os amigos dele de escola, não o colega estranho da irmãzinha dele. - eu e ele passamos pela porta de entrada e Ray foi cumprimentar a todos. - Ray, esse é o meu pai. Pai, meu amigo Ray Robinson. - eu o apresentei a meu pai. - Um prazer conhecer um amigo da Kate que não seja Penny e Hayley. - meu pai falou e eu revirei os olhos. Nós fomos para o espaço em volta da piscina e meus tios, meu pai e Gary começaram a preparar o churrasco, enquanto Jennifer e Anya brincavam com Megan na piscina. Eu, meu irmão e Ray estávamos deitados nas cadeiras de beira de piscina cada um com uma garrafa de cerveja na mão. - Sabe, você pode entrar na piscina se quiser. - Sam apontou para a água, falando com Ray. - Prefiro beber enquanto posso, obrigado. - Ray respondeu tomando um grande gole de cerveja e olhando para mim - E você, senhorita raio de sol? Achei que gostasse de piscina. - E gosto, mas assim como você, prefiro me acabar bebendo. - eu ergui a minha cerveja no ar e em seguida virei o resto - Pai, pode me alcançar outra cerveja? Olhei em volta e meu pai não estava por perto. Me ergui da cadeira, ficando apenas com o meu biquíni preto. - Cadê o meu pai? - indaguei. - Foi lá na frente receber alguém. - vovô Jack respondeu e eu senti que escondiam algo de mim. Só pela cara dos meus tios eu já soube quem estava lá. - Não acredito! - olhei para a entrada da piscina, onde meu pai se encontrava de mãos dadas com uma mulher de no mínimo 20 anos a menos que ele, cabelos loiros e olhos verdes - Mia. - Olá, todo mundo! Ah, Kate! - ela sorriu falsamente e correu para me abraçar. Eu retribuí o abraço e sorri, educadamente - Querida, você está cada dia mais linda! - Obrigada, Mia, você também. - talvez eu devesse explicar. Eu amava meu pai, mas ele tinha o péssimo hábito de namorar uma mulher de 34 anos sendo que ela parecia muito ter a minha idade. Apesar de parecer que para mim o problema que eu via era a diferença de idade entre eles, isso não era o que me incomodava. O problema para mim era que ela era falsa. Dava para ver que não gostava realmente do meu pai, e, sim, do dinheiro dele. Eu só não sabia como ia fazer ele cair na real - Eu não sabia que a Mia ia vir também, pai. - É, bom, Mia e eu temos um comunicado a fazer e foi por isso que eu reuni a família hoje. - ele falou, abrindo uma cerveja. - E do que se trata? - eu cruzei os braços para ele que sorriu e apertou minha bochecha. - Vai ter que esperar pra saber, docinho. - ele passou por mim e foi até Mia, que estava falando com meus avós. Eu bufei e voltei para a cadeira, mas não me sentei. - O que foi? - Ray perguntou, quando viu que eu estava olhando para ele. - Você vai entrar na piscina comigo. - avisei quando tirei minha saída de banho e soltei meu cabelo, notando um breve olhar curioso de Ray - Vamos, Robinson. Ray revirou os olhos e deu o resto de sua cerveja para Sam. Ele ficou de pé diante de mim e retirou os óculos de sol, olhando no fundo dos meus olhos e então segurou a barra de sua camiseta cinza e a removeu do corpo, revelando seu abdômen sarado e sem pelos. - A sua mamãe querida tá me olhando como se eu fosse um pedaço de carne, Hale. - ele avisou em um tom de voz baixo. - Ela não é minha mãe! - afirmei usando o mesmo tom de voz - Ela tá te olhando porque não consegue evitar. Estou planejando um espetáculo pra essa cobra. - Ah, é? E o que pretende fazer? - ele indagou com um sorriso no canto dos lábios. - Eu não vou fazer nada. Você é que vai. - sorri para ele que cruzou os braços sem entender - Você vai entrar na piscina comigo e depois vai sair e pegar uma cerveja para nós dois. - E todo esse espetáculo é para que, mesmo? - Vai fazer ela desejar você, e provavelmente dar em cima de você, se tiver oportunidade. E eu planejo filmar e mostrar pro meu pai. - expliquei e Ray soltou uma risada pelo nariz. - Sendo assim, você vai ficar me devendo outro favor. - ele falou e eu assenti. - Por mim, tudo bem. - coloquei as mãos na cintura e Ray sorriu antes de me colocar em seu colo, me segurando pelas costas e pelas pernas - Ei, o que está fazendo? - O que parece que eu tô fazendo? - eu fechei os olhos, a boca e tampei o nariz ao sentir a água gelada envolvendo meu corpo todo. Quando eu e Ray emergimos, ele estava de costas para Mia e eu pude ver seu olhar faminto sobre Ray. - Tá dando certo. Agora, vai pegar a cerveja. - eu joguei água nele, o fazendo tentar me afogar - Para, seu i****a. Ele riu, mas obedeceu, saindo da piscina. - Então, qual é o lance entre você e Robinson? - Anya parou ao meu lado na piscina e apontou com a cabeça para Ray. - Nada, nós somos só amigos. - eu dei de ombros e ela riu - O quê? - Quando foi que você ficou "só amiga" de alguém? - eu a encarei confusa. Do que ela estava falando? - Sabe, fico surpresa que conseguiu esconder de mim esse segredo durante tantos anos. - Me diz que você não tá falando do... - Alex. Sim, eu tô. - ela sorriu e eu arregalei os olhos, em choque - Fica tranquila, eu não vou contar pro Sam. E Alex não dedurou você, não. Eu ouvi sem querer a conversa dele com você no dia em que fomos buscar Charlie. - Só... Mantenha em segredo, ok? Alex e eu temos uma história legal que eu não quero arruinar porque uma de nós abriu o bico. - eu respondi sentando na beirada da piscina ao lado de Ray, que havia trazido as cervejas - Obrigada. - Então, qual o lance da namorada do seu pai? - ele perguntou abrindo as cervejas e me entregando uma. - Eu não sei, na verdade, qual é o lance dela. Mas não consigo olhar para ela sem sentir náuseas. - eu bufei olhando de canto para Mia Harrington. - Atenção, pessoal! - meu pai pegou Mia pela mão e ficou de pé em um local onde todos o viam. - Meu Deus, aí vem! - eu e Ray nos viramos para olhar para eles. - O motivo de eu convidar Mia para o nosso almoço em família é que em breve, ela fará parte da nossa família. Nós vamos nos casar! - meu pai falou e eu quis agarrar Mia pelos cabelos e afogá-la. Meus tios e o resto da nossa família aplaudiu e comemorou, menos eu e Sam. Meu irmão não compartilhava do mesmo desdém que eu pela namorada do nosso pai, mas ele também não queria ver aquela cobra entrando na família Hale. - E tem mais! Daqui alguns meses, vocês estarão dando as boas-vindas a um novo ou nova integrante à família Hale. - ela colocou a mão em sua barriga e sorriu. Não. Não. Não. Não. Tudo menos isso. - Estou grávida! Minha família toda se moveu para abraçá-los e cumprimentá-los. Eu apenas fiquei em choque, sentada na beira da piscina. Sam também não fez nada, apenas me olhou, perguntando o que iríamos fazer em silêncio. Durante o almoço eu não dei uma palavra com meu pai ou Mia. Apenas fiquei sentada na mesa, comendo ao lado de Ray. Ele foi um bom amigo. Percebeu o quanto eu estava abalada com a notícia e passou o tempo todo tentando me fazer rir. Após o almoço, eles fizeram o que tio Harkes disse que iam fazer. Vovô Jack e vovô Emma saíram para jogar cartas, Gary e Jennifer foram para casa com Megan e eles e meu pai iriam tomar chope. - Filha, o que acha de Mia ficar e fazer companhia pra vocês enquanto eu saio com seus tios? – meu pai me perguntou, sorridente na tentativa de me agradar enquanto eu lavava a louça, Ray secava e Anya e Sam guardavam. - Até parece. – eu dei uma risada entre dentes enquanto esfregava um prato e em seguida o encarei. - Pensei que ficaria feliz em saber que a família vai crescer e você vai ter um irmão. – ele protestou. - Pai, você sabe que eu quero que você seja feliz, e não importa o que aconteça, eu não posso controlar quem você namora, casa e muito menos quem você engravida. Eu vou amar essa criança e cuidar dela como se espera que uma irmã mais velha aja, mas não me peça pra de repente cair de amores pela Mia. – eu respondi sem olhar nos olhos dele – Eu nunca fui com a cara dela, você sabe, isso não vai mudar agora porque ela está carregando meu futuro irmão ou irmã. Ele respondeu fundo e antes de sair colocou a mão no ombro de Sam. - Você também se sente assim, filho? – ele perguntou e eu apenas apurei meus ouvidos, sorrindo de canto para Ray, que parou ao meu lado e me empurrou com o quadril. - Não compartilho da mesma desconfiança que a Kate pela Mia. Não a vejo com os mesmos olhos. Mas também não consigo imaginar ela sendo uma boa esposa para você. Não como a mamãe. – ele falou e eu senti uma pontada no coração, ouvindo um suspiro de cada um deles – Mas como a minha irmã disse, nós queremos que você seja feliz e vamos amar essa criança independente de quem é a mãe, mas não nos peça para de repente passar a adorar Mia. Eu olhei pelo reflexo do copo que eu lava e vi que papai sorriu para Sam e deu às costas, sem dizer nada mais. Dentro de alguns minutos nós estávamos sozinhos. - Ei, vocês terminam aqui? Eu e Anta temos que ir no mercado pegar mais bebidas. – Sam falou vestindo uma bermuda e camiseta seca enquanto Anya apenas colocava um vestido por cima – Se algum deles chegar você os recebe, amendoim. - Esse apelido não é seu, só o tio Harkes pode usá-lo. – respondi pegando as duas ultimas cervejas do cooler de Sam e me sentando na beirada da piscina – Bebe comigo, Robinson. Sam e Anya saíram e Ray sentou-se ao meu lado. Ele ainda estava sem camisa e eu de biquíni. Ray sentou tão colado em mim que o roçar de seus pelos na minha perna nua me arrepiaram. - Vamos brindar. – ele falou, erguendo sua garrafa de cerveja. - Não tenho muito o que brindar, no momento. – eu comentei, olhando para a água. - Como não? Você vai ser a irmã mais velha, é uma bênção! – ele falou e eu olhei em seus olhos, reparando em seu sorriso genuíno – De qualquer forma, se não quer brindar por algo seu, vamos brindar por algo meu, pode ser? - Eu prefiro. – sorri de volta, erguendo minha garrafa de cerveja também – A que vamos brindar, Ray? - À Hale, uma garota fantástica que depois de 9 anos foi a primeira a me fazer ver o mundo da mesma forma que eu via quando era um menino. – ele encostou sua garrafa de cerveja na minha e eu sorri, me sentindo feliz – Você foi a primeira a qual eu me senti a vontade pra sair da minha concha. Como consequência, eu me soltei com seu irmão, sua prima, sua família inteira. Aos poucos, você está me trazendo de volta. Obrigado. - Ah, seu b***a! – eu soltei minha cerveja e o abracei, pegando ele de surpresa. Ray retribuiu o meu abraço, com relutância. Ele soltou um suspiro aliviado e passou o os dedos no meu ombro, me arrepiando novamente – Estou muito feliz que você está aqui comigo. Minha manhã e almoço haviam sido horríveis, tudo que eu podia esperar era que isso fizesse meu resto de tarde ser uma droga também, mas ele esteve do meu lado o dia inteiro, tirando minha cabeça dos assuntos que me afligiam. O que Mike e as outras pessoas falavam na escola sobre ele não era verdade. Aquele garoto era muito especial. Não sei como eu não percebi isso antes, mas fico feliz de ter percebido agora.
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