Sábado, 19 de setembro de 2020, 14h30min.
Quando Anya e meu irmão voltaram para casa, eu e Ray estávamos terminando uma partida de canastra. Olhei para eles e cada um trazia dois engradados.
- Deus do céu, vocês não acham que isso é um pouco de exagero? – eu perguntei, cruzando os braços para Sam quando venci a partida.
- Espera até você ver o que compramos para hoje à noite. – Sam respondeu ao largar as compras e guardá-las.
- Ah, Gwen e Charlie chegaram! Vou abrir pra eles. - Anya falou após receber uma mensagem em seu celular.
- Kate, e seus amigos? – Sam virou para mim e colocou as mãos na cintura.
Eu peguei o pulso de Ray e o ergui para o alto.
- Confere. – respondi, fazendo eles rirem.
- Não, hoje Ray é meu amigo. Onde estão os seus? Penny, Hayley e quem quer que seja a sua turma. – ele falou, pegando uma cerveja.
- Hayley tá grávida. – eu respondi plenamente, enquanto tomava um gole da cerveja dele.
- Que bom, então, que temos refrigerante e limonada. Comece a ligar, Katie. – ele falou indo atender à campainha.
Eu bufei, indo pegar meu celular. Ray me seguiu e parou ao meu lado.
- Por que você não quer convidar seus amigos? – ele indagou, cruzando os braços.
- Eu quero, meus amigos são você, Penny e Hayley, mas convidar a Hayley significa que ela vai trazer o Jeff, que por consequência vai trazer o Kyle e o Mike. – eu bufei outra vez, discando o número de Penny. Ray baixou o olhar, pensativo – O que foi?
- Se você preferir eu vou embora. – ele falou e eu cancelei a ligação, lhe dando atenção.
- Por que eu iria querer isso?
- Bom, você não quer que Mike venha porque eu estou aqui. Certo? Você acha que eu vou causar alguma confusão. – ele falou e eu ergui as sobrancelhas – Se você se sentir mais à vontade comigo indo embora, é só dizer.
Eu levei a mão à boca e comecei a rir igual uma condenada.
- Ray, não! Não é por sua causa que eu não quero que Mike venha. – eu falei, o deixando confuso.
- É por causa de quem então? – ele falou e eu olhei para a loira que cumprimentava meu irmão, acompanhada de suas duas primas e seu irmão mais velho.
- Por causa dela. – Eve Sinclair balançou seu cabelo e lançou um olhar venenoso na minha direção e um de desprezo para Ray – Eve é a ex do Mike e nós estamos... Juntos? Eu acho... Não sei. Faz duas semanas que estamos ficando e começando algo. Eu gosto dele, ele me faz bem, mas... Acho que queremos coisas diferentes.
- O que você quer? – Ray quis saber.
- Ah, eu não faço nem ideia. – o fiz rir enquanto tomava outro gole de cerveja – Mas quando eu encontrar, vou saber. Acho que ninguém sabe o que quer, na verdade.
- Eu sei o que eu quero. – ele deu de ombros e eu o encarei, curiosa.
- Hmm, me conte então, Ray. – eu pedi e ele negou.
- Não vou contar, Hale. – ele respondeu e eu me senti ultrajada.
- Assim não vale. Eu, aqui, abrindo meu coração pra você e ainda assim você vai me negar isso? – coloquei a mão no peito, fazendo drama.
- Vou. Pode apostar. – ele riu e parou ao meu lado, colocando a mão em meu ombro – Da minha parte, você não precisa se preocupar com o Scotch. Não deveria ligar para Eve. É com você que ele tá agora. Ela que se dane.
Eu abri lentamente um sorriso malicioso e peguei meu celular, mandando mensagem para as meninas, os três patetas e ainda para Mitchell e Ralph.
Depois de 20min a campainha tocou e eu fui abrir.
- Oi. – Alex estava parado na porta, com o braço na parede, deixando seus músculos pintados de tatuagem flexionados, sua jaqueta preta estava jogada no seu outro ombro, seu óculos de sol estava na gola da camiseta verde musgo que ele usava e seus cabelos castanhos claros longos caíam sobre seus olhos verdes profundos que logo se aprofundaram em meus p****s – Biquíni legal.
- Valeu, Alex. Oi! – Penny, que havia sido hipnotizada por Alex, estava ao lado dele, com o queixo caído, deixando uma baba cair – Penny?
- Presente! Quer dizer... Droga, oi, Kate. – ela passou reto por mim, envergonhada.
- Sua amiga é uma gata. – Alex entrou, parando ao meu lado e me olhando de cima.
- Posso te ajudar com alguma coisa? – eu o encarei, provocando Alex com os olhos.
- Claro que pode, daqui 10min, no seu quarto. Te espero lá. – ele sorriu e piscou, seguindo andando.
- Pode esperar deitado na minha cama, porque eu não vou.
- Você sempre mentiu muito m*l. – ele falou, ainda de costas, e eu dei risada. Quando fui fechar a porta, avistei Mike e Kyle vindo conversando. Ainda bem que ele não ouviu o que Alex falou.
- Oi, tudo bem? – Mike sorriu ao entrar e me deu um beijo.
- Tudo certo. Oi, Kyle. – eu cumprimentei seu amigo.
- Quem é Kyle? Meu nome é Vela. – ele brincou, passando por mim.
- Eu tenho que te falar uma coisa, antes que você entre na piscina. – eu falei e ele me encarou, cheio de expectativas – Ray Robinson tá aqui.
Ele fechou a cara na hora e soltou a minha mão.
- O que ele faz aqui? – ele cruzou os braços.
- Meu irmão o convidou depois que eu os apresentei ontem. – eu falei, preparando meus argumentos para a discussão que ele iria arrumar.
- Você apresentou Raymond Robinson pro seu irmão ao invés de mim? Caramba, Kate, você sabe o quanto eu queria conhecer o Sam. Alguma vez você pensou em mim? – ele indagou e eu ri pelo nariz.
- Aparentemente você tem pensado em você o suficiente por nós dois. – eu rebati e ele fez cara feia, suspirando – Eu apresentei Ray ao Sam porque lhe devia um favor e aquela seria uma oportunidade única pra ele.
- E pra mim não seria?
- Claro que não, porque eu estava querendo te dar várias outras oportunidades. – confessei e ele pareceu surpreso – Eu queria te apresentar pra minha família como meu namorado, fazer todas as coisas clichês de namorados. Mas ainda bem que eu não fiz. Porque eu e você não tem como dar certo. O único motivo de você estar surtando assim é porque é o Ray Robinson. Por algum motivo você não aguenta ver nada legal acontecer com ele.
- E quem é você pra falar? Você também não gostava dele até 5min atrás. Foi só a professora Stone colocar vocês juntos na aula de biologia que você virou a fã número 1 do cara. – ele tentou me atacar, mas eu já sabia que ele ia dizer isso. Ai, os homens. Sempre previsíveis.
- Ray e eu tínhamos desavenças que nós dois resolvemos. E você? Consegue resolver qualquer que seja o complexo que você tem dentro de si que não aguenta nem ouvir o nome de Raymond Robinson? – respondi e ele ergueu as sobrancelhas, se sentindo ofendido – Se quer conhecer Samuel Hale, o Rei do Basquete, vá em frente, ele está lá na piscina. Mas Sam, o meu irmão, você não vai conhecer.
Eu terminei o assunto e o namoro e lhe dei às costas, indo para o meu quarto.
Ao abrir a porta, dei de cara com Alex que estava deitado na minha cama apenas de cueca. Ele sorriu ao meu ver e eu tranquei a porta.
- Eu falei que você vinha. – ele se ergueu e colocou uma mão na minha nuca e a outra na minha cintura, me puxando para um beijo.
Alex me jogou na cama e se posicionou em cima de mim, beijando meus lábios, meu pescoço e cada outro centímetro do meu corpo.
Enquanto Alex e eu nos entregávamos ao prazer e desejo que nos cercavam há anos, o tempo passava devagar e eu esquecia fada vez mais o motivo de estar chateada quando entrei naquele quarto
- Eu não ia vir. – confessei nos braços de Alex, depois que os dois estavam nus e satisfeitos. Seus dedos acariciavam meu ombro, fazendo cócegas – Mike e eu estávamos meio que iniciando algo, mas... Eu terminei com ele.
- Você e o Scotch? Não consigo imaginar. – ele franziu o cenho, em desgosto – Ele não merece você.
- Ah, ele merece, sim. – eu suspirei, lamentando – Mas, eu e ele simplesmente é inviável.
Ele sorriu e se esticou até sua bermuda para pegar algo.
- Tenho uma coisa pra dividir com você. – ele tirou do bolso da bermuda um maço de cigarro mentolado e me entregou.
- Você sabe o que eu gosto. – sorri para ele, pegando um cigarro e levando aos lábios.
- Tá com o seu isqueiro aí? – ele perguntou, acendendo um cigarro entre seus lábios.
- Sim. – respondi, pegando meu isqueiro rosa e acendendo o cigarro.
Eu e Alex nos levantamos da cama, colocamos nossa roupa de volta e descemos para a piscina.
- Onde vocês estavam? – Sam perguntou quando chegamos e olhou para o cigarro na minha mão.
- Eu estava no meu quarto e acabei de encontrar Alex entrando pela porta da frente. Aí ele me deu um cigarro. – eu falei, vendo o olhar malicioso de Anya para nós.
- Não sabia que você fumava. – ele comentou – Não vai dar um pro seu amigo, Alex?
- Só se você me der um beijinho. – Alex fez um biquinho e andou na direção de Sam, fazendo todos rirem.
- Ah, qual é! Ela teve que te dar um beijo também? – Sam riu, fingindo indignação, e Alex olhou para mim, malicioso.
- Claro que não! Quem beijaria isso?! – eu apontei para Alex, que se sentiu ofendido. Summers entregou o cigarro para Sam e começou a andar na minha direção.
- Como você saberia? Eu posso beijar muito bem. – ele abriu os braços e eu lhe encarei incrédula. Ele estava tentando me convencer a beijão na frente de todos.
- Vamos lá, Kate, beije ele! – Anya incentivou e eu arregalei os olhos para ela.
- Qual é, irmãzinha! Não fique acanhada! – Sam gritou acendendo o cigarro de Alex.
O melhor amigo do meu irmão parou na minha frente, centímetros de distância do meu corpo, mas tornando possível que eu sentisse seu calor.
- Eu te odeio, sabia? – murmurei entre risos antes de puxá-lo para um beijo. Alex colocou as mãos na minha cintura e eu puxei seus cabelos, lhe fazendo grunhir baixo na minha boca. No fundo dos meus ouvidos eu escutava todo mundo comemorando na nossa volta. Quando me afastei de Alex, lhe dei um selinho rápido e o deixei ir com um sorriso.
Olhei ao redor e observei Mike terminando de beber uma garrafa de cerveja e indo embora emburrado.
Sentei-me em uma cadeira ao lado de Sam e Ray e continuei a fumar meu cigarro.
- Então, o que vocês acham de um jogo? – Sam comentou, tragando.
- Pode ser. – eu dei de ombros e olhei para Ray – Você vai jogar, não vai?
- Que jogo que vai ser? – ele falou e eu estranhei.
- Como é que você não sabe? – me ergui e apaguei o cigarro em um cinzeiro, já pegando outro – Pessoal, vamos fazer uma roda aqui do lado da piscina.
Charlie, Alex e Sam abriram espaço, afastando as cadeira e colocaram almofadas no chão para sentarmos. Eu peguei uma garrafa de cerveja e coloquei no centro.
- Tá na hora de jogar Verdade ou Desafio! – Sam falou e Anya deu um gritinho e bateu palmas.
- Como se joga? – Ralph perguntou e Charlie riu.
- Você não sabe?
- Ele nunca jogou, Charlie, não seja chato. – Eve falou e eu estranhei.
- Ela realmente defendeu o Ralph? – eu me estiquei ao lado de Ray e cochilei para ele.
- Alguém gira a garrafa e quem quer que seja que a ponta pequena escolha tem que perguntar para a pessoa do outro lado da garrafa...
- Verdade ou Desafio. – Ralph entendeu.
- E aí você escolhe o que quer. E tem que responder a verdade e fazer o desafio. – eu continuei.
- Mas você pode escolher não fazer apenas três vezes e como pagamento, tem que tomar uma dose do uísque da vovó Emma. – meu irmão falou e Ralph fez careta – Certo, eu vou girar.
Sam girou a garrafa e eu observei em expectativa quando a ponta pequena apontou para ele e a outra para Alex.
- Alex. – Sam sorriu, com algo em mente – Verdade ou Desafio?
Alex endireitou a postura e cerrou os olhos, aceitando a proposta de Sam. Eu sabia o que ele escolheria.
- Verdade. – eu o conheço bem demais.
- Muito bem. – Sam molhou os lábios e perguntou: - Você tá ficando com a Kate?
Eu arregalei os olhos e alternei o olhar entre Alex e Sam, esperando que ele mentisse ou passasse.
- Sim. – ele respondeu e todos os amigos dele olharam para nós, surpresos. Eles me conheciam desde pequena e foi um choque para eles.
- Desde quando? – Sam fez outra pergunta.
Não responda, Alex.
- Uma pergunta de cada vez, mano. – Alex provocou Sam e girou a garrafa – Charlie pergunta pro...
- Ralph. – o amigo de Ray respondeu e Alex sorriu para ele – Eu escolho... Desafio.
- Hmm, ousado, Stanley. Você aguenta? – Jeff e Kyle provocaram Ralph que baixou a cabeça.
- Calem a boca. – eu mandei e eles resmungaram, mas obedeceram.
- Eu te desafio a... – Charlie olhou em volta e parou o olhar em Evento – Beijar a minha irmã.
Eve olhou para Ralph com um sorriso, o que me chamou atenção. Ela queria beijá-lo.
Ele, no entanto, ficou assustado e envergonhado.
- Eu posso passar seu você quiser. – ele murmurou para Eve, que sentava ao lado dele.
- E beber o uísque da sra. Hale? Você não vai querer isso. Está tudo bem, Ralph. – ela o confortou e ele sorriu de canto, se aproximando de Eve. Ralph passou uma mão no cabelo dela e lentamente aproximou seus lábios dos dela.
- Acho que esse é o primeiro beijo dele. – Ray comentou em um sussurro para mim, incrédulo.
- Sério? – perguntei, observando a cena. Quando eles se separaram, ambos estavam sorrindo de orelha à orelha.
- É disso que eu tô falando! – Charlie comemorou e nós rimos. Ralph girou a garrafa e era a vez de Eve perguntar para mim.
- Desafio. – eu escolhi.
- Gosto do seu jeito de pensar, Hale. – Eve sorriu, maldosamente, mas eu não deixaria isso abalar minha confiança – Vamos te envergonhar um pouco, que tal? Te desafio a beber três doses do uísque da vovó Emma.
Charlie e Sam fizeram careta, imaginando o estrago.
- Você pode passar se quiser, mas vai ter que tomar de qualquer jeito. – Penny tentou fazer eu desistir, mas até parece que ela não me conhece.
- Ah, não. Eu vou fazer. – me ergui e fui pegar o uísque da vovó e um copo – Mas vocês sabem o que pode tornar esse jogo ainda mais interessante e divertido?
- O quê? – Alex e Anya perguntaram em uníssono, curiosos.
- Nós contamos cada verdade e desafio como um ponto ou dois. O desafio pode valer dois pontos, mas enfim, nós contamos esses pontos para cada um, e no final do jogo, quem tiver menos pontos, vai pagar um mico. – eu sugeri servindo as três doses de uísque.
- Que seria? – Jeff quis saber.
- Nós vamos pedir uma pizza e o perdendo vai ir receber. – eu falei e eles pareceram decepcionados, esperando por mais – Pelado.
- Jesus Cristo! – Hayley exclamou, gargalhando.
- Eu topo! – Sam concordou, rindo.
Eu ri para eles e virei as três doses de uísque e fechei os olhos, fazendo uma careta e sentindo minha garganta queimar.
Eu pensei que fosse vomitar. Uísque nunca esteve entre minhas bebidas favoritas, na verdade, eu odiava uísque. Mas, logo aquela sensação passou e eu me sentei ao lado se Sam e Ray, me sentindo cheia de gás.
- Agora esse jogo vai ficar bom, alguém precisa marcar os pontos. Ralph e eu estamos na frente de Alex com dois pontos e vocês todos estão com zero. – falei ao pegar a garrafa e girá-la – Penny você pergunta pro Ray.
Ray olhou para mim, nervoso, e limpou a garganta.
- Verdade.
- Sem graça. – ela resmungou – Tá, vou pegar leve com você. Você, Raymond Robinson, que é todo fechado e não costuma demonstrar interesse por ninguém, está a fim de ficar com alguém dessa roda?
Ray ficou em silêncio por três segundos que mais pareceram três anos.
- Sim.
Ergui minhas sobrancelhas, surpresa. Observei mais cedo Ray olhando para Anya. Será que eu estava certa?
Ele girou a garrafa e virou para mim.
- Ei, pode me dar um cigarro? – ele sussurrou e eu lhe entreguei um cigarro, pegando um para mim.
- Não sabia que você fumava também. – comentei ao acender a ponta do meu e entregar o isqueiro para ele. Ao observar que Ray apenas colocou fogo na ponta e não puxou, pude entender – É seu primeiro cigarro, certo?
- Eu tô experimentando coisas novas certo? Vou experimentar um cigarro com a minha amiga fumante. Agora, se você puder me dizer como eu acendo um...
- Você tem que colocar fogo na ponta e puxar a fumaça. Provavelmente você vai tossir nas primeiras tragadas, mas é só puxar de boa que não acontece nada. – eu expliquei enquanto ele conseguia acender seu cigarro – Isso. E você não puxa a fumaça e solta, você tem que puxar, segurar um pouco e depois soltar o que sobrar.
- Kate. Verdade ou Desafio? – Anya me perguntou e eu reparei que a garrafa apontava para mim.
- Ah... Verdade. – dei de ombros.
Anya olhou para Sam e para mim, então senti que ela tramava algo.
- Com quem foi seu primeiro beijo? – ela falou e eu olhei de canto para Alex que apenas fez que sim com a cabeça.
Que se dane, eu já estava bêbada e Alex não ligava. Por que eu ligaria?
- Com Alex. – eu respondi e as expressões de choque retornaram aos rostos dos mas velhos e Sam pareceu surpreso. Em nenhum momento ele esteve bravo.
- Parece que há muito mais entre vocês dois do que nós pensávamos. – Sam tomou um gole de sua cerveja e riu – Certo, antes de girarem novamente, vamos fazer uma pausa. Eu tenho que ir ao banheiro.
Ele se levantou e foi para dentro da casa. Eu fui atrás.
- Sam. – parei ele na porta do banheiro – Você tá bravo?
- Bravo? Não. Eu só queria que você tivesse me contado. Que qualquer um de vocês dois tivesse me contado. Você é minha irmã e ele é meu melhor amigo. Se vocês estão felizes juntos, eu nunca ficaria no meio disso. – ele desabafou, sem demonstrar indignação – Vocês sempre irão poder me contar tudo. Principalmente você.
Ele falou e eu sorri, abraçando meu irmão.
- Então, desde quando vocês estão ficando? – ele perguntou.
- Desde a sua festa na piscina no seu último ano no ensino médio. – eu falei e ele me olhou, chocado – Não precisa dizer que eu tinha só 13 anos. Eu já sei.
- Não, não é isso. Você é a Beverly!
- Quem? – indaguei, sem conhecer aquele nome.
- Naquela época, Alex me disse que conheceu uma garota na festa da piscina, Beverly, e depois disso, toda vez que eu o chamava para sair, ele me deixava para ver a Beverly. – ele exclamou, entendendo tudo – Você é a Beverly.
Eu ri, acompanhando Sam de volta.
- Voltamos. – eu girei a garrafa, sentando ao lado de Eve, o que a deixou surpresa, mas eu queria na verdade descobrir o que estava havendo com ela – Ralph pergunta pro Mitchell.
- Desafio. – Mitchell falou com convicção, chamando minha atenção.
- Bom... – ele olhou em volta e pediu ajuda para Eve, que sussurrou no ouvido dele – Eu te desafio a beijar a pessoa que você mais tem interesse daqui.
Mitchell concordou e levantou, vindo na minha direção. Eu só entendi o que estava acontecendo quando ele me beijou. Seu beijo era calmo e entorpecente, me fazendo desejar mais. Quando ele afastou nossas bocas, Mitchell segurou minha nuca e olhou em meus olhos profundamente.
Ele voltou para seu lugar e girou a garrafa.
- Ray pergunta pra Kate.
- Eu de novo? Essa garrafa tá viciada. – eu falei, arrancando um sorriso de Ray – Desafio, Ray.
- Certo. Hmm... – ele olhou para baixo e pensou – Escolha duas pessoas pra darem um beijo.
Eu ergui as sobrancelhas, olhando para a roda. Eu tinha algumas opções muito boas. Como por exemplo...
- Penny e Kyle. – eu sorri para Penny, que me olhou indignada – Não me olhem assim. Vamos, levantem.
Eles ficaram de pé e Kyle não perdeu tempo, puxando Penny pela nuca. Nós comemoramos e eles ficaram se beijando por alguns segundos até que Kyle se afastou e a encarou, impressionado.
- Nossa... – ele murmurou e logo saiu do transe, voltando para a roda.
- Kyle and Penny sitting in a tree, - eu comecei a cantar e Ray me acompanho – K-i-s-s-i-n-g.
- Cala a boca, Hale. – Kyle falou, envergonhado.
Sábado, 19 de setembro de 2020, 19h.
A campainha tocou, anunciando a chegada da pizza, e o perdedor do jogo foi atender a porta, completamente nu.
- Boa noite... Samuel Hale! – a entregadora falou ao ver meu irmão e depois ao ver que ele estava pelado, ficou em choque – Meu Deus!
- Oi, fique com o troco, sim? – ele sorriu, envergonhado e pegou a pizza, indo para dentro – Eu odeio você!
Ele correu para colocar uma roupa e eu e Eve começamos a rir.
- Estou surpresa que você quis ficar. – eu falei enquanto ela me ajudava a servir refrigerante.
- É, bom, Ralph quis ficar e eu tenho que levá-lo embora ainda. Ele claramente bebeu demais e vai passar muito m*l durante a noite. – ela comentou olhando para Ralph que estava pegando um pedaço de pizza, alterado.
- O quarto de hóspedes tem banheiro, não se preocupe. – eu falei, levando os copos e entregando para todos, começando por Ray e terminando em Anya – Certo, nós vamos comer e depois vamos pra cama.
- Ah, eu não sei se consigo comer. – Ray resmungou, com a mão na barriga.
- Mas você tem que comer, nem que passe m*l depois. – eu o fiz comer e ele obedeceu.
Depois de comer nós seguimos para os quartos e Eve largou Ralph na cama e eu a entreguei algumas roupas para ela tomar banho.
- Obrigada, Hale. Boa noite. – ela falou, fechando a porta.
Eu fui para meu quarto e Ray estava deitado na minha cama, também, resmungando.
- Vamos remover o desnecessário. – eu sentei ao lado dele e comecei a tirar seus tênis e meia – Você tem que tomar um banho. Sam deixou um bermuda extra pra você. Vai entrar no chuveiro de bermuda e tudo.
- Ai, como que eu vou entrar no chuveiro? – ele falou, de olhos semiabertos enquanto eu tirava a camisa dele e o ajudava a levantar.
- Eu vou te colocar dentro da banheira e vou ligar o chuveiro. – eu e Ray andamos até o chuveiro e eu fiz o que disse que ia fazer, ajudando ele a tomar banho.
Quando ele ficou pronto e colocou outra bermuda, eu o ajudei a caminhar até a minha cama e o deitei lá.
- Certo, Ray, você vai se sentir pior amanhã. – eu brinquei enquanto o tapava com o cobertor – Eu vou tomar banho e já volto. Se precisar de mim, grite.
Ele resmungou mais uma vez e eu entrei no chuveiro, deixando a porta aberta, e tomei meu banho, em paz. Quando estava pronta, vestido meu short branco e uma regata sem sutiã rosa, deixando meu cabelo solto. Peguei meu celular e apaguei a luz, deitando ao lado de Ray e comecei a olhar o meu feed do i********:.
De repente, Ray se mexeu e eu senti uma mão.
O braço de Ray passou por cima da minha barriga e sua mão repousou no meu peito. Eu congelei na hora e iluminei o rosto dele com o celular. Ele estava apagado. Eu sorri e larguei o celular no criado-mudo e deitei de frente para ele, lhe observando dormir.
- Você continua me surpreendendo, sabia? – eu sussurrei, passando o dedo de leve no rosto dele. A mão de Ray, que naquele momento repousava nas minhas costelas, deslizou até a minha cintura e seus dedos me apertaram. Ray abriu levemente os olhos, olhando brevemente nos meus – O que foi?
Ele não falou nada e então pressionou seus lábios contra os meus, sem usar a língua e sem fazer nenhum movimento. Ele apenas encostou sua boca na minha, afastando-se logo em seguida e voltando a dormir.
O que diabos foi isso?