QUATORZE: Algo Que Tire A Paz

2268 Words
— Você está lindo, meu filho. Jay sorriu falsamente, não estava nada feliz ou animado. Quando pensava no que encontraria no salão principal, seu estômago se embrulhava. Sentia-a m*l com isso, não deveria ser fútil a esse ponto, deveria apenas aceitar e agradecer ao seu Omma por ter tido tanto cuidado e atenção para lhe escolher um ômega forte e inteligente, que lhe desse o apoio que precisava na reconstrução de sua Casa. Apenas isso deveria importar. Todavia, era muito difícil. — Vamos logo, antes que eu corra feito um louco para longe daqui. A Família Kwon viera em peso, literalmente. Beleza nunca fora o ponto forte dele, mas compensavam em outros requisitos, ouvira dizer de que os Kwon eram ótimos com números, multiplicavam qualquer fortune, e que fora isso que os tirou do nada para o que eram hoje. Jay sorriu da forma mais verdadeira que lhe fora possível, e cumprimentou a Família de seu noivo um a um, deixando o próprio por último, este que estava com um capuz sobre a cabeça, e as sombras da noite escondiam a maior parte de seu rosto. As mãos dele eram pequenas e macias, e quando as tocou, pareceu as reconhecer. Era estranho sentir isso. — Jay, conheça seu noivo, Kwon Dean. O jovem ômega removeu o capuz, e assim que a luz das tochas atingiu seu rosto, o Park precisou de todo o seu autocontrole para manter sua expressão calma e abrir um pequeno sorriso que disfarçou sua surpresa. Era ele, o ômega que encontrara mais tarde, com quem fizera amor sem nem mesmo perguntar o nome. Havia sido enganado. Enganado por um ômega. E alfas odiavam isso. — É um prazer conhece-lo, Dean. — o Park o encarou nos olhos, no ângulo em que estava apenas seu noivo podia ver seu rosto zangado — Por um momento senti como se já o conhecesse, mas certamente que não, afinal, eu me lembraria de já ter visto um rosto tão bonito quanto o seu. — Seus elogios aquecem meu coração, meu noivo. E Dean era tão cínico quanto uma cobra. — Acredito que todos devem estar com fome. — era melhor se acalmar por uns instantes — Vamos comer e beber, assim conversamos e nos conhecemos, afinal, seremos todos uma só família. Se já desaprovava aquele casamento, agora passara a detestá-lo com ainda mais forças. Jay não tinha intenção nenhuma de se casar com Dean, tudo o que queria agora era atirá-lo da janela. Mas permaneceu calmo e com um sorriso na cara, precisava se manter concentrado para que sua raiva não transpassasse por seus poros, alfas exalavam raiva quando a sentiam, e pela proximidade em que Dean estava dele, a raiva transmitida pelo Park o incomodava. Quando a madrugada caiu e todos estavam bêbados demais para reparar em qualquer coisa, Jay indicou a Dean que precisavam conversar. O ômega, que não havia bebido nada com álcool, foi na frente para que nenhum dos parentes com sobriedade suficiente o notassem sair. O alfa foi logo depois, e o Kwon descobriu o rumo da conversa no exato momento em que o outro o segurou pelo braço e o virou. — Mas que tipo de merda você acha que está fazendo? — o ruivo o questionou já não se importando em esconder sua raiva — Perdeu a noção das coisas que faz? — Primeiro me solte, está me machucando. Jay o soltou de imediato. — E segundo, não me lembro de ter feito algo errado. — a expressão cínica voltou para o seu rosto como se aquela fosse a sua forma natural de ser, o ômega alisou o braço que havia sido apertado pelo outro e pôs um bico em seus lábios — Se usar essa pegada para coisas melhores nós teremos filhos muito rápido. — Não terei filhos com você, não me casarei com você. O Kwon parecia estar esperando por aquela frase. Deu passos o suficiente para estar bem perto do alfa e por fim o encarou nos olhos. — Você não tem escolhas, Park. — dava para ver o quanto lhe era prazeroso dizer aquilo — Já se deitou comigo, tirou de mim a minha pureza e minha família não vai aceitar nada menos do que um casamento, e acho que o Sr. Minhyuk também não vai aceitar. — Não era mais virgem quando se deitou comigo. — E em quem você acha que eles vão acreditar? — o ômega espalmou a mão direita sobre o abdômen do Park, puxou sua roupa e o usou como apoio para ficar na ponta dos pés e deixar seus lábios muito próximos dos lábios do ruivo para poder sussurrar — Marque uma data próxima, você já pode ter me engravidado, não corra o risco de alguém descobrir o que fez. E depois que Dean deu as costas e seguiu, Jay só tinha uma certeza, o detestava.     [... Herança dos Alfas ...]     As coisas se tornaram difíceis para Jung Taekwoon depois de alguns dias, ou usando uma melhor palavra, se tornaram insuportáveis. O príncipe estava fora de si, esse era o único motivo que conseguia encontrar para que ele tivesse feito o que fez, pois o dito cujo simplesmente ultrapassou todos os limites cabíveis ao colocar dois guardas para o seguirem o dia inteiro. Era como um cão marcando território. — Eu já disse para pararem de me seguir! — já perdera as contas de quantas vezes tentou os enxotar, mas nem mesmo os baldes com água gelada os afastou por um minuto que fosse — Isso é absurdo! Aquele príncipe de merda não pode fazer isso. Mas infelizmente suas palavras não adiantavam muita coisa. — São ordens de vossa majestade príncipe Hongbin, não podemos despistá-lo. Ele atingira todos os limites do ‘aceitáveis’ ao impor sua própria lei de “se você não pode ser meu, não será de mais ninguém”. E o Jung não estava aceitando aquilo muito bem. Aos olhos dos soldados aquilo era uma imensa loucura, não da parte do Kim, mas sim da parte do beta, pois qualquer um iria se sentir honrado ao ser tão desejado pelo futuro Rei. Todavia, Taekwoon não o suportava, a arrogância e prepotência de Hongbin o fazia sentir raiva. — Me levem até ele, eu quero vê-lo. De todas as formas era isso que Hongbin queria, os soldados acreditaram que o beta estava cedendo, por isso não hesitaram em fazer o que ele queria. E Taekwoon foi levado até o Castelo, onde permaneceu com um sorriso ameno no rosto até que o Kim dispensasse os soldados e eles ficassem sozinhos naquela sala que muito se parecia com um escritório. E já sozinhos, o sorriso se desfez. — Pare com esta merda. — foi sua primeira frase — Agora, Majestade. Taekwoon o chamava de Majestade como um afastamento, o chamar pelo nome seria uma i********e que não estava disposto a ter, e nem queria. O que poderia fazer para que o Kim entendesse que não queria ter mais nada com ele? — Só estou jogando o mesmo jogo que você. — Não estou jogando nenhum jogo. — o beta o encarou sério, poderia ver fundo em seus olhos o quanto estava irritado — É tão difícil assim aceitar que foi rejeitado? Era. Era quase impossível, Hongbin não estava acostumado com isso e talvez esse fosse o seu maior m*l. Ele tinha de tudo e tinha todos, e a ideia de alguém poderia simplesmente lhe virar as costas e dizer “não quero” era algo absurdo demais para que conseguisse entender. E nesses momentos ele dava razão para Yuvin, dava razão para todos. Ele não seria um bom Rei. Por esse e por outros motivos. — Por que não me quer? — o tom de sua pergunta fora estranho, longe de sua pose arrogante. — Bom, pra começar porque já chegou me tratando como se eu fosse obrigado a fazer todas as suas vontades, agindo como se fosse o dono do mundo. — Taekwoon suspirou, relaxou os ombros — Você pode vir a ser o Rei um dia, mas reis também não são donos do mundo. E se continuar assim eu tenho medo do que será das vidas das pessoas que vivem aqui e dependem de você. Talvez essas tenham sido as palavras mais duras que ouviu em toda a sua vida, especialmente porque elas vinham de alguém que jamais esperou que fosse dizê-las. E ele estava certo, aquele beta simples parecia ter uma noção maior do que era a realidade de um Rei do que o próprio príncipe herdeiro.     [... Herança dos Alfas ...]     — Por que eu sinto que tem algo errado? Era por que tinha. Hakyeon não sorriu durante a visita de seu noivo, m*l abriu a boca e quando o fazia parecia estar em outro mundo. Jaehwan viu tudo e reparou em muito mais coisas do que os demais. O ômega Zhang sempre demonstrou mais animação sempre que recebia as visitas de seu noivo, mas aquela havia sido excessivamente sem graça. — Está tão evidente assim? — o ômega mais baixo suspirou, olhou a lua através da janela e perguntou para ela se estava certo em sentir-se assim — Acho que não quero mais me casar com Gray, o problema não está nele, acho que o problema está em... — Em o Ravi ser bem mais interessante? Culpado! É, o problema estava bem ali. Hakyeon não conseguia conter a paixão que só crescia, e mesmo que o loiro não tivesse um sobrenome para lhe dar, passara a sonhar com o dia em que ficariam juntos, o dia em que Ravi se tornaria seu alfa. Mas era triste ter pensamentos assim, pois aquilo era impossível, não podia abandonar seu compromisso para ficar com ele. Especialmente por se tratar de alguém com sangue de percevejos. — Não posso gostar dele, nem deixar que alguém descubra isso, seria um grande escândalo. — infelizmente, isso era verdade — Quebrar meu compromisso com Gray agora vai gerar uma briga enorme entre nossas famílias, os Kwon tem o Jay agora, e tendo o Jay eles têm o senhor Minhyuk, a pessoa mais influente que eu conheço, alguém que pode conseguir o apoio de exércitos enormes. E pelo nosso lado, nós temos os Wu, com alianças seladas há muitos anos, e tendo eles nós temos muitos outros soldados aliados a eles. Uma guerra aconteceria por um motivo muito e******o, e eu não quero isso. Batalhas já aconteceram por bem menos, pessoas já morreram por bem menos. — Então você só vai simplesmente ignorar seus sentimentos? — É o melhor a ser feito, mesmo que... que não seja isso que eu queira. Mas Hakyeon não cumpriu sua palavra por inteiro. Ele não podia ficar com Ravi, todavia isso não o impedia de olhar para ele, de admirá-lo de longe e nem de ainda estar apaixonado. Ninguém descobriria, tinha Jay como sua desculpa e sabia muito bem que o ruivo não se importaria com uma mentirinha ou outra. Jaehwan também era seu cumplice, pronto para empurrar Hyuk — o guarda fiel como um cachorro — para longe quando fosse preciso.     [... Herança dos Alfas ...]     — Eu o detesto! Jay bebia enquanto reclamava sobre Dean, fizera questão de escolher o pior bar, com a cerveja mais quente e de péssima qualidade, que carregava o mesmo gosto amargo que o de ser enganado com tanta facilidade por um ômega. Seus amigos fieis estavam ali para ouvi-lo e rir de sua desgraça como qualquer bom amigo faria, e como Ravi e Somin faziam agora. — Nem virgem aquele miserável era mais. — ele já havia dito aquilo antes, umas oito vezes antes — Não consigo acreditar que ele usou meu próprio p*u contra mim, meu próprio p*u! O único que eu achei que estava do meu lado. — Nós também estamos do seu lado. — a Xiao disse, mas segundos depois desatou a rir de novo — Mas se bem que acho que prefiro ficar do lado do Dean agora, ele seria um ótimo estrategista em uma guerra. Parando pra pensar, ômegas pensam melhor que nós, eu nunca teria tido uma ideia dessas. O ruivo deitou a cabeça sobre a madeira velha da mesa, sua vontade era fingir que nada havia acontecido e cortar qualquer tipo de relação com os Kwon. Mas como poderia fazer isso? Precisava admitir que estava contra a parede e que Dean havia o vencido não apenas na batalha, mas em toda a guerra. Tinha que se casar com ele, nada que dissesse adiantaria em algo, e tentar evitar acabaria gerando um grande problema. — Você vai fazer o que? — Me casar! — bateu a caneca com força na mesa e a bebida respingou em seu cabelo — Marquei a data, estão convidados, inclusive. Quero presentes bem caros. — E quando será? — Não consigo lembrar o dia exato, estou fingindo que não sei de nada. — ou estava bêbado demais — Mas será logo, eu posso ter engravido ele, melhor parte da história. Só há um empecilho, algo que eu gostei muito, os Kwon guardam a tradição do filho mais velho se casar primeiro, nós só vamos nos casar depois que Gray se casar com Hakyeon, mas pra minha tristeza será logo. Ravi ajeitou a postura, havia bebido pouco, tinha mais noção do que estava acontecendo. Não podia deixar que Hakyeon se casasse, precisava agir logo e impedir isso. Já medira bem as consequências, se causasse uma briga entre os Kwon e os Zhang, geraria uma batalha atrás da outra, algo que tomaria proporções absurdas e tiraria toda a paz.
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