Karina
Eu não sabia quanto tempo eu estava no meu quarto. Só sei que fui acordada pelas batidas na porta. Eu tomei um susto, então me levantei para abrir. Quando eu abri, eu vi a Valentina toda arrumada. Ela me encarou com os braços cruzados e falou:
Valentina: Vamos se arrumar porque você vai no baile com a gente. Você não vai ficar sozinha em casa. Nós estamos ficando preocupados com você.
Karina: Eu não quero pisar naquele baile. Todas vão ficar rindo de mim. Eu não quero ficar passando vergonha. Chega.
Valentina: Se você ficar aqui dentro também não vai adiantar nada. E não é vista, não é lembrada. É assim que você quer ter uma chance com o Morte?
Karina: Hahaha. E você acha que eu tenho alguma chance com ele? Olha pra mim. Olha pra ele.
Valentina: Para de ficar se diminuindo. Você é linda. Você pode estar acima do peso, mas você continua sendo uma mulher linda. E qualquer filho da p**a que não reconheça isso não merece você. Então tá na hora de você tomar vergonha na cara, levantar essa cabeça e começar a jogar essa autoestima lá em cima. f**a-se o que os outros pensam. Se nós fossemos viver de opinião dos outros, a gente ia morrer.
Karina: Você não me entende.
Valentina: Sabe por que você sempre vai falar que eu não entendo? Porque eu nunca abaixei a cabeça pra ninguém. E nem vai acontecer nessa vida, porque eu não vou deixar ninguém pisar em mim. Eu não vou deixar ninguém me diminuir. E você também não vai deixar. Chega dessa bad. Daqui a pouco a nossa mãe vai querer te internar em uma clínica psiquiátrica.
Eu respirei fundo, encarando ela, e me levantei.
Karina: Eu vou tomar banho.
Valentina: Vai lá. Eu vou ficar aqui te esperando. Ou melhor, eu vou procurar alguma coisa pra você vestir.
Karina: Não precisa. Pode deixar que eu me arrumo sozinha.
Valentina: Eu vou te ajudar, sabe por quê? Porque depois você fica colocando umas roupas horríveis e fica se colocando mais pra baixo do que você já está. Eu, hein. Tá na hora de você dar uma levantada na vida e no visual, querida. O Morte pode até não te notar, mas eu garanto que você vai arrumar alguém que te queira. Eu, hein. Tem que parar com isso de ficar se fazendo de coitada. Eu sei que as coisas não estão favoráveis pra você, mas se você ficar se jogando mais pra baixo, com certeza não vão ficar. Você é uma mulher muito bonita, é uma mulher muito inteligente e não merece menos do que um homem que te ame do jeito que você é. E se você ainda não entendeu isso, você vai entender hoje.
Eu não respondi. Só entrei no banheiro cansada, tirei minha roupa e tomei banho. Chorei mais um pouco debaixo do chuveiro, lavei a minha cabeça e respirei fundo antes de sair, porque eu sabia que a Valentina ia ficar enchendo o meu saco.
Quando eu saí, ela estava com um vestido preto colado na mão. Eu olhei praquilo, e depois olhei pro meu corpo e respirei fundo.
Karina: Eu não vou vestir isso. Tá maluca?
Valentina: É claro que você vai. Você vai ficar uma gostosa do c*****o. E depois você vai me agradecer por isso.
Karina: As pessoas vão ficar rindo de mim. Tá maluca?
Valentina: Meu amor, você é gostosa. f**a-se o que os outros falam. f**a-se o que os outros pensam. Você tá ligando demais pra opinião dos outros. E se alguém falar alguma coisa com você, eu vou virar a mão na cara.
Karina: Você não vai desistir, né?
Valentina: Claro que eu não vou desistir. Você é minha irmã e eu tenho que te defender.
Eu coloquei o vestido, e até que não ficou tão r**m. Depois ela começou a me maquiar, e quando eu me olhei no espelho, pela primeira vez durante anos, eu comecei a me sentir bonita de verdade. Eu dei um sorriso, e ela me olhou sorrindo também e falou:
Valentina: Você está perfeita. Está mais bonita do que você já viu. Você fica de graça, mas você é uma mulher muito bonita.
Desci a escada junto com ela, um pouco sem graça. Meu pai, minha mãe e o meu irmão estavam esperando.
Rian: c*****o, tu tá muito gata.
Karina: Também não precisa exagerar, porque eu sei que eu não sou isso tudo.
Rian: Para de ficar se colocando pra baixo, pelo amor de Deus. Você está linda. Você é linda. Só você que não aceita isso.
Valentina: Exatamente o que eu tô falando pra ela, mas ela quer ficar se fazendo de maluca.
Karina: Vamos, antes que eu desista de sair de casa.
Valentina: Meu amor, você vai nem que seja amarrada.
Karina: Vamos logo, vai.