Luna
Oi, gente. Eu sou a Luna, filha da Luma e do Dogão. Eu tenho 22 anos e sou advogada. É claro que eu ainda moro na Cidade Alta, e eu faço de tudo pra ajudar minha comunidade e, principalmente, a minha família. Eu amo a Cidade Alta e não me vejo longe daqui. Nunca me vi. E é por isso que, mesmo depois de tantos anos, eu não consegui me afastar. Até porque eu ia ter que ficar longe da minha família, né? Imagina eu ficar longe da surtada da minha mãe… p***a, dona Luma ia ter um treco.
Eu almocei na rua porque eu estava resolvendo um caso aqui do morro, e depois eu vim na boca pra poder ver o meu irmãozinho. Quando eu cheguei, ele estava sentado e, graças a Deus, o escroto do TH não estava aqui.
Morte: Nossa, que milagre — ele falou quando eu estava entrando.
Luna: Não sei por que você tá falando que é milagre. Eu sempre passo aqui pra poder te ver.
Morte: Ultimamente você tem passado bem pouco.
Luna: Tô evitando o i****a do seu subchefe.
Morte: Para de graça. Eu sei que você se amarra no TH.
Luna: Eu acho que vou ter que te internar numa clínica de maluco, porque você não está bom da cabeça, meu amor. Ele é o tipo de homem que, se a mulher tá molhada, ela seca na hora.
Morte: Ah, coé, cara. Ele é maneiro.
Luna: Escroto, isso sim. Mas vamos falar do que interessa. Tá ansioso pra mais tarde?
Morte: Muito. Eu quero te fazer uma pergunta. Você sabe se alguma das meninas gosta de mim? Porque o TH veio com um papo de que a Diana tava querendo me pegar. Eu tomei um susto, tá ligado? Aí eu liguei pra ela pra confirmar, e ela disse que não tinha nada a ver. Só que ele escutou a Valentina e a Karina conversando...
Luna: Eu não tô sabendo de nada. Mas, se eu soubesse, eu também não ia te contar. Eu não ia ficar explanando as meninas pra você. Até porque você é safado, um cachorro sem vergonha que não vale nada.
Morte: Iá lá, vai ficar me esculachando.
Luna: E desde quando falar a verdade é esculachar, maninho? Você só não fala merda que nem o TH. Mas p.orra, fica na p*****a igualzinho a ele. Não é à toa que vocês são melhores amigos.
Na hora que ele ia me responder, o TH entrou. Ele deu um sorriso quando me viu, e a minha vontade era levantar e meter o pé.
TH: Que isso, sonho de consumo… você por aqui? — ele falou, e eu revirei os olhos.
Luna: Eu tô mais pra pesadelo mesmo. Bom, maninho, eu tenho que ir. A gente se vê no baile mais tarde.
TH: Vai sair porque eu cheguei?
Luna: Com certeza.
TH: Ih, qual foi, morena? Vai ficar nessa comigo até quando?
Luna: Deixa eu ver… até você nascer de novo. O que você acha? — falei me levantando, e o meu irmão ficou rindo.
TH: Por que você fica maltratando o amor da sua vida?
Luna: Meu Deus… o amor tá tão prejudicado! Eu tô lascada se você for o amor da minha vida.
TH: Que isso, c.aralho. Eu quero ficar sério com você.
Luna: Comigo você não fica nem brincando, imagina sério.
TH: Você ainda vai se arrepender de me tratar assim. Quando eu arrumar outra mulher, eu não quero você correndo atrás de mim falando que não queria me perder.
Olhei pra ele de cima a baixo com a minha melhor cara de deboche e comecei a gargalhar.
Luna: Hahahaha. Querido, quem mais você quer arrumar? Porque você já comeu quase o morro todo. Não é possível que você ainda queira arrumar mais alguém. Sei lá, hein… segue teu baile. Ou melhor, continua no teu baile e me deixa em paz. Arruma outra. É o meu sonho de consumo que você arrume outra mulher e me deixe em paz.
TH: Que isso, morena… pra que ficar me maltratando desse jeito?
Luna: Deve ser porque eu tenho um mínimo de senso e de vergonha na cara, né? E porque você fica insistindo em uma coisa que nunca vai acontecer.
TH: Eu sou brasileiro. Eu não desisto nunca.
Luna: Pode deixar que, quando você morrer tentando, eu vou escrever isso na sua lápide: “Aqui está Théo, o homem que nunca desistiu, mas que também nunca conseguiu.”
Luna: Te amo, maninho. Beijos — falei saindo, e ele ficou parado com cara de tacho. Deus me livre! Tem que estar muito desesperada pra poder se relacionar com o TH, coisa que eu não tô.
Vim direto pra casa. E sim, eu ainda moro com a minha mãe e com o meu pai. Não porque eu não posso ter uma casa só minha, mas porque eu amo ficar com eles dois. E eles super respeitam o meu espaço. Às vezes, a dona Luma ainda dá um surto, mas ela é assim a vida inteira. Não vai mudar.