Fui arrancada do meu sono por um estrondo insuportável. Um toque eletrônico estridente e desconhecido ecoava pelo ambiente, martelando a minha cabeça. Gemendo de frustração, abri apenas um olho, tateando a cabeceira até encontrar o aparelho e silenciar o despertador. Mas, no instante em que recolhi a mão para deslizá-la de volta para debaixo do travesseiro, o ar faltou nos meus pulmões.
Fiquei estática, encarando meus próprios dedos.
Eu lembrava perfeitamente de ter ido dormir com as unhas curtas, roídas pelo nervosismo da briga com a minha mãe, e completamente limpas. Agora, diante dos meus olhos, elas exibiam um formato amendoado perfeito, de comprimento médio, cobertas por um esmalte impecável e decoradas com um brilho sutil que reluzia sob a penumbra.
Senti uma fisgada de pânico no estômago. Lentamente, desviei o olhar para a mesinha de cabeceira. Onde estava o meu abajur antigo? No lugar dele, havia uma superfície de laca branca minimalista, adornada com um vaso de cristais e velas aromáticas caras. Atormentada por um pressentimento r**m, sentei-me num salto na cama. Foi quando senti algo pesado e sedoso chicotear contra as minhas costas, caindo um pouco abaixo do meu peito.
Levei as mãos à cabeça, puxando as mechas escuras. Meu cabelo, que na noite anterior m*l tocava os meus ombros, agora exibia ondas longas, volumosas e brilhantes.
— Não, não, não... Isso é impossível — sussurrei, a voz trêmula.
Olhei para baixo, inspecionando meu próprio corpo, e meus olhos se arregalaram. As curvas do meu pijama da Disney pareciam diferentes; meus s***s estavam visivelmente maiores, meu colo mais desenhado. Erguendo a cabeça em puro desespero, encarei o quarto ao redor. Ele era imenso, decorado com um luxo digno de um editorial de revista de alta moda. No canto esquerdo, as portas espelhadas de um guarda-roupa embutido iam do chão ao teto. E, refletida ali, havia uma mulher sentada na cama.
Joguei o edredom macio para o lado; a mulher no espelho imitou meu gesto com precisão cirúrgica. Fiquei de pé; ela também ficou. Aproximei-me do vidro com passos vacilantes, o coração batendo na garganta, até estar cara a cara com o reflexo.
Meu Deus, o que aconteceu comigo?
Aquela criatura deslumbrante no espelho era eu, sem dúvidas. Os mesmos traços, os mesmos olhos. A diferença era que aquela versão possuía um corpo escultural, feições maduras, decididas... A aura de uma mulher adulta que exalava poder e sofisticação. Eu não era mais uma adolescente de dezessete anos.
Pelo reflexo do espelho, notei um grande mural de cortiça na parede oposta. Girei nos calcanhares, contornando a cama king-size, e parei diante dele. Meu cérebro congelou. O mural estava repleto de fotografias que eu não tinha a menor lembrança de ter tirado. Eram registros vibrantes de mim ao lado de Yasmin e Nicole em praias paradisíacas, baladas exclusivas com iluminação neon, viagens internacionais e jantares luxuosos. No centro de tudo, uma foto específica me fez perder o chão: eu estava ao lado dos meus pais, ostentando um sorriso radiante e um elegante vestido azul-marinho. Em minhas mãos, o diploma de conclusão do ensino médio.
Meu Deus, eu dormi por anos? Eu entrei em coma? Que tipo de brincadeira doentia é essa?
— Não acredito que você ainda está de pijama, Stella! — uma voz estridente ecoou, interrompendo meus pensamentos caóticos.
A porta do quarto foi aberta abruptamente e Yasmin entrou no recinto. Mas não era a Yasmin que eu conhecia. Ela parecia mais alta, usava roupas perfeitamente alinhadas e carregava uma bolsa de grife pendurada no antebraço.
— Corre agora para o chuveiro enquanto eu escolho o seu look! — ela disparou, caminhando em direção ao meu closet sem notar o meu estado de choque. — Não temos tempo a perder. Você faz ideia do quão difícil é encontrar vestidos perfeitos para três pessoas na nossa posição?
— Por que... por que nós precisamos de vestidos perfeitos? — perguntei, a voz saindo fraca, completamente desnorteada.
Yasmin parou o que estava fazendo e virou-se para mim, arqueando uma sobrancelha perfeitamente feita. Ela me olhou como se eu tivesse perdido o juízo.
— Como assim "por quê", Stella? Não vai me dizer que você esqueceu que amanhã à noite é a festa de inauguração do primeiro hotel da empresa do Dimitri Ortez?
O nome atingiu meus ouvidos como um trovão, ecoando de forma familiar, mas terrivelmente misteriosa.
— Quem... quem é Dimitri Ortez? — gaguejei, dando um passo para trás.
— Meu Deus, Stella! Em que planeta você pousou hoje? — Yasmin jogou as mãos para o alto, exasperada. — Dimitri Ortez é simplesmente um dos homens mais ricos e influentes do mundo! Ele literalmente acabou de ser a capa da revista Forbes. O homem é praticamente o dono de metade de Nova York!
Ela balançou a cabeça em desaprovação e voltou a abrir as portas do closet, inspecionando os cabides.
— Vai logo para o banho! Você não faz ideia de como foi quase impossível conseguir esses convites VIPs. O mínimo que podemos fazer é encontrar os vestidos certos para não passarmos vergonha no meio da alta sociedade. Anda!
Antes que eu pudesse formular qualquer pergunta ou protestar, Yasmin marchou até mim. Segurando-me firmemente pelos ombros, começou a me empurrar em direção a uma porta elegante no canto do quarto.
— Banho. Agora. Sem desculpas — ordenou ela, empurrando-me para dentro do cômodo e batendo a porta logo em seguida.
Sozinha e trancada, o pânico ameaçou me sufocar. O ambiente estava na penumbra. Tateei a parede até encontrar o interruptor e acendi as luzes. O que vi a seguir quase me fez cair para trás.
O banheiro era o ápice do glamour materializado. Parecia saído diretamente do filme das patricinhas mais ricas de Hollywood. Não que fosse infantil ou rosa; pelo contrário, era revestido em mármore branco impecável, com detalhes em dourado e tons pastéis extremamente sofisticados. Era exatamente o banheiro que eu desenhava nos meus diários quando era criança e sonhava com uma vida de luxo.
Aproximei-me da imensa bancada de quartzo e o choque cultural foi definitivo. Fileiras de produtos de marcas francesas que custavam uma verdadeira fortuna estavam alinhadas. Perfumes importados, cujas fragrâncias minha mãe sempre julgou "impróprias e maduras demais para uma menina de dezessete anos", preenchiam as prateleiras de vidro.
Erguendo os olhos lentamente em direção ao grande espelho iluminado por luzes de camarim acima da pia, encarei o meu reflexo mais uma vez. Meus dedos tocaram a pele macia do meu rosto, descendo pelo pescoço. Não havia erro. A garota assustada, reprimida e dependente dos pais tinha sumido. No lugar dela, havia uma mulher deslumbrante, cercada por toda a riqueza que sempre cobiçou.
A ficha finalmente caiu, trazendo um calafrio terrível na espinha.
O meu desejo da noite passada... Ele se realizou.
Eu estava no futuro. Mas o preço daquela perfeição era o vazio absoluto em minha mente. O que diabos estava acontecendo ali?