Ele suspirou.
— Por que não me disse sobre os gêmeos antes meu amor?
— Poderia parar de me chamar de meu amor? — ela ergueu a sobrancelha. — Não tem mais por que você me chamar assim. Não disse por que eu vim descobrir quarta-feira, e também não queria olhar para a sua cara. — ela mordeu o lábio.
— Eu entendo que esteja chateada Any. — ele mordeu o lábio levantando. — Mas vamos ter dois filhos, você tem que entender que eles são prioridade, temos que esquecer nossas diferenças.
— Eu não queria estar aqui Josh, deixei bem claro pra você que não queria nada seu. — engoliu o seco.
— Mas agora viu que jamais dará conta de dois sozinha? — ele deduziu, se servindo de uísque.
— Pode mandar trazer um milk-shake de morango pra mim? — ela disse antes de responder, mordeu o cordão e ele sorriu.
— Claro... Quer só o milk-shake ? — ela assentiu. — Só um minutinho. — pegou o telefone e ligou para a moça da lanchonete.
Any olhou tudo ao redor, sentia muita falta de trabalhara ali, não era saudade do trabalho exatamente, mas sim saudades de vê-lo todos os dias. Ele era lindo. O observava falar no telefone e seu coração batia forte, esperava de coração que seus dois pirralhinhos puxassem toda a beleza do papai.
— Prontinho. — ele desligou, fazendo-a sair de seus devaneios. — Logo vai chegar. — Any assentiu. — Pois então, ainda não me respondeu.
— Como eu dizia... Não é que eu não consiga dar conta dos dois, é claro que eu consigo. — olhando as mãos.
— Consegue não. — ele a interrompeu. — E você sabe que não precisa nem se preocupar com isso Any. Quem te engravidou foi um homem, não foi um moleque, eu vou arcar com tudo.
— Não é essa a questão, meu emprego novo não é lá essas coisas, mas fazendo hora extra eu... — ele a interrompeu.
— Como é que é? — disse incrédulo. — Você não pode estar falando sério.
— O que? Você pirou? — ela perguntou, confusa.
— Está trabalhando? — ele perguntou e ela assentiu, ainda sem entender. — Posso saber aonde?
— No mercado lá em Piedade. — ela coçou o olho. — Eu e a Sina estamos trabalhando lá de caixa.
Joshua riu incrédulo.
— Dá licença? — Cecília perguntou colocando a cara na porta.
— O que Cecília? — aos risos.
Any já estava começando a se irritar com aquelas risadinhas dele.
— A moça acabou de trazer o milk-shake da senhorita.
Joshua assentiu e ela entrou com a bandeja.
— Aqui está querida.
— Obrigada. — ela sorriu.
Cecília piscou e saiu.
— Posso saber qual é a graça? — Any indagou insatisfeita.
— Como você pode estar trabalhando? Eu deixei bem claro pra você que eu não queria você se esforçando, quantas vezes eu te disse Any?
— Pois eu não sou igual a coelha, eu posso muito bem me virar Josh, eu estou grávida, não morta!
— Pois eu não quero você trabalhando! — ele disse firme. — Quero que saia desse emprego o quanto antes, eu quero que você repouse, que gere os meus filhos sem perturbação, é difícil isso?
— Pois você não manda em mim! — disse ousada.
— Não mando em você? — ele rolou. — Any não é questão de mandar, gravidez dupla não é brincadeira, eu não vou deixar você ficar brincando com a vida dos meus filhos. Isso é arriscado.
— Que exagero Josh. — ela rolou os olhos tomando seu milk-shake. — Quer dizer que agora eu não posso fazer mais droga nenhuma, que já estou arriscando a vida dos pirralhos? Você é um pé no saco.
— Eu estou falando muito sério, Any... — ele disse. — Você pode ser rebelde o tanto que for, mas vai fazer o que eu digo.
Uma gargalhada alta ecoou no local, a cacheada só podia ter ouvido errado.
— Vou o que Joshua? — sem parar de rir.
— Fazer o que eu digo. — repetiu.
— Você já tomou quantas garrafas de uísque hoje? Essa é a vigésima não é? — apontou. — Você só pode estar bêbado pra dizer uma merda dessas, ninguém manda em mim sacou? — disse apontando pra si mesma. — A única coisa que eu quero de você é dinheiro pra comprar as coisas dos meus bebês, isso porque papai me obrigou. Senão eu não apareceria aqui nunca mais. — enfatizou. — Agora não é por que eu vim aqui erguer a bandeirinha branca e conversar com você civilizadamente que vou permitir que você me controle! Isso jamais!
Ele suspirou. Any era uma pessoa tremendamente complicada de lidar.
— Tudo bem, Any... — ele suspirou observando-a tomar o milk-shake. — Eu só quero que você descanse meu amor... Se acontecer alguma coisa com você ou com os nossos bebês eu morro, entende? — disse se aproximando dela.
— Morre de felicidade não é? Pois ficara livre de mim pra sempre. — olhando o canudo.
— Você sabe que não. — ele sentou na cadeira ao lado dela. — Você e os gêmeos são tudo o que eu tenho. — ele pegou a mãozinha pequena de Any.
— Ah e a coelha com coelhinho júnior? — rolou os olhos.
Joshua rolou os olhos.
— Não quero falar sobre isso. — ele fechou os olhos.
Sofya do lado de fora ficou p**a de raiva. Como assim se acontecer alguma coisa com a pirralha e os pirralhinhos ele morre? E por que diabos ele estava falando como se ela não existisse?
Any e os bebês isso, Any e os bebês aquilo... Que lindo, isso não estava nada bom. A coisa realmente estava ficando preta para o seu lado!
— Você que sabe... — a cacheada suspirou, dando de ombros.
— Posso tocar? — ele pediu, apontando a barriga pontuda de Any.
Ela rolou os olhos.
— Tá... Toca. — disse pegando a mão dele e levando até sua barriga.
Ele sorriu ao sentir aquela barriguinha em suas mãos, estava morrendo de vontade de tocar desde que a viu entrando.
— Eles cresceram rápido... — ele disse baixinho, ela concordou com a cabeça, ainda com a mão em cima da dele. — Já se mexem?
— Ainda não... Não vejo a hora de senti-los mexer. — disse com os olhinhos brilhando. — Mas a doutora disse que eles estão bem e que é questão de tempo pra começarem a chutar.
— Esse é o sonho da minha vida. — encarou-a ainda com a mão na barriga dela. — Sentir um filho meu crescendo na barriga da mulher que eu amo... — sussurrou. — No caso aqui são dois. — sorriu.
— Você não me ama Josh... — ela negou com a cabeça, fechando os olhos com força. — Para com isso...
— Eu te amo sim... — disse choroso. — Amo você Any.
— Se me amasse não estaria me fazendo sofrer tanto. — disse ríspida.
— Não faço por m*l. — beijou a mão dela. — Eu só quero que todo esse pesadelo acabe logo, é só isso que eu quero.
— Quanto a isso eu não posso fazer nada... — ela disse.
— Me dá um beijo amor... — ele pediu desesperado. — Eu preciso beijar você.
Ela não conseguiu falar mais nada e sentiu os lábios dele esmagando os seus em um beijo delicioso. Fechou os olhos para sentir melhor e ouviu a porta se abrir em um estrondo.
— SUA v***a! — Sofya entrou completamente vermelha.
Os dois se separaram e Any se levantou, arrependida de ter beijado ele, mas não pelo fato de Sofya estar irritada, mas sim por que ela não queria beijá-lo, não queria parecer entregue a ele.
— Não tem nada pra me dizer a respeito disso Joshua?
Ele rolou os olhos e se levantou também.
— Seu maridinho me agarrou e me beijou, chupa essa chifruda. — Any pegou o milk-shake voltando a tomá-lo.
— COMO É QUE É? — disse indo pra cima de Any, mas Joshua a segurou.
— Para Sofya! — ele disse aperreado. — Any, você também hein?
— Ela me chamou de v***a! — irritada. — E é chifruda mesmo!
— Se eu perder meu bebê por culpa dessa cachorra eu vou descontar tudo em você Joshua, você trouxe esse demônio para as nossas vidas.
— Chega Sofya! Eu não admito que você fale assim dela. — grunhiu.
Any gargalhou alto.
— Seu bebê? — Any a analisou. — Acorda, você sabe muito bem que não tem bebê nenhum aí.
— É CLARO QUE TEM! — a loira gritou. — Acha que eu sou como você, que engravida de um qualquer e vem querer jogar a responsabilidade para o meu marido?
— Você é muito pior do que eu... — Any a olhou, irônica. — Pelo menos eu estou prenha de verdade e ele sabe muito bem que é dele, pois comigo ele trepava com muita vontade. Não era como você, que ele fazia por obrigação! — cuspiu.
Sofya voou na cara dela lhe dando um tapa na cara.
— SOFYA! — Joshua gritou aperreado.
Any arregalou os olhos, sentindo o rosto queimar.
— SUA DESGRAÇADA! — a cacheada gritou. — EU VOU TE MATAR! — irada de raiva, indo pra cima da loira.
— CHEGA! — Joshua gritou. — Any, por favor!
— Mas que merda está acontecendo aqui? — Noah apareceu na porta.
— Ainda bem, me ajuda aqui cara! — Joshua pediu tentando segurar Any, que estava descontrolada.
— Any! — Noah foi até ela, lhe abraçando por trás e afastando-a de perto de Beauchamp e Sofya. — Se acalme, pelo amor de Deus! — ele berrou.
— ME LARGA! — disse se debatendo, mas Noah tinha muito mais força que ela.
A garota começou a chorar, estava chorando de raiva, queria matar Sofya lenta e dolorosamente! Noah a abraçou com pena.
— Que p***a você fez com ela Josh? — Noah perguntou, perplexo ao ver o estado de Any.
— Mas... — Joshua se preocupou ao vê-la chorando tão intensamente, droga será que estava acontecendo algo com os bebês? — Any, meu amor... — ele foi até ela e pegou sua mão. — O que foi, dói alguma coisa?
— Sai de perto de mim... — Any disse soluçando e se agarrando mais em Noah.
Sofya rolou os olhos, que pirralha exagerada.
— O que foi Gaby? — o loiro perguntou.
Joshua rolou os olhos, odiava quando Noah a chamava assim.
— O que houve hein? Por que você está chorando? — virou o rosto de Any, para que ela o encarasse e ele forçou a vista. — Que p***a é essa no seu rosto? — indagou vendo a marca na bochecha molhada. — O que foi isso?
Any olhou Sofya de r**o de olho e apontou.
— Ela me bateu. — com lágrimas. — Quer que eu morra...
Sofya arregalou os olhos, ela estava falando como se fosse a vítima.
— O QUE? — Noah encarou Joshua, que afrouxou a gravata. — Você deixou a Sofya bater nela porque seu louco?
— Não teve como impedir cara... — olhando Sofya de canto de olho, e negando com a cabeça. — Foi muito rápido!
— Não teve como impedir? — riu. — Você é mesmo muito irresponsável, sabia que a Any está grávida? — apontou a cacheada, que ainda estava em seu lado, chorosa.
— Eu também estou grávida! — Sofya disse indignada.
— Mentira, você não está grávida nada! — Any disse secando as lágrimas. — Você não tem nem barriga! — disse acariciando o ventre. — E você tem inveja de mim, por que tenho dois bebês na barriga e você só deve ter bosta nisso aí!
Noah riu.
— Está vendo Joshua? — Sofya indagou.
O loiro não ligou, estava mais preocupado com Any, que estava passando nervoso ali a troco de nada.
— Any, senta. — Joshua pediu.
Noah ajudou a cacheada a sentar e Josh pegou o telefone ligando para Cecília.
— Cecília, traga, por favor, um copo de água. Sim, correndo. — desligou.
— Joshua! — Sofya o encarou, estática, ele não estava fazendo nada para defendê-la.
— Sofya, já chega! — ele grunhiu a olhando seriamente. — Você está vendo o que causou? — apontando Any. — O que custava você ficar esperando lá fora até que eu terminasse de conversar com a Any?
— Não a defenda... — ela cruzou os braços.
Cecília chegou com a água de Any e se preocupou com o estado da menina.
— O que houve?
— Passou nervoso. — Noah disse.
— Oh meu Deus... — pôs a mão na boca. — Se acalme querida, respire fundo. Mas isso é um perigo para o bebê. — encarou Joshua e acariciou a barriga de Any.
— Eu sei... — ele acariciou a nuca observando Any, com preocupação. — Eu acho melhor levá-la ao hospital. Eu não sei, eu não estou confiando.
— Ótima ideia... — Noah assentiu, concordando. — Podemos levar a Sofya também, assim, nós vemos se está tudo bem com as duas. — jogando uma verde.
— NÃO! — Sofya berrou.
— Não porque Sofya? — Joshua disse com um sorrisinho cínico. — Não quer ir até o hospital ver como está o nosso filho?