— Alô.
— Any Gabrielly está?
— Sim, quem deseja?
— Joshua Beauchamp, da Arquitetura & Design.
— Oh sim rapaz, só um minuto.
Any estava em seu quarto serrando as unhas, tinha acabado de chegar da tal entrevista e estava "exausta".
— Any! — sua mãe entrou no quarto, afobada. — Nem acredita quem está no telefone.
A cacheada rolou os olhos com impaciência.
— Hoje tiraram o dia pra me confundir com uma cigana, eu não sou adivinha mamãe. — ela jogou a serra de lado. — Diz logo quem é.
— Um Joshua, da empresa que você foi dar entrevista. — com um sorriso de orelha à orelha.
— Oh meu Deus! — ela pôs a mão na boca, começando a dar pinotes.
— Corre lá, ele está no telefone!
— Ahh, que f**a! — ela saiu em disparada.
Priscila a encarou com espanto, de onde Any arrumou tanta animação? Conhecia sua filha, tinha alguma coisa aí.
Any desceu as escadas correndo e se pendurou no telefone tentando esconder sua afobação.
— Alô.
— Any?
— Eu mesma. — reprimiu um sorriso.
— Sou Joshua, estivemos juntos hoje mais cedo...
— Oh sim claro... — ela sussurrou. — Como poderia esquecer-me de você? — ela disse sedutora.
Ele sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao ouvir aquela voz provocante. Ele balançou a cabeça espantando os pensamentos e voltou a falar com ela.
— Bem, eu liguei para dizer que o emprego é seu. — ele informou.
— Que boa notícia senhor Beauchamp... — mordeu o lábio, satisfeita. — Fico feliz que meu currículo tenha lhe impressionado tanto. — sorriu sabendo perfeitamente que a última coisa que tinha o impressionado era seu currículo.
— Sim, você tem um currículo delicioso... Quer dizer... — consertou. — Maravilhoso.
Any sorriu satisfeita.
— Pois bem chefinho. — mordeu o lábio e ele fechou os olhos ao ouvir aquele apelido tão "carinhoso" que ela lhe arrumara. — Quando eu começo?
— Amanhã mesmo! — ele disse prontamente. — Esteja aqui às oito.
— Com certeza, sem atrasos. — ela garantiu.
— Pois bem, até mais Any...
— Até, e obrigado pela oportunidade. Não irá se arrepender.
— Eu sei que não. — ele garantiu.
Ela sorriu e desligou o telefone, ainda com um sorriso i****a na cara.
— Não vai se arrepender mesmo chefinho. — mordeu o lábio e subiu novamente para seu quarto.
Encontrou sua mãe sentada na cama e abriu um sorriso.
— Fui contratada! — pulando em cima da cama.
— Que notícia boa minha filha! — a abraçou.
— Isso é demais! — ela passou a mão no rosto.
— De onde saiu essa animação toda? Pensei que estivesse torcendo para não ser chamada. — Priscila indagou.
— Ah é que... — ela engoliu o seco, não podia dizer pra sua mãe que estava afim do chefe, a não ser que quisesse que a mãe enfartasse. — É que o salário é muito bom! — assentiu e a mãe a encarou desconfiada.
— É mesmo? — ergueu a sobrancelha olhando a filha.
— Claro que sim, mas vamos comer, eu estou com fome... — disse saindo do quarto.
Priscila sorriu negando com a cabeça, Any estava aprontando alguma.
¨¨¨¨
Joshua desligou o telefone com um sorrisão, nem ele mesmo sabia o motivo daquela felicidade toda, mas ele estava muito feliz e satisfeito com sua escolha. Saiu de seus pensamentos quando ouviu a porta abrir.
— Vamos logo meu amor! — Sofya entrou reclamando.
— Claro. — desligou o computador e a acompanhou.
O almoço não poderia ser mais entediante, Sofya falando suas futilidades, sobre moda, sobre sua amiga que brigara com o namorado, e blá... Enquanto ela falava ele estava perdido em pensamentos, e Any habitava todos eles...
Como poderia pensar tanto em uma garota que nem sequer conhecia direito? Ele se preguntava isso em todo o momento. Mas o que importava é que teria muito tempo pra descobrir o por que.
— Baby Blue! — Sofya berrou dando-lhe um beliscão de leve.
— O que querida? — ele respondeu com careta devido o beliscão.
— Vamos embora coelhinho, estou ficando indisposta...
Ele assentiu e acenou para o garçom trazer a conta. Logo os dois foram embora.
¨¨¨¨
No dia seguinte ele acordou animado, até cantou no chuveiro, coisa que não fazia há muito tempo, Sofya até estranhou. Ele fez sua barba, e escolheu um terno novo.
Desceu as escadas da luxuosa casa assoviando, encontrou Sofya tomando café e sentou ao seu lado.
— Cadê meu beijo de bom dia? — ela fez biquinho.
Ele suspirou e foi até ela, lhe dando um rápido selinho.
— Bom dia meu filho. — Antônia disse enquanto chegava com a batida diet de Sofya. — Aqui está querida... — colocando na mesa.
— Bom dia Toninha. — ele deu um beijo na bochecha da senhora enquanto sentava.
— Vai querer café com leite?
— Não, puro... — ele sorriu, enquanto colocava café na sua xícara. — Não se preocupe.
— Qualquer coisa é só me chamarem.
— Não vai tomar café com a gente? — ele perguntou.
— Coelhinho... — Sofya disse. — A Antônia é empregada. Empregados não devem sentar a mesa com os patrões. — ela disse isso como se estivesse dando bom dia, e não tinha noção de como aquilo irritava Joshua.
Antônia sorriu de canto e saiu.
— Você não cansa de falar merda Sofya? — ele perguntou irritado. — Eu estou cansado de você destratar a Antônia!
— Mas, eu não a destratei... — encarou Joshua, confusa. — Porque está dizendo isso?
— Não precisa humilhá-la por ela ser nossa empregada, a Antônia praticamente me criou e ela é da família.
— Desculpa. — engoliu o seco. — Minha mãe sempre diz isso, eu pensei...
— Sua mãe é uma i****a! — ele já estava irritado.
Sofya conseguiu irrita-lo àquela hora da manhã, palmas para ela. E ele sempre soube que aquela velha plastificada era uma cobra, Rosana sempre foi uma mulher esnobe e arrogante, combinava muito bem com sua mãe Úrsula.
Ele amava a mãe, mas tinha que admitir que era uma mulher muito chata nessas coisas.
— Não fala da minha mãe! — ela apontou o dedo na cara dele.
— Eu falo sim! Quer saber, eu estou indo embora, vou tomar café na empresa! Adeus! — saiu irritado.
— Espera Joshua! — ela berrou estridentemente.
Ele apenas a ignorou. Que merda, ela não tinha falado por m*l, por que ele não podia entendê-la? Suspirou e foi até a cozinha pedir desculpa a Antônia, sabia que tinha feito errado e iria consertar seu erro.
Pediu desculpas sem jeito e Antônia a desculpou sabia que Sofya era muito lenta e não sacava as coisas.
¨¨¨¨
Ele estacionou seu carro no estacionamento, apertou o alarme e travou o veiculo. Foi caminhando até o elevador quando sua atenção foi voltada para um fusquinha que adentrava o estacionamento, nunca tinha visto aquele fusquinha por ali, o fusquinha foi estacionado em uma vaga próxima da dele.
Era irônico ver aquele fusquinha tão simples estacionado no meio de vários carros importados, saiu de seus pensamentos ao ver quem saiu de dentro do fusca, era sua bela secretária... E por Deus... Como estava linda.
Usava uma saia social que batia no meio das coxas grossas, uma blusinha social com os primeiros botões abertos, deixando um decote delicioso à mostra, e nos cabelos levava um r**o de cavalo prendendo apenas a metade dos cachos, deixando a outra metade solta.
Ela vinha caminhando distraída e a única coisa que se ouvia no estacionamento era o barulho de seus saltos batendo o chão, ela vinha distraída e assim que o viu abriu um sorriso.
— Olá chefinho. — disse o olhando de cima abaixo e vendo como ele estava lindo.
— Olá Any. — ele abriu um sorriso estonteante. — Está muito bem...
— Obrigado, você também está muito gato, bem você é um gato, mas hoje você se superou. — deu uma piscadela sensual e entrou no elevador que tinha acabado de chegar
Ele ficou olhando-a enquanto caminhava até o elevador... p***a! Como era gostosa! Ele mordeu o lábio passando a mão nos cabelos com força e entrou no elevador junto com ela.
— Então Any, está animada com o emprego?
— Demais... — ela encostou-se a parede. — E me desculpe pelo atraso, meu carro não queria ligar...
— Imagina, eu acabei de chegar. — ele riu, ela era tão despreocupada. — Aquele fusquinha é seu mesmo?
— Sim, algum problema? — ergueu a sobrancelha.
— Nenhum, é que não é muito normal ver uma mulher tão... — ele a observou e passou a língua nos lábios. — Tão linda nesse tipo de carro.
Ela sorriu, quer dizer que ele a achava linda? Interessante...
— Realmente não é... — ela sorriu. — Mas eu amo o Ronaldinho...
Ele sentiu uma falta de ar de repente, quem era esse Ronaldinho? Ela já tinha alguém?
— Ronaldinho? — disse ficando sério.
— Meu fusca, o nome dele é Ronaldinho.
Ele se sentiu um i****a, com ciúmes de um fusca? E o pior, de uma garota que não era nada sua, além de secretaria.
— Ah sim... — ele sorriu outra vez. — Que legal seu fusca tem um nome... — ela sorriu. — O nome do meu pai é Ronald... Quase igual.
— É serio? — ele assentiu. — Meu avô também se chamava Ronald, mas em português, Ronaldo... Foi ele que me deu o fusquinha antes de morrer e por isso eu coloquei o nome dele.
— Que interessante, é o primeiro carro que eu vejo que tem um nome.
Ela sorriu e os dois se encararam. Logo as portas do elevador se abriram e eles saíram. Joshua continuava a olhando e ela o encarou.
— Quer me dizer algo chefinho?
— Er... Quero sim, o que acha de tomar café da manhã comigo? — colocou a mão no bolso.
— Bem, eu já tomei café, mas eu aceito sim. — mordeu o lábio e ele reparou como eram carnudos e delicados, ele adoraria prova-los.
— Então vamos...
Ela assentiu e os dois foram até a cafeteria da empresa. Sentaram-se e logo a garçonete vem recebê-los.
— Bom dia senhor Beauchamp. — ela sorriu simpática. — O que deseja?
— Bom dia Célia. — ele sorriu. — Me traga um cappuccino e uns pães de queijo.
— E a senhorita?
— Só um café expresso. — ela sorriu, arrumando a gola da blusa. — Como eu disse, já tomei café. — ele assentiu.
— Um minutinho. — a garçonete saiu.
— Todos os dias toma café aqui Josh? — ela perguntou interessada.
— Não, só quando estou muito atrasado e não posso tomar em casa. — mentiu, acalantando a garganta.
— Huuum... — ela o encarou, desconfiada. — E há quanto tempo exatamente é casado?
— Er... — ele disse suando. — Como sabe que eu sou casado?
— Sua aliança é bastante chamativa... — pegando a mão masculina com bastante i********e e espalmando a mão sobre os dedos dele, observando a aliança.
Ele engoliu o seco ao sentir aquela pequena mãozinha acariciando a sua.
— De muito bom gosto... — ela finalizou com um lindo sorriso.
— Obrigado... — olhando a aliança grossa de ouro branco.
Sofya insistiu para que comprassem uma aliança chamativa, para que as mulheres logo vissem que ele tinha dono.
— Já vão fazer dois anos... — ele suspirou frustrado.
— É impressão minha ou o senhor não gosta muito de falar sobre isso? — ela disse apoiando a bochecha nas mãos enquanto o encarava.
— Não é isso... — ele disse olhando os lados vendo se não tinha ninguém da sua família por ali. — É que eu não estou muito satisfeito com minha rotina... Digo meu casamento, minha esposa é... Um pouco alterada. — passando a mão na nuca.
— Oh céus... — disse acariciando os cabelos dele com um biquinho de pena. — Pobrezinho... O que posso fazer para ajudá-lo?
Ele a encarou e desceu os olhos para o decote dela, que decote espetacular! Ela percebeu e sorriu satisfeita.
—Josh? — ela sorriu desviando a atenção dele dos s***s dela para seu rosto. — Meu decote está muito chamativo chefinho? — mordeu o lábio se fazendo de ingênua.
— Me desculpe... — completamente sem graça por ela tê-lo pegado no flagra secando seus s***s.
Ela lhe lançou um sorriso malicioso enquanto a garçonete servia o café, depois que a garçonete saiu, ele se virou pra ela.
— Olhe Any, me perdoe... Eu não queria ficar olhando para os seus... — ele gaguejou.
Ele se aproximou dele e murmurou roucamente.
— Peitos... — ela completou.
Ele engoliu o seco, aquela mulher estava enlouquecendo-o muito e ela sabia que estava mexendo com ele.
— Er... Isso mesmo. — ele disse tomando um gole de café. — E você... Onde mora? É casada?
— Oh não... — ela riu enquanto tomava café. — Eu gosto de liberdade... — piscou, e ele de certa forma se sentiu bastante satisfeito com a resposta. — Moro em Piedade... Acho que você não deve conhecer, lá é tudo muito simples. — deu de ombros.