— O que foi Sofya?
— Onde você está? — ela perguntou enrolando a ponta do cabelo nos dedos. — Sumiu de repente.
— Estou resolvendo um assunto, o que houve? — disse sem paciência.
— Que assunto?
— Eu não posso falar agora, depois a gente conversa. — já ia desligar, mas ela berrou.
— ESPERA! — deu um gritinho agudo.
Ele fechou os olhos sentindo o ouvido doer.
— O que? — suspirou.
Any negava com a cabeça, morrendo de vontade de pegar aquele celular e mandar essa mulher tomar no fiofó.
— Eu estou saindo com as meninas. Acho que vou demorar.
— Ok, divirta-se... — ele coçou a nuca. — Beijos. — desligou.
— Até que enfim... — Any disse insatisfeita.
— Você que me mandou atender. — ele apontou. — Agora dá pra me falar... — ela o interrompeu.
— Podemos ir para um lugar mais tranquilo? — ela o encarou.
— É claro... — pôs a mão no bolso. — Pra onde você quiser. — ela assentiu.
Ele abriu a porta do carro, para que ela sentasse no banco do carona, Any se acomodou e ele arrodeou entrando no carro em seguida.
— Pra onde quer ir?
— Não sei... — suspirou. — Podemos ir até à praia, eu quero ver o mar.
— Claro. — ele ligou o carro e foram em silencio até a praia, no caminho Any não falava nada, apenas olhava pensativa pela janela.
Não demorou e logo chegaram à praia de Ipanema, Josh estacionou o carro ali por perto e os dois saíram. O sol já estava fraco entregando as horas, quase cinco da tarde.
— Dá pra falar alguma coisa? — ele disse enquanto caminhavam pelo tapete de areia.
— Eu... — ela parou de caminhar e o encarou. — Eu não quero ser sua amante a vida inteira Josh. — cruzou os braços embaixo dos s***s. — Eu quero mais do que isso.
— Nem eu quero que seja minha amante a vida inteira meu amor. — ele tocou o rosto dela. — Eu te amo.
— Eu... — ela respirou fundo. — Eu estou apaixonada por você Joshua. — mordeu o lábio o encarando.
Ele arregalou os olhos.
— O que?
— Eu disse que estou apaixonada por você. — confessou e ele abriu um sorriso tão grande que quase tapava toda a sua cara. Ela também sorriu. — Demais até.
— Isso é tudo o que eu precisava ouvir meu amor. — ele disse lhe beijando com ganas.
Mal podia acreditar que ela estava por fim apaixonada por ele, assim como ele estava por ela desde o primeiro dia que a viu.
— Minha baby... — a abraçou pela cintura, cheirando o pescoço dela.
— Eu não imaginei que pudesse me apaixonar por um homem algum dia, eu sempre me considerei autossuficiente o bastante. Mas eu estranhei no dia que aquela mulher me atacou, e principalmente a sua reação diante disso. — olhou para o mar. — E eu me senti extremamente m*l depois... Eu nunca tinha sentido isso na vida, eu não sei exatamente o que é, mas eu não paro de pensar em você, eu sonho com você direto e eu acho que se não é amor é muito próximo. Você realmente está mexendo comigo de uma forma que chega a me assustar.
— Eu prometo que não vou deixar mais ninguém te chatear Any. — tocou os cabelos dela. — Ninguém.
Any subiu o olhar e assentiu sorrindo de leve.
— Você é tudo o que eu quero, é tudo que eu sempre quis. — ele a beijou outra vez.
— Eu quero que você a largue. — disse seriamente. — Não quero mais ser a outra, quero que me assuma Josh. — o abraçou pela cintura.
— Eu vou fazer isso meu amor, eu juro que eu vou... — beijou a mãozinha delicada dela. — Eu só preciso que tenha um pouquinho de paciência, depois eu faço o que você quiser.
— Mas vai demorar muito até essa mulher sair fora Josh... — com bico. — Eu não quero esperar.
— Meu amor, eu preciso preparar tudo, eu não posso chegar em casa pegar minhas coisas e ir embora do nada, você não acha? — beijando a ponta do nariz dela, que ainda estava emburrada. — Tira essa carinha meu bem, eu juro que é só o tempo de preparar a Sofya para o back do divórcio, ela já está notando que eu estou distante.
— Não sei Joshua... — negando com a cabeça. — Algo me diz que essa mulher não vai querer se divorciar.
— Pois que se dane, eu vou pedir o divórcio e pronto, eu amo você e é isso que interessa. — apertando o rosto dela entre as mãos. — Entendeu? — sorrindo.
Ela assentiu.
— Vou confiar em você... — sorriu dando um beijinho de leve nele. — Te amo amor. — o abraçou encostando a cabeça no peitoral dele, enquanto o acariciava. — Estou com fome.
— Vamos comer, o que acha? — ele sorriu.
— Casquinha de caranguejo? — dengosa.
— O que você quiser meu bem. — caminhou com ela até um restaurante a beira-mar bastante agradável. — Você adora frutos do mar certo?
— Adoro. — ela riu. — Mas não vai dizer que eu sou gulosa, acontece que ainda não comi hoje.
— Tudo bem. — ele piscou levantando a mão.
Os dois sentaram e logo o garçom veio atendê-los, Any pediu suas amadas casquinhas, o acompanhamento e um suco de laranja. Joshua pediu apenas uma caipirinha e uns tira-gostos, pois estava sem fome. A comida logo chegou.
— Meu amor? — ele perguntou e ela o encarou mastigando. — Me responde uma coisa? — ela assentiu tomando um gole de suco. — Você não gostou de fazer... — coçou a nuca. — Não gostou de t*****r com o Noah não né? — receoso.
Ela riu.
— Eu não transei com Noah. Quem transou com ele foi a Sina. — deu de ombros e comeu mais um pouco.
— Mesmo assim, não achou ele melhor do que eu... Não é? — deu um sorrisinho amarelo.
— Está com ciúmes? — ergueu a sobrancelha.
— Não tem noção do quanto. — ele cerrou os punhos.
— Eu estava muito bêbada, não lembro direito Josh, mas não rolou nada demais... Apenas fiquei excitada de ver ele se comendo com a Sina e deixei ele me dar prazer. Mas não rolou penetração. Pelo menos não comigo.
— Mas foi bom? — ele olhou para os lados, bastante incomodado.
— Se eu disser que não estarei mentindo. — piscou e ele a olhou com cara de poucos amigos. — Quando eu estou bêbada me excito até se minha roupa tocar na minha... Você sabe não é?
— Ok, já chega, eu não quero mais ouvir. — disse tomando outro gole da bebida.
Any deu de ombros e voltou a comer.
¨¨¨¨
Sofya caminhava pelo calçadão com as amigas e com Rupert.
— Ai meninas, eu nem conto pra vocês... — disse com um bico. — Ontem me fantasiei de coelha, toda lindinha, e o coelhinho não me deu a mínima. — com bico.
— Como assim? — Hina arregalou os olhos. — Ele só pode ser louco de te dispensar, ainda mais vestida de coelhinha. — com os olhinhos brilhando. — Jonas e eu sempre brincamos vestidos de canguru! Meu canguruzinho adora!
— Depende, vai ver ele não estava a fim. — Joalin disse, sábia. — Eu já estou cansada de dizer pra vocês que homens não gostam dessas besteiras de coelho, canguru. Homem gosta de mulher v***a na cama. Apenas.
— Mas eu não sou v***a Joalin. — disse insatisfeita.
— Estou dizendo, mulher v***a na cama. Mulher que transa sem frescura, dá a eles tudo o que eles querem. É disso que homem gosta!
Sofya suspirou e lembrou-se de Any Gabrielly, ela parecia ser do tipo que Joalin estava falando, mas ela nunca conseguiria ser vulgar como Any.
— E eu também não sou v***a. — Hina disse.
— Esqueçam! — Joalin desistiu, ainda não entendia por que ela ainda andava com aquelas duas.
Pegou seu celular pra fazer uma ligação e quando se virou viu Joshua aos beijos com uma morena dos cabelos cacheados no restaurante da frente. Arregalou os olhos e piscou várias vezes para ver se realmente se tratava do marido da amiga, e sim, era ele mesmo.
— Oh meu Deus... — pôs a mão no rosto.
— O que foi Joalin? — Hina perguntou confusa ao ver a cara de espanto da amiga. Virou-se para a mesma direção e quase leva um tombo pelo espanto. — OMG! — pôs a mão na boca. — Que lindo o cabelo dela! — falou e Joalin lhe deu um pedala, fazendo-a cambalear. — Ai. — com bico.
Sofya olhou e sentiu o sangue fugir do seu rosto, ele estava mesmo com aquela mulher ridícula? Que raiva! E ainda ficava com a p*****a na frente de todo mundo! Saiu correndo com lágrimas.
Joalin sorriu radiante, quem sabe com os chifres Sofya não acordava pra vida e se tocava de uma vez que um homem como o dela não se contentava com pouca merda. Tinha uma amante linda e parecia bastante afim da garota. Bom pra eles.
Foram atrás de Sofya e viram a loira se lamentando do outro lado da rua, tentando entrar no carro.
— Sofya... — Hina suspirou. — Não fica assim amiga, faz parte.
— Essa mulher... — apontou o restaurante onde os dois estavam. — Está tendo um caso com meu marido!
— Bom, isso a gente já reparou... — Joalin deu de ombros. — Você já deveria estar esperando por isso não é? Na boa Sofya, um homem como o seu não tem cara que se contenta com uma mulher só... — olhando as unhas. — Mas se te serve de consolo, hoje em dia setenta e cinco por cento das mulheres brasileiras tem chifre.
— EU NÃO SOU CHIFRUDA! — Sofya berrou com raiva.
— É claro que é... E a outra lá é linda. — riu.
— Eu acho que você não está ajudando muito Jojo... — Hina mordeu a ponta do dedo.
— Para de me chamar de Jojo... — rolou os olhos. — É o seguinte, estou indo embora. — olhando as horas. — Daqui a pouco tenho que sair com Leandro, e preciso me arrumar super linda!
— Mas... — Sofya a encarou. — E eu?
— E você o que?
— Eu acabei de ver meu marido me traindo Joalin. — danou-se a chorar outra vez.
— E o que você quer que eu faça? — ela rolou os olhos. — Que eu vá lá tirar satisfações com ele?
— Ah seria ótimo, podíamos armar um super barraco e tal... — Hina enrolou a ponta do cabelo nos dedos. — O que acham?
— Que horror, é claro que não... Mulheres como nós não descemos a esse nível e você Sofya, tem que aceitar e pronto! Seja inteligente ao menos uma vez na vida e aceite dividir ele com a outra garota, por que se você ficar com frescurinha não duvido nada ele te trocar por ela. — piscou. — Good bye ! — saiu.
— Eu acho que ela tem razão. — Hina mordeu o lábio, observando Joalin se afastar. — Mas não se preocupa Sofya, eu também tenho chifres... — disse batendo palminhas, Sofya a encarou, perplexa. — Ai não é super legal?
— Não. Não é legal Hina. — rolou os olhos sentindo o coração comprimido. — Vou ligar pra esse chato! — pegando o celular. — Vamos ver o que ele vai inventar. — discando e ouvindo chamar. Não demorou para que ele atendesse.
— O que foi Sofya? — rolou os olhos enquanto Any tomava um gole de suco, entediada.
— Onde você está meu amor? — olhando para o restaurante, infelizmente não dava de vê-los de onde ela estava.
— Estou resolvendo uns assuntos importantes Sofya. — suspirou.
— Assuntos importantes? — ergueu a sobrancelhas. — Que assuntos são esses, meu amor? Eu posso saber?
— Olha Sofya, isso é um assunto de homem, eu estou indo jogar bola com os caras...
— Tá. — se segurando pra não berrar. — Vai demorar muito pra chegar em casa?
— Um pouco.
Sofya fechou os olhos com força, com certeza levaria Any Gabrielly para algum motel.
— E você não estava com suas amigas?
— Pois é, mas vimos algo que estragou o passeio.
— Que pena, então depois a gente se vê... Tchau! — desligou na cara dela.
Sofya olhou perplexa o celular.
— ÓDIO! — berrou dando pinotes em cima da calçada. Depois respirou fundo se controlando. —Vamos embora logo antes que eu vomite! — abriu a porta de seu carro jogando Rupert no banco de trás.
Hina suspirou e entrou no carro, as duas saíram.
¨¨¨¨
Ele desligou o telefone, e depois o colocou no bolso.
— Não aguento mais a Sofya. — ele negou com a cabeça. — Não vejo a hora de dar o fora nela e ficar com você meu amor. — acariciando o rosto dela.
Any terminou de comer e ele sorriu.
— Não quer mais nada? — sorrindo todo i****a, ela negou com a cabeça.
— Não. — deu um selinho nele. — Podemos dar uma volta na praia? — ergueu a sobrancelha.
— Claro. — fez um sinal chamando o garçom, que entendeu que ele queria a conta. — Já vai dar seis da tarde. — olhando no relógio.
— Passa rápido não é? — acariciando a mão dele, do jeito que só ela fazia. Espalmando a pequena mãozinha na mão masculina, e entrelaçando os dedos. — Quando fizermos amor outra vez eu quero que você tire isso. — apontou a aliança dele. — Quando deitar comigo tem que ser sem ela. Entendeu?
— Claro que sim... — mordeu o lábio. — O que você quiser meu amor.
Any sorriu satisfeita e o garçom se aproximou com a conta, Joshua pagou e os dois saíram de mãos dadas, isso mesmo, de mãos dadas. Não estavam se importando se alguém podia os ver, eles estavam muito envolvidos pra evitarem o toque.
Foram caminhando pela praia, conversando e rindo como duas crianças. Ele estava se sentindo completo outra vez, ao contrário dos dias anteriores, em que estava se sentindo vazio sem Any.