Joshua voltou a respirar normalmente e sentou-se.
— Você é mesmo muito irresponsável! — Ron grunhiu. — Por que diabos foi t*****r com a secretária?
— Está irritado por que ela preferiu a mim? — Josh debochou irônico.
— Me respeite! — ele quase berra. — Então quer dizer que era por você que ela estava apaixonada. — disse pra si mesmo, mas Joshua ouviu e riu com certo deboche.
— Sim, era eu... Ou melhor, sou eu, por que Any ainda me ama e vai ter um filho meu, e eu também a amo.
— E a Sofya? — Josh rolou os olhos. — Já sabe disso?
— Não... — suspirou, voltando a beber seu uísque. — Bom, ela sabe que Any e eu tivemos um caso, mas a gravidez ainda não e nem pode saber. Se ela souber vai ficar dando chilique e pode fazer m*l para o meu filho. — disse voltando a acariciar o maxilar, estava latejando devido ao murro que levou.
Ron negou com a cabeça.
— Como vai fazer com a Any? — Ron perguntou.
— Vou assumir o bebê, vou dar tudo o que ela precisar, pagar uma boa pensão. Tudo o que estiver ao meu alcance pai.
— Por que não se separa da Sofya para ficar com ela? — indagou.
—Não posso. — esfregou os cabelos. — Se dependesse de mim já teria me separado há muito tempo.
— Espero que a Any nunca mais olhe para a sua cara. — ele disse, com cara de poucos amigos.
— Qual parte do "vamos ter um filho" o senhor não entendeu? — ele perguntou irritado. — Any e eu vamos estar ligados pra sempre e eu sempre vou fazer parte da vida dela.
— Não significa que ela vai te amar pra sempre. — zombou, pegando seu paletó. — E outra, se não contar para a Sofya, eu mesmo contarei. — piscou vestindo o paletó.
Joshua o olhou com espanto.
— Está avisado, vou dar um prazo pra você de três dias. Até mais, irresponsável. — piscou e saiu.
Joshua olhou seu pai saindo com um espanto, mas sabia que Ron teria coragem de contar, principalmente quando se sentia derrotado em algum quesito. Sabia que ele estava irritado e frustrado e quando estava daquele jeito fazia de tudo pra provocar. Teria que dar um jeito nisso.
—Droga! — deu um murro na mesa fazendo alguns papéis voarem.
O pior é que nem podia falar com Any, pois não sabia o raio do número do celular.
¨¨¨¨
— Silvio, graças a Deus! — Priscila disse aliviada ao vê-lo atravessar a porta.
Silvio sentou-se no sofá e passou a mão no rosto sentindo-se uma merda de pai.
— Querido... O que aconteceu hein? — sentou ao lado dele.
— O p****e vai assumir o que fez. — ele mordeu o lábio.
— Que bom. — sorriu de canto.
Silvio respirou fundo.
— Pelo menos isso não é?
— Onde está Any?
— Está dormindo, ela estava muito nervosa e eu achei melhor que fosse se deitar um pouco.
— Melhor assim. — ele bufou. — Any não tem limites! Eu sabia que ela era travessa, mas a ponto de engravidar de um homem casado eu nunca imaginei, e o pior ainda, a esposa... A outra mulher lá, também está gravida.
— Oh meu Deus... — Priscila fez uma careta. — Esse aí não brinca em serviço.
— E agora? — suspirou, entristecido. — O que vamos fazer?
— Vamos apoiá-la. — apoiou a mão no ombro dele. — Nossa menina está sofrendo muito Silvio, por favor, não dê as costas a ela agora.
— Jamais teria coragem de virar as costas a ela. — ele engoliu o seco. — Mas estou muito decepcionado com Any e isso eu não posso evitar.
— Eu sei, mas ela está se sentindo uma pessoa horrível, não piore, por favor, a gravidez deixa a mulher muito frágil. Ela precisa de carinho.
Ele assentiu e Sabina apareceu.
— Oi... — ela pôs suas pastas em cima do sofá. — Que caras são essas? — tirando a bolsa.
— Sua irmã... — Silvio murmurou.
— O que tem ela? — abraçou a mãe de lado.
— Any está esperando um bebê. — Silvio disse.
Sabina ficou branca.
— Mas... Um bebê? — sem esconder seu espanto. — Any? — eles assentiram. — Desde quando? Oh meu Deus!
— Descobrimos hoje, e o pior, o bebê é de um homem casado!
— Joshua... — sussurrou para si mesma, mas os pais ouviram.
— Sabina... — Silvio a encarou. — Você não sabia de nada não é?
— Na verdade sim papai. — ela sentou-se. — Eu já sabia, pouco antes de Any ir para a França. Perdão.
— E por que não nos disse nada a respeito? — Priscila perguntou.
— Por que eu não queria me meter nesse assunto, Any e eu estávamos começando a nós darmos bem e eu não queria estragar tudo, esperava que ela fosse contar.
— Isso não importa mais. — Silvio deu de ombros. — O pior já aconteceu, pegou uma barriga desse rapaz. — negando com a cabeça. — Eu vou trabalhar! — levantando.
— Querido, você não comeu nada. — ela disse preocupada.
— Com tudo isso eu não estou com ânimo pra comer, meu apetite evaporou. — ele deu um beijinho em Priscila e outro em Sabina. — Até mais e fique de olho na Any, qualquer coisa você me liga.
Priscila assentiu.
— Eu estou passada. — Sabina disse vendo o pai saindo. — Está de quantos meses?
— Quatro, pelas minhas contas vai ganhar neném em setembro.
— A Any é mesmo uma louca. — deu um sorriso de leve. — Temos que ajudá-la, apesar de tudo esse bebê vai trazer alegria pra cá não é? — chocou as mãos. — Pensamento positivo, vamos olhar o lado bom das coisas.
— Claro. — Priscila concordou.
— Agora eu preciso comer, estou com fome.
Priscila sorriu e foi servir o almoço da filha mais velha.
¨¨¨¨
Dois dias se passaram e a situação na casa de Any estava se acalmando, Silvio não estava mais tão frio, mas também não estava cem por cento satisfeito.
Any tinha conseguido o emprego no supermercado como caixa, não era um super emprego, mas lhe ajudaria a comprar as coisinhas para o bebê sem depender dos pais, não queria dar mais nenhuma chateação a eles.
Sina também estava trabalhando com ela, as duas conseguiram na mesma seleção e estava sendo divertido pra elas.
Joshua estava se preparando psicologicamente para contar sobre a gravidez de Any para Sofya, sabia que ela iria surtar, mas precisava contar antes que Ron o fizesse e se isso acontecesse seria muito pior.
Any estava terminando de passar as compras de um casal de idosos quando Sina se aproximou.
— Any, vamos! — ela sussurrou. — Já está em cima da hora da sua consulta.
— Só vou terminar aqui e a gente vai, já falou com o Murilo? — Sina assentiu. — Ótimo... São oitenta e nove e cinquenta. — sorriu para o casal.
O idoso estendeu o cartão e ela pegou a maquina a ajustando para o pagamento, ele terminou de pagar e as duas fecharam o caixa e saíram.
Não demorou e logo estacionaram o fusquinha na frente do consultório.
— Vamos lá perua? — Sina estendeu o braço no banco de trás e pegou sua bolsa.
— Vamos... — riu abrindo a porta.
As duas adentraram e sentaram-se na salinha de espera.
— Oi... — a recepcionista sorriu.
— Olá. — Any respondeu. — Vai demorar muito? É que nós só temos uma hora e meia.
— Você é a paciente de uma e meia? — elas assentiram. — Estão em horário de almoço? — deduziu e as duas assentiram outra vez. — Não se preocupem, no máximo quinze minutos. — piscou.
As duas deram de ombros.
— Olha Sina... — apontou discreta. — O sapato dela é igual o da Maiara, aquele que eu queria pedir emprestado pra não devolver nunca mais.
As duas gargalharam alto, e a recepcionista as olhou repreensiva.
— Foi m*l.
— Cala a boca v***a, nós estamos em um hospital. — Sina repreendeu risonha.
— Isso não é um hospital, é um consultório. — Any disse com cara de obvio.
— Podem me acompanhar? — a recepcionista disse desligando o telefone. — A doutora já está esperando.
— Até que enfim, eu preciso mijar... — Any sussurrou.
— Ai Any outra vez? — Sina rolou os olhos. — Você está parecendo um chafariz p***a.
Dessa vez até a recepcionista riu.
— Não tenho culpa. — ela reclamou.
— O banheiro fica ali. — ela apontou.
Any assentiu indo em direção ao banheiro.
— Vocês são...? — perguntou meio sem jeito. Sina a incentivou a prosseguir. — Lésbicas?
A loira espocou em uma gargalhada.
— Lésbicas? — ela perguntou. — Any e eu? — a recepcionista assentiu. — Não mesmo, ela é minha melhor amiga.
— Ah bom, me desculpem. É que sempre que vêm duas mulheres, sabe não é? E mais normal virem os maridos.
— Minha amiga não tem marido, ela engravidou de um filho da p**a. Mas isso não importa, não é? — sorriu amarela.
— É claro que não... — viram Any sair do banheiro.
— Prontinho. — a cacheada sorriu aliviada. — Vamos.
A recepcionista as acompanhou até a sala da doutora, que começou a consulta fazendo as típicas perguntas chatas, pediu para Any trocar de roupa, pesou, mediu a pressão, mediu o tamanho da barriga.
— A barriga não está em um tamanho muito normal pra dezesseis semanas. — ela disse anotando algo na prancheta.
— Tem algo errado? — Any perguntou preocupada.
— Não sei... — mordeu o lábio. — Vamos ver... Vem aqui, vamos b*******a ultra.
Any encarou Sina com um sorriso preocupado e a loira piscou como se dissesse que estava tudo bem. Deitou-se na maca levantando a roupa, a doutora passou um gel e logo começou o ultrassom. A doutora sorriu.
— Mas olha só isso... — ela riu. — Menina eu sabia. — dando um zoom. — Você está grávida de gêmeos viu?
— Como é que é? — disse sorrindo nervosa.
— Sim... — a doutora assentiu. — Aqui estão, você pode ver claramente.
Any olhou para o monitor e viu um bebê e o que parecia ser a cabecinha de outro.
— Aqui é um... — a doutora disse e em seguida levou o aparelho para outro lado, onde na tela apareceu o outro bebê. — E aqui está o outro.
Any levou a mão a boca, completamente em choque.
— Quer saber o sexo?
— Já dá de ver? — mordeu o lábio, ainda sem reação.
— Sim, claro. — ela sorriu.
— Então eu quero. — ela sorriu de leve, olhando pelo monitor.
— São dois meninos, são gêmeos univitelinos, ou seja, serão idênticos.
— Minha nossa senhora. — Any encarou Sina e a loira estava rindo de leve. — Você ri não é? — dando cotoco pra ela. — Droga, eu estou fodida. — grunhiu.
— Relaxa Any. — Sina aconselhou.
— Quer ouvir os coraçõezinhos dos bebês? — a doutora perguntou, sem tirar os olhos do monitor.
— É claro. — mordeu o lábio, respirando fundo.
— Muito bem. — a doutora configurou o equipamento e logo dava de ouvir o barulhinho alto e rápido.
Any sorriu olhando o monitor. Não fazia ideia do que faria pra conseguir cuidar dos dois bebês, mas não iria abandoná-los, afinal de contas os dois não tinham culpa de nada, os únicos culpados eram ela e Joshua, ela por ser estupida e caído na conversa dele, e ele por ser um o****o, mentiroso.
Passou a mão no rosto pensando em como contaria a Silvio a respeito do segundo bebê, seu pai surtaria. A cacheada começou a suar, um pouco nervosa.
— Os bebês estão ótimos de saúde. — a doutora concluiu satisfeita. — Estão no peso ideal, tamanho ideal e você não precisa se preocupar. — desligando o equipamento.
— Que ótimo... — deu um sorrisinho amarelo, a doutora limpou sua barriga.
— Vou te passar algumas vitaminas, que você vai ter que tomar até o final da gravidez, certo? — Any assentiu. — Pode se trocar querida.
Any se trocou e a doutora lhe passou as vitaminas e lhe tirou algumas dúvidas. Em seguida deu por encerrada a consulta.
— Fala alguma coisa. — Sina disse enquanto saiam do consultório.
— Não sei nem o que dizer. — Any coçou o pescoço. — Apenas que eu estou em pânico. — sorriu nervosa, acariciando a barriga. — Oh meu Deus, eu vou ter gêmeos.
— Só tenho algo a declarar... — Sina falou e Any a encarou, curiosa. — O Beauchamp tem uma p**a pontaria, cara. — gargalhou.
Any rolou os olhos.
— Você tem que engolir o que disse, aquele assunto de ele ser tão lento que nem pra te engravidar servia... O cara fez um serviço e tanto. — sem parar de rir.
— Ao invés de ficar fazendo piadinhas sem graça alguma, poderia pensar em algo pra me ajudar não? — Any se aproximou de Ronaldinho e abriu a porta.
— Primeiramente você tem que contar a ele sobre os gêmeos, por que ele ainda não sabe. — Any riu.
— Não mesmo, eu não vou falar pra ele de jeito nenhum, se ele ficar sabendo não será pela minha boca. — rolou os olhos. — Já disse que não quero papo nenhum com ele.
— Any ele tem que saber. — suspirou. — Nós não podemos cuidar dos dois. — a loira lamentou. — O que ganhamos no mercado é uma miséria amiga. Um bebê até que dá, mas dois... — ela mordeu o lábio, preocupada.
— Você tem razão. — ela suspirou. — E o que você sugere? Que eu dê um deles pra alguém? — perguntou temerosa.
— Mas é claro que não sua louca. — Sina a olhou, escandalizada. — Eles são seus viu?
Any sorriu de leve.
— Só que você precisa aceitar o dinheiro do pai deles.