— Você sabe que não é assim. — ele mordeu o lábio. — Eu sempre amei você Any, amei você como nunca amei mulher nenhuma, a gravidez não tem nada a ver com isso e você sabe! — ele desabafou. — Mas você me cobra muito, só você quer atenção, só você quer carinho... Não é bem assim!
— Ah não é assim? — ela ironizou. — Gostaria que eu dividisse minha atenção e meu carinho com outro homem? Gostaria que eu me deitasse com outro homem? — ele ficou pálido. — Gostaria Joshua? — ele ficou calado. — Me responda!
— É claro que não. — a encarou com a expressão gelada, não gostando nada daquele assunto. — Any... — ele suspirou, mais passivo. — Eu devo imaginar que pra você deve ser muito difícil e desgastante me "dividir" com a Sofya, mas assim como você precisa de mim ela também precisa.
Any secou os olhos e fez questão de gargalhar alto. Ele a encarou confuso.
— E quem disse que eu preciso de você pra alguma coisa? — ela disse e ele suspirou. — Eu não preciso de você para droga nenhuma. — disse firme. — A única coisa que eu quero de você é distância Josh.
— Pois eu não vou ficar distante de você. — ele negou com a cabeça. — Não estando grávida de um filho meu.
— Esse filho é só meu! — ela berrou apontando a barriga. — MEU!
— Mas que maluquice está dizendo? — ele ergueu a sobrancelha.
— Estou dizendo que não quero você perto de mim nem do meu filho. — disse ríspida.
— Mas isso é uma loucura! — ele arregalou os olhos. — Você não pode me separar do meu filho! — disse desesperado.
— E por que não? — ela cruzou os braços.
— Por que é tão meu quanto seu. — disse sério. — Any, nem sonhe com isso, por favor...
— Não vai sentir falta dele, afinal de contas terá outro no quase no mesmo período não é? — ela riu debochada. — A Sofya diz estar com quatro meses de gravidez, um a mais que eu... Provavelmente nascerá antes e você nem vai sentir falta. — deu de ombros. — Como está a barriga dela? — indagou provocante. — Deve estar linda não é, eu estou só com três meses e já estou de barriga, quanto mais ela que está com quatro.
— Isso não vem ao caso agora. — ele acalantou a garganta, nervoso.
Sofya não tinha muita barriga, mas segundo a loira era por que o bebê era pequenininho demais e o médico disse que era normal.
— O que está em questão agora é o nosso filho, não o filho da Sofya.
— Claro... — Any concordou. — Até por que não existe, filho nenhum, essa mulher nunca esteve grávida. — riu debochada e ele rolou os olhos, cansado. — E no meu filho você não tocará em um fio de cabelo que for, essa criança é só minha!
— Any... — ele pôs a mão no rosto, nervoso e irritado. — É serio, para gracinha, se você tentar algo para separar o meu filho de mim eu entro na justiça.
Ela gargalhou outra vez.
— Para de rir!
— Pode me processar à vontade chefinho... — ela ria. — É só eu dizer que esse bebê não é seu, e os juízes não vão nem ligar. — piscou.
Ele arregalou os olhos.
— Você não seria capaz de mentir para a justiça.
— Tenta... — ela riu. — Tenta só pra você ver do que eu sou capaz. Para infernizar a sua vida, eu sou capaz de tudo senhor Beauchamp! É só esquecer que eu existo, esqueça que eu estou grávida, esqueça tudo! Que aí tudo ficará bem. — ela garantiu. — Aliás, não seria nada legal a sua mulherzinha ficar passando nervoso, oh... — pôs a mãozinha na boca. — Sabia que se continuar me enchendo o saco ela vai passar? Sim eu vou fazer questão de infernizá-la até não poder mais.
— Quantos anos você tem? — ele perguntou. — Dois?
— Dezoito anos mais velha. — ela riu. — E não adianta me chamar de criança, eu não estou nem aí para a sua opinião.
— Eu não vou deixar você me separar do meu filho! — ele acusou. — Jamais Any, essa criança é nossa, tão minha quanto sua.
— Ai que você se engana. A partir do momento que você escolheu ficar com a Sofya, você abriu mão de mim e quando abriu mão de mim, abriu mão do meu bebê! A propósito você lembra o que eu disse quando você tomou sua decisão? — o encarou, ele assentiu olhando para o chão. — O que eu disse? — ele ficou calado. — Diga.
— Disse que não queria que eu procurasse você nunca mais... — rolou os olhos.
— Não foi só isso... Diga o resto.
— E que para você eu morri. — ela assentiu.
— Muito bem.
— Mas eu não consigo viver sem você Any... — ele disse a encarando. — Apesar de você ser doida, eu te amo.
— E eu te odeio. — ela rebateu com perspicácia.
— E eu te amo. — ele repetiu a encarando, nem ligando para a frieza dela.
Sabia que ela jamais seria capaz de cumprir suas ameaças, jamais separaria ele do bebê, ele a conhecia com a palma de sua mão.
— Me dá um beijo vai? — disse pegando o rosto dela e abaixando para beijar-lhe os lábios.
— Sai Josh! — disse se afastando. — Eu quero que vá embora! Me deixe em paz, esquece que eu existo! — ela disse se soltando e caminhando em direção ao portão de sua casa.
— Any, espera. — ele foi atrás.
— Me deixa em paz! — ela berrou. — Eu vou chamar o Brunão pra te dar uma surra se não parar de me encher. — o ameaçou.
— Se acalma, eu só quero que saiba que eu vou assumir o bebê, apesar de você não querer mais nada comigo. — suspirou. — Eu vou te ajudar em tudo, vou dar tudo o que você precisar e ele vai ter tudo do bom e do melhor.
— Poupe o seu dinheiro, não quero um centavo seu! — ela disse sem parar de caminhar.
— Você vai precisar de dinheiro! — ele enfatizou. — Larga de ser orgulhosa, por Deus.
— Sim, eu vou precisar! — ela berrou parando de caminhar e se virando até ele. — Mas eu posso muito bem arrumar um trabalho! Não estou morta, estou viva e posso arrumar um emprego a hora que eu quiser...
— Não vou permitir que você trabalhe! — ele negou com a cabeça. — Pode fazer m*l para o bebê... — ela o interrompeu.
— Gravidez não é doença! — ela rolando os olhos — E do meu bebê eu cuido. — voltou a caminhar. — E não se preocupe Josh, ao contrário da Sofya, eu não me matarei. — disse abrindo o portão. — Uma dica, esqueça que vai ser pai de um filho meu, por que pra mim e para o meu filho, você não existe. — entrou.
Ele ficou olhando-a irritado. Não iria permitir que Any afastasse seu filho dele, assim como ela, ele também tinha todo o direito sobre aquele bebê. Entrou em seu carro e resolveu ir embora, amanhã seria outro dia e talvez Any estivesse mais calma.
Any entrou em seu quarto e começou a chorar dolorosamente enquanto deitava em sua cama, não era possível que estivesse mesmo grávida daquele i*****l, sua vida estava acabada, não tinha noção do que faria pra cuidar daquele bebê, nunca teve um mínimo de paciência com crianças, pior ainda com recém-nascidos.
Abriu seu criado mudo e tirou de lá o exame, o deslacrou ainda com uma pontinha de esperança que fosse uma pegadinha de Josh, mas negou com a cabeça ao ver que aquela merda dizia a mesma coisa.
— MALDITO! — ela berrou rasgando o exame em pedaços, enquanto abraçava seu ursinho e voltava a chorar.
Ficou ali, pensando em como olharia para seus pais e diria que estava grávida, e pra piorar de um homem casado. Seu pai ficaria muito decepcionado com ela, já estava vendo ele olhando-a com aqueles olhos carregados de decepção... — Oh meu Deus! — pôs a mão na cabeça.
Desceu a mão na barriga e a tocou outra vez. Não podia ter um filho. Não queria ser mãe.
— Odeio você Josh! — murmurou.
Se Joshua não tivesse lhe enganado e ficado com ela, não estaria passando por isso, estava com ele e bastante feliz esperando aquele bebê, mas Sofya estragou tudo, aquela coelha maldita! Josh ainda se arrependeria por isso, ah sim, se arrependeria amargamente. Não demorou a que ela adormecesse.
¨¨¨¨
Joshua chegou em casa e viu Sofya dormindo, passou a mão no rosto e se aproximou dela, não amava a loira, não sentia nada por aquela mulher além de um grande afeto e agora Any também estava esperando um filho seu, cujo ele jamais abriria mão. Estava em um fogo cruzado.
— Coelhinho da mamãe... — ouviu a voz dela sonolenta.
— Oi Sô. — ele sorriu de leve.
— Vai dormir comigo hoje? — disse dengosa.
— Não, só vim ver como estava. — ele suspirou e Sofya fez um bico. — Como se sente?
— m*l, você não me dá atenção.
Joshua rolou os olhos.
— Por favor, coelhinho, dorme comigo...
— Não Sofya, eu estou indo para o meu quarto. — ele pôs a mão no bolso.
Sofya o encarou com certa irritação, durante todo esse tempo não tinha progredido nada, não conseguia fazer Joshua voltar a dormir com ela e a vida íntima dos dois já não existia mais, não sabia mais o que fazer.
Seu tempo de "grávida" já estava se esgotando e não conseguira fazer droga nenhuma pelo seu casamento.
— Você ainda gosta daquela v***a da Any Gabrielly, não é? — disse caindo no choro. — Odeio essa garota, ela só apareceu pra acabar com a minha vida.
— Você sabe que sim Sofya, sabe que eu amo a Any... — ele coçou a nuca, sendo sincero. — Mas eu não estou aqui com você? — a loira assentiu. — Não é isso que importa?
— Mas não é a mesma coisa, você não se importa comigo e ainda diz na minha cara que ama outra. — amargurada.
— É claro que eu me importo com você Sô. — ele se aproximou e deu um beijo na testa dela. — Mas eu não posso negar que o que eu sinto por ela é muito forte e... — Sofya o interrompeu.
— CHEGA! — ela gritou, o assustando. — Sai daqui! — se virou e se cobriu com o edredom.
Joshua ia falar, mas viu que não teria jeito e desistiu. Saindo para seu quarto.
— Maldita cabelo de assolam. — ela reclamou antes de tentar dormir outra vez.
¨¨¨¨
No dia seguinte Any acordou dolorida, por ter dormido de muito mau jeito. Olhou para o chão e viu o exame todo rasgado jogado ali e tudo veio à tona outra vez, a sua gravidez, a conversa com Josh no dia anterior e todo aquele pesadelo.
Ela negou com a cabeça e levantou-se, entrou no seu banheiro e se olhou no espelho, estava horrível, sua maquiagem estava toda borrada devido às lagrimas e um pouco de olheira pelo tanto que chorara.
Despiu-se e entrou na ducha, tomou um banho quente para relaxar, lavou os cabelos e saiu do banheiro se sentindo melhor, olhou-se no espelho e encarou sua barriga, estava ganhando forma e logo começariam a notar... Merda. Como ela não se tocou antes?
— Você sabia, só não queria acreditar Any. — ela concluiu tristemente enquanto se vestia.
Vestiu uma sainha jeans e uma blusinha de alças, juntou os papéis que estavam jogados no chão e os jogou no lixo.
Desceu as escadas e encontrou seus pais tomando café junto com Sabina.
— Está de brincadeira que você já está acordada? — Sabina riu tomando um gole de café.
— Pois é, não dormi muito bem essa noite. — a cacheada disse.
— E o pagode terminou que horas? — perguntou confusa.
— Não sei, eu vim embora antes... — murmurou, coçando o olho.
Os pais e a irmã ficaram um pouco surpresos, pois sempre Any era a última, ou então a penúltima a sair de alguma festa. Mas não deram muita corda.
— Senta filha... — Priscila disse. — Toma um cafezinho, eu acabei de passar.
— Não estou com fome mamãe. — ela mordeu o lábio. — Eu vou à casa da Sina.
— Filha não pode sair de casa com o estômago vazio... — a mãe insistiu. — Come alguma coisa, anda.
— Está bem. — ela sorriu de leve, pegando um pedaço de pão. — Vou comendo.
Priscila assentiu mais tranquila. A cacheada saiu de casa e foi até a casa de Sina.
Mari lhe recebeu e disse que Sina ainda estava emborcada na cama. A garota riu e subiu, encontrando a amiga roncando alto.
— Sina... — ela cutucou a loira, que se virou incomodada, sem acordar. — Acorda. — mordeu o lábio, angustiada.
— Sai Any, eu estou com sono. — com bico.
— Acorda logo. — disse puxando os cabelos dela. — Por favor, eu preciso de você...
— Daqui a pouco eu acordo. — disse se agarrando ao travesseiro.
Any sentou-se vencida e começou a chorar baixinho. Sina ouviu os soluços dela e abriu os olhos, preocupada.
— Ei... — ela sentou-se. — O que foi porrinha?
— Minha vida acabou. — ela disse, enquanto Sina a abraçava.
— Ai Any, não acha que já está bom de chorar por ele? — disse acariciando os cabelos dela. — Esse o****o não vale suas lágrimas. — coçou o nariz, ainda sonolenta.
— Não é isso. — suspirou enxugando as lagrimas, mas os olhos vermelhos diziam que ela não pararia de chorar. — Estou grávida Sina... Grávida do Josh.
— Oh amiga... — a loira não parecia surpresa. — Não chora vai. — disse compadecida. — Eu sabia que você se tocaria disso em um momento ou outro, eu nunca confiei naquele teste.
— O que eu vou fazer Sina? — soluçando. — Meus pais vão me matar quando souberem, eu quero morrer.
— Any, eu estou aqui. — apertou a mão dela. — Você não está sozinha nessa amiga. Eu vou te apoiar em tudo o que você precisar.
— Sina... — encarou a amiga. — Eu não quero ter um bebê, eu não quero ser mãe. — negando com a cabeça.
— Com o tempo você mudará de opinião. — ela piscou sorrindo terna.
A cacheada negou com a cabeça.
— Não... — ela enxugou as lagrimas. — Eu quero abortar, quero tirar esse bebê, não quero tê-lo. — olhando para os lados, abraçando o próprio corpo.
Sina arregalou os olhos, vendo a amiga começar a chorar outra vez.
— O que Any? — ela tentou formular a frase. — Abortar?
— Isso... — ela olhou as mãos. — Eu não posso ter um filho, eu não estou preparada pra isso.
— Espera aí Any... — ela sentou-se melhor. — Essa história de abortar é uma loucura! Você tem noção do que está dizendo?
Any a encarou com tristeza.
— Além de você tirar a vida dessa criança, que não tem culpa de nada, você pode ter sérios problemas por isso, aborto não é brincadeira... Isso pode comprometer sua saúde.