Micael O cheiro de pólvora e óleo queimado pairava no ar do depósito clandestino, um armazém de concreto e vigas de aço onde barris de armas e caixas de munição se empilhavam até o teto. As lâmpadas fluorescentes falhavam em iluminar cada canto, projetando sombras móveis nas pilhas de rifles e fuzis ocultos pelos cantos escuros. Era ali que “F.” mantinha seu estoque de contrabando, e era ali que eu — senhor absoluto do Morro — entraria para encerrar a traição de uma vez por todas. Ao meu lado, Rafael ajustava o coldre e olhava para mim com os olhos carregados de culpa e determinação. Por um instante, vi em seu rosto o jovem garoto que trepara nos muros da mansão, anos atrás, em busca de afeto. Mas aquele Rafael fora substituído por um homem forte, fardado, pronto para enfrentar seus fant

