Rafael As vielas do Morro abraçavam-me como mãos apinhadas de ódio. Micael insistira em me exilar naquele labirinto urbano, acreditando que, isolado, eu não representaria mais perigo. Mas “F.” não escolhia refúgio seguro — espalhava seus mercenários na escuridão, e eu logo os vi emergir, silhuetas armadas rompendo a penumbra contra mim. Sem saída, ergui o rádio: — Lívia? — A voz tremia — preciso de você. A resposta veio em quilômetros de segundos: — Estou a caminho. Siga para a praça do beco 7. Confie em mim. As lâmpadas trêmulas piscavam nos postes tortos. Corri pelas paredes crivadas de pichações, o coração martelando no peito, arma em punho. Quatro homens vestidos de preto bloqueavam minha passagem. Disparei no ar e me abaixei; a flecha luminosa de um sinalizador estilhaçou o asf

