Lívia O vento frio no morro espalhava as luzes da favela e da cidade. Acordei com grampos nos pulsos, lembrando de velas e Micael. A noite ficou para trás; era hora de encarar a manhã cinzenta na mansão. Ainda sob o eco das ordens dele, segurei o batom na porta do quarto. "Vista-se." Engoli em seco, peguei o vestido preto e, com dedos trêmulos, fechei o zíper. Metade de mim queria gritar contra a voz autoritária; a outra metade ainda desejava a dominação — uma contradição torturante. Quando finalmente saí do quarto, o corredor estava vazio, as luzes tênues refletindo nos retratos de antepassados de Micael. “Ele é o senhor deste lugar”, eles pareciam dizer, e eu sentia o hálito da história me empurrando a obedecer. Avancei até o salão principal, onde encontrei Araújo e dois guardas com s

