Micael A penumbra das tochas tremeluzia contra as paredes de pedra enquanto eu caminhava pelo corredor principal da mansão, a sensação de cada passo indelével nas solas dos sapatos pretos. O perfume de cera quente e pele humana ainda pairava no ar — lembrança viva de ter marcado a pele de Lívia com a minha possessão absoluta. Fechei os olhos por um instante, revisitando o calor dos gemidos dela, o sabor agridoce do nosso último encontro. Aquela memória, ardente como brasa, coincidia com o pressentimento de que algo fugira ao meu controle. Chegara ali um bilhete anônimo. Encontrara-o sobre o espelho do salão de dominação, cuidadosamente colocado entre meus charutos raros e a lâmina que guardo como um troféu. Abri o envelope selado com pingos de cera rubra e, ao desdobrar o papel, li em li

