Micael O vento noturno no Morro uivava como se a própria favela soubesse o que aconteceria dentro das paredes da mansão. Eu observava Lívia do alto da escada principal, perfil perfeito recortado contra a escuridão pontuada por lanternas penduradas em postes improvisados. Seus ombros se erguiam e desciam num compasso nervoso, o vestido n***o colado ao corpo revelando cada curva — convite e desafio ao mesmo tempo. Era ali, naquele limiar entre o luxo e o submundo, que íamos transbordar limites. — Lívia — chamei, voz firme, mas rouca de expectativa. — Aqui. Ela ergueu o olhar, encontrou o meu, e hesitou. A maré de emoções dançava nos olhos verdes: desejo, medo, curiosidade. Abaixei o queixo e estendi a mão. Cada passo dela ecoava no mármore. Quando alcançou meu corpo, senti o calor que vie

