Capítulo 47

1945 Words
Capítulo 5 Rebeca ficou quieta, se sentindo intimidada, só concordou. Já era de noite, ela tomou banho chorando escondida, pensando em Aisha. Quando saiu do banheiro, a Estela estava deitada, aparentemente dormindo, já tinha desligado a televisão e a luz. Depois de ter amanhecido acordada na noite anterior, Rebeca conseguiu dormir, mas acordou de madrugada agitada chorando, com um pesadelo. Depois disso, ela não dormiu mais. De manhã, quando o despertador da Estela tocou, ela logo levantou, saiu do quarto. Rebeca ficou deitada como se estivesse dormindo. Logo levantou, foi para a cozinha dos empregados e ouviu do corredor a Estela falando dela: — Por favor? Ela é muito estranha, ficou chorando, gemendo, sei lá, falando sozinha, gritando a noite toda. Eu fiquei morrendo de medo. — Já viu a maneira que ela olha pra gente? Parece uma sociopata! Essa garota é perturbada. Não quero dormir mais nenhuma noite com ela! Enquanto Rebeca ouvia escondida, foi se sentindo m*l, querendo chorar. Resolveu voltar para trás. Ao se virar bruscamente, trombou com o Ramon, que estava parado bem atrás dela, em silêncio, fazendo o mesmo que ela, espionando. Ela se assustou, quase caiu. Ele falou baixinho a amparando: — Você não devia ficar ouvindo a conversa dos outros. Ela estava chorando, ficou quieta, abaixou a cabeça e voltou para o quarto. Ele suspirou com pena, foi para a cozinha, falou que o Noah, queria que cuidassem bem da Rebeca, como se fosse uma deles. Estela revirou os olhos, ficou debochando. Logo a Iolanda foi no quarto chamar Rebeca pra conversar. Disse que ia mostrar a casa e passar a lista de tarefas dela. Deu um uniforme igual ao da Estela. Era uma calça preta confortável, uma camiseta lisa também preta e tênis. Quando Rebeca se vestiu, a Estela falou, se maquiando, olhando ela pelo reflexo do espelho: — Vai tomar café logo, o dia vai ser longo hoje. Tem que seguir a nossa rotina. Rebeca foi para a cozinha sozinha, não tinha ninguém lá. A mesa estava arrumada com pães, bolo, suco, leite. Ela pegou só café preto, encostou na pia e ficou olhando para o nada, distraída. O Ramon entrou mexendo no celular. Ela abaixou o olhar, evitando contato visual. Ele falou pra ela: — Cadê seu celular? Ela disse que estava na mochila. Ele falou sério: — E a mochila vai conversar com quem? Em que mundo você vive, menina? Ela o encarou e falou com afronta: — Em um bem diferente do seu, provavelmente. Ele falou bravo: — Se o Noah te deu um celular, é pra carregar junto de você. E atender quando te ligam! Vem, vamos lá fora. Ele foi andando na frente, atravessou o jardim pelos fundos. Foram até o canil, tinham três cachorros presos, dois rottweilers e um Pitbull. Dois estavam agitados, latindo bastante. Ela ficou olhando, reparando na estrutura do canil. Logo o Ramon deu um assobio e os cachorros ficaram quietos. Ele começou a conversar no celular, passou pra ela, era o Noah. Ele perguntou se ela tinha se lembrado de algo. Ela disse que não. Ele respondeu: — Beleza. Tenta fazer as coisas certas, seguir com a vida. A Iolanda vai te manter ocupada, me falaram que você não está comendo. Ela falou sem jeito: — Eu tô tentando. Não vou ser um problema pra você, eu aprendo rápido e não vou falar nada pra ninguém. Não precisa se preocupar! Ele perguntou dos remédios, se ela estava tomando certo. Ela disse que um acabou. Ele respondeu: — Vou pedir para o Ramon comprar. Faz a lista de tudo o que precisa, qualquer coisa mesmo, e entrega pra Iolanda! Vou demorar uns dias pra voltar ainda. — Ae, esquece o que aconteceu, na Arena beleza. Eu nunca quis, nada com você. Entendeu? Ela só disse pensativa: — Aham, tá bom. Ele pediu pra falar com o Ramon, deu algumas instruções. Ela ficou olhando os cachorros, entretida, acabou colocando a mão na grade para acariciar e levou uma mordida da Nora, uma rottweiler. Na hora, ela gritou com o susto, se afastou, sentindo a mão arder, pingando sangue. Ramon correu até ela, segurou na mão pra ver melhor e falou reclamando: — Foi fundo, acho que vai precisar tomar pontos. Nora, você não pode fazer isso, ela é nova aqui. Por que você tinha que ir mexer logo com ela? A Nora está com cria, anda irritada e instável. Rebeca ficou quieta, aguentando a dor calada. Ele a levou para dentro, chamou a Iolanda. Rindo, a Estela falou, olhando a mão de Rebeca: — A Nora fez isso? Que levada, ela só gosta de quem a Kim gosta, sabia? Tá bem feio, que nojo. A Iolanda falou, mandando que era pra Rebeca ir pegar os documentos pra ir no pronto-socorro. Ela falou sem jeito: — Não estão comigo. Acho que não precisa de ponto, só vou tomar remédio, anti-inflamatório. Logo melhora. Iolanda falou: — Leva logo essa menina daqui pra dar um jeito nisso. Aproveita e compra os remédios dela. Já cedo tive que ouvir um monte, como se eu fosse babá da bonitinha. Rebeca ficou quieta, super desconfortável com tanto ataque gratuito. Foi para o quarto pegar as receitas. A Estela foi junto pra ajudar, ficou lendo as receitas, arqueou as sobrancelhas, fez caras e bocas. O Ramon chegou na porta e falou sério: — Está pronta? Rebeca balançou a cabeça que sim. Foram saindo os dois juntos. Ao chegar no carro, ele abriu a porta pra ela, perguntou se ela estava se sentindo m*l, se tinha medo de sangue ou agulhas. Ela balançou a cabeça que não. Ele respondeu a olhando fixamente: — Você está pálida, mais que o normal. Se quiser vomitar, me avise que eu paro o carro. Se vomitar aqui dentro não vai ser bom! Ela respondeu irônica, olhando para a janela: — E o que seria bom vindo de mim nesse lugar? Vai esfregar minha cara no vômito, me fazer comer, deixar eu voltar a pé... Ele falou sério interrompendo: — Não, só vou fazer você limpar. Que tipo de pessoa faz alguém comer o próprio vômito? Está assistindo muita televisão, hein! Ela ficou quieta todo o trajeto. Quando chegaram no pronto-socorro, ele falou que ia esperar no carro. Ela entrou meio perdida. Logo ele foi atrás, chegou na recepção resolvendo tudo, explicando sobre a documentação dela. Ela já foi atendida, tomou alguns pontos. Ao sair com mais uma receita de remédios, falou pra ele que precisava ir na farmácia. Era do outro lado da rua. Ao entrarem, ele foi direto no balcão com as receitas. Ela aproveitou pra dar uma olhada nos corredores, parou pra ler o rótulo de um shampoo. Ele chamou por ela da ponta do corredor, o farmacêutico queria tirar algumas dúvidas. Ela devolveu o shampoo na prateleira e foi lá ver. Nem soube falar nada direito, só disse que tinha problemas para dormir. Enquanto esperavam, ele disse que era pra ela pegar o shampoo e qualquer outra coisa que precisasse, aproveitar que estava lá. Ela foi pegar shampoo, absorvente, lâmina de barbear, desodorante, hidratante corporal, tudo do mais barato. Nem cheirou ou escolheu nada, colocou na cestinha e ficou de canto. Ele chamou uma atendente, foi trocando tudo por marcas melhores. Rebeca ficou esperando no canto. Ele se aproximou com a atendente. Ela falou pra Rebeca: — Você usa máscara matizadora? Quer um condicionador reconstrutor ou mais hidratante? Rebeca falou confusa: — Não sei o que é isso, máscara. E eu não uso condicionador! Foi constrangedor a atendente dizendo com espanto: — Como assim? Precisa usar, para selar as cutículas do fio. O shampoo, ele abre limpando e é necessário o condicionador para fechar. A máscara vai tratar o cabelo. Essa aqui tá na oferta, olha. Se sentindo incomodada, Rebeca sorriu e falou séria: — Eu só uso shampoo. Muito obrigada pela atenção! Desconcertada com ela, a atendente se afastou. Foram para o caixa. Ficou mais de R$600,00. Tinham muitos remédios, alguns mais caros, de uso controlado até. Ela falou para o Ramon quando saíram: — Pra que vou passar algo laranja no meu cabelo se ele já é assim naturalmente? As pessoas sempre acham que é fácil tirar vantagem de gente como eu. Viu como ela me tratou, como se eu fosse idio.ta. Ele falou rindo, percebendo que ela tinha personalidade forte: — E suponho que você não seja id.iota? Ela respondeu séria: — Gosto de achar que sou esperta, é difícil admitir a verdade às vezes. Ele concordou, disse que ia passar em um lugar rápido, mais que era pra ela ficar no carro. Pegaram a rodovia. Ela acabou adormecendo. No pronto-socorro tinha tomado remédios fortes. Após ter mais um pesadelo, acordou assustada, chorando, se sentindo m*l. Ela estava sozinha, fechada no carro. Tirou o cinto de segurança às pressas, tentou abrir a porta, o vidro, não conseguiu. Ela se encolheu chorando, com a cabeça apoiada nos joelhos, sentindo seu coração acelerado, o corpo todo formigando. Logo as portas se destravaram. O Ramon abriu pelo lado do motorista, falou com ela, perguntou o que tinha acontecido. Ela levantou a cabeça, estava perdendo o fôlego de tanto chorar, tendo uma crise de pânico. Ele deu a volta, correu abrir a porta pra ela, tirou ela do carro, ficou um pouco próximo, gritou pra alguém pegar água. Logo uma moça se aproximou. Rebeca tomou a água, se acalmou pouco a pouco, devolveu o copo e agradeceu. A moça se afastou. Ele falou: — Podemos ir? Está melhor? Ela balançou a cabeça que sim, voltou para o carro constrangida, se odiando por estar tão vulnerável, não disse nada o trajeto todo, nem dormiu mais. Chegando de volta à casa, ela entrou calada. Iolanda fez perguntas, o Ramon que respondeu. Rebeca só perguntou o que tinha pra ela fazer. Iolanda falou com estranheza, encarando ela: — Nada não. Com essa mão, nem vai adiantar. Vai para o quarto, andar no jardim, só não mexe em nada. Daqui a pouco vamos almoçar! Ela foi para o quintal se sentindo triste, perdida, encontrou o Ayres vindo do canil. Ele falou brincando: — E aí? Tá doendo? Quer mais uma? Mordida? Ela respondeu séria: — Não foi nada demais. Eles ficam presos? Dá pra entrar lá sozinha? Ele falou confuso: — Dá sim. Ficam quase sempre. Só não põe a mão neles! Ela sorriu, mostrou a mão e disse, indo em direção ao canil: — É, eu já aprendi a lição. Ela foi até lá e falou com a Nora: — Achou que ia me evitar facilmente, né? Sou muito teimosa. Ela andou por lá, sentou perto da Nora, ficou em silêncio, pensando por mais de uma hora, até que a Estela entrou falando: — Achei você, que droga. Tô te procurando há um tempão. Não vai almoçar? Credo, levanta desse chão! Não sei como você tem coragem de ficar aí perto depois do que ela fez. Rebeca falou, levantando: — Você é sempre assim? Acelerada, uma matraca? Estela falou irônica: — É, e você é sempre assim, estranha? Prefere os animais do que as pessoas? Rebeca falou no mesmo tom de voz, irônica: — Às vezes. É que tem muita gente pior que animal. As duas foram entrando. Na cozinha estavam almoçando o Ramon e o Ayres. Rebeca foi beber água. Os dois estavam conversando sobre um filme, debatendo. A Estela entrou na conversa, começou a rir, contrariando o Ramon. Foram interrompidos pela Iolanda, que entrou na cozinha puxando a Estela pelo braço bruscamente, mostrou algo que estava na mão, deu dois tapas no rosto dela, falando muito brava: — O que é isso? Você tem muito o que me explicar!
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