Ramon não contou só uma história qualquer.
Ele escolheu a mais suja.
No meio do vestiário, com vários soldados ouvindo, disse em voz alta:
— Vanessa queria se perder comigo ontem.
— Me chamou lá atrás do ginásio, dizendo que estava pronta.
— Mas eu não sou otario, ela quer um bobo pra assumir o que ja deve tá perdido
Os caras ficaram em silêncio por um segundo…
e então começaram a comentar, meia risada, meia malícia.
— Sério? A princesinha desesperada assim?
— Deve ser fogo no r**o.
— Por isso vive atrás dos mais velhos.
Ramon colocou a mão no peito, como se fosse um santo:
— Eu respeitei. Mandei ela pra casa.
— Mas ela ficou revoltada porque não teve o que queria.
A frase final foi o veneno definitivo:
— Essas meninas mimadas são assim. Quando dizem não, fazem drama.
Lucas estava no corredor quando ouviu dois soldados comentando:
— Ele recusou. O cara foi digno.
— Se fosse outro, teria aproveitado.
Lucas parou na hora.
O sangue gelou.
— Do que vocês estão falando? — ele perguntou, firme.
Os dois engasgaram, mas soltaram:
— Da Vanessa. Ramon disse que ela tentou… e ele não quis.
Lucas sentiu uma raiva tão profunda que precisou respirar fundo para não perder o controle ali mesmo.
Victor apareceu atrás dele:
— Lucas. Não faz besteira.
Mas era tarde.
A expressão de Lucas mudou — não era ciúme.
Era indignação.
Ele sabia que aquilo era mentira.
E das piores.
****
Victor vindo atrás tentando segurar:
— Lucas, escuta—
— Solta, Victor.
Quando entrou no vestiário, todos ficaram em silêncio.
Ramon estava rindo com dois soldados, até ver Lucas parado na porta.
O sorriso morreu.
Lucas chegou perto, tão perto que Ramon teve que levantar o queixo.
— Vou te dar uma chance, Lucas disse, a voz baixa.
— Corrige o que você falou sobre Vanessa.
Ramon tentou disfarçar o nervosismo com arrogância:
— Tá com ciúme? A menina se ofereceu, não é culpa minha.
Foi aí que acabou.
Lucas o empurrou contra os armários, o barulho ecoando no vestiário.
— Você vai repetir isso de novo? — ele rosnou.
Ramon tentou se soltar:
— Tá maluco? Só falei a verdade—
Lucas acertou um soco, direto no rosto — seco, rápido.
Os soldados recuaram na hora.
Ramon caiu de lado, atordoado, mas ainda assim tentou levantar:
Lucas deu mais um golpe — não para machucar demais,
mas para calar a boca dele.
Victor puxou Lucas pelo braço:
— Chega! Já deu!
Lucas respirava pesado, controlando a raiva como se estivesse segurando fogo dentro do peito.
Antes de sair, ele disse:
— “Se você falar o nome dela de novo, eu termino o que comecei.”
Ramon ficou no chão, humilhado.
E o vestiário inteiro sabia a verdade agora.
******
Vanessa estava no pátio, sentada sozinha, ainda tentando engolir a vergonha do dia, quando viu Lucas se aproximando.
Ele não veio devagar.
Veio decidido, com aquela postura que ela reconhecia —
a de quando ele estava no limite.
— Levanta, ele disse.
Ela franziu o cenho.
— Tá falando comigo desse jeito por quê?
Lucas respirou fundo, mas a raiva estava ali, na voz:
— Por que você se meteu com aquele i****a, Vanessa?
Ela ficou rígida.
— Não tem nada a ver com você.
Lucas deu uma risada incrédula, amarga:
— Não tem? Ele espalhou pra todo mundo que você quis se perder com ele.
— Você tem ideia da merda que isso virou?
Vanessa desviou o olhar, defensiva:
— Eu não sabia que ele ia inventar nada.
Lucas deu um passo pra mais perto, olhando direto nos olhos dela:
— Você não pensa. Só provoca, brinca com fogo e acha que nunca vai queimar.
Ela mordeu o lábio, tentando manter o orgulho.
— Eu só estava vivendo minha vida.
— Não, Vanessa, ele rebateu.
— Você estava tentando me atingir. E se colocou em risco.
O silêncio pesou.
Pela primeira vez, Vanessa não tinha resposta rápida.
Lucas continuou, mais baixo, mas ainda firme:
— Você sabe o que teria acontecido se você não conseguisse sair dele ontem ?
Ela engoliu seco.
A lembrança ainda cortava por dentro.
— Eu dei conta, ela sussurrou.
- Você é inconsequente, imatura e não mede as consequências, achou que um namorinho escondido iria da no que ?
- Me deixa , Lucas
- Ótimo!