Distância dói

541 Words
Os dias seguintes foram diferentes de qualquer coisa que Vanessa já tinha vivido com ele. Lucas não sumiu de forma dramática. Ele simplesmente deixou de existir na vida dela. No grupo do condomínio? Só mensagens práticas. No treino? Ele ia mais cedo e saía antes dela chegar. Nos corredores? Ele cumprimentava com um aceno rápido, sem parar, sem olhar. Não havia frieza. Havia ausência — e essa doía muito mais. No dia seguinte, durante o treino, ela entrou esperando ver Lucas no canto como sempre. Mas era outro responsável. Ramon até tentou brincar: — Achei que você vinha só pra ver o chefão. Lucas estava como chefe dos treinos, Aron achou melhor da uma responsabilidade para os irmãos Vanessa forçou um sorriso. — Acho que ele cansou de me ver. Ramon percebeu algo diferente, mas não insistiu. Quando ela terminou e saiu do galpão, encontrou Victor no corredor. — Vanessa. — Oi. Silêncio. Vanessa respirou fundo - Victor, o Lucas.. - Deixe meu irmão sossegado , ele não precisa de mais problemas Vanessa - Eu, eu não queria ser problema - Então cresça, você precisa agir como mulher, não como menina, esses seus joguinho vão acabar em confusão, eu não quero meu irmão metido em confusão por sua causa . Victor virou, e se retirou . ******** Vanessa não aprendeu ,achou que estava no controle. estava saindo com Ramon escondido, feito de mensagens apressadas e encontros em cantos onde ninguém da organização pisava. Ela dizia pra si mesma que era só diversão… uma resposta ao silêncio de Lucas. Mas naquela noite, tudo mudou. Ramon a chamou para encontrar no estacionamento vazio atrás do ginásio, dizendo que queria conversar. Vanessa foi — irritada, mas curiosa. Quando chegou, ele já estava encostado no carro, sorriso torto, cheiro forte de álcool. — Você tá bêbado, o que quer Ramon? Ramon riu baixo, aproximando-se mais do que antes. — Para de fazer difícil, Vanessa. Agora você é minha, né? Ela revirou os olhos: — Eu não sou de ninguém. Se tá achando isso, tá muito enganado. Ele segurou seu braço com força — não o suficiente para machucar de imediato, mas o bastante para alarmá-la. — Para, Ramon. Solta. Mas ele tentou puxá-la para perto, a boca forçando um beijo que ela não queria. Vanessa congelou por um segundo — não de fraqueza, mas de choque. Então reagiu. — EU DISSE NÃO! Ela o empurrou com força, quase fazendo-o bater no carro. O coração disparado, as mãos tremendo — pela primeira vez, Vanessa sentiu medo de verdade. Ramon ficou vermelho, o ego ferido: — Tá se achando demais só porque aqueles caras lá te olham? Ela deu um passo para trás, pronta para correr. — Se você encostar em mim de novo, eu juro que te mato! E saiu dali, sem olhar para trás, respirando como se não houvesse ar suficiente no mundo. Quando finalmente entrou em casa, trancou a porta do quarto e deslizou até o chão. Vanessa — a debochada, a corajosa, a que ri de tudo — estava em silêncio. Não chorou. Mas aquela noite matou algo dentro dela: não era só sobre Lucas… era sobre ela ter passado do limite sem perceber. E pela primeira vez, sentiu vergonha de si mesma.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD