Ivan e Lara

1237 Words
Ela ainda se lembrava do dia em que se casou, sem festas, sem documentos, apenas um acordo que não podia descumprir, nem mesmo uma aliança. Nada a prendia a Muralha a não ser o medo da morte. Um medo tão irracional quanto aquela loucura. Em um mundo de mulheres livres ela foi obrigada a se casar contra a sua vontade pela segunda vez. A mão forte a arrastando pelo pátio como se ela fosse uma criminosa deixou as digitais da mão áspera de Muralha gravadas em sua pele, nenhuma ajuda, apenas o silêncio de algumas pessoas e o riso de outras. Seu pecado? Acreditar... Havia regras para viver ali, os homens recebiam seus salários, as mulheres? NADA e ela ainda ouviu algumas vezes que deveria ser grata por isso, afinal, era uma viúva, o ex-marido, para a felicidade dela, estava morto, ainda assim ela recebeu casa, comida, abrigo e segurança. Sonhava em ser médica, era fascinada pela profissão, aprendeu muito sobre química com Lobo, o médico da organização e que a contratou como enfermeira. Teve outros relacionamentos, namoros fugazes, mas o nome que permeava seus pensamentos, o homem que a fazia pensar que talvez ser uma mulher doce era Marco, o contador da organização, amigo da família de Ivan e casado com Ayla, uma israelense que havia sido resgatada de solo espanhol. Chorou sozinha quando Marco morreu, escondida, não recebeu nenhum abraço, ninguém se preocupou com ela, nem mesmo podia demonstrar tristeza, o homem de vulgo espanhol jamais olhou para ela, durante todos os anos em que viveram praticamente como vizinhos, devem ter trocado no máximo duas ou três frases. Ivan deveria ter sido sua tábua de salvação, imaginava que se conseguisse estar com ele, ganhar a sua atenção, por mais que não o amasse seria respeitada, poderia estudar, não se importava de ser a baba das filhas do chefe, de servi-lo na cama, aliás já tinha tido a oportunidade de ver o homem sem roupa e gostava bastante do que via. Lara não era uma mulher assustada, sabia o que queria e estava disposta a fazer o que precisasse para conseguir, mas não calculou um detalhe, algo que ela desconhecia e por isso ignorou. O amor... Ivan era doente pela esposa, a separação destruiu a ambos, ainda assim, o que os separou foi tão forte que o homem simplesmente não conseguia recuperar a família, estava em casa, dividia o teto com Sara, mas olhar para ela era uma tortura que ele aliviava com álcool. A primeira vez que ela tentou ultrapassar o café amargo e as longas conversas Ivan falou por horas sobre o que sentia por Sara. - Você me beijou e por mais que diga que não sabia, eu sei que gostou. - Lara, drogα, até seu nome me lembra ela. Eu amo a minha mulher, amo quem ela é, o jeito birrento, como fica manhosa nos meus braços quando a gente faz amor, o rostinho bravo quando alguém mexe com o que é dela. - Então por que está aqui e não lá? - Já quis esquecer alguém sem conseguir? Eu não quero sentir o que eu sinto por ela, queria ser um pouco como antes, simplesmente entrar aqui e te levar pra cama, mas eu não consigo. Naquela noite ele ficou até tarde, mas acabou voltando para casa, Lara precisava que ele a visse de outra forma, que confiasse, precisava ganhar a confiança do chefe, a amizade, ter autorização para sair, queria estudar, poder morar fora daquele lugar, longe daquelas pessoas, mas assim como na Tríade, entrar era como vender a alma, não tinha como desistir. A não ser que tivesse a benção da Fera. Não se envergonhava de usar a carência dele e a beleza que ela sabia ter, pensava que como qualquer homem acabaria cedendo. Ivan abriu a porta do escritório com pressa, o cheiro de Vodka invadiu o ambiente, ele sabia que a esposa estava lá, sempre estava, esperando por ele apesar de qualquer coisa e todas as vezes que ela se rebaixava ele tinha mais raiva, todas as vezes que se lembrava das lutas que ela enfrentou por ele, de quão guerreira Sara podia ser para defender aquele casamento, mas não tinha sido assim com a filha. Mel... a primeira filha do casal, a garota que Ivan costumava chamar de Pureza, foi violentada aos treze anos de idade enquanto o chefe estava em missão, a mulher nem sequer percebeu o que tinha acontecido com a menina, não foi ela a levar Mel ao hospital, ao contrário, Sara havia incentivado aquele namoro, achava que Jin era um pretendente a altura da filha, um rapaz de 19 anos, herdeiro da Tríade e com uma história de dor e abusos que o fizeram o psicopata que se tornou. Ivan entrou no escritório e tudo o que viu foi o corpo pequeno da esposa, estava deitada em uma poltrona. Era realmente pequena. - Pequena! Ela o olhou esperando que o marido a mandasse embora, tinha se encolhido na poltrona de Ivan porque ali o sentia mais perto, o cheiro dele parecia estar em cada fibra daquele tecido. Escorregou para fora da poltrona e perguntou com a voz triste. - Quer água? Foi puxada para um beijo que feriu a boca da mulher, a camisola erguida sem muito cuidado, a calcinha afastada, e ele entrou a fazendo perder a noção de onde estavam, das brigas, de todas as vezes que ele simplesmente não voltou para casa. Sara gemeu agarrada a ele, foi posta sobre a mesa do escritório e a invasão foi ainda mais forte, as estocadas rápidas, a mão grande do marido apertava o sеїo da mulher com força, beliscou o mαmilo, a dor e o desejo, a respiração pesada de Ivan, tudo a excitοŭ mas antes que pudesse alcançar o prazer ele se satisfez dentro da mulher e saiu, limpou o próprio mеmbrο com a camiseta e jogou a roupa no chão. Ergueu novamente a cueca e a bermuda de uma única vez. - Quando sair fecha a porta, não precisa arrumar nada. Pegou a garrafa de Vodka, bebeu no gargalo, aquela noite ele andou até cair bêbado no meio da mata e dormir. Lara viu quando o chefe saiu de casa, gostou de saber que ele não tinha ficado com a esposa, pensou que ao menos as duas tinhas sido rejeitadas na cama do capô. O que ela não sabia era que apesar do chefe estar longe de Sara, de ter deixado a esposa chorando seminua sobre uma mesa fria, era ela quem comandava o coração da Fera. Aquilo se repetiu muitas e muitas vezes, mas no final, Ivan ia para casa, se satisfazia com a mulher que amava e dormia bêbado na cama de Lara. A viúva tentou de tudo para alcançar o coração de Ivan, chegou a aproveitar uma ereção dele no meio da madrugada, mexeu, lambeu, chupou, realmente gostava do que via, mas assim que Ivan acordou foi repreendida. - Que porrα é essa? Parece a merda de um bezerro querendo leite, vai se fοdеr mina! Já disse que se fizer essas merdαs vou te casar com o pior soldado que aparecer. Quer ser minha putα, não quer? Precisa de dinheiro e liberdade, eu de um lugar para dormir e alguém para conversar. Aceita a troca e fica de boa, não vou te comer, cαrαlho! Está viçando bate uma, sai com um dos soldados, mas me erra!
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