Perdeu!

1240 Words
Peguei o celular pra ligar, e o barulho dos toques no ouvido só aumentava minha ansiedade. Nada. Nenhuma resposta. Foi quando ouvi passos pesados no concreto. Levantei os olhos e me deparei com uma cena que fez meu sangue gelar. — Perdeu, desgraçado! — um dos caras gritou, já com a pistola apontada pra mim. Quatro deles vinham na minha direção, armas em punho, sorrisos cínicos no rosto. Meu coração disparou, mas eu sabia que se mostrasse medo, seria f**o demais. — Mão na cabeça, o****o! E joga essa p***a de celular no chão, vai! — ordenou outro, um n***o alto com os olhos frios. Respirei fundo, sem tempo pra pensar, e joguei o celular no chão. Levantei as mãos devagar, tentando mostrar que não ia reagir. — Tranquilo, parceiro. Não precisa disso, tô suave. Vamos resolver no papo. — falei, tentando manter a calma, mas minha voz saiu mais tensa do que eu queria. — Resolver no papo? Tá achando que é quem, maluco? — respondeu o n***o, me empurrando com o cano da pistola até que eu quase perdesse o equilíbrio. Enquanto um deles me revistava, senti minha arma sendo tirada da cintura. — Tá achando que ia pro nosso território armado, é? Vacilão! — zombou o mais baixo, mostrando o ferro que tinha tirado de mim. Os caras me puxaram pelo braço e me arrastaram até um carro preto estacionado a poucos metros dali. Quando abriram a porta traseira, a visão que eu tive me fez perder o ar. — Criolo, caralho... que p***a é essa? — perguntei, a voz saindo rouca, uma mistura de choque e raiva. Antes que ele respondesse, senti um impacto violento no estômago. Um dos caras, alto e com uma expressão sádica, havia me acertado com um soco direto que me arrancou o fôlego. Me dobrei automaticamente, segurando a barriga enquanto tentava puxar ar, mas era como se meus pulmões tivessem travado. Minha visão ficou turva por alguns segundos, e as vozes ao redor pareciam distantes. — Aqui quem faz as perguntas somos nós. — o sujeito disse, se aproximando devagar, com os punhos cerrados e um sorriso que fazia o estômago revirar mais ainda. Fui jogado no banco de trás, os braços amarrados com fita de nylon que cortava minha pele. O cheiro dentro do carro era insuportável: sangue, suor e desespero. Criolo tentou levantar o rosto, mas tava tão fraco que m*l conseguia abrir a boca. — Mano... eu... eu não tive escolha... — sussurrou ele, com a voz falhando. — Os caras me pegaram antes de eu conseguir avisar... eles descobriram tudo. — Agora nós tá fodido. — retruquei, tentando não deixar o medo transparecer, mas por dentro eu já sabia: a situação era crítica. O motorista bateu a porta e ligou o carro, enquanto outro cara se sentou na frente, rindo como se tivesse ganhado na loteria. — Cês dois vão dar uma volta com a gente. O Playboy tá doido pra trocar umas ideias contigo, chefão do Vidigal. Vamos ver se tu é tão brabo quanto dizem por aí, ou se não passa de um o****o cheio de pose. Fiquei em silêncio, analisando cada detalhe. O peso das armas, o jeito dos caras, o trajeto do carro. Tava claro que eles tinham preparado aquilo há dias. Minha mente trabalhava rápido, buscando qualquer brecha, qualquer forma de virar o jogo. Mas por enquanto, tudo que eu podia fazer era esperar. Eu tava indo direto pro ninho do inimigo, e só restava descobrir como sair de lá vivo. Quando o carro parou de sopetão na viela, eu já sabia que o desfecho seria c***l. Jogaram eu e o Criolo caiu pra fora como lixo, nossos corpos batendo no chão duro de concreto. Amarraram nossos braços pra trás e nos colocaram de joelhos, ao lado de Nino filho de Criolo e da Suze, mulher dele. Nino tremia como se o próprio ar fosse pesado demais pra ele respirar, e Suze gritava, chorando, cada palavra um apelo desesperado. — Pelo amor de Deus! — ela soluçava, os olhos inchados de tanto chorar. — Meu marido pode ter errado, mas eu e meu filho não temos nada a ver com isso! Pelo amor de Deus, nos deixa ir! Os risos dos homens do Playboy eram secos, sem nenhuma compaixão. Eles mexiam nas armas, giravam os revólveres nos dedos como se fossem brinquedos. Um deles até imitou a voz da Suze, debochando. — “Meu filho, meu filho...” — ele zombou, arrancando mais risadas. O Criolo, nem conseguia levantar o olhar, estava pálido, mas tinha aquele brilho nos olhos, uma mistura de raiva e arrependimento. Ele sabia que não tinha escapatória, e o pior de tudo é que eu também sabia. Foi aí que ele apareceu. Playboy. Chegou devagar, como quem já venceu a batalha antes mesmo de começar. Vestia uma camisa cara, a corrente grossa pendendo no pescoço, e aquele sorriso desgraçado estampado no rosto. Não tinha pressa. Cada passo dele parecia carregado de poder. — Então... — ele começou, parando na nossa frente e olhando diretamente pra mim. — Tu achou que podia se esconder de mim pra sempre, né, seu verme? Sem aviso, ele me acertou um soco. O impacto foi tão forte que senti o gosto de ferro invadindo minha boca. Cuspi no chão, sangue misturado com saliva, e olhei pra ele com desprezo. — Tu demorou pra me encontrar, Playboy. Achei que já tinha me largado pra lá — soltei em provocação. Ele riu, uma risada baixa e debochada. — Demorei, mas te achei. Agora tu vai direto pro inferno, desgraçado. Mas não antes eu dar uma lição nesses dois traidor aqui. — ele apontou a pistola engatilhada pro Criolo e pro Nino. Suze berrou, se debatendo, enquanto Criolo chorava miado, parecendo que já sentia a morte encostando nele. — Não! Pelo amor de Deus, cê não precisa fazer isso! — ela gritou, os olhos vermelhos de tanto pavor. Playboy nem piscava. Pra ele, aquele terror todo era só rotina. Ele tava ali pra mostrar quem mandava, pra deixar bem claro que ninguém fazia m***a e saía impune. Ele cutucou a testa do Criolo com o cano da arma e mandou: — E aí, seu verme… quem morre primeiro? Tu ou teu moleque? Criolo começou a chorar de verdade, um soluço f**o, desesperado. Tentou balbuciar alguma coisa, mas a língua tava travada de medo. — Hein?! Escolhe logo, c*****o! — Playboy deu um safanão na cara dele com a arma, fazendo sangue escorrer do canto da boca. Criolo só balançava a cabeça, os olhos implorando uma piedade que não viria. — Não vai falar nada, né? Beleza. O primeiro disparo veio seco, sem aviso. O projétil rasgou o ombro do Criolo, fazendo ele tombar pro lado, enquanto gritava de dor. O eco do tiro ainda rodava na rua quando veio o segundo, dessa vez no peito. O Criolo deu um espasmo, o corpo dele já desistindo. O terceiro tiro foi direto na cabeça. A explosão de sangue e miolo respingou no chão rachado. O corpo caiu pesado, inerte, batendo seco no asfalto igual saco de entulho jogado de caminhão. — Nããão! Meu Deus, não! — Suze se jogou no chão sobre o marido, o corpo tremendo de tanto chorar. O silêncio que se seguiu foi sufocante. O cheiro de pólvora e ferro enchia o ar, misturado com o choro preso de Nino, que tremia todo ao lado.
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