CAPÍTULO 30 — CECÍLIA NARRANDO Eu tentei continuar minha manhã normalmente depois da conversa com Gregório, mas era impossível fingir que estava tudo bem. Meu pai estava no Rio. Não em algum lugar distante, não apenas mandando pessoas atrás de mim, não apenas tentando descobrir onde eu estava. Ele estava na mesma cidade que eu. A informação parecia pequena quando dita em voz alta, mas dentro de mim causava um estrago enorme. Eu conhecia meu pai. Conhecia o poder que ele tinha, as pessoas que obedeciam às ordens dele e, principalmente, conhecia o quanto ele era incapaz de aceitar que alguém dissesse não. Durante vinte anos, eu tinha aprendido a antecipar o humor dele apenas pelo jeito como fechava uma porta ou colocava um copo sobre a mesa. Agora ele estava atrás de mim. E eu não conseguia

