CAPÍTULO 16 — GABI NARRANDO Eu comecei a perceber que Cecília estava mudando de verdade. Não era uma mudança enorme, daquelas que acontecem de um dia para o outro. Era pequena, quase escondida nos detalhes. Ela já não andava pela casa olhando para todos os lados como se estivesse esperando alguém aparecer para mandá-la embora. Já não pedia desculpa por entrar em um cômodo. Já não perguntava se podia pegar água, sentar no sofá ou abrir a geladeira. Aos poucos, aquela garota que tinha chegado à minha casa assustada estava começando a entender que ali ninguém ia gritar porque ela escolheu uma roupa diferente ou porque queria sair para conversar com uma amiga. Naquela manhã, acordei cedo e encontrei Cecília na cozinha, sentada na bancada, tomando café enquanto mexia no celular. Quando ela me

