CAPÍTULO 14 — CECÍLIA NARRANDO Eu acordei com uma sensação que não reconheci de imediato. Por alguns segundos, fiquei olhando para o teto, tentando lembrar onde estava. Então a memória voltou de uma vez. A casa de Gregório. A Maré. Gabi. O baile. A música alta. As luzes. A sensação de estar dançando sem precisar pensar no que meu pai acharia. Sorri sozinha. Pela primeira vez em muitos anos, eu tinha feito alguma coisa simplesmente porque queria. Eu tinha dançado. Tinha rido. Tinha usado uma roupa que escolhi. Tinha passado algumas horas sem sentir que alguém estava controlando cada movimento meu. E, apesar de tudo que tinha acontecido depois, aquela lembrança ainda me fazia sorrir. Levantei-me e fui até o espelho. Meu cabelo estava completamente bagunçado, e eu parecia cansada, mas havia

