KIRA 04 - EU E VOCÊ CONTRA 100

1176 Words
Senti um puxão no meu braço. Eu estava tão desprevenida que fui arrastada como uma boneca de pano. — Me ajude a empurrar essas duas colunas de beliches. — O homem de antes ordenou. — Rápido! Fiquei um bom tempo parada sem entender. — Anda logo, p***a! — O homem ordenou novamente. — Empurra a beliche! Olhei para trás e vi todos distraídos indo checar o banheiro, ou olhando o botão vermelho, ou até mesmo igual uns idiotas olhando o placar ou as câmeras. Quando o vi tentando juntar as duas colunas de beliches mais altas, corri e fui ajudar. Coloquei tanta força que senti minha visão escurecer. — Desparafusa a escada da outra beliche! — Ele ordenou novamente. Quando eu parava para pensar o porquê de eu estar obedecendo as ordens de um homem que eu m*l conhecia ele gritava "Rápido, c*****o!" e o seu grito me assustava, me fazendo o obedecer no automático. Ele desparafusou a parte debaixo da escada e a cada parafuso que ele encontrava ele desparafusava com os dedos. Entendi o que era para fazer e fiz o mesmo. Fiquei impressionada o quanto os parafusos estavam frouxos, quando chegamos lá em cima restou dois parafusos apenas. Eram dois parafusos de cada lado da escada em cada cama. — Pronto! — O homem falou quando eu subi e sentei na cama colada ao seu lado. — Retire os últimos parafusos dessa daí, já tirei dessa daqui. — Ele ordenou mais calmo. Eu pelo contrário, estava á um passo de surtar. — O que? Você é i****a? Como vamos descer depois? — Eu praticamente gritei. — Se não podemos descer, ninguém também não pode subir. Burra. — Ele afirmou enquanto colocava a escada em cima da cama. Se aproximou da minha e retirou os parafusos da outra também colocando as duas escadas em cima da cama. Posicionou a escada abaixo do pé e chutou várias vezes até o degrau de ferro sair. Chutou outra vez e tirou outro degrau. Afastou as escadas para o cantinho da cama. Estávamos em um tipo de plataforma lá em cima enquanto os outros estavam lá embaixo. — Toma. — Me entregou um degrau e segurou o outro. — Para quê? — Questionei segurando o degrau. — Para nós lutarmos, acho qu... Como eu não tinha a menor chance contra esse homem, não o deixei terminar de falar e bati o degrau diversas vezes na cabeça dele com força para que eu tivesse alguma chance. O degrau de ferro oco, fazia barulhos altos. — Para! — Ele gritou. Tentou me segurar mas não conseguiu, então colocou os braços na frente do rosto e me empurrou para o lado sentando em cima de mim e segurando meus braços. — Não é para lutarmos nós dois entre si, é para lutarmos com os treineiros que estão lá embaixo, eu e você... Como uma dupla. — Ele gritou. Ai meu Deus... Ele estava querendo fazer uma dupla comigo para não ficarmos sozinhos e eu achei que ele queria me eliminar... — Ah... — Foi a única coisa que eu consegui falar quando ele saiu de cima de mim. — Merda... — Ele murmurou enquanto tocava o pouco sangue que escorria da sua testa com os dedos. — Desculpa por favor, eu me assustei! — Repeti diversas vezes. — Me deixe te ajudar. Me aproximei dele olhando o ferimento na cabeça dele. Tirei o casaco que estava amarrado em minha cintura, segurei a manga dele e coloquei em cima do seu ferimento. — Pronto, fique pressionando. O machucado é pequeno. Jajá para de sangrar. — Expliquei. Eu fiquei quieta e um pouco envergonhada. Fiquei observando as pessoas lá embaixo que conversavam e se deitavam no chão em conjunto. — Por que subimos aqui em cima? As pessoas estão calmas lá embaixo, devíamos nos juntar e não ficar só nós dois aqui isolados. — Falei. — Estão assim porque é o primeiro dia. — Ele falou também olhando lá para baixo. — Como você sabe? — Já passei por isso antes, acredite em mim quando digo que quando 100 pessoas convivem juntas em um lugar isolado, sem comida e sem água não dá certo. — Ele disse simples. — Você já passou por esse treinamento antes? — Questionei curiosa e confusa se eu realmente havia entendido certo. — Já perdi as contas de quantas vezes já passei por aqui. — Ele falou rasgando a manga do meu casaco e a dobrando. — Ei, e se eu precisar dele? — Pensasse nisso antes de tentar me matar. — Ele ironizou enquanto dobrava o tecido e pressionava em sua testa. — Eles dão roupas novas sempre que saímos de um treino, então relaxa. Até porque não tem como ficar com as roupas inteiras até o final dos treinos. — Por que você já participou desse treinamento tantas vezes? — Porque eu quero. — Ele respondeu rude. Olhei para baixo e eles nem nos vêem, pelo menos ainda não nos viram aqui em cima, até porque é bem alto. — Quantos metros essa beliche tem mais ou menos de altura? Uns 3 metros será? — Quebrei o silêncio. — Tem 4 metros de altura. — Ele falou calmo. — Estamos a quatro metros do chão!? — Foi o que eu disse não é? — Ele respondeu rude novamente como se eu fosse irritante. Por que ele me escolheu? Esses outros homens fortões ajudariam muito mais, devem ser muito mais espertos, inteligentes e fortes. — Por que me escolheu? Os outros homens lá embaixo são todos bem mais escolhiveis para fazer dupla. — Justamente por isso. Quando a situação apertasse eles tentariam me matar para o placar chegar em 50 mais rápido, como você é mosca morta eu poderia facilmente te jogar daqui de cima se você tentasse. — Ele falou simples sorrindo de lado. Minha expressão ficou tensa e então resolvi me calar. Mas eu tenho tantas perguntas. — Vamos ficar aqui por quanto tempo? — Até o placar chegar em 50. — Ele ironizou e eu o olhei incrédula. — Falei sério. — E se precisarmos usar o banheiro? — Esperamos até a madrugada quando todos estiverem dormindo e vamos juntos, um fica na porta de guarda enquanto o outro volta. — E se for eu esperando? Não sei lutar. — Questionei. — Aí eu vou estar lá dentro preparado para quando entrarem. — E eu vou dar a minha vida por você? — O olhei incrédula. — Eu estou ajudando você, e você não tem nenhuma chance sem mim. Então é o mínimo que você pode fazer. Fiquei calada. Ele realmente tem razão. — E se alguém tentar subir aqui? — Aí você faz o que sabe fazer de melhor, bata na cabeça da pessoa com o degrau da escada. — Ele piscou irônico para mim. — Estamos no alto, então temos vantagens. Tenho inveja dele, ele é muito esperto e todos os seus movimentos são calculados. Não sei se fico feliz em estar em dupla com alguém assim ou se fico com medo.
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