Capítulo 31 — A Festa da Comunidade Luísa narrando Eu nunca imaginei que voltaria a ouvir música sem sentir culpa. Depois que meu pai morreu, parecia errado sorrir. Errado rir. Errado viver. Como se qualquer momento de felicidade significasse que eu estava esquecendo dele. E eu nunca quis esquecê-lo. Era sábado de manhã quando Dona Célia entrou no meu quarto sem esconder a animação. — Anda, menina! Abri os olhos ainda sonolenta. — O que aconteceu? Ela abriu as cortinas. A luz do sol invadiu o quarto. — Hoje é dia da Festa Solidária. Sentei na cama. — Festa? Ela sorriu. — Todo mês a comunidade faz uma. Quem pode ajuda com alimento, roupa ou brinquedo. Depois a gente faz almoço pra todo mundo. As crianças brincam. Tem música. Tem apresentação. Tem bingo. Olhei curios

