A chuva batia fraca contra os vidros da janela, criando uma melodia triste no fim da tarde. Eleonora estava sentada no sofá de leitura, em seu novo quarto ainda decorado com toques rosa demais para Dom e ousados demais para qualquer outra esposa tradicional. Mas ela não era tradicional. E muito menos cega.
Desde o café da manhã, havia algo no ar.
Algo no jeito como Bela a olhava quando achava que ninguém estava vendo.
Algo no modo como Dom evitava cruzar o olhar com a camareira, e como suas mãos se fechavam discretamente ao escutar a voz dela ecoar nos corredores.
“Por que uma ex ficaria aqui?”, ela se perguntava pela centésima vez, roendo uma das unhas pintadas. “Por que alguém que, nitidamente, já teve algo com Dom, está sob o mesmo teto que a esposa contratual dele?”
Ela se levantou, inquieta, cruzou o quarto e encarou seu reflexo no espelho.
— Eu não sou burra — disse em voz baixa, como se reafirmar isso fosse necessário para manter-se firme.
Ela era jovem, sim. Inexperiente em muitas coisas, também.
Mas não ingênua a ponto de ignorar o jogo que se desenhava diante dos seus olhos.
Havia um motivo para aquela mulher estar ali. E não era só trabalho.
Por que Dom, tão controlador, tão obsessivamente cuidadoso com sua imagem, teria permitido a presença de uma ex-romance sob o mesmo teto da sua esposa — ainda mais em um casamento de fachada prestes a cair no gosto da mídia?
“É culpa. É desejo. Ou é chantagem”, pensou, sentindo um nó crescer no peito.
Desceu até a biblioteca da casa. Dom não estava por perto. Sabia que ele passaria o fim da tarde em reuniões políticas, como sempre.
Abriu um dos cadernos de anotações onde vinha escrevendo seus próprios registros e riscos sobre os acontecimentos desde o casamento.
E ali, escreveu uma única linha com força, como se fosse um aviso:
“Ninguém esconde uma mulher assim por nada.”
Ela agora precisava de provas.
E, mais do que isso, precisava entender o quanto Dom estava disposto a esconder de verdade.
Porque talvez… ela não fosse apenas a esposa por contrato.
Talvez, fosse a única ameaça real à verdade que ele tanto tentava enterrar.
A noite caía sobre a mansão, lançando sombras longas e silenciosas pelos corredores impecáveis. Eleonora terminou o banho, enrolada na toalha, quando ouviu a porta do quarto se abrir com um leve ranger.
Dom entrou, tirando cuidadosamente o terno, o olhar pesado de preocupação ainda preso em seus olhos, misturado com aquela faísca de desejo contido que só Eleonora conhecia bem.
Ela sorriu, um sorriso diferente — suave, provocante, inesperado.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ela se aproximou, mãos delicadas deslizando para trás do pescoço dele, puxando-o para um beijo quente, quase urgente.
— Se quiser, pode tomar banho de novo — murmurou no ouvido dele, a voz sedutora e cheia de uma confiança que parecia quase nova. — Eu posso acompanhar.
Dom recuou por um instante, os olhos arregalados, confuso.
Como podia aquilo estar acontecendo?
Aquela mulher que ontem queria distância, que fazia discursos frios sobre contratos e limites, agora estava ali, tão próxima, tão entregue… tão fogosa.
Eleonora, tão decidida a ser só a esposa por contrato, parecia se transformar numa amante ardente de repente.
Ele a observou, tentando decifrar cada mudança no olhar dela, mas já sentia o corpo responder, o desejo crescer.
O jogo tinha mudado — e nenhum dos dois sabia exatamente quem sairia ganhando dessa vez.
Eles seguiram juntos para o chuveiro, a água quente escorrendo pelo corpo de ambos, misturando seus suspiros e toques nervosos. As mãos de Dom exploravam a pele úmida de Eleonora, deslizando com firmeza e urgência, enquanto ela se entregava, sentindo o calor dele crescer contra o seu corpo.
Os beijos no pescoço dele eram suaves, mas carregavam uma promessa — uma fome reprimida que explodia naquele instante. Dom a segurou pela cintura, pressionando-a contra si, sentindo o contorno do corpo dela tão real e desejado.
A água deslizava sobre seus corpos como se os lavasse do peso das tensões anteriores, abrindo caminho para uma entrega sincera e ardente.
Quando saíram do banho, ainda entrelaçados, os lábios se encontraram novamente, mas agora com uma urgência que os levou direto para a cama.
Eleonora se deitou lentamente, os olhos fixos nos dele, que já não podia esconder a voracidade do desejo. As mãos dele exploravam cada curva, cada contorno, enquanto seus corpos se encaixavam perfeitamente.
Sem hesitação, sem ensaios, Dom a penetrou, e o mundo ao redor pareceu desaparecer.
Os suspiros se tornaram gemidos, os corpos se mexiam em uma dança intensa e quase selvagem, marcada por toques que queimavam e carícias que ardiam.
Eles não precisavam de palavras — apenas da entrega crua, do desejo que explodia em cada movimento.
Eleonora sentia o controle escapando, mas gostava disso. Gostava de sentir Dom tão próximo, tão vulnerável e feroz ao mesmo tempo.
O tempo passou rápido, envolto naquela paixão que consumia tudo, até que ambos, exaustos e ofegantes, se acomodaram, deixando que o silêncio da noite selasse aquele momento inesperado.
Deitada, com o corpo ainda quente e a mente a mil, Eleonora sentia um misto de confusão e apreensão. “Eu consumei meu casamento…” pensava, surpresa com a intensidade do que havia acontecido — não era nada do que ela planejava para agora, muito menos sem controle.
Mas, mais forte que a surpresa, vinha o pensamento inquietante sobre aquela mulher — Bela, a ex de Dom que reaparecera de repente naquela casa. A revelação mexia com ela de um jeito que não conseguia ignorar. O que aquele passado significava para o presente? E, principalmente, para o futuro deles?
“Será que ela ainda tem algum poder sobre ele? Será que esse casamento é realmente seguro para mim?” O medo silencioso de ser apenas mais um capítulo na vida dele crescia no seu peito.
E, por mais que tentasse se convencer do contrário, a verdade era clara: seu casamento era muito mais complicado e perigoso do que ela imaginava.
Apesar do turbilhão de pensamentos e da apreensão que insistia em rondar sua mente, Eleonora não podia negar o quanto aquele momento havia sido bom. Muito bom — mais do que esperava sentir, mais do que seu corpo já havia experimentado. E, por mais que sua razão tentasse dominar, o desejo falava mais alto.
Ela pegou as mãos de Dom com firmeza e as guiou até seus s***s, sentindo-o responder imediatamente. Ele os chupou com uma urgência quase voraz, como se estivesse saboreando algo raro e precioso. O som baixo e rouco que ele soltava fazia seu corpo se arrepiar ainda mais.
Sem hesitar, Eleonora subiu sobre ele, sentindo o calor da pele dele contra a sua, o peso dele sustentando seu corpo enquanto ela cavalgava com ritmo forte e decidido. O quarto se encheu de gemidos e suspiros, a paixão consumindo cada segundo, cada toque, cada olhar.
Naquele momento, o mundo externo — os contratos, os segredos, as ameaças — parecia distante demais para importar.
Eleonora sentia cada movimento de Dom como uma chama que queimava por dentro. Seu corpo respondia a cada toque, cada puxada de cabelo, cada suspiro rouco que escapava da boca dele. O ritmo acelerava, a conexão entre eles se tornando quase elétrica, como se ambos estivessem se encontrando pela primeira vez e pela última ao mesmo tempo.
Dom segurava firme os quadris dela, guiando-a com uma força controlada, enquanto seus olhos não perdiam o brilho selvagem da posse. Ela sentia o coração dele disparar contra o seu, o calor crescendo até o limite.
— Você é minha — ele murmurou contra o pescoço dela, a voz carregada de promessa e desejo.
Eleonora arqueou o corpo, sentindo o ápice se aproximar, misturando prazer e adrenalina. Tudo parecia tão intenso, tão urgente. Ela queria se entregar completamente, deixar para trás o medo, as dúvidas, o contrato.
Quando finalmente alcançaram o clímax juntos, o mundo desabou em silêncio por um instante, só com o som das respirações ofegantes e corpos suados entrelaçados.
Depois, Eleonora se acomodou contra ele, sentindo uma estranha mistura de calma e inquietação.
Sabia que aquela noite mudaria tudo — para sempre.
Eleonora, exausta e ainda sentindo as ondas de prazer que a consumiram, pediu com a voz rouca:
— Me traz um pouco de água?
Dom assentiu, deslizou da cama e saiu do quarto em silêncio, deixando-a deitada, ainda quente e ofegante. Ele desceu para a cozinha, os pensamentos ainda vagando pelo corpo dela, quando de repente foi surpreendido.
Antes que pudesse reagir, sentiu os lábios de Bela pressionarem os seus num beijo inesperado, urgente e cheio de fogo. Ela o puxou para dentro da dispensa, fechando a porta atrás deles com um estalo que ecoou no silêncio da mansão.
O coração de Dom disparou, dividido entre a culpa que já o apertava no peito e a tentação que aquela mulher ainda representava.
— Bela… — murmurou ele, a voz rouca e confusa.
Mas ela só o apertou contra a parede, deixando claro que não estava disposta a deixar aquela oportunidade escapar.
Dom se afastou de Bela com firmeza, olhando nos olhos dela com uma mistura de cansaço e decisão.
— Acabei de f********r com minha esposa — disse ele, a voz baixa, mas carregada de sinceridade e limite.
Bela recuou um passo, surpresa com a determinação dele, mas a tristeza brilhava em seu olhar.
— Então não há mais espaço pra mim? — perguntou, quase sussurrando.
Dom respirou fundo, tentando controlar o turbilhão de emoções.
— Não agora. Não assim. Eu preciso resolver o que tenho aqui, com ela.
Ele virou-se e saiu da dispensa, deixando Bela sozinha, com a porta se fechando suavemente atrás dele.
Dom subiu as escadas com o copo de água em mãos, o coração ainda acelerado, a cabeça um turbilhão de pensamentos. O calor do corpo de Eleonora ainda queimava em sua pele, e a lembrança do beijo inesperado de Bela o fazia sentir um misto de culpa e desejo.
Ele m*l podia acreditar em tudo que acontecera em tão pouco tempo — o s**o intenso e espontâneo com Eleonora, a súbita investida de Bela na despensa. Tudo parecia uma tempestade rápida demais para controlar.
Ao chegar no quarto, Dom sentou-se na beirada da cama, olhando para o copo de água como se ele pudesse oferecer alguma resposta ou calma.
Desespero. Era essa a palavra que melhor descrevia o que sentia. Precisava encontrar um caminho, uma decisão — antes que tudo se desmoronasse ao seu redor.
Dom ficou sentado por alguns minutos, o copo de água esquecido na mão. Seus olhos estavam fixos no vazio, enquanto a mente repassava cada segundo daquela noite caótica. O corpo de Eleonora ainda lhe provocava um desejo intenso, uma chama que ele não sabia como apagar. Mas o beijo de Bela, tão inesperado, tinha deixado uma marca — não só física, mas emocional.
Ele sabia que não podia se permitir fraquezas, não agora. Havia um contrato, uma imagem pública a preservar, e uma eleição prestes a acontecer. O escândalo envolvendo seu passado com Bela precisava ficar enterrado, pelo menos por enquanto.
Mas Dom também sabia que as coisas estavam fugindo do seu controle. A aproximação inesperada de Eleonora, a resistência silenciosa dela, a determinação para assumir o comando da casa… Tudo isso o confundia, o irritava e o atraía ao mesmo tempo.
Ele respirou fundo, tentando se concentrar.
— Preciso manter a cabeça no lugar — murmurou, fechando os olhos. — Nada pode sair do script.
Mas será que ainda existia um script para eles dois? Ou tudo estava prestes a explodir?