Eleonora se sentou à beira da cama, o corpo ainda aquecido pelo que acabara de acontecer. Apesar da surpresa inicial, ela não podia negar que aquela intensidade entre ela e Dom despertava algo que ia além do contrato — uma mistura perigosa de desejo, raiva e curiosidade.
Mas, no fundo, uma inquietação persistia. A história de Bela não saía da sua cabeça. Um ex-romance do marido morando ali, tão perto, escondido por trás de sorrisos educados e formalidades da mansão. E, principalmente, o que isso poderia significar para ela?
Ela sabia que precisava ficar alerta. Não podia se deixar levar por impulsos ou sentimentos antes de entender tudo. Afinal, seu objetivo continuava firme: garantir que o contrato fosse respeitado e que sua família fosse protegida.
Levantando-se, ela foi até a janela e olhou para a cidade iluminada. O futuro era incerto, e ela sabia que, para sobreviver naquele jogo, teria que ser muito mais do que a jovem que fora vendida por amor — teria que ser uma estrategista.
Com um suspiro, ela murmurou para si mesma:
— Agora começa a verdadeira luta.
Eleonora, ainda com o corpo quente e a mente agitada, pediu que o jantar fosse entregue no quarto para ela e Dom. Queria prolongar a conexão daquele momento, mesmo que fosse só uma fachada.
— Quero que o jantar venha para cá — disse, com um leve sorriso.
Dom olhou para ela por um instante, ajeitando a camisa desabotoada e as calças confortáveis que usava para ficar em casa.
— Não vou jantar com você — respondeu seco. — Tenho pendências no escritório para resolver. Pode comer sozinha.
Sem esperar resposta, virou-se e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.
Eleonora ficou sozinha, sentindo o silêncio que já não era só ausência, mas também distância.
Eleonora permaneceu sentada na cama, observando a porta fechada. O silêncio do quarto parecia pesar ainda mais depois da saída de Dom. A vontade de prolongar aquela sensação de proximidade se esvaía rápido, substituída por uma mistura de inquietação e frustração.
Ela se levantou e foi até a janela, olhando para as luzes da cidade que brilhavam lá fora, tão distantes quanto o homem que dividia o quarto com ela.
Pensava em tudo que estava acontecendo — o contrato, as mentiras, a ex camareira, as promessas quebradas. Queria entender quem realmente era Dom Carlo por trás da máscara fria, e se naquele casamento forçado ainda havia espaço para algo genuíno.
Com um suspiro profundo, Eleonora sentou-se novamente na cama e pegou o celular, preparando-se para uma longa noite — de perguntas, planos e talvez, decisões difíceis.
Enquanto isso, no escritório, Dom revirava papéis e contatos no celular, tentando afastar a confusão da mente, mas não conseguia tirar a imagem de Bela do pensamento. O beijo dela na despensa queimava em sua memória, misturado à lembrança do toque de Eleonora, criando uma tempestade interna que o consumia lentamente.
O jogo entre eles estava só começando — e a aposta era muito maior do que qualquer um dos dois imaginava.